segunda-feira, 10 de março de 2014

Teatro experimental do negro: trajetória e reflexões

 Abdias do Nascimento

VÁRIAS INTERROGAÇÕES suscitaram ao meu espírito a tragédia daquele negro infeliz que o gênio de Eugene O'Neill transformou em O Imperador Jones. Isso acontecia no Teatro Municipal de Lima, capital do Peru, onde me encontrava com os poetas Efraín Tomás Bó, Godofredo Tito Iommi e Raul Young, argentinos, e o brasileiro Napoleão Lopes Filho. Ao próprio impacto da peça juntava-se outro fato chocante: o papel do herói representado por um ator branco tingido de preto.

Àquela época, 1941, eu nada sabia de teatro, economista que era, e não possuía qualificação técnica para julgar a qualidade interpretativa de Hugo D'Evieri. Porém, algo denunciava a carência daquela força passional específica requerida pelo texto, e que unicamente o artista negro poderia infundir à vivência cênica desse protagonista, pois o drama de Brutus Jones é o dilema, a dor, as chagas existenciais da pessoa de origem africana na sociedade racista das Américas.

Por que um branco brochado de negro? Pela inexistência de um intérprete dessa raça? Entretanto, lembrava que, em meu país, onde mais de vinte milhões de negros somavam a quase metade de sua população de sessenta milhões de habitantes, na época, jamais assistira a um espetáculo cujo papel principal tivesse sido representado por um artista da minha cor. Não seria, então, o Brasil, uma verdadeira democracia racial?

Minhas indagações avançaram mais longe: na minha pátria, tão orgulhosa de haver resolvido exemplarmente a convivência entre pretos e brancos, deveria ser normal a presença do negro em cena, não só em papéis secundários e grotescos, conforme acontecia, mas encarnando qualquer personagem – Hamlet ou Antígona – desde que possuísse o talento requerido. Ocorria de fato o inverso: até mesmo um Imperador Jones, se levado aos palcos brasileiros, teria necessariamente o desempenho de um ator branco caiado de preto, a exemplo do que sucedia desde sempre com as encenações de Otelo. Mesmo em peças nativas, tipo O demônio familiar (1857), de José de Alencar, ou Iaiá boneca (1939), de Ernani Fornari, em papéis destinados especificamente a atores negros se teve como norma a exclusão do negro autêntico em favor do negro caricatural. Brochava-se de negro um ator ou atriz branca quando o papel contivesse certo destaque cênico ou alguma qualificação dramática. Intérprete negro só se utilizava para imprimir certa cor local ao cenário, em papéis ridículos, brejeiros e de conotações pejorativas.

Devemos ter em mente que até o aparecimento de Os Comediantes e de Nelson Rodrigues – que procederam à nacionalização do teatro brasileiro em termos de texto, dicção, encenação e impostação do espetáculo – nossa cena vivia da reprodução de um teatro de marca portuguesa que em nada refletia uma estética emergente de nosso povo e de nossos valores de representação. Esta verificação reforçava a rejeição do negro como personagem e intérprete, e de sua vida própria, com peripécias específicas no campo sociocultural e religioso, como temática da nossa literatura dramática.
Naquela noite em Lima, essa constatação melancólica exigiu de mim uma resolução no sentido de fazer alguma coisa para ajudar a erradicar o absurdo que isso significava para o negro e os prejuízos de ordem cultural para o meu país. Ao fim do espetáculo, tinha chegado a uma determinação: no meu regresso ao Brasil, criaria um organismo teatral aberto ao protagonismo do negro, onde ele ascendesse da condição adjetiva e folclórica para a de sujeito e herói das histórias que representasse.

Antes de uma reivindicação ou um protesto, compreendi a mudança pretendida na minha ação futura como a defesa da verdade cultural do Brasil e uma contribuição ao humanismo que respeita todos os homens e as diversas culturas com suas respectivas essencialidades. Não seria outro o sentido de tentar desfiar, desmascarar e transformar os fundamentos daquela anormalidade objetiva dos idos de 1944, pois dizer teatro genuíno – fruto da imaginação e do poder criador do homem – é dizer mergulho nas raízes da vida. E vida brasileira excluindo o negro de seu centro vital, só por cegueira ou deformação da realidade.

Fundação e estréia do TEN

Engajado a estes propósitos, surgiu, em 1944, no Rio de Janeiro, o Teatro Experimental do Negro, ou TEN, que se propunha a resgatar, no Brasil, os valores da pessoa humana e da cultura negro-africana, degradados e negados por uma sociedade dominante que, desde os tempos da colônia, portava a bagagem mental de sua formação metropolitana européia, imbuída de conceitos pseudo-científicos sobre a inferioridade da raça negra. Propunha-se o TEN a trabalhar pela valorização social do negro no Brasil, através da educação, da cultura e da arte.

Pela resposta da imprensa e de outros setores da sociedade, constatei, aos primeiros anúncios da criação deste movimento, que sua própria denominação surgia em nosso meio como um fermento revolucionário. A menção pública do vocábulo "negro" provocava sussurros de indignação. Era previsível, aliás, esse destino polêmico do TEN, numa sociedade que há séculos tentava esconder o sol da verdadeira prática do racismo e da discriminação racial com a peneira furada do mito da "democracia racial". Mesmo os movimentos culturais aparentemente mais abertos e progressistas, como a Semana de Arte Moderna, de São Paulo, em 1922, sempre evitaram até mesmo mencionar o tabu das nossas relações raciais entre negros e brancos, e o fenômeno de uma cultura afro-brasileira à margem da cultura convencional do país.

Polidamente rechaçada pelo então festejado intelectual mulato Mário de Andrade, de São Paulo, minha idéia de um Teatro Experimental do Negro recebeu as primeiras adesões: o advogado Aguinaldo de Oliveira Camargo, companheiro e amigo desde o Congresso Afro-Campineiro que realizamos juntos em 1938; o pintor Wilson Tibério, há tempos radicado na Europa; Teodorico dos Santos e José Herbel. A estes cinco, se juntaram logo depois Sebastião Rodrigues Alves, militante negro; Arinda Serafim, Ruth de Souza, Marina Gonçalves, empregadas domésticas; o jovem e valoroso Claudiano Filho; Oscar Araújo, José da Silva, Antonieta, Antonio Barbosa, Natalino Dionísio, e tantos outros.

Teríamos que agir urgentemente em duas frentes: promover, de um lado, a denúncia dos equívocos e da alienação dos chamados estudos afro-brasileiros, e fazer com que o próprio negro tomasse consciência da situação objetiva em que se achava inserido. Tarefa difícil, quase sobre-humana, se não esquecermos a escravidão espiritual, cultural, socioeconômica e política em que foi mantido antes e depois de 1888, quando teoricamente se libertara da servidão.

A um só tempo o TEN alfabetizava seus primeiros participantes, recrutados entre operários, empregados domésticos, favelados sem profissão definida, modestos funcionários públicos – e oferecia-lhes uma nova atitude, um critério próprio que os habilitava também a ver, enxergar o espaço que ocupava o grupo afro-brasileiro no contexto nacional. Inauguramos a fase prática, oposta ao sentido acadêmico e descritivo dos referidos e equivocados estudos. Não interessava ao TEN aumentar o número de monografias e outros escritos, nem deduzir teorias, mas a transformação qualitativa da interação social entre brancos e negros. Verificamos que nenhuma outra situação jamais precisara tanto quanto a nossa do distanciamento de Bertolt Brecht. Uma teia de imposturas, sedimentada pela tradição, se impunha entre o observador e a realidade, deformando-a. Urgia destruí-la. Do contrário, não conseguiríamos descomprometer a abordagem da questão, livrá-la dos despistamentos, do paternalismo, dos interesses criados, do dogmatismo, da pieguice, da má-fé, da obtusidade, da boa-fé, dos estereótipos vários. Tocar tudo como se fosse pela primeira vez, eis uma imposição irredutível.

Cerca de seiscentas pessoas, entre homens e mulheres, se inscreveram no curso de alfabetização do TEN, a cargo do escritor Ironides Rodrigues, estudante de direito dotado de um conhecimento cultural extraordinário. Outro curso básico, de iniciação à cultura geral, era lecionado por Aguinaldo Camargo, personalidade e intelecto ímpar no meio cultural da comunidade negra. Enquanto as primeiras noções de teatro e interpretação ficavam a meu cargo, o TEN abriu o debate dos temas que interessavam ao grupo, convidando vários palestrantes, entre os quais a professora Maria Yeda Leite, o professor Rex Crawford, adido cultural da Embaixada dos Estados Unidos, o poeta José Francisco Coelho, o escritor Raimundo Souza Dantas, o professor José Carlos Lisboa.

Após seis meses de debates, aulas e exercícios práticos de atuação em cena, preparados estavam os primeiros artistas do TEN. Estávamos em condições de apresentar publicamente o nosso elenco. Revelou-se então a necessidade de uma peça ao nível das ambições artísticas e sociais do movimento: em primeiro lugar, o resgate do legado cultural e humano do africano no Brasil. O que então se valorizava e divulgava em termos de cultura afro-brasileira, batizado de "reminiscências", eram o mero folclore e os rituais do candomblé, servidos como alimento exótico pela indústria turística (no mesmo sentido podemos inscrever hoje a exploração do samba, criação afro-brasileira, pela classe dominante branca, levada nos últimos anos ao exagero do espetáculo carnavalesco luxuoso e, pela carestia, cada vez mais longe do alcance do povo que o criou).

O TEN não se contentaria com a reprodução de tais lugares-comuns, pois procurava dimensionar a verdade dramática, profunda e complexa, da vida e da personalidade do grupo afro-brasileiro. Qual o repertório nacional existente? Escassíssimo. Uns poucos dramas superados, onde o negro fazia o cômico, o pitoresco, ou a figuração decorativa: O demônio familiar (1857) e Mãe (1859), ambas de José de Alencar; Os cancros sociais (1865), de Maria Ribeiro; O escravo fiel (1858), de Carlos Antonio Cordeiro; O escravocrata (1884) e O dote (1907), de Artur Azevedo, a primeira com a colaboração de Urbano Duarte; Calabar (1858), de Agrário de Menezes; as comédias de Martins Pena (1815-1848). E nada mais. Nem ao menos um único texto que refletisse nossa dramática situação existencial.

Sem possibilidade de opção, O imperador Jones se impôs como solução natural. Não cumprira a obra de O'Neill idêntico papel nos destinos do negro norte-americano? Tratava-se de uma peça significativa: transpondo as fronteiras do real, da logicidade racionalista da cultura branca, não condensava a tragédia daquele burlesco imperador um alto instante da concepção mágica do mundo, da visão transcendente e do mistério cósmico, das núpcias perenes do africano com as forças prístinas da natureza? O comportamento mítico do Homem nela se achava presente.

Ao nível do cotidiano, porém, Jones resumia a experiência do negro no mundo branco, onde, depois de ter sido escravizado, libertam-no e o atiram nos mais baixos desvãos da sociedade. Transviado num mundo que não é o seu, Brutus Jones aprende os maliciosos valores do dinheiro, deixa-se seduzir pela miragem do poder. Além do impacto dramático, a peça trazia a oportunidade de reflexão e debate em torno de temas fundamentais aos propósitos do TEN.

Escrevemos a Eugene O'Neill uma carta aflita de socorro. Nenhuma resposta jamais foi tão ansiosamente esperada. Quem já não sentiu a atmosfera de solidão e pessimismo que rodeia o gesto inaugural, quando se tem a sustentá-lo unicamente o poder de um sonho? De seu leito de enfermo, em São Francisco, a 6 de dezembro de 1944, O'Neill nos respondeu:

You have my permission to produce The Emperor Jones without any payment to me, and I want to wish you all the success you hope for with your Teatro Experimental do Negro. I know very well the conditions you describe in the Brazilian theatre. We had exactly the same conditions in our theatre before The Emperor Jones was produced in New York in 1920 – parts of any consequence were always played by blacked-up white actors. (This, of course, did not apply to musical comedy or vaudeville, where a few negroes managed to achieve great sucess). After The Emperor Jones, played originally by Charles Gilpin and later by Paul Robeson, made a great success, the way was open for the negro to play serious drama in our theatre. What hampers most now is the lack of plays, but I think before long there will be negro dramatists of real merit to overcome this lack1.

Esta generosa adesão e lúcido conselho tiveram importância decisiva em nosso projeto. Transformaram o total desamparo das primeiras horas em confiança e euforia. Ajudaram a que nos tornássemos capazes de suprir com intuição e audácia o que nos faltava em conhecimento de técnica teatral e em recurso financeiro para enfrentar as inevitáveis despesas com cenários, figurinos, maquinistas, eletricistas, contra-regra. Encontramos em Aguinaldo de Oliveira Camargo a força dramática capaz de dimensionar a complexidade psicológica de Brutus Jones. Ricardo Werneck de Aguiar nos ofereceu uma excelente tradução. Os mais belos e menos onerosos cenários que poderíamos pretender foram criados pelo pintor Enrico Bianco, os quais se tornaram clássicos no teatro brasileiro. A colaboração desses dois amigos brancos do teatro negro iniciou uma tradição que depois se consolidaria com a ação solidária de muitos outros amigos do TEN, entre eles o fotógrafo José Medeiros, o diretor teatral Willy Keller, o cenógrafo Santa Rosa, o diretor Léo Jusi, assim como o ator Sady Cabral, que encarnou o Smithers de O imperador Jones.

Sob intensa expectativa, a 8 de maio de 1945, uma noite histórica para o teatro brasileiro, o TEN apresentou seu espetáculo fundador. O estreante ator Aguinaldo Camargo entrou no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde antes nunca pisara um negro como intérprete ou como público, e, numa interpretação inesquecível, viveu o trágico Brutus Jones, de O'Neill. Na sua unanimidade, a crítica saudou entusiasticamente o aparecimento do Teatro Experimental do Negro e do grande ator negro Aguinaldo Camargo, comparando-o em estrutura dramática a Paul Robeson, que também desempenhou o mesmo personagem nos Estados Unidos. Henrique Pongetti, cronista de O Globo, registrou: "Os negros do Brasil – e os brancos também – possuem agora um grande astro dramático: Aguinaldo de Oliveira Camargo. Um anti-escolar, rústico, instintivo grande ator".

Um clima de pessimismo e descrença dos meios culturais havia cercado a estréia do TEN, expresso nessas palavras do escritor Ascendino Leite:
“Nossa surpresa foi tanto maior quanto as dúvidas que alimentávamos relativamente à escolha do repertório que começava, precisamente, por incluir um autor da força e da expressão de um O'Neill. Augurávamos para o Teatro Experimental do Negro um redondo fracasso. E, no mínimo, formulávamos censuras à audácia com que esse grupo de intérpretes, quase todos desconhecidos, ousava enfrentar um público que já começava a ver no teatro mais do que um divertimento, uma forma mais direta de penetração no centro da vida e da natureza humana. Aguinaldo Camargo em O Imperador Jones foi, no entanto, uma revelação.”

R. Magalhães Júnior traduziu o desejo dos que não assistiram:

“O espetáculo de estréia do Teatro do Negro merecia, na verdade, ser repetido, porque foi um espetáculo notável. E notável por vários títulos. Pela direção firme e segura com que foi conduzido. Pelos esplêndidos e artísticos cenários sintéticos de Enrico Bianco. E pela magistral interpretação de Aguinaldo de Oliveira Camargo no papel do negro Jones.”

Infelizmente, as circunstâncias não permitiram a repetição daquele espetáculo, pois o palco do Teatro Municipal havia sido concedido ao TEN por uma única noite, e assim mesmo por intervenção direta do Presidente Getúlio Vargas, num gesto no mínimo insólito para os meios culturais da sociedade carioca.

Conquistara o TEN sua primeira vitória. Encerrada estava a fase do negro sinônimo de palhaçada na cena brasileira. Um ator fabuloso como Grande Otelo poderia de agora em diante continuar extravasando sua comicidade. Mas já se sabia que outros caminhos estavam abertos e que só a cegueira ou a má vontade dos empresários continuaria não permitindo que as platéias conhecessem o que, muito acima da graça repetida, seria capaz o talento de atores negros como Grande Otelo e Aguinaldo Camargo.
Como diria mais tarde Roger Bastide, o TEN não era a catarsis que se exprime e se realiza no riso, já que o problema é infinitamente mais trágico: o do esmagamento da cultura negra pela cultura dominante.

A primeira vitória abriu passagem à responsabilidade do segundo lance: a criação de peças dramáticas brasileiras para o artista negro, ultrapassando o primarismo repetitivo do folclore, dos autos e folguedos remanescentes do período escravocrata. Almejávamos uma literatura dramática focalizando as questões mais profundas da vida afro-brasileira. Toda razão tinha o conselho de O'Neill. Uma coisa é aquilo que o branco exprime como sentimentos e dramas do negro; outra coisa é o seu até então oculto coração, isto é, o negro desde dentro. A experiência de ser negro num mundo branco é algo intransferível.

Enquanto não dispunha dessa literatura dramática específica, o TEN continuou trabalhando. Ao imperador Jones seguiram-se outros textos de O'Neill, a começar por Todos os filhos de Deus têm asas, encenado em 1946 no Teatro Fênix, com cenários de Mário de Murtas. Trocando de lugar comigo, Aguinaldo Camargo assumiu, desta vez, a direção dos intérpretes Ruth de Souza, Abdias do Nascimento, Ilena Teixeira e José Medeiros. Cristiano Machado, do Vanguarda, comentou na sua crítica que "Não basta apenas representar O'Neill; o autor de Todos os filhos de Deus têm asas exige que o saibam representar. Foi o que aconteceu no espetáculo a que assistimos no Fênix". Mais tarde, o TEN ainda produziu, de Eugene O'Neill, O moleque sonhador e Onde está marcada a cruz.


Literatura dramática negro-brasileira

No seguinte ano de 1947, houve, afinal, o encontro com o primeiro texto brasileiro escrito especialmente para o TEN:—O filho pródigo, um drama poético de Lúcio Cardoso, inspirado na parábola bíblica. Com cenário de Santa Rosa, o artista que renovou a arte cenográfica do teatro brasileiro, e interpretação principal de Aguinaldo Camargo, Ruth de Souza, José Maria Monteiro, Abdias do Nascimento, Haroldo Costa e Roney da Silva, O filho pródigo foi considerado por alguns críticos como a maior peça do ano teatral. Em seguida, o TEN montou Aruanda, outro texto especialmente criado para ele, escrito por Joaquim Ribeiro. Trabalhando elementos folclóricos da Bahia, o autor expõe de forma tosca a ambivalência psicológica de uma mestiça e a convivência dos deuses afro-brasileiros com os mortais.

Nossa encenação compôs um espetáculo integrado organicamente, com dança, canto, gesto, poesia dramática, fundidos e coesos harmonicamente. Usamos música de Gentil Puget e pontos autênticos recolhidos dos terreiros de candomblé. O resultado mereceu do poeta Tasso da Silveira este julgamento: "É um misto curioso de tragédia, opereta e ballet. O texto propriamente dito constitui, por assim dizer, simples esboço: umas poucas situações esquemáticas, uns poucos diálogos cortados, e o resto é música, dança e canto. Acontece, porém, que com tudo isso, Aruanda resulta numa realização magnífica de poesia bárbara".

Quando terminamos a temporada de Aruanda, as dezenas de tamboristas, cantores e dançarinos organizaram outro grupo para atuar especificamente nesse campo. Depois de usar vários nomes, esse conjunto se tornaria famoso e conhecido como Brasiliana, havendo percorrido quase toda a Europa durante cerca de dez anos consecutivos.
Há um autor que divide o Teatro Brasileiro em duas fases: a antiga e a moderna. É Nelson Rodrigues. Dele é Anjo negro, peça que focaliza sua trama no enlace matrimonial de um preto com uma branca. Ismael e Virgínia se erguem como duas ilhas, cada qual fechada e implacável no seu ódio. A cor produz a anafilaxia que deflagra a violenta ação dramática e reduz os esposos à condição de inimigos irremediáveis. Virgínia assassina os filhinhos pretos; Ismael cega a filha branca. É a lei de talião cobrando vida por vida, crime por crime. São monstros gerados pelo racismo que têm nessa obra a sua mais bela e terrível condenação. Ismael responde: "– Sempre tive ódio de ser negro", quando a tia o adverte sobre a mulher: "– Traiu você para ter um filho branco". Prisioneira das muralhas construídas pelo marido para afastá-la do desejo de outros homens, Virgínia ameaça: "– Compreendi que o filho branco viria para me vingar. De ti, me vingar de ti e de todos os negros".

Infelizmente, a encenação de Anjo negro (1946) não correspondeu à autenticidade criadora de Nelson Rodrigues. O diretor Ziembinski adotou o critério de supervalorizar esteticamente o espetáculo, em prejuízo do conteúdo racial. Foi usada a condenável solução de brochar um branco de preto para viver no palco o Ismael. Tal fato estava intimamente ligado a outro: Anjo negro teve muita complicação com a censura. Escolhida a peça para figurar no repertório de temporada oficial do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, impuseram as autoridades uma condição: que o papel principal de Anjo negro fosse desempenhado por um branco pintado. Temiam, naturalmente, que depois do espetáculo o Ismael, fora do palco e na companhia de outros negros, saísse pelas ruas caçando brancas para violar...

Dir-se-á uma anedota. Entretanto, não existe nem ironia nem humorismo. É fato que, aliás, se repetiu por ocasião da montagem de Pedro Mico, de Antonio Callado. A imprensa refletiu a apreensão de certas classes, achando possível a população do morro entender a representação em termos de conselho à ação direta. Os favelados, a imensa maioria de negros, desceriam dos morros para agressões à moda Pedro Mico que, por seu turno, deseja reeditar os feitos de Zumbi dos Palmares. Antonio Callado realizou obra da maior importância, sacrificada na montagem do Teatro Nacional de Comédia (órgão do Ministério da Educação e Cultura) pela caricatural figura betuminosa do Pedro Mico, ressalvando-se a excelente categoria do ator Milton Morais.

Recentemente, em 1994, houve uma encenação de Anjo negro livre dos ditames da censura institucionalizada e dotada com a feliz participação de atores e atrizes negros como Léa Garcia, Jacyra Silva, Ruth de Souza e Antonio Pompeu. Entretanto, mais uma vez o conteúdo da peça foi preterido, desta vez em favor da dimensão erótica-sensual. Houve até cortes de texto na tentativa de esvaziar a questão racial, verdadeiro âmago da obra, abordada pelo gênio de Nélson de forma tão contundente que dificilmente a sociedade brasileira, até hoje, consegue compreendê-la.

Em 1948, José de Morais Pinho escreveu para o TEN Filhos de santo, peça ambientada na sua cidade do Recife. O texto entrelaça questões de misticismo e exploradores de Xangô (o candomblé da região) com a história de trabalhadores grevistas perseguidos pela polícia. Paixão mórbida de um branco pela negra Lindalva, que se torna tuberculosa pelo trabalho na fábrica. Sério, bem construído, Filhos de santo subiu à cena no Teatro Regina (Rio de Janeiro, 1949).

Medéa sugeriu a Agostinho Olavo sua obra Além do rio (1957). O autor apenas se apóia na espinha dorsal da fábula grega e produz peça original. Conta a história de uma rainha africana escravizada e trazida para o Brasil do século XVII. Feita amante do senhor branco, ela trai sua gente, é desprezada pelos ex-súditos escravizados. Chega o dia do amante querer um lar, um casamento normal com uma esposa branca, de posição social. Rompe sua ligação com Medéa, mas quer levar os filhos. A rainha mata seus próprios filhos, no rio, e retorna a seu povo, convocando: "– Vozes, ó vozes da raça, ó minhas vozes, onde estão? Por que se calam agora? A negra largou o branco. Medéa cospe este nome e Jinga volta à sua raça, para de novo reinar!" A dinâmica visual do espetáculo baseava-se nos cantos e danças folclóricas – maracatu, candomblé – complementadas pelos pregões dos vendedores de flores, frutos e pássaros.

A fusão dos elementos trágicos plásticos e poéticos resultaria numa experiência de négritude em termos de espetáculo dramático que o TEN propunha-se a apresentar ao Primeiro Festival Mundial das Artes Negras, realizado em Dacar no ano de 1966. Com a conquista da independência do Senegal, Dacar havia se tornado a capital danégritude, movimento político-estético protagonizado pelos poetas antilhanos Aimée Césaire e Léon Damas e pelo Presidente do Senegal, poeta Léopold Senghor.

A négritude proporcionara ao movimento de libertação dos países africanos grande impulso histórico e fonte de inspiração. Ao mesmo tempo, influenciou profundamente a busca de caminhos de libertação dos povos de origem africana em todas as Américas, prisioneiros de um racismo cruel de múltiplas dimensões. No Brasil, enfrentando o tabu da "democracia racial", o Teatro Experimental do Negro era a única voz a encampar consistentemente a linguagem e a postura política da négritude, no sentido de priorizar a valorização da personalidade e cultura específicas ao negro como caminho de combate ao racismo. Por isso, o TEN ganhou dos porta-vozes da cultura convencional brasileira o rótulo de promotor de um suposto racismo às avessas, fenômeno que invariável e erroneamente associavam ao discurso da négritude.

Nessas circunstâncias, era compreensível e legítima a nossa ânsia em participar do festival, conhecer de perto o Senegal e os protagonistas da négritude, e trocar experiências com os colegas no exterior, engajados que estávamos na mesma luta. Nada mais natural, aliás, do que nossa presença num festival cujo primordial sentido era o de marcar o momento da conquista da independência dos países africanos com uma homenagem ao papel de sua cultura, mundialmente difundida, como catalisadora do processo libertário – pois era exatamente nesse sentido que o TEN trabalhava a cultura negra no Brasil.

Entretanto, o festival era um acontecimento patrocinado pela Unesco, organismo intergovernamental, e as gestões para a participação das delegações eram feitas através de canais oficiais. O governo brasileiro desmereceu o trabalho do TEN como manifestação de arte negra digna de patrocínio para participar do evento. Historiando o episódio da intolerância racial do nosso Ministério do Exterior, omitindo o TEN da delegação brasileira, escrevemos uma "Carta Aberta" dirigida aos participantes do Festival, à Unesco, e ao Governo da República do Senegal, publicada em 1966 nas revistas Présence Africaine (Paris/Dacar, vol. 30, n. 58) e Tempo Brasileiro (Rio de Janeiro, ano IV, n. 9-10). Sob as mais falsas alegações, o TEN foi excluído e Além do rio ficou aguardando a oportunidade de sua revelação no palco.

Outra peça inspirada na atuação do TEN foi O castigo de Oxalá, escrita em 1961 por um dos poucos autores dramáticos afro-brasileiros da época, Romeu Crusoé, e encenada pelo grupo amadorista Os Peregrinos, no Teatro da Escola Martins Pena.
O escritor afro-brasileiro Rosário Fusco, conhecido como a enfant terrible das letras brasileiras e diretor da revista literária Verde de Cataguazes, escreveu para o Teatro Experimental do Negro, em 1946, o seu Auto da noiva, Farsa em um ato (prólogo e quatro quadros). Deliciosa paródia crítica da perversa ideologia da "democracia racial" brasileira, o Auto da noiva não chegou a ser encenado no Brasil, embora o TEN tenha trabalhado o texto em várias leituras e ensaios. Foi apenas em 1974, numa distante cidade norte-americana de Bloomington, Indiana, que a universidade daquele Estado produziu a peça em português. Tive a alegria de assistir à encenação, levada com muita competência pelos alunos do Departamento de Línguas e Letras Românicas.
Ironides Rodrigues, literato autodidata e homem culto da comunidade afro-brasileira, escreveu uma Sinfonia da favela, encenada por um grupo amador carioca na década dos 1950. Também nos deu sua versão de Orfeu negro.

De minha autoria, surge, em 1952, a Rapsódia negra, espetáculo que lançou duas artistas de grande destaque: a primeira dançarina do espetáculo foi a coreógrafa Mercedes Batista, recém-chegada de seus estudos em Nova York com Katherine Dunham, e a atriz Léa Garcia, cuja arte de interpretação continua a enriquecer a vida cultural do país.

Em 1951, já havia escrito o mistério negro Sortilégio, cuja encenação fora proibida pela censura. Durante vários anos, tentamos a liberação da obra, incriminada, entre outras coisas, de imoralidade. Finalmente, em 1957, o TEN apresentou Sortilégio no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e de São Paulo, com direção de Léo Jusi, cenário de Enrico Bianco, e música de Abigail Moura, regente da Orquestra Afro-Brasileira. O mistério tem seu nervo vital nas relações raciais brasileiras e no choque entre a cultura e a identidade de origem africana e aquela da sociedade dominante eurocentrista. A peça propõe uma estética afro-centrada como parte essencial na composição de um espetáculo genuinamente brasileiro. A respeito de Sortilégio, após falar no bailado dos orixás e dos mortos, nas cantigas das filhas-de-santo, no realismo da questão racial misturado à poesia da macumba carioca, o professor Roger Bastide comenta:
Do ponto de vista das idéias, é o drama do negro, marginal entre duas culturas, a latina e a africana (como entre as duas mulheres, infelizmente igualmente prostitutas); pode-se discutir a solução, a volta à África... A salvação é na mecânica ligada a uma mística africana, e o Brasil pode trazer esta mensagem de fraternidade cultural ao mundo. Mas do ponto de vista teatral, esta volta à África é muito patética; através da bebida de Exu e da loucura, todo um mundo volta das sombras da alma...

Acrescenta Nelson Rodrigues a respeito de Sortilégio: "Na sua firme e harmoniosa estrutura dramática, na sua poesia violenta, na sua dramaticidade ininterrupta, ela constitui uma grande experiência estética e vital para o espectador".
Uma segunda versão do Sortilégio resultou de minha estada de um ano na Nigéria, na cidade sagrada de Ile-Ife (1976-1977). Introduzindo na peça novos personagens e cenários, aprofundamos a dimensão da cultura africana fundamental a seu desenvolvimento. A dimensão histórica também mereceu maior destaque na segunda versão, com referência específica à saga de Zumbi dos Palmares.

Em inglês, estão publicadas as duas versões de Sortilégio, em traduções de Peter Lowndes (primeira versão, editada pela Third World Press, de Chigaco, em 1976) e de Elisa Larkin Nascimento (na antologia Crosswinds, organizada por William Branch e editada pela Indiana University Press, 1993).

Quase todas as peças mencionadas estão incluídas em minha antologia de teatro negro-brasileiro, intitulada Dramas para negros e prólogo para brancos, edição do Teatro Experimental do Negro (1961); e uma seleção de críticas e textos sobre o TEN está reunida no volume Teatro Experimental do Negro – Testemunhos, editado em 1966 pela GRD.

O teatro negro como agente de ação social

O TEN visava a estabelecer o teatro, espelho e resumo da peripécia existencial humana, como um fórum de idéias, debates, propostas, e ação visando à transformação das estruturas de dominação, opressão e exploração raciais implícitas na sociedade brasileira dominante, nos campos de sua cultura, economia, educação, política, meios de comunicação, justiça, administração pública, empresas particulares, vida social, e assim por diante. Um teatro que ajudasse a construir um Brasil melhor, efetivamente justo e democrático, onde todas as raças e culturas fossem respeitadas em suas diferenças, mas iguais em direitos e oportunidades.

Dentro desse objetivo, o TEN propunha-se a combater o racismo, que em nenhum outro aspecto da vida brasileira revela tão ostensivamente sua impostura como no teatro, na televisão e no sistema educativo, verdadeiros bastiões da discriminação racial à moda brasileira. No exterior, a elite brasileira propagandeia uma imagem tão distorcida da nossa realidade étnica que podemos classificá-la como uma radical deformação. Essa elite se auto-identifica exclusivamente como branco-européia. Em contrapartida, escamoteia o trabalho e a contribuição intelectual e cultural do negro ou invoca nossas "origens africanas" apenas na medida de interesses imediatos, sem entretanto modificar sua face primeiramente européia na representação do país no mundo todo. Da mesma forma, a cultura "brasileira" articulada pela mesma elite eurocentrista invoca da boca para fora a "contribuição cultural africana", enquanto mantém inabalável a premência de sua identificação e aspiração aos valores culturais europeus e/ou norte-americanos.

Por tudo isso, era urgente uma ação simultânea, dentro e fora do teatro, com vistas à mudança da mentalidade e do comportamento dos artistas, autores, diretores e empresários, mas também entre lideranças e responsáveis pela formação de consciências e opinião pública. Sobretudo, necessitava-se da articulação de ações em favor da coletividade afro-brasileira discriminada no mercado de trabalho, habitação, acesso à educação e saúde, remuneração, enfim, em todos os aspectos da vida na sociedade.

Neste sentido, o TEN organizou o Comitê Democrático Afro-Brasileiro para atuar a nível político, reivindicando medidas específicas para melhorar a qualidade de vida de nossa gente. O objetivo imediato do comitê era o de inserir as aspirações específicas da coletividade afro-brasileira no processo de construção da nova democracia que se articulava após a queda do Estado Novo. O comitê era composto de um núcleo de negros ativistas a que se agregaram líderes estudantis, e seu local de reunião era uma sala na sede da UNE. O comitê passou um tempo inicial lutando pela anistia aos presos políticos (na sua maioria brancos). Entretanto, quando chegou a hora de tratar das preocupações específicas à comunidade negra, o projeto foi vítima da patrulha ideológica de supostos aliados que acabou desarticulando o comitê. Invocaram o velho chavão de que o negro, lutando contra o racismo, viria a dividir a classe operária...

O Teatro Experimental do Negro não desanimou. Para concretizar seu projeto de interferir, em prol da comunidade de origem africana, no processo de elaboração da nova constituição do país, organizou a Convenção Nacional do Negro (São Paulo, 1945, e Rio, 1946). Resumindo na sua "Declaração Final" o anseio e as aspirações coletivas do grupo negro, a convenção encaminhou à Constituinte de 1946 (através do Senador Hamilton Nogueira) sua proposta de inserir a discriminação racial como crime de lesa-pátria, com uma série de medidas práticas em prol de sua eliminação. Poucos conhecidos são esses antecedentes da lei antidiscriminatória que ficou conhecida, posteriormente, como Lei Afonso Arinos, e cujos termos ficaram muito aquém do previsto no projeto de emenda constitucional patrocinada pela convenção.
Realizou ainda o TEN o histórico I Congresso do Negro Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 1950, cujo documentário está publicado no livro O negro revoltado (segunda edição da Nova Fronteira, 1982). 

A fim de atingir a alienação estética da sociedade convencional, um Concurso do Cristo Negro foi realizado sob a responsabilidade do sociólogo Guerreiro Ramos, no Rio de Janeiro, em 1955. Os concursos de beleza Rainha das mulatas e Boneca de pixe foram concebidos como instrumento pedagógico buscando realçar o tipo de beleza da mulher afro-brasileira e educar o gosto estético popular, pervertido pela pressão e consagração exclusiva de padrões brancos de beleza. O Instituto Nacional do Negro, a cargo do sociólogo Guerreiro Ramos, realizava nos seus seminários de grupoterapia um trabalho pioneiro de psicodrama, visando a desenvolver uma terapia para a consciência dilacerada do negro vitimado pelo racismo.

O jornal Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro divulgou os trabalhos do TEN em todos os seus campos de ação, entre 1948 e 1951. O jornal trazia reportagens, entrevistas, e matérias sobre assuntos de interesse à comunidade. A precariedade dos recursos financeiros do TEN, e do poder aquisitivo de seu público, não lhe permitiu uma permanência maior.

Em 1968, o TEN abriu outra frente de ação, quando lançou em exposição no Museu da Imagem e do Som a primeira coleção de seu Museu de Arte Negra. Interrompido o projeto em razão da perseguição política do regime militar, o teatro continuou em cena, já em termos internacionais, através da atuação de seu fundador, exilado, denunciando o racismo brasileiro em vários fóruns do mundo africano, da Europa, das Américas e dos Estados Unidos. Mas isto é outra história.

Conclusão

Fiel à sua orientação pragmática e dinâmica, o TEN evitou sempre adquirir a forma anquilosada e imobilista de uma instituição acadêmica. A estabilidade burocrática não constituía o seu alvo. O TEN atuou sem descanso como um fermento provocativo, uma aventura da experimentação criativa, propondo caminhos inéditos ao futuro do negro, ao desenvolvimento da cultura brasileira. Para atingir esses objetivos, o TEN se desdobrava em várias frentes: tanto denunciava as formas de racismo sutis e ostensivas, como resistia à opressão cultural da brancura; procurou instalar mecanismos de apoio psicológico para que o negro pudesse dar um salto qualitativo para além do complexo de inferioridade a que o submetia o complexo de superioridade da sociedade que o condicionava. Foi assim que o TEN instaurou o processo de revisão de conceitos e atitudes visando à libertação espiritual e social da comunidade afro-brasileira. Processo que está na sua etapa inicial, convocando a conjugação do esforço coletivo da presente e das futuras gerações afro-brasileiras.

Nota

1 "O senhor tem a minha permissão para encenar O imperador Jones isento de qualquer direito autoral, e quero desejar ao senhor todo o sucesso que espera com o seu Teatro Experimental do Negro. Conheço perfeitamente as condições que descreve sobre o teatro brasileiro. Nós tínhamos exatamente as mesmas condições em nosso teatro antes de O imperador Jones ser encenado em Nova York em 1920 – papéis de qualquer destaque eram sempre representados por atores brancos pintados de preto. (Isso, naturalmente, não se aplica às comédias musicadas ou aovaudeville, onde uns poucos negros conseguiram grande sucesso). Depois que O imperador Jones, representado primeiramente por Charles Gilpin e mais tarde por Paul Robeson, fez um grande sucesso, o caminho estava aberto para o negro representar dramas sérios em nosso teatro. O principal impedimento agora é a falta de peças, mas creio que logo aparecerão dramaturgos negros de real mérito para suprir essa lacuna".
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Abdias do Nascimento foi um dos fundadores da Frente Negra Brasileira (importante movimento iniciado em São Paulo) em 1931, criou o Teatro Experimental do Negro (TEN) em 1944, foi secretário de Defesa da Promoção das Populações Afro-Brasileiras do Rio de Janeiro, deputado federal pelo mesmo Estado em 1983 e senador da República em 1997. É autor de vários livros: Sortilégio, Dramas para negros e prólogo para brancos, O negro revoltado, entre outros. Também é Professor Benemérito da Universidade do Estado de Nova York e doutor Honoris Causa pelo Estado do Rio de Janeiro.

Este texto foi elaborado com a colaboração de Elisa Larkin Nascimento, a partir de outros ensaios do autor. Publicado originalmente na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, nº 25, 1997, pp. 71-81.


Wotzik, Eduardo (1959)

Biografia

Eduardo Wotzik (Rio de Janeiro RJ 1959). Diretor. Inicia sua carreira no teatro como integrante do Grupo TAPA, no qual durante dez anos (1979-1989) desempenha as funções de ator, produtor, coordenador e depois diretor. Em 1982, com o grupo, participa da criação do Projeto Escola, depois denominado Festival de Teatro Brasileiro - projeto de pesquisa e montagens de autores nacionais, que ganha o Prêmio MinC-Inacen especial, pela importante contribuição ao teatro nacional. 

Ainda no TAPA, realiza sua primeira experiência como diretor em O Homem que Sabia Javanês, de Lima Barreto, 1986. Em 1987, recebe o Prêmio Mambembe pela direção de Hanzel and Grethel, adaptação de Anamaria Nunes para libreto da ópera. Quando o TAPA se muda para São Paulo, Eduardo Wotzik resolve permanecer no Rio de Janeiro para  dar continuidade ao projeto de teatro brasileiro. Dirige A Geração Trianon (1988) e Nos Tempos da Opereta (1989), de Anamaria Nunes, e Flagrantes do Rio (1989), de Silveira Sampaio. 

Em 1989, recebe o Prêmio Molière pela direção de O Pássaro Azul, de Maurice Maeterlinck. Em 1990, cria o Centro de Investigação Teatral, núcleo de atividades artísticas, sediado na Casa de Cultura Laura Alvim. Em 1992, inicia uma bem sucedida ocupação do Teatro Glauce Rocha, produzindo oficinas, exposições, palestras, workshops e espetáculos. Nesse ano e no que se segue, dirige dois espetáculos de bastante sucesso de público e crítica, Bonitinha, mas Ordinária (1992) e Tróia (1993), texto do diretor e de Fernanda Schnoor, baseado em Eurípides. 

Ainda na década de 1990, afirma-se definitivamente sua importância como diretor no teatro carioca, sobretudo com as peças Yerma (1995), de Federico García Lorca; Sonata Kreutzer(1996), de Leon Tolstoi; Só In Cena (1998), de Bianca Ramoneda; e Um Ato para Clarice (1999), recital que cria, com a atriz Clarice Niskier, sobre a obra de Clarice Lispector. 

Faz sua estreia como autor, em 2001, com o musical ficcional Aracy de Almeida no País de Araca. No ano seguinte, dirige outro texto seu, Um Ensaio Aberto. Em 2005, cria o Centro de Investigação Teatral - Movimento e realiza os balés Missa para Clarice, inspirado em Clarice Lispector, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, e Éticas, com roteiro em parceria com Marcos Caruso, que estreia no CCBB. 

Concebe e roteiriza, em 2006, Millôr Impossível reunindo textos do humorista Millôr Fernandes. Nos anos seguintes, conhece o Brasil, viajando com o espetáculo. Em 2008, realiza leituras dramatizadas resultantes do projeto Investigando Édipo, desenvolvido com o ator Gustavo Gasparani. Participam dessas apresentações interpretes como: Renata Sorrah, Amir Haddad, Pedro Paulo Rangel, Nelson Xavier. 

Monta, em 2009, o espetáculo O Interrogatório, de Peter Weiss, uma vigília cênica realizada nos teatros Laura Alvim e Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com 40 atores, que por 24 horas relatam os horrores do nazismo e recriam o julgamento de alguns oficiais. Em 2011, recebe o Prêmio Eletrobras para a montagem de Estilhaços, recortes de sua obra homônima publicada em livro, no mesmo ano. 

Em 2012, é contemplado com três editais: novamente o Eletrobras para a montagem de Édipo Rei, de Sófocles; o da Funarte, para a remontagem de "Bonitinha, mas Ordinária"; e o FATE da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, para montagem de Emily, sobre a vida e obra de Emily Dickinson. Em 2013,Emily vence o edital da Caixa Econômica Federal para circulação de espetáculos.

Comentário crítico

A trajetória de Wotzik caracteriza-se pela diversidade de gêneros e pela constante preocupação com a investigação, a originalidade e a consistência, com as quais busca sempre criar espetáculos absolutamente diferentes a cada obra realizada. De estilo despojado, que prima pela secura dramática, Wotzik torna-se um dos diretores cariocas mais representativos, a partir dos anos 1990.
É o que se vê na encenação de Yerma, de Federico García Lorca, no CCBB, em 1995, quando o diretor consolida o seu estilo. A primazia pelo essencial, quase árido, se faz notar por meio de uma linguagem estática, numa composição sem cenários, na qual os atores fazem gestos econômicos e a palavra é destituída de qualquer dramatização. 

Efeito similar observa-se na sua direção de Luis Melo, no monólogo Sonata Kreutzer (1996), de Leon Tolstoi, trabalhado como um depoimento do qual qualquer adereço, movimento ou elemento plástico é eliminado para dar lugar à palavra.
Sobre sua busca constante pela simplicidade e o uso mínimo de elementos, o crítico Macksen Luiz avalia, no monólogo Só In Cena (1998), que a fluência e a dinâmica do espetáculo, bem como sua interação com o público, resultam "da capacidade do diretor em estabelecer, com sutil intensidade nas tonalidades, o ritmo da interpretação da atriz [...] Em manter a simplicidade e estimular a comunicabilidade das narrativas [...]".1
Em seu primeiro texto encenado, o musical Aracy de Almeida no País de Araca, evita o convencionalismo do gênero para abordar a figura da cantora Aracy de Almeida. Na trama ficcional, os políticos convertem Aracy, figura na contramão dos valores dominantes, num ícone, com o objetivo de atenuar a crescente obsessão pelo enriquecimento que toma conta da vida nacional. A mídia sustenta essa escolha, por meio da criação de um programa de televisão, no qual um transexual, o Araca, se transfigura, física e psicologicamente, em Aracy. A história real da cantora, conhecida Dama do Encantando, corre em paralelo à trama fantástica. 

Segundo o crítico Macksen Luiz, o tema central desse espetáculo é o Brasil "que se confunde com um grande auditório de televisão, onde desfila o cortejo da miséria nacional, em que calouros e jurados, apresentadores e candidatos fazem a triste figura de uma mesma realidade"2 e a personagem da cantora, vivida pelo ator Leandro Hassum, surge como símbolo da autenticidade nacional.
Já seu segundo texto, Um Ensaio Aberto, de 2002, é comentado pelo critico Lionel Fischer: "[...] A peça de Wotzik oferece à plateia um retrato bem humorado e critico de uma juventude de zona sul que não sabe exatamente como conduzir essa dádiva que é o ato de viver. E tal interesse se deve não apenas a diálogos ágeis e saborosos, mas também a uma dinâmica cênica, que aparentemente solta, no fundo revela o rigor formal que caracteriza todas as montagens desse excelente encenador".
Nos espetáculos Estilhaços (2011), novamente de sua autoria, e no premiado Emily (2012 e 2013), Eduardo reafirma seu trabalho de diretor, no qual a busca pela economia potencializa e concentra em cada elemento uma grande poeticidade.
Além da destacada carreira como diretor, Eduardo Wotzik tem uma atuação fundamental como produtor cultural, tendo encabeçado importantes projetos para o desenvolvimento do teatro no Rio de Janeiro. Nesse cenário têm destaque seus trabalhos na criação do Festival de Teatro Brasileiro, ainda com o TAPA, que por cinco anos dedica-se à realização de peças de autores nacionais (de Martins Pena a Nelson Rodrigues), desenhando assim uma perspectiva do teatro brasileiro.
Sua busca por uma identidade artística e pelo constante aprofundamento das investigações de técnicas teatrais o leva, também, a criar o Centro de Investigação Teatral, voltado para pesquisa, formação de atores e produção de oficinas e espetáculos. Há ainda, sua intervenção no Centro de Investigação Teatral, na Casa de Cultura Laura Alvim, transformando-a num espaço movimentado e dinâmico para as artes cênicas.
Notas1. LUIZ, Macksen. Bom humor e sinceridade cênica. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 jan. 1998.

2. LUIZ, Macksen. O Brasil em auditório de tv. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 out. 2001.


Atualizado em 27/11/2013
Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural


Mímica



A mímica é uma forma de exprimir pensamentos e sentimentos através de símbolos, como gestos e sinais; assim, ela integra a ciência da simbologia, a sematologia, utilizada como meio de expressar o que se passa na mente e no campo emocional através das linguagens que não se valem das palavras.

Nos dicionários é possível encontrar uma definição mais geral desta expressão – transmissão de mensagens por meio de elementos da comunicação que dispensam o uso de vocábulos; ato de arremedar o outro, de reproduzir gestos, propriedades, manifestações faciais ou deslocamentos de outrem.

Este meio de expressão pode se resumir a uma simples brincadeira, um jogo, ou uma categoria artístico-cultural, conjugada ao teatro ou drama, fundamentando-se, assim, na mobilidade e nos gestos como elementos expressivos. Desta forma, é possível narrar uma história ou relatar um evento se valendo da mímica.

O mímico utiliza o veículo corporal para transmitir seu comunicado. Mas ele não deve ser confundido com o intérprete cômico dos filmes mudos, nos quais o ator desempenha o papel de um personagem desengonçado em um determinado filme. 

Vários destes profissionais realizam performances em espetáculos, com gestos e manifestações fisionômicas. Nas peças que se valem da mímica, as palavras também podem integrar a interpretação, desde que os principais recursos cênicos sejam a mobilidade e a expressão facial do artista.

A mímica, enquanto gênero teatral, pode ser Literal, quando o intérprete narra enredos, relata eventos, elabora contextos ou gera atmosferas concretas por meio de movimentos e do gestual apropriado; ou Abstrata, quando o profissional enfoca situações nada racionais, baseando suas expressões em símbolos e recursos abstratos.

Há muitas brincadeiras tradicionais e eventos lúdicos, tanto para crianças quanto para adultos, que também utilizam a mímica, desta vez como entretenimento. Estes jogos são ideais para o aprimoramento da capacidade de raciocinar e para melhorar a relação social entre os participantes.

Na Grécia antiga ela era um recurso valioso nos palcos; no cinema mudo ela também contribuía para uma melhor comunicação entre os intérpretes e a platéia. O inesquecível Charles Chaplin, com seu memorável personagem Carlitos, era um mestre nesta arte. Com o advento do cinema falado, a mímica se deslocou para os palcos teatrais e performances públicas.

Normalmente, nas brincadeiras, um dos jogadores é escolhido para atuar apenas através da mímica, representando, assim, um objeto ou um tema pré-selecionado. Os demais participantes devem se esforçar para adivinhar o que está sendo transmitido. O vencedor é recompensado com algum prêmio anteriormente combinado.
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sexta-feira, 7 de março de 2014



MOSTRA ESTUDANTIL DE TEATRO VIII

De volta ao Centro Cultural Banco do Brasil para sua OITAVA edição, a Mostra Estudantil de Teatro reafirma sua relevância na vida cultural da cidade, levando ao público do CCBB espetáculos de 10 escolas de teatro do Rio de Janeiro.

De 15 a 30 de março de 2014
no Centro Cultural Banco do Brasil

Uma nova geração de atores chega ao palco do Teatro I do CCBB com a Mostra Estudantil de Teatro VIII. Coordenada desde o seu nascimento, em 2006, por Hermes Frederico, a Mostra ganhou força e prestígio a cada edição, e agora, em 2014, traz espetáculos de 10 escolas de formação de atores do Rio de Janeiro. Estão presentes a Cia. TEATRO CONTEMPORÂNEO, Grupo NÓS DO MORRO, UNI-RIO, Casa de Cultura EDUARDO CABÚS, Escola de Teatro LEONARDO ALVES, NOVA Escola de Teatro, Escola Técnica Estadual de Teatro MARTINS PENA, Escola Técnica de Formação de Atores TÂNIA DE MORAES, Teatro da LAJE e Faculdade CAL.

Este ano, assim como nas edições anteriores, o foco está na apresentação de trabalhos desenvolvidos pelas escolas de teatro do Rio de Janeiro com seus alunos. Cada uma delas mostrará seu estilo e suas concepções dramatúrgicas, transformando o evento num rico mosaico da cena contemporânea carioca. O público vai poder conferir a evolução e o crescimento da produção estudantil na área e a influência desses fatores no mercado de artes cênicas. Para abrigar esse encontro entre diversos grupos teatrais da cidade e a plateia, mais uma vez podemos contar com o palco privilegiado do Centro Cultural Banco do Brasil, que segue em sua vocação de fomentar as artes, a educação e a cultura, abrindo suas portas para esses jovens artistas.

A Mostra Estudantil de Teatro VIII traz uma diversificada seleção de textos. De Naum Alves de Souza a Shakespeare, passando por releituras das obras de Beckett, Italo Calvino e Dostoievski, o público irá desfrutar de um variado cardápio de concepções e montagens.

Cada espetáculo fará UMA apresentação, sempre com entrada franca, às 19h.
A CAL abre os trabalhos com bom humor, reunindo mestres da comédia universal, como Goldoni e Molière, em Uma comédia dentro de uma comédia dentro... Depois é a vez do TEATRO DA LAJE fazer sua estreia na Mostra com a criação coletiva A viagem da Vila Cruzeiro à Canaã de Ipanema numa página do Facebook.

Na semana seguinte, a também estreante Cia. TEATRO CONTEMPORÂNEO encena o clássico de Shakespeare Sonho de uma noite de verão, numa adaptação de Walcyr Carrasco. TÂNIA DE MORAES traz um texto de Marcelo Tosta inspirado em Virginia Woolf, Do outro lado de Woolf. A Escola de Teatro LEONARDO ALVES aposta no regional com A Farsa do Poder, do potiguar Racine Santos e, finalmente, o Grupo NÓS DO MORRO mergulha na obra universal do russo Fiodor Dostoiévski em DOSTOIÉVSKI, uma alma NÃO pacificada!

A terceira e última etapa começa com O último Godot, montagem da UNI-RIO para o  texto do romeno Matéi Visniec inspirado na emblemática peça de Samuel Beckett, Esperando Godot. A MARTINS PENA adapta contos do escritor Italo Calvino para construir Resquícios e a NOVA ESCOLA DE TEATRO revive o grande sucesso de Naum Alves de Souza, Aurora da minha vida. Encerrando a VIII Mostra de Teatro Estudantil do CCBB, a Casa de Cultura EDUARDO CABUS encena o texto futurista da atriz e escritora Di Velloso, Um minuto na eternidade (O ciclo do ser).

PROGRAMAÇÃO dia a dia

15 de março (sáb)  19h

 

CAL – Uma comédia dentro de uma comédia dentro de um a comédia...


O espetáculo reúne fragmentos de obras de grandes autores da comédia universal como Aristófanes, Molière e Goldoni. Um elenco ensaia uma peça e a partir daí tudo pode acontecer. Em cena, mais de 20 atores jogam, cantam e dançam encenando um dos temas mais apreciados da dramaturgia: a saga de uma montagem teatral.

Elenco: Lis Fortinguerra, Breno Freitas, Diogo Fujimura, Daniela Lemes, Judson Feitosa, Pedro Sarmento, Laís Medeiros, Rafael Hauí, Maha Sati, Karla Dalvi, Bianca  Giselle Brito, Gabriele Costa, Lipe Adler, André Brito, Yuri Ribeiro, Gabriel Stauffer, Gabriel Canella, Andre Ceppas e Mathias Wunder.
Ficha Técnica: Adaptação/Direção: Adriana Maia; Figurino: Bianca Brunstein e Karla Dalvi; Iluminação: Yuri Ribeiro e Rafael Queiroz; Produção: Bianca Brunstein
Duração: 85 minutos /  Classificação: 14 anos

 

16 de março (dom) 19h

 

TEATRO DA LAJE - A viagem da Vila Cruzeiro à Canaã de Ipanema numa página do Facebook

 

Um grupo de jovens de uma favela do Rio de Janeiro peregrina pela orla da cidade para encontrar uma faixa de areia onde possa ficar. Durante o périplo, um dos integrantes do grupo narra os acontecimentos à medida que os registra em fotos que comporão o álbum de sua página no Facebook.


Elenco: Camila Gamboa, Daivson Garcia, Daniela Joyce, Débora Teixeira, Hugo Bernardo, Igor da Silva, Leandro Nunes, Marlon Procópio.
Ficha técnica: Texto: criação coletiva do Grupo Teatro da Laje sobre roteiro de Verissimo Junior; Direção: Verissimo Junior; Iluminação: Aurélio de Simoni; Operação de luz: Marcos Jonathan; Operação de som: Verissimo Junior; Preparação vocal: Ronald Valle.
Duração: 80 minutos / Classificação: 14 anos
20 de março (qui) 19h

Cia. TEATRO CONTEMPORÂNEO - Sonho de uma noite de verão

Repleto de humor, músicas e cenas surpreendentes, o espetáculo discute as relações interpessoais, encontros, desencontros e equívocos da vida. As referências culturais, crenças e mistérios de cada um e como lidamos com tudo isso.

Elenco: Aline Fernandes, Angela Maurity, Bianca Fonseca, Bruno Eduardo Galvão, Fernanta Motta, Flávia Rosella, Francisco Nieto, Guga Guimarães, Igor Nascimento, Laís Angelo, Márcia Regro, Marco Antonio Thuler, Nádia Mangini, Najla Coelho, Natasha Bellas, Renilda Navegante, Ruy Lemos e Sílvia Soares.
Ficha Técnica: Texto: William Shakespeare; Adaptação: Walcyr Carrasco; Direção: Silvia Carvalho.
Duração: 90 minutos / Classificação: 14 anos

 

21 de março (sex) 19h

 

Escola de Teatro Tânia de Moraes - Do outro lado de Wool

 

Margarida parece enlouquecer! Sua fúria foi despertada pela leitura de Orlando, de Virgínia Woolf. A partir daí, tudo começa a ser remexido na família, alcançando também o vilarejo e as outras pessoas. Uma intrigante teia de revelações se forma diante dessa “loucura” e vai levantando poeira para culminar num desfecho surpreendente.


Elenco: Elaine Giglio, Cristiano Carlos Nascimento, Maria Elisabeth Mendonça dos Santos, Jullianny Dias, Bennya Giri, Jonathan Ferreira, Eduardo Moraes, Aline Cruz, Sarita Santhi, Marcia Gomes, Gelda Veloso e Josenildo Silva.
Ficha Técnica: Autor/Diretor Marcelo Tosta.
Duração: 90 minutos / Classificação: 14 anos

22 de março (sáb) 19h

Escola de Teatro Leonardo Alves - A farsa do poder

Comédia política. A montagem conta a história de um prefeito corrupto que transforma uma casa de prostituição em hospital para garantir a aprovação do Governador e continuar com seu mandato.

 

Elenco: José Fagundes, Kleber Campisi, Miranda Ribeiro, Olivia de Oliveira e Raquel Ribeiro.

Ficha Técnica: Texto: Racine Santos; Direção: Ribamar Ribeiro; Figurino: Nívea Nascimento; Preparação Vocal e Visagismo: Getulio Nascimento; Cenografia: José Fagundes e Miranda Ribeiro;  Música Original: Getulio Nascimento; Iluminação: Ribamar Ribeiro;  Preparação Corporal: Fernanda Dias e Ribamar Ribeiro
Duração: 60 minutos / Classificação: 14 anos


23 de março (dom) 19h

Grupo Nós do Morro - DOSTOIÉVSKI, uma alma NÃO pacificada!

Os conflitos do homem que tenta conviver em sociedade e as transformações do ser humano ao chegar num mundo repleto de regras e conflitos. O cotidiano, a política, as diferenças sociais, a competição desenfreada aliada ao consumo exagerado.... Como ficar imune a tudo isso? Pacificado ou domesticado? Viver nas grandes cidades virou sinônimo de viver em campos de batalhas.

Elenco: Alex Ribeiro, Amanda Oliveira, Fabio Bandeira, Ronan Vicente, André Dread, Sodré Erdos, Douglas Tavares, Clarisse Miranda, Jorge Ribeiro, Antonia Carlos Gomes
Flavia Eloah Barsan, Lúcio Pedra, Juliana Melo, Chris Silver, Priscilla Campos, Rodrigo Souza, Philippe Barbosa, Ethyenne Marques, Francisca Damião, Inácia Silva, Rafa Cruz
Raquel Polistchuck, Mercedes Magalhães, Undré T., Tom Rodrigues.
Ficha Técnica: Roteiro e Direção:  Cico Caseira;  Iluminação: Kizi Vaz ; Figurino:  Ethyenne Marques, Ronan Vicente e Cico Caseira; Cenário: Criação Cico Caseira e execução turma 4A.
Duração: 70 minutos / Classificação: 16 anos

 

27 de março (qui) 19h

 

UniRio – O Último Godot

 

Dois estranhos, assíduos espectadores e amantes do teatro, se encontram num não-lugar. Entre os restos do teatro no lixo e o esgoto correndo pela sarjeta a seus pés, vão revelando aos poucos seus pontos de vista, reflexões e sentimentos diante da possibilidade da morte e extinção de sua principal razão de sobrevivência: o teatro. Em meio a essa crise, acabam descobrindo que não são tão estranhos assim, um ao outro, como pensavam.

 

Elenco: Phellipe Azevedo e Ricardo Rocha

Ficha Técnica: Texto: Matéi Visniec; Direção: Maíra Kestenberg;  Orientação de Direção: André Paes Leme; Cenografia: Paula Cruz; Orientação de Cenografia: Lidia Kosovski;  Figurino: Aline Besouro e Manoella Moura;  Orientação de Figurino: Teresa Devulsky;  Desenho de luz: Pedro Struchiner; Orientação de Iluminação: Jorginho de Carvalho.
Duração: 70 minutos / Classificação: 14 anos

28 de março (sex) 19h

Escola de Teatro Martins Pena - Resquícios

Em plena selva de asfalto e cimento da cidade industrial, o operário Marcovaldo busca a Natureza. Mas existe ainda a boa e velha natureza? Ou tudo não passa de imitação, artifício e engano?
Elenco: Andrea Romão, Caio Passos, Deisi Margarida, Diogo Rodrigo, Erick Villas, Felipe Silcler, Fred Bilheri, Hikari Amada, Isadora Marinho, Jessica Obaia, Joice de Negri, Joyce Francisco, Juliana Marins, Junio Duarte, Letícia Iecker, Mariana Novaes, Sheilla Garcia.
Ficha Técnica: Texto: Italo Calvino; Direção: Carmen Frenzel; Direção Musical e composições originais: Marcio Carvalho e Raoni Costa; Preparação Corporal: Vera Lopes; Preparação Vocal: Josane Custodio; Iluminação: Renato Machado
Cenário: Aldecir Azevedo; Figurino: Nívea Faso; Visagismo: Rogerio Garcia
Duração: 65 minutos / Classificação: 14 anos

29 de março (sáb) 19h

Nova Escola de Teatro - Aurora da minha Vida

Com texto já clássico de Naum Alves de Souza, o espetáculo mostra de maneira leve e divertida as relações e conflitos do sistema escolar repressor da época da ditadura. Nessa montagem, a peça ganha formato musical com letras e músicas de Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Jobim, Caetano Veloso e outros mestres da MPB.

Elenco: Anallú Pontes, Higuy Hartmann, Icaro Milfont, Isabela Monckey, Isabelle Ricart, Monica Vaz, Pablo Almeida, Renata Prudêncio, Rodrigo dos Santos, Silvio Rocha, Tállisson Marques.
Ficha Técnica:  Texto: Naum Alves de Souza; Direção: Cico Caseira; Musicas: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Francis Hime, Tom Jobim,  Sivuca, Julinho da Adelaide e Ruy Guerra; Direção Musical: Paulinho Aguiar; Musicista: Tatiana Rodrigues;  Figurinos: Clivia Cohen e Clara Cohen.
Duração: 60 minutos / Classificação: 14 anos

30 de março (dom) 19h

Casa de Cultura Eduardo Cabus - Um minuto na eternidade (O ciclo do ser)

Ano de 2221, o planeta está em colapso.  Dois cientistas se oferecem como cobaias em uma missão que aparentemente irá salvar a terra.  Uma máquina central capaz de zerar lembranças e sentimentos no ser humano comandaria a humanidade eliminando assim ódio, amor, e todas as ações decorrentes deles. Uma viagem ao futuro e ao passado abrindo um portal para experiências de vidas passadas.

Elenco: Andreza Rodrigues dos Santos, Augusto César de Sousa Neves Pereira, Daniel Silva Sobrinho, Fabio Cesar Pereira, João Guilherme, Larissa Zanchetta Ferreira,
Larissa de Oliveira Brujin, Leonardo Santos Furtado, Lucas dos Santos Guerra,Magno Myller Gonçalves Henrique, Márcia Correa da Silva, Marlene Moreira da Silva,
Mauricio Lage de Souza, Milena Maria dos Santos Macedo, Paulo Sergio Francisco das Neves, Renata Ferreira Alves, Sindirley de Oliveira Almeida, Telma Maria Gomes, Thalita Cumi, Jê Aldama, Thalita Sambogna, Taísa Alves dos Santos, Uilton Salvador,
Ullen Gabriel Luz Santos, Valdinéia Gonçalves Ganda Barbosa, Willians Dias Couto
Cesar Bournier, Gabriel Mendes Coutinho, Dadá Pessanha.
Duração: 80 minutos / Classificação: 14 anos


MOSTRA ESTUDANTIL DE TEATRO VIII
De 15 a 30 de março
Primeira semana sábado e domingo, 19h
Semanas seguintes de quinta a domingo, 19h

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL (Teatro I)
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro – Tel.: 3808-2020
ENTRADA FRANCA
 (distribuição de senhas uma hora antes do evento)
Capacidade: 172 lugares

Idealização e Coordenação Geral: Hermes Frederico
Direção de Produção: Humberto Braga
Patrocínio: Banco do Brasil

ASSESSORIA DE IMPRENSA
Roberta Rangel - (21) 9 9808-0030 / 2204-0297
&
Eleonora Jaeger - (21) 9 9948-7991 / 2287-7174


ASSESSORIA DE IMPRENSA CCBB
Bianca Mello