quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Festival Juventude da Maré

O Parque das Ruínas, em Santa Teresa (RJ), recebe no dia 29 de novembro, domingo, o Festival Juventude da Maré com espetáculos dos grupos teatrais de jovens moradores da comunidade da Zona Norte do Rio de Janeiro, integrantes do Teatro do Oprimido na Maré. ENTRADA FRANCA
 
Depois de dois anos de atuação no Complexo de Favelas da Maré, já tendo realizado dezenas de apresentações em circulação dentro e fora da Maré, além de três edições do #OcupaJovem, o Projeto Teatro do Oprimido na Maré chega, no dia 29 de novembro, ao Parque das Ruínas, em Santa Teresa, com o Festival Juventude da Maré apresentando das 8h às 18h as produções artísticas e os espetáculos dos três grupos teatrais formados por jovens moradores da Maré. Pela manhã, acontece a abertura da Exposição Visões da Maré sobre a trajetória de dois anos do projeto e um espaço infanto-juventil. Na parte da tarde, os grupos apresentam seus espetáculos cujo argumento, texto e músicas foram concebidos pelos próprios jovens, em processo colaborativo com direção e realização do Centro de Teatro do Oprimido. O Festival prestigia ainda outros artistas da Maré, que foram convidados a apresentarem pequenas cenas nos intervalos entre os espetáculos.
 
– Essas peças contam histórias de vida, histórias reais desses jovens, como por exemplo o preconceito que existe no mercado de trabalho em relação ao morador de favela, a segregacão espacial, o machismo, a questão de gênero, a exploracão laboral, o castramento de sonhos e tantas outras do dia-a-dia da juventude da Maré  – comenta o sociólogo Geo Britto, coordenador geral e idealizador do Teatro do Oprimido na Maré.
 
A discussão sobre a temática de cada peça segue mesmo depois do término da apresentação. É nesse momento que inicia o Teatro Fórum, que leva para além do palco as questões da sociedade que precisam ser mudadas. Assim, para fortalecer o diálogo entre o oprimido e o opressor o espectador entra em cena. Uma das principais características do Teatro do Oprimido é essa participação. O Curinga (como Augusto Boal denomina o especialista na metodologia do Teatro do Oprimido) pergunta aos espectadores como eles resolveriam o impasse da peça. Mas não basta o espectador dizer o que faria, ele tem que subir no palco e mostrar. Neste momento um espectador substitui o ator na cena interpretando a alternativa pensada. Em seguida o público discute se aquela alternativa colabora na solução do problema. Muitas alternativas podem existir e outros espectadores entram em cena. Nesse momento a improvisação é que vale.
 
A trajetória do Teatro do Oprimido na Maré
 
As atividades do Teatro do Oprimido na Maré acontecem semanalmente com a participação da juventude local onde esta por meio do teatro faz a leitura estética da realidade em que vive, buscando conhecer, debater, propor e intervir com novas formas de atuação comunitária na Maré a partir da metodologia do Teatro do Oprimido, internacionalmente reconhecido como transformador da realidade social das pessoas envolvidas.
 
Nos primeiros meses de atuação na Maré, em início de 2014, o Teatro do Oprimido na Maré realizou oficinas demonstrativas do método em toda comunidade. Dessas oficinas jovens, entre 15 e 20 anos, todos moradores da Maré, se candidataram para a formação de três grupos de Teatro do Oprimido (os chamados GTOs). Nos meses seguintes, esses jovens receberam treinamento na metodologia do Teatro do Oprimido, participaram de aulas de musicalização, cenografia, pintura, poesia e de cultura digital. No início de 2015 os grupos Maré 12, Marear e Marémoto, acompanhados de um diretor musical, um cenógrafo e um Curinga, começaram a conceber seus espetáculos cujos temas são ligados ao cotidiano da juventude. A escolha da temática, a concepção do texto e músicas das peças foram dos próprios jovens. Atualmente 36 jovens integram os três grupos.
 
Realizado pelo Centro de Teatro do Oprimido, o Teatro do Oprimido na Maré conta com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, da SENAD - Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Ministério da Justiça por meio do Programa Viva Jovem e da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro por meio do Projeto do Ponto LapaMaré da Rede Carioca de Ponto de Cultura.
 
Para conhecer mais a respeito do Teatro do Oprimido na Maré acesse www.ctorio.org.br/ctomare.
 

FESTIVAL JUVENTUDE DA MARÉ
Data: Domingo, dia 29 de novembro, das 8h às 19h
Local: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas – Rua Murtinho Nobre 169, Santa Teresa - Rio de Janeiro – tels. (21) 2215-0621 e 2224-3922
Classificação: LIVRE
ENTRADA FRANCA

 
08:00h – Abertura da “Exposição Visões da Maré” (Pátio de Entrada e Ruínas)
Sinopse: A exposição apresenta vídeos do processo de dois anos de atuação do Teatro do Oprimido na Maré e bandeiras confeccionadas pelos jovens do projeto através de traços e cores, estruturando linhas e experimentando matizes, usando como base telas de tecido. Em ‘Bandeiras da Realidade’ o Complexo da Maré, de origem nordestina e expressividade carioca, de grande extensão territorial e disputa política, com conflitos de diferentes níveis em contraste com uma festividade inerente, foi traduzido pelos jovens cada um criando uma bandeira que representasse a realidade da Maré. Em ‘Bandeira do Desejo’, a partir das bandeiras individuais uma nova reflexão foi gerada e uma nova bandeira criada, desta vez uma bandeira coletiva, contendo os sonhos dos jovens para a Maré do amanhã. De 29 de novembro até 6 de dezembro.

09:00h às 11:00h – Contação de Histórias “A galinha que criava um ratinho” (Lona)
Sinopse: Um galo e uma galinha que não tinham pintinhos começam a criar um ratinho. Um dia, a galinha precisa sair e pede ao galo e ao ratinho para tomarem cuidado com a raposa que ronda o lugar. A raposa faminta bate à porta, e o galo, distraído e preguiçoso, pede para o ratinho atender. Ainda bem que a mamãe galinha usa a cabeça em vez de arrancar as penas para resolver a confusão que se forma.
Com a contadora de histórias Mariana Rosa, a partir do texto de Maria Clara Machado.

13:45h – Performance “Não a Redução da Maioridade Penal” (Entrada do Parque das Ruínas)
Sinopse: A performance discute a redução pela maioridade penal.
Com o elenco do Centro de Teatro do Oprimido e convidados

14:00h – Espetáculo do GTO Marear “A resposta só é não?” (Teatro)
Sinopse: Diogo, morador da Maré consegue um emprego numa multinacional. Porém, ao descobrirem sua origem, é demitido. A peça aborda o preconceito que existe no mercado de trabalho em relação ao morador de favela e a segregacão especial.
Elenco/GTO Marear: Carina Santos, David Carvalho, Gabriel Horsth, Gabriel Affonso, Gustavo Glauber, Jessica Vasconcelos, Joyce Vasconcelos, Kamyla Galdeano, Kíscila Tasciane, Luciana Nunes, Guta Almeida, Matheus Affonso, Luiz Fernandes, Rodrigo Machado, Tailane Santos, Lene Santos e Dayane Souza | Texto e Músicas: Criação coletiva do GTO Marear | Direção: Janna Salamandra e Alessandro Conceição / Centro de Teatro do Oprimido | Direção Musical: Roni Valk | Direção de Imagem e Cenário: Cachalote Mattos | Figurino: Nivea Nascimento | Maquiagem: Wellington Leão | Adereços: Mauro Soh

15:00h – Cena “Verniz: Mataram meu filho” (Galeria)
Sinopse: Resultado de uma pesquisa com mulheres negras do Complexo da Maré, todas marginalizadas num contexto violento e nada democrático que é a favela, o monólogo é baseado em fatos reais e inspirado na trajetória de vida da mãe do ator. A cena apresenta um conto que descreve o genocídio do jovem negro e favelado e as relações familiares que passam por esse contexto.
Direção, texto e atuação: Gabriel Horsth

15:30h – Espetáculo do GTO Maremoto “Marcha Borboleta” (Lona)
Sinopse: Depois do ensaio, Léo e Duda se despedem com o combinado de convidarem seus pais para a grande estreia da peça. Mas Léo se depara com a irredutível ideia do pai de que somente o trabalho de mecânico garantirá seu futuro e na casa de Duda, todas as tarefas domésticas devem ser feitas e refeitas impedindo que ela possa sair. Mas e o sonho de Léo e Duda fazerem teatro? A peça aborda a exploracão laboral e o castramento de sonhos.
Elenco/GTO Maremoto: Kyara Elane, Bárbara Assis, Max Waldorf, Nanny Cunha, Patrick Torres, Jeferson Luciano, Anderson Oliveira, Lucas Brynner, Cynara Farias, Milena Vital e Vinicius Alves | Texto e Músicas: Criação coletiva do GTO Marémoto | Direção: Claudete Felix e Flavio Sanctum / Centro de Teatro do Oprimido | Direção Musical: Roni Valk e John Silva | Direção de Imagem: Cachalote Mattos | Assistente de Curinga: Marcela Farfan | Cenário: Zitto Bedat | Figurino: Kelly Régis | Maquiagem: Wellington Leão | Adereços: Mauro Soh |Assistentes de Produção: Aislan Loyola e Thaynara Oliveira | Camareiras: Luana Silva, Sandra Mendes e Vânia Florisbela

16:30h – Cena “Vai” (Ruínas)
Sinopse: A descoberta de que nossos pais, avós e bisavós tem codificado o nordeste em suas histórias nos levou a um questionamento: Por que nós, moradores da Maré e filhos de nordestinos, nos esquecemos daquela região de nosso país? Vai é o resultado de uma pesquisa cênica a fim de problematizar os caminhos que nos constroem, porém nos perdemos neles. Numa narrativa fantástica, uma família nordestina vai em busca de um lugar chamado Maré.
Direção de Arte e Musical: Rodrigo Sousa e Wallace Lino | Elenco/Grupo Trocas Marginais: Paulo Victor Lino, Marcos Diniz, Marllon Araújo, Gabriel Affonso, Gabriel Hortsh, Guirlherme Sousa, Barbara Assis, Matheus Mello, Kamylinha Galdeano, Juliana Targino, André Souza e Romário Zodic.

17:00h – Espetáculo do GTO Maré 12 “Em uma família” (Área superior do Parque das Ruínas)
Sinopse: Ana tem 15 anos e sonha jogar futebol e tocar berimbau. Porém seu pai diz que futebol é pra homem. Ela quer sair e se divertir, o pai responde que filha tem que ajudar a mãe na faxina, ser boa dona-de-casa para ser uma verdadeira mulher. A peça aborda o machismo que uma jovem sofre dentro da própria família.
Elenco/GTO Maré 12: Aparecida dos Anjos, Gabriela Guedes, Nara Gomes Freire, Nayla Gomes Freire, Maiara Mendonça, Jhenifer Melo, Maiara Fernandes e Kissila Tasciane | Texto e Músicas: Criação coletiva do GTO Maré 12 | Direção: Monique Rodrigues, Alessandro Conceição e Claudete Felix / Centro de Teatro do Oprimido | Direção Musical: Roni Valk | Direção de Imagem e Cenário: Cachalote Mattos | Figurino e Maquiagem: Wellington Leão | Adereços: Mauro Soh | Assistentes de Produção: Aislan Loyola e Thaynara Oliveira | Camareiras: Luana Silva, Sandra Mendes e Vânia Florisbela
18:00h – Coquetel de encerramento com música e maculelê (Área superior do Parque das Ruínas)
 
Ficha técnica
 
Coordenação Geral: Geo Britto
Coordenação Artística: Helen Sarapeck
Curingas: Alessandro Conceição, Claudete Félix, Flávio Sanctum e Monique Rodrigues
Assistente de Curinga: Janna Salamandra
Coordenador de Avaliação: Mario Miranda
Assistentes de Avaliação: Juliana Marques (Estatística) e Paula Beatriz Albuquerque (Documentação)
Facilitadores de Cultura Digital: Adriano Belisário e Surian dos Santos 
Design Gráfico: Alexandre de Castro
Website: Marcelo Paes de Carvalho
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Produção: Amaury Silva
Patrocínio: Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental; SENAD - Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas/Ministério da Justiça por meio do Programa Viva Jovem; Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro por meio do Projeto do Ponto LapaMaré da Rede Carioca de Ponto de Cultura
Realização: Centro de Teatro do Oprimido
 
Atendimento à Imprensa
 
Ney Motta | contemporânea comunicação
assessoria de imprensa
21 2539-2873 e 98718-1965


sábado, 14 de novembro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Autobiografia Autorizada"

..................................................................
Humor e lirismo na Casa da Gávea



Lionel Fischer



A noite de ontem foi muito especial para mim. Com indesculpável atraso, resolvi assistir "Autobiografia Autorizada", em cartaz na Casa da Gávea após cumprir bela temporada nos Correios e percorrer inúmeras cidades no país. Mas ao chegar ao referido espaço constatei a presença de poucos espectadores, certamente por que, no mesmo horário, o Brasil estaria jogando com a Argentina pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

Então, perguntei a Paulo Betti se ele não preferia cancelar a sessão, pois havia a possibilidade de o Brasil jogar bem (o que não acorreu e parece que jamais ocorrerá) e a gritaria se instalar nas redondezas, prejudicando o espetáculo. Paulo me disse que não cancelaria a apresentação, mesmo com a possibilidade de foguetórios. E enfatizou, sempre sorridente e com enorme simpatia, que o fato de ali estarem poucas pessoas não alterava nada: "O teatro é isso, não é? Um dia representamos para muitos, um dia representamos para poucos". 

Efetivamente, o teatro é isso. O verdadeiro artista não permite que sua disponibilidade para se doar esteja atrelada ao número de espectadores. E certamente os poucos que estiveram, ontem, na Casa da Gávea, de lá saíram tão gratificados como eu, pois ali se materializou a melhor definição de teatro que conheço, proferida pelo maior encenador vivo, o inglês Peter Brook: "O teatro é a arte do encontro".

Paulo Betti está comemorando 40 anos de uma belíssima carreira, tendo realizado um total de 117 trabalhos como ator em teatro, cinema, TV, diretor e narrador. E poderia ter escolhido um belo texto de autor consagrado para festejar uma data tão especial. Mas optou por escrever sobre si mesmo, sobre sua família, sobre sua infância e adolescência. E para aqueles que, apressadamente, possam imaginar que na origem de tal iniciativa repousaria uma discutível dose de vaidade, gostaria de dizer que considero abençoados os que se envaidecem de suas trajetórias, desde que as mesmas, naturalmente, contenham tanta poesia, humor e humanidade, como a de Paulo Betti.

Optando por uma estrutura narrativa que mescla confissões e materializações de pessoas vitais, o belíssimo texto de Paulo Betti encontra justa correspondência na brilhante direção de Betti em parceria com Rafael Ponzi, que valoriza, com a mesma intensidade e lirismo, tanto as passagens mais dramáticas quanto aquelas em que o humor predomina. E se a isto somarmos a deslumbrante performance de Paulo Betti, o resultado só poderia ser um dos mais expressivos espetáculos da atual temporada, que deve ser prestigiado de forma incondicional pelo público.

Na equipe técnica, considero igualmente irretocáveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta imperdível empreitada teatral - Mana Bernardes (cenário), Letícia Ponzi (figurino), Dani sanchez e Luiz Paulo Neném (iluminação) Pedro Bernardes (trilha sonora)  e Miriam Weitzman (direção de movimento).

AUTOBIOGRAFIA AUTORIZADA - Texto de Paulo Betti. Direção de Betti e Rafael Ponzi. Com Paulo Betti. Casa da Gávea. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h.








sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Banho de sol"

........................................................................
Várias leituras dificultam conexão



Lionel Fischer



"Primeiro trabalho da Companhia Doêrro - criada em 2014 - a trama abre ao público a possibilidade de várias interpretações. O espetáculo é uma sequência de solos curtos, que abordam a solidão através de linguagens teatrais diferentes". 

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza a essência de "Banho de sol", que tem direção e dramaturgia assinadas por Helena Almeida e Ruy Carvalho, também intérpretes do espetáculo em cartaz no Teatro Café Pequeno.

Como se sabe, o teatro é uma arte fundamentalmente libertária, e portanto pode e deve abrigar uma infinidade de temas e linguagens. No entanto, há que se levar em consideração, como sustenta Peter Brook (maior encenador vivo), que o teatro é essencialmente "a arte do encontro". Ou seja: há que existir algum elo entre quem faz e quem assiste, independentemente da linguagem, tema ou espaço em que se dê a representação. 

No presente caso, estamos diante de um espetáculo que, como consta do trecho do release acima mencionado, permite várias interpretações. Isto, em princípio, nada tem de grave. Mas é óbvio que, dentre várias possibilidades, deve existir ao menos uma com a qual o espectador possa estabelecer uma conexão minimamente satisfatória. Não foi o que me aconteceu, pelas razões que explicito em seguida.

Inicialmente, vemos um homem que, após grande período de imobilidade, começa a proferir palavras intercaladas com uma oração. Este homem, ao longo do espetáculo, empreende uma espécie de partitura, que o leva a repetir gestos e a arrumar e a rearrumar obsessivamente seus pertences - a partir de um certo ponto, seu estado emocional vai se tornando cada vez mais exacerbado, o que o leva a se auto-agredir ou ser agredido por alguém que não vemos. Quem é esse homem? 

Também no início, um vulto de mulher permanece um bom tempo imóvel. De repente, ela começa a falar, mas a iluminação impede que vejamos seu rosto, somente seu vestido. Ela faz uma sôfrega confissão acerca de sua própria personalidade e de como se comporta na vida. Mas o fato de, ao menos durante esta longa fala, não vermos seu rosto, talvez indique que não se trata de alguém em particular, mas da condição feminina. Seria isso?

A partir daí, o homem - como já dito - segue sua partitura. Quanto à mulher, ela basicamente canta trechos de canções infantis. Os dois personagens jamais se encontram (ou tem brevíssimo contato) e talvez a proposta não seja a de mostrar o que está ocorrendo entre duas pessoas que possam ter vivido uma história, mas sim a de enfatizar a solidão humana. Será que esta seria a leitura mais próxima do pretendido? Sinceramente, não sei. 

Seja como for, é inegável a seriedade do projeto, assim como torna-se imperioso destacar o excelente trabalho corporal de Ruy Carvalho e a grande capacidade de entrega de Helena Almeida, assim como a beleza dos figurinos de Júlia Faria (Mulher) e Florência Santángelo (Homem), dos objetos de cena e da iluminação, feita pelos atores com supervisão de Bruno Peixoto.  

BANHO DE SOL - Dramaturgia e direção de Helena Almeida e Ruy Carvalho. Companhia Doêrro. Com Helena Almeida e Ruy Carvalho. Teatro Café Pequeno. Quarta e quinta, 21h.



  







sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Nine - um musical felliniano"

..........................................................................
Montagem imperdível no Clara Nunes



Lionel Fischer



"Guido Contini, diretor de cinema conhecido internacionalmente, está em uma grave crise criativa, sem saber como desenvolver o seu próximo projeto. Para fugir das tensões, ele resolve passar alguns dias em uma SPA em Veneza, onde encontra - em diferentes planos, como realidade, memória, fantasia, sonho - todas as mulheres de sua vida: a mãe, a esposa, a amante, a musa de seus filmes, a prostituta e a sua produtora."

Extraído do ótimo release que me foi enviado, o trecho acima contextualiza "Nine - um musical felliniano", de Maury Yeston (composições e letras) e Arthur Kopit (texto). Baseado no filme 
"8  1/2", de Fellini, lançado em 1963, "Nine" estreou na Broadway em 1982, obtendo extraordinário sucesso. Agora, após cumprir excelente temporada em São Paulo, "Nine" pode ser assistido até o próximo domingo no Teatro Clara Nunes.

Contando com direção artística de Charles Möeller e Claudio Botelho (este também responsável pela versão brasileira), "Nine" traz no elenco Totia Meireles, Carol Castro, Malu Rodrigues, Leticia Birkheuer, Karen Junqueira, Sonia Clara, Myra Ruiz, Agata Matos, Camila Marotti, Laís Lenci, Lola Fanucchi, Priscila Esteves, Luiz Felipe Mello e Nicola Lama, este vivendo o protagonista Guido.

Como sempre ocorre com puristas de plantão, imagino que quase todos poderão ter torcido seus desgraciosos narizes e levantado argumentos poderosíssimos do tipo "mas o filme de Fellini tinha isso, o filme de Fellini tinha aquilo..." e assim por diante. Diante de colocações de tamanha relevância, limito-me humildemente em enfatizar o óbvio: é totalmente pueril se tentar estabelecer comparações entre linguagens diferentes. Até por que, no presente caso, o protagonista não está mergulhado em questões estéticas e existenciais, como no filme, e sim vivendo embates com mulheres fundamentais de sua vida - e tudo isso, diga-se de passagem, acontecendo basicamente dentro de sua cabeça. Isto posto, sigamos adiante.

Não hesito em afirmar que os norte-americanos Yeston e Kopit produziram um material de altíssima qualidade e que este, em sua versão nacional, manteve-se deslumbrante. Em seu trigésimo quinto espetáculo, a dupla Möeller e Botelho reafirma sua excelência, presente em todos os segmentos desta montagem deliciosa e imperdível. 

Com relação à dinâmica cênica, os diretores criaram marcações impregnadas de vigor e teatralidade, além de conseguirem extrair ótimo rendimento de todo o elenco. Em participações mais centradas no canto, Agata Matos, Camila Maroti, Laís Lenci,  Lola Fanucchi e Priscila Esteves exibem vozes belíssimas, além de corpos igualmente belos e forte presença cênica. Na pele da esposa Luisa, Carol Castro destaca-se pela intensidade de sua performance. Karen Junqueira, a diva Claudia, valoriza muito o solo que lhe cabe. Letícia Birkheuer interpreta com correção a crítica Stephanie, com idêntico resultado quando canta. 

Totia Meireles (a produtora Lili La Fleur) é uma presença fascinante, tanto nas passagens faladas quanto naquelas em que nos brinda com sua bela voz. A mesma excelência se faz presente em Malu Rodrigues (a amante Carla) e em Myra Ruiz (a prostituta Sarraghina) - esta última protagoniza a passagem coreográfica mais brilhante do espetáculo. Luiz Felipe Mello, de apenas 9 anos de idade, canta muito bem e é uma figura encantadora em cena. Quanto a Nicola Lama, este vive Guido Contini de forma arrebatadora, exibindo forte presença cênica, grande carisma, voz poderosa e notável capacidade de materializar toda a angústia e fragilidade do protagonista, assim como seu irresistível humor. Sem dúvida, uma performance deslumbrante.

Na equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta sedutora e imperdível empreitada teatral - Alonso Barros (coreografia), Rogério Falcão (cenografia), Lino Villaventura (figurinos), Ademir Moraes Jr. (desenho de som), Paulo Cesar Medeiros (iluminação), Beto Carramanhos (visagismo) e Paulo Nogueira (direção musical e regência). Cabe também destacar a excelência dos músicos Paulo Nogueira (regente e piano 1), Rodrigo Hyppolito (piano 2 e regente substituto), Douglas Andrade (bateria/percussão), Mauro Domenech (baixo acústico), Helena Imasato (violino), Watson Clis (violoncelo), Paulo Jordão (trompete), Douglas Freitas (trombone) e Mauro Oliveira (reed/multi-madeiras).

NINE- UM MUSICAL FELLINIANO - Texto de Arthur Kopit, música e letras de Maury Yeston. Versão brasileira de Claudio Botelho. Direção de Botelho e Charles Möeller. Com Nicola Lama, Carol Castro, Totia Meireles e grande elenco. Teatro Clara Nunes. Hoje e amanhã, 21h. Domingo, 19h.







terça-feira, 3 de novembro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Talk Radio"

................................................................................
Sombria e pertinente visão da América



Lionel Fischer



"O locutor de rádio Barry Champlain comanda, todas as madrugadas, um programa onde responde aos telefonemas de seus ouvintes - pessoas estranhas, solitárias e problemáticas. O programa aborda assuntos polêmicos, como legalização de drogas, homossexualismo, racismo, preconceitos, diferenças religiosas e patologias do comportamento humano. Ao mesmo tempo, a peça mostra os bastidores do programa e a tumultuada relação de Barry com seus colegas de emissora".

Extraído, e um pouco editado, do release que me foi enviado, o trecho acima resume o contexto em que se dá "Talk Radio", do norte-americano Eric Bogosian. Maria Maya responde pela direção do espetáculo (Teatro Solar de Botafogo), estando o elenco formado por Leonardo Franco (Barry Champlain), Alexandre Varella (Dan, ouvintes), Bernardo Mendes (Kent), Marcelo Aquino (Stu, ouvintes), Mariana Consoli (ouvintes), Raul Franco (ouvintes) e Stela Maria Rodriygues (Linda).

Escrito em 1987, este texto poderia soar um tanto defasado, em função da era digital. Mas acredito que o rádio jamais perdeu ou perderá sua força, e menos ainda quando pessoas, como no presente caso, podem conversar com alguém sem nenhuma intermediação. E mais: sabendo que também estão sendo ouvidas por outras pessoas, o que deve gerar algum consolo para os que padecem de solidão ou que julgam que suas opiniões ou desabafos não merecem ser levados a sério. Mas será que Barry leva a sério seus ouvintes?

Em alguns poucos casos, sim, mas na maioria, não. De uma maneira geral, o apresentar se vale dos telefonemas para expor, de forma virulenta e sarcástica, seu desprezo pelas opiniões emitidas e valorizar as próprias. No entanto, se fosse apenas isso, a peça se resumiria em expor uma forte, irônica, virulenta e carismática personalidade, quando na realidade o autor pretendeu muito mais. Em meu entendimento, o que está em causa não são as patologias individuais, mas a patologia de uma nação. 

Posso estar enganado, evidentemente, mas acredito que os ouvintes que telefonam - e não raro inventam histórias - não são tão importantes enquanto indivíduos e sim como integrantes de uma coletividade que, resguardada pelo anonimato, constitui uma das mais graves ameaças a qualquer sociedade: a maioria silenciosa. 

Neste sentido, ao dar voz àqueles que em princípio jamais seriam escutados, o que Barry pretende não é se compadecer com eventuais infortúnios ou desancar os que defendem valores diferentes dos seus, mas fundamentalmente fazer emergir o que jamais vem à tona, exibindo o lodo que se esconde sob a superfície supostamente límpida de uma sociedade que, da forma mais descarada, ainda insiste em ser tomada como exemplo.

Bem escrito, contendo ótimos personagens e exibindo uma ação que prende a atenção do espectador desde o início, "Talk Radio" recebeu segura versão cênica de Maria Maya, tanto nas passagens em que Barry se relaciona com seus ouvintes quanto naquelas em que o foco recai na emissora, durante os intervalos comerciais. A única ressalva que faço à encenadora diz respeito à iluminação de Adriana Ortiz, com a qual, evidentemente, Maria Maya concordou.

Que a luz que incide sobre o apresentador, enquanto o programa está no ar, seja basicamente sombria, até aí tudo bem. Mas por que manter a mesma e imutável atmosfera soturna quando vemos os ouvintes? Será que algum tipo de contraste não tornaria essas relações mais vivas e expressivas? Será que a apropriada utilização da cor não contribuiria para enfatizar ainda mais os diversificados climas emocionais em jogo? Enfim...fica a sugestão.

Com relação ao elenco, Leonardo Franco exibe uma das melhores performances de sua carreira, conseguindo materializar na cena as principais características de uma personalidade controversa e fascinante. No que diz respeito a Alexandre Varella, Bernardo Mendes, Marcelo Aquino, Mariana Consoli, Raul Franco e Stela Maria Rodriygues (por sinal, cada vez mais linda), todos contribuem de forma decisiva para o êxito desta poderosa e mais do que pertinente empreitada teatral.

No complemento da ficha técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de Leonardo Franco (tradução), José Dias (cenografia), João Paulo Mendonça (produtor musical), Marina Beltrão (visagismo), Verônica Machado (preparação vocal) e Cynthia Reis (direção de movimento).

TALK RADIO - Texto de Eric Bogosian. Direção de Maria Maya. Com Leonardo Franco, Alexandre Varella, Bernardo Mendes, Marcelo Aquino, Mariana Consoli, Raul Franco e Stela Maria Rodriygues. Teatro Solar de Botafogo. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h.










Teatro/CRÍTICA

"Cenas de um casamento"

....................................................................
Bela encenação de adaptação ousada



Lionel Fischer



Inicialmente exibida na televisão sueca em seis episódios ("Inocência e pânico", "A arte de empurrar os problemas para debaixo do tapete", "Paula", "O vale de lágrimas", "Os analfabetos" e "No meio da noite em uma casa escura em algum lugar"), a série "Cenas de um casamento", de Ingmar Bergman,  acabou virando filme homônimo e de idêntico sucesso. O presente espetáculo é baseado no roteiro do filme e sua tradução e adaptação ficaram a cargo de Maria Adelaide Amaral.  Bruce Gomlevsky assina a direção do espetáculo (Teatro Ipanema), estando o elenco formado por Juliana Martins (Marianne) e Heitor Martinez (Johan).

Antes de tecer considerações sobre a montagem, julgo oportuno discorrer sobre a presente adaptação. No original, eram nove personagens. Aqui, apenas dois: o casal Marianne e Johan. Isso significa que muitas passagens importantes foram suprimidas, como a entrevista que ambos concedem a uma emissora de televisão para falar sobre o sucesso de seu matrimônio e a visita que recebem de um casal amigo que, durante o jantar, acaba revelando que seu casamento passa por gravíssimas dificuldades.

Isto posto, caberia a pergunta: a omissão de tantas cenas e personagens compromete a essência do projeto de Bergman? A resposta, em princípio, deveria ser sim - ao menos para aqueles que desejassem ver no palco uma transposição do filme. Ocorre, porém, que Maria Adelaide Amaral optou por centrar toda a ação na relação do casal e ao fazê-lo, é claro que de forma consciente, sabia que tal redução implicaria no sacrifício de muitas passagens importantes. 

Ainda assim, todas as reduções efetuadas não me impediram de me envolver profundamente com a trajetória do casal, com seus encontros e desencontros, suas tentativas desesperadas (sobretudo as de Marianne) de reverter um quadro irreversível, suas reflexões sobre o amor, a deterioração do sexo, a dificuldade de educar as filhas, a constante necessidade de aprovação por parte de suas famílias, a massacrante rotina, a inexorável passagem do tempo e assim por diante. Em resumo: não padeci de nenhuma orfandade com relação ao original e consegui usufruir plenamente o belíssimo texto de Bergman, que aqui mereceu ousada adaptação.

Com relação ao espetáculo, o maior mérito de Bruce Gomlevsky não se prende apenas à expressividade de suas marcações e à precisão dos tempos rítmicos, mas fundamentalmente à sua profunda compreensão do caráter, aspirações, carências e contradições dos personagens, o que certamente o ajudou a extrair ótimas atuações do elenco.

Na pele de Johan, Heitor Martinez consegue materializar, com grande sensibilidade, a curva emocional de um homem que, a princípio aparentemente conformado com sua vida e seu casamento, e sugerindo que jamais tomará qualquer atitude capaz de reverter uma situação que parece fadada a se perpetuar, mais adiante é aquele que age - arruma uma amante, sai de casa e tenta trabalhar no exterior. E ao empreender essa mudança, o ator materializa pertinentes alterações vocais, corporais e rítmicas, o que me leva a considerar irrepreensível sua performance.

Juliana Martins é uma atriz que sempre me dá a sensação de que considera perfeitamente possível que cada apresentação sua possa ser a última, ou seja: entrega-se sem reservas, de forma absolutamente visceral, nada economizando e ofertando ao público tudo o que de melhor possui. No presente caso, esse tudo é vasto: valendo-se de sua inteligência cênica e de seus muitos recursos vocais e corporais, a atriz nos brinda com uma composição cuja origem não advém de impulsos exteriores, mas parece surgir de suas entranhas. Sob todos os aspectos e sem sombra de dúvida, estamos diante de uma das melhores performances da atual temporada.

Na equipe técnica, considero excelentes a tradução de Maria Adelaide Amaral, a trilha sonora original de Alex Fonseca, a iluminação de Elisa Tandeta e o figurino de Ticiana Passos. Quanto à cenografia de Pati Faedo, só encontro uma explicação para a permanente mobilidade da mesma: uma tentativa de sugerir que, à medida que os personagens mudam, os espaços que ocupam também se alteram. Mas, ainda que tenha sido esta a ideia, não a considero relevante para a apreensão dos diversificados conteúdos em jogo.

CENAS DE UM CASAMENTO. Texto de Ingmar Bergman. Tradução e adaptação de Maria Adelaide Amaral. Direção de Bruce Gomlevsky. Com Juliana Martins e Heitor Martinez. Teatro Ipanema. Sexta a domingo, 20h.





quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Ou tudo ou nada - O musical"

.........................................................
Deliciosa montagem no Net Rio




Lionel Fischer



Os que entendem da vida sustentam que, em tempos de crise, a criatividade aumenta. E é mesmo possível, ao menos se tomarmos como exemplo Jerry e Dave. Desempregados há meses, o primeiro correndo o risco de perder a guarda do filho e o segundo a atual esposa, ambos decidem dar a seguinte e inesperada guinada em suas vidas: formar uma trupe composta por homens igualmente desempregados para apresentar um show de streap-tease - a ideia surgiu após constatarem que as mulheres não hesitam em pagar um alto preço para desfrutar as delícias de um show dessa natureza. No entanto, será que a empreitada daria certo, já que protagonizada por homens comuns e possuidores de corpos isentos de sedutoras protuberâncias e instigantes concavidades?

Eis o enredo de "Ou tudo ou nada - O musical", em cartaz no Teatro Net Rio. Primeira versão brasileira do musical americano "The Full Monty" (texto de Terrence McNally e música de David Yazbek) baseado no filme homônimo britânico, o espetáculo chega à cena com versão para o português assinada por Artur Xexéu e direção de Tadeu Aguiar. No elenco, Mouhamed Harfouch, Claudio Mendes, André Dias, Victor Maia, Carlos Arruza, Sergio Menezes, Xande Valois, Patrícia França, Kacau Gomes, Sylvia Massari, Samantha Caracante, Carol Futuro, Sara Marques, Larissa Landin, Fabio Bianchini, Felipe Niemeyer e Gabriel Peregrino.

Os que entendem de teatro, seja qual for o gênero, sustentam ser imprescindível se partir de uma boa ideia. Embora não concorde com tal premissa (ou alguém acha que "Hamlet" parte de uma boa ideia?), no presente caso admito duas coisas. A primeira: a ideia é sensacional. A segunda: só mesmo um autor e um músico medíocres conseguiriam o prodígio de desfigurá-la. 

Felizmente, McNally e Yazbeck materializaram uma obra irretocável - o texto, pleno de humor e humanidade, e de impressionante atualidade, cativa a plateia desde o início; e as belas canções são determinantes para a compreensão e evolução da trama, jamais surgindo como meros acessórios para atores/cantores exibirem seus dotes vocais. E, evidentemente, cabe ressaltar a excelente versão para o português feita por Artur Xexéu, a irretocável direção musical de Miguel Briamonte e a deliciosa encenação de Tadeu Aguiar.

Impondo à cena uma dinâmica ágil e criativa, irrepreensível no tocante aos tempos rítmicos e sempre atenta no sentido de valorizar ao máximo todos os diversificados conteúdos em jogo, tanto os mais dramáticos quanto aqueles em que o humor predomina, Tadeu Aguiar exibe o mérito suplementar de haver extraído ótimas atuações de todo o elenco, seja no que se refere aos protagonistas, seja no que concerne aos que têm oportunidades menores. 

E mesmo que alguns possuam vozes mais poderosas, aqui isso não é tão relevante, pois o que está em causa é um universo composto por pessoas comuns - ao menos para mim haveria de soar um tanto estranho se, por exemplo, lá pelas tantas uma atriz que faz uma participação menor emitisse agudos ou graves de uma Maria Callas...

Com relação à equipe técnica, considero irrepreensíveis as colaborações de todos os profissionais envolvidos nesta divertida empreitada teatral - Edward Monteiro (cenografia), Ney Madeira e Dani Vidal (figurinos), Alan Rezende (coreografia), (David Bosboom e Dani Sanchez (desenho de luz), Gabriel D'Angelo e Bruno Pìnho (desenho de som), Harold Wheeler (orquestração), Ted Sperling (arranjos vocais e incidentais), Zane Mark (arranjos para músicas de dança) e Mirna Rubim (preparação vocal). Cabe também destacar a excelência dos músicos Miguel Briamonte e Daniel Sanches (piano), Josias Franco, Ricardo Hulck e Marco Moreira (sopros), Marcelo Rezende (guitarra), Leandro Vasques (baixo) e Tiago Calderano (bateria).

E, finalmente: ainda que não tenha particularizado nenhuma atuação por considerar excelentes todas elas (como já dito), faço absoluta questão de expressar meu total encantamento com a performance do menino Xande Valois que, além de exibir forte presença cênica e incrível charme, interpreta com extrema competência o difícil papel de Nathan, filho de Jerry. 

OU TUDO OU NADA - O MUSICAL - Texto de Terrence McNally. Música de David Yazbek. Versão para o português de Artur Xexéu. Direção de Tadeu Aguiar. Com Mouhamed Harfouch, Claudio Mendes e grande elenco. Teatro Net Rio. Quinta e sexta, 21h. Sábado às 18h e 21h30. Domingo, 19h.