Wotzik, Eduardo (1959)
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Biografia
Eduardo Wotzik (Rio de Janeiro RJ 1959). Diretor. Inicia sua carreira no teatro como integrante do Grupo TAPA, no qual durante dez anos (1979-1989) desempenha as funções de ator, produtor, coordenador e depois diretor. Em 1982, com o grupo, participa da criação do Projeto Escola, depois denominado Festival de Teatro Brasileiro - projeto de pesquisa e montagens de autores nacionais, que ganha o Prêmio MinC-Inacen especial, pela importante contribuição ao teatro nacional.
Eduardo Wotzik (Rio de Janeiro RJ 1959). Diretor. Inicia sua carreira no teatro como integrante do Grupo TAPA, no qual durante dez anos (1979-1989) desempenha as funções de ator, produtor, coordenador e depois diretor. Em 1982, com o grupo, participa da criação do Projeto Escola, depois denominado Festival de Teatro Brasileiro - projeto de pesquisa e montagens de autores nacionais, que ganha o Prêmio MinC-Inacen especial, pela importante contribuição ao teatro nacional.
Ainda no TAPA, realiza sua primeira experiência como diretor em O Homem que Sabia Javanês, de Lima Barreto, 1986. Em 1987, recebe o Prêmio Mambembe pela direção de Hanzel and Grethel, adaptação de Anamaria Nunes para libreto da ópera. Quando o TAPA se muda para São Paulo, Eduardo Wotzik resolve permanecer no Rio de Janeiro para dar continuidade ao projeto de teatro brasileiro. Dirige A Geração Trianon (1988) e Nos Tempos da Opereta (1989), de Anamaria Nunes, e Flagrantes do Rio (1989), de Silveira Sampaio.
Em 1989, recebe o Prêmio Molière pela direção de O Pássaro Azul, de Maurice Maeterlinck. Em 1990, cria o Centro de Investigação Teatral, núcleo de atividades artísticas, sediado na Casa de Cultura Laura Alvim. Em 1992, inicia uma bem sucedida ocupação do Teatro Glauce Rocha, produzindo oficinas, exposições, palestras, workshops e espetáculos. Nesse ano e no que se segue, dirige dois espetáculos de bastante sucesso de público e crítica, Bonitinha, mas Ordinária (1992) e Tróia (1993), texto do diretor e de Fernanda Schnoor, baseado em Eurípides.
Ainda na década de 1990, afirma-se definitivamente sua importância como diretor no teatro carioca, sobretudo com as peças Yerma (1995), de Federico García Lorca; Sonata Kreutzer(1996), de Leon Tolstoi; Só In Cena (1998), de Bianca Ramoneda; e Um Ato para Clarice (1999), recital que cria, com a atriz Clarice Niskier, sobre a obra de Clarice Lispector.
Faz sua estreia como autor, em 2001, com o musical ficcional Aracy de Almeida no País de Araca. No ano seguinte, dirige outro texto seu, Um Ensaio Aberto. Em 2005, cria o Centro de Investigação Teatral - Movimento e realiza os balés Missa para Clarice, inspirado em Clarice Lispector, no Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, e Éticas, com roteiro em parceria com Marcos Caruso, que estreia no CCBB.
Concebe e roteiriza, em 2006, Millôr Impossível reunindo textos do humorista Millôr Fernandes. Nos anos seguintes, conhece o Brasil, viajando com o espetáculo. Em 2008, realiza leituras dramatizadas resultantes do projeto Investigando Édipo, desenvolvido com o ator Gustavo Gasparani. Participam dessas apresentações interpretes como: Renata Sorrah, Amir Haddad, Pedro Paulo Rangel, Nelson Xavier.
Monta, em 2009, o espetáculo O Interrogatório, de Peter Weiss, uma vigília cênica realizada nos teatros Laura Alvim e Tom Jobim, no Rio de Janeiro, com 40 atores, que por 24 horas relatam os horrores do nazismo e recriam o julgamento de alguns oficiais. Em 2011, recebe o Prêmio Eletrobras para a montagem de Estilhaços, recortes de sua obra homônima publicada em livro, no mesmo ano.
Em 2012, é contemplado com três editais: novamente o Eletrobras para a montagem de Édipo Rei, de Sófocles; o da Funarte, para a remontagem de "Bonitinha, mas Ordinária"; e o FATE da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, para montagem de Emily, sobre a vida e obra de Emily Dickinson. Em 2013,Emily vence o edital da Caixa Econômica Federal para circulação de espetáculos.
Comentário crítico
A trajetória de Wotzik caracteriza-se pela diversidade de gêneros e pela constante preocupação com a investigação, a originalidade e a consistência, com as quais busca sempre criar espetáculos absolutamente diferentes a cada obra realizada. De estilo despojado, que prima pela secura dramática, Wotzik torna-se um dos diretores cariocas mais representativos, a partir dos anos 1990.
É
o que se vê na encenação de Yerma, de Federico García Lorca, no
CCBB, em 1995, quando o diretor consolida o seu estilo. A primazia pelo
essencial, quase árido, se faz notar por meio de uma linguagem estática, numa
composição sem cenários, na qual os atores fazem gestos econômicos e a palavra
é destituída de qualquer dramatização.
Efeito similar observa-se na sua direção de Luis Melo, no monólogo Sonata Kreutzer (1996), de Leon Tolstoi, trabalhado como um depoimento do qual qualquer adereço, movimento ou elemento plástico é eliminado para dar lugar à palavra.
Sobre
sua busca constante pela simplicidade e o uso mínimo de elementos, o
crítico Macksen Luiz avalia, no monólogo Só In Cena (1998),
que a fluência e a dinâmica do espetáculo, bem como sua interação com o
público, resultam "da capacidade do diretor em estabelecer, com sutil
intensidade nas tonalidades, o ritmo da interpretação da atriz [...] Em manter
a simplicidade e estimular a comunicabilidade das narrativas [...]".1
Em
seu primeiro texto encenado, o musical Aracy de Almeida no País de
Araca, evita o convencionalismo do gênero para abordar a figura da cantora
Aracy de Almeida. Na trama ficcional, os políticos convertem Aracy, figura na
contramão dos valores dominantes, num ícone, com o objetivo de atenuar a
crescente obsessão pelo enriquecimento que toma conta da vida nacional. A mídia
sustenta essa escolha, por meio da criação de um programa de televisão, no qual
um transexual, o Araca, se transfigura, física e psicologicamente, em Aracy. A
história real da cantora, conhecida Dama do Encantando, corre em paralelo à
trama fantástica.
Segundo o crítico Macksen Luiz, o tema central desse espetáculo é o Brasil "que se confunde com um grande auditório de televisão, onde desfila o cortejo da miséria nacional, em que calouros e jurados, apresentadores e candidatos fazem a triste figura de uma mesma realidade"2 e a personagem da cantora, vivida pelo ator Leandro Hassum, surge como símbolo da autenticidade nacional.
Já
seu segundo texto, Um Ensaio Aberto, de 2002, é
comentado pelo critico Lionel Fischer: "[...] A peça de Wotzik
oferece à plateia um retrato bem humorado e critico de uma juventude de zona
sul que não sabe exatamente como conduzir essa dádiva que é o ato de viver. E
tal interesse se deve não apenas a diálogos ágeis e saborosos, mas também a uma
dinâmica cênica, que aparentemente solta, no fundo revela o rigor formal que
caracteriza todas as montagens desse excelente encenador".
Nos
espetáculos Estilhaços (2011), novamente de sua autoria, e no
premiado Emily (2012 e 2013), Eduardo reafirma seu trabalho de
diretor, no qual a busca pela economia potencializa e concentra em cada
elemento uma grande poeticidade.
Além
da destacada carreira como diretor, Eduardo Wotzik tem uma atuação fundamental
como produtor cultural, tendo encabeçado importantes projetos para o
desenvolvimento do teatro no Rio de Janeiro. Nesse cenário têm destaque seus
trabalhos na criação do Festival de Teatro Brasileiro, ainda com o TAPA, que por
cinco anos dedica-se à realização de peças de autores nacionais (de Martins
Pena a Nelson Rodrigues), desenhando assim uma perspectiva do teatro
brasileiro.
Sua
busca por uma identidade artística e pelo constante aprofundamento
das investigações de técnicas teatrais o leva, também, a criar o Centro de
Investigação Teatral, voltado para pesquisa, formação de atores e produção de
oficinas e espetáculos. Há ainda, sua intervenção no Centro de Investigação
Teatral, na Casa de Cultura Laura Alvim, transformando-a num espaço movimentado
e dinâmico para as artes cênicas.
Notas1. LUIZ, Macksen.
Bom humor e sinceridade cênica. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro,
13 jan. 1998.
2. LUIZ, Macksen. O Brasil em auditório de tv. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 out. 2001.
Atualizado em 27/11/2013
2. LUIZ, Macksen. O Brasil em auditório de tv. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 out. 2001.
Atualizado em 27/11/2013
Fonte:
Enciclopédia Itaú Cultural
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