segunda-feira, 21 de setembro de 2015

(UNIRIO/PROEXC - PROJETO CULTURAL) E
SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO (SPRJ)
Caríssimos,
FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA, no dia 25 de setembro, às 18h, exibirá o premiado filme holandês: A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE ANTÔNIA (Antônia line’s, 1996, 115 min.), dirigido e roteirizado por Marieen Gorris. Em uma pequena vila holandesa, Antônia revê as lembranças de sua vida e os curiosos personagens com quem conviveu. Em um tom de parábola, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a independente mulher volta à cidade natal acompanhada da filha. Assim tem início uma saga familiar que atravessa gerações. Um filme inquietante que, por certo, ensejará um debate e uma troca de ideias estimulantes.
Contando sempre com a divulgação e com os nossos agradecimentos pela presença, recebam um grande abraço.
Ana Lúcia, Neilton e Zusman.

SERVIÇO:
FILME: A EXCÊNTRICA FAMÍLIA DE ANTÔNIA, 1996, 115 min.
ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISES PSICANALÍTCAS: DR. NEILTON SILVA E DR. WALDEMAR ZUSMAN
DATA: 25 DE SETEMBRO DE 2015
HORÁRIO: FILME: 18h; ANÁLISE E DEBATE: 20h às 22h.
LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO
ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296.
ENTRADA FRANCA
NOTA: Quem se interessar em adquirir o livro: Fórum de Psicanálise e Cinema: 20 análises culturais e psicanalíticas, de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva, ele se encontra à venda pelo site - www.travessa.com.br – ou pela editora: www.letracapital.com.br, assim como nos dias do FÓRUM. 
Igualmente, o livro do Dr. Waldemar Zusman: Poemas & Textos de um Psicanalista: rimas, risos & reflexões, poderá ser adquirido no Fórum.



        

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Por amor ao mundo - um encontro com Hanna Arendt"



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Ótimo texto em bela versão



Lionel Fischer



Pelo menos três homens marcaram profundamente a vida da pensadora alemã de origem judaica Hanna Arendt (1906-1975): o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), que foi seu professor e seu amante; Heinrich Blucher (1899-1970), com quem esteve casada por 30 anos; e Adolf Eichmann (1906-1962), carrasco nazista executado em Israel. E os três ocupam significativo espaço em "Por amor ao mundo - um encontro com Hanna Arendt", em cartaz no Teatro I do CCBB. Marcia Zanelatto responde pela dramaturgia e Isaac Bernat pela direção, estando o elenco formado por Kelzy Ecard, Carolina Ferman e Michel Robin.

Martin Heidegger foi certamente um dos principais mentores de Hanna, além de, como dito no texto, possuir mãos capazes de realizar prodígios - lamentavelmente tais prodígios não são explicitados. Heinrich Blucher foi o grande companheiro e a correspondência entre ambos é deliciosa. Finalmente, Adolf Eichmann. Hanna Arendt acompanhou seu julgamento para o jornal New Yorker e provavelmente imaginou que se depararia com uma besta assassina. No entanto, concluiu que o homem em questão era muito menos significativo do que o sistema que o gerara, e o que estaria em causa era a banalidade do mal - foi o bastante para ser execrada pela comunidade judaica, que reagiu como se ela estivesse absolvendo o réu por sua monstruosidade.

Trata-se, sem dúvida, de uma questão crucial: o indivíduo é sempre responsável por seus atos? Ou seria lícito admitir que, em determinadas circunstâncias - históricas, sociais, econômicas etc. - ele poderia fazer escolhas que jamais faria desde que inexistissem essas tais circunstâncias? Recentemente, como todos sabemos, um trem no Rio de Janeiro passou lentamente por cima do cadáver de um homem. E isso nos horrorizou. Mas a quem deveríamos dirigir nossa indignação? Em princípio, ao dito maquinista, que obviamente poderia ter freado. 

No entanto, ele alegou apenas ter cumprido uma determinação superior, exatamente como fez Eichmann!?. Ou seja: no primeiro caso, a tal determinação superior preconiza (ao que tudo indica) que o fluxo de uma composição ferroviária não deve ser interrompido, exista ou não um cadáver sobre a linha férrea; no segundo, considera inadiável e imprescindível a eliminação de todos aqueles que supostamente possam constituir algum entrave à implantação de um regime totalitário. 

Então, cabe a pergunta: existiria alguma diferença essencial entre a atitude tomada pelo maquinista e a adotada pelo carrasco nazista, se conseguimos esquecer por um momento que o primeiro apenas passou por cima de um cadáver e o segundo gerou milhares? Em minha opinião, nenhuma, embora entenda perfeitamente o que Hanna Arendt sustenta - ainda que ela, nunca é demais recordar, e como é dito na peça, jamais tenha defendido a absolvição de Eichmann e proposto a condenação do sistema que o gerou, o que, convenhamos, haveria de ser um tanto problemático...

Mas voltemos à peça e ao espetáculo, com um pedido explícito de desculpas pela um tanto longa (e não sei se pertinente) digressão. Marcia Zanelatto escreveu um ótimo texto, sem nenhuma preocupação cronológica, e que faculta ao espectador uma visão abrangente da vida e do pensamento da importantíssima pensadora, materializando tanto o seu humor quanto a sua veemente indignação diante de alguns fatos. E tal material recebeu excelente versão cênica de Isaac Bernat. Impondo à montagem uma dinâmica precisa, limpa e vigorosa, e muitas vezes impregnada de grande lirismo, o encenador consegue valorizar ao máximo o ótimo texto de Zanelatto.

Quanto ao elenco, Kelzy Ecard (Hanna Arendt) exibe uma vez mais seu enorme talento. Trata-se de uma atriz que, dentre seus muitos atributos, possui o de jamais desperdiçar uma frase, o alcance de um gesto ou a expressividade de uma pausa. Tudo no trabalho desta atriz é bem acabado e consequente, o que a torna no palco uma presença sempre fascinante e poderosa. Carolina Ferman faz muito bem suas duas personagens, Mary McCarthy - escritora americana muito amiga de Hanna - e uma jovem meio hiponga que se encontra com a filósofa em um trem. Nesta última cena, por sinal, Ferman demonstra porque é uma das melhores atrizes de sua geração, conseguindo passar de uma composição propositadamente desleixada para uma outra, tensa e indignada, quando o diálogo assim o exige. 

Vivendo vários personagens, inclusive Heidegger e Blucher, Michel Robim convence em todos eles, cabendo destacar as passagens em que, na pele de um homem indecifrável, executa belíssimas coreografias. Na última, por sinal, e que encerra o espetáculo, esse homem parece querer retirar de si o melhor que possui e em seguida faz essa oferta ao público; no lado oposto do palco, Kelzy e Carolina estão de mãos dadas, após suas personagens se entenderem, e contemplam a plateia com vigorosa serenidade. Uma cena belíssima.

Na equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos neta mais do que oportuna empreitada teatral - Doris Rolemberg (cenografia), Aurélio de Simoni (iluminação), Desirée Bastos (figurinos), Alfredo Del-Penho (direção musical) e Marcelle Sampaio (direção de movimento).

POR AMOR AO MUNDO - UM ENCONTRO COM HANNA ARENDT - Dramaturgia de Marcia Zanelatto. Direção de Isaac Bernat. Com Kelzy Ecard, Carolina Ferman e Michel Robim. Teatro I do CCBB. Quarta a domingo, 19h.









quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"As meninas"

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Emocionada e emocionante reflexão

Lionel Fischer



"No auge da ditadura militar, três jovens universitárias convivem em um pensionato paulistano de freiras. É nele que elas encaram o início da vida adulta, cada uma numa busca profunda pela sua própria identidade, vivendo uma história única de encontros e desencontros numa das épocas mais conturbadas do país. No palco, as três vozes se misturam para dar vida ao inquietante romance As meninas".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o contexto em que se dá "As meninas", adaptação teatral de Maria Adelaide Amaral (também responsável pela dramaturgia) do romance homônimo de Lygia Fagundes Telles. Em cartaz no Teatro Poeira, a montagem leva a assinatura de Yara de Novaes, estando o elenco formado por Clarissa Rockenbach, Silvia Lourenço, Luciana Brites, Clarisse Abujamra, Sandra Pêra e Daniel Alvim.

Romance deslumbrante (Prêmio Jabuti de 1974), "As meninas" tem como foco central as relações entre Lorena, Ana Clara e Lia. A primeira, filha de família burguesa, é sonhadora, virgem e culta; perdeu tragicamente um irmão, o que levou o pai (já falecido) a um sanatório e sua mãe a uma vida fútil; é apaixonada por um homem mais velho e casado, de quem vive aguardando um telefonema. Ana Clara é modelo, oscila entre o noivo rico e o amante traficante, é viciada em drogas e foi abusada sexualmente na infância - afora carregar o fardo de saber que sua mãe era prostituta. Lia vai para São Paulo estudar Ciências Sociais fugindo da superproteção da mãe e do passado sombrio do pai, ex-militar nazista; durante seu curso, envolve-se na militância política contra a ditadura.

Estamos, portanto, diante de três mulheres com personalidades, histórias de vida e aspirações totalmente diferentes. E a engenhosa narrativa do romance, com foco na primeira pessoa, desloca-se constantemente para o fluxo de consciência das três amigas, que se entrevistam, se apresentam umas às outras e ao leitor, afora refletirem sobre si mesmas e sobre as demais. Ou seja: trata-se de uma estrutura bastante complexa e, ao menos teoricamente, difícil de ser transposta para o palco. 

No entanto, Maria Adelaide Amaral realizou um trabalho brilhante, pois conservou o essencial do romance e conseguiu convertê-lo em material dramatúrgico de primeira grandeza. Assim, o espectador tem acesso a uma emocionada e emocionante reflexão sobre alguns dos mais relevantes aspectos da natureza humana, assim como sobre um dos períodos mais violentos e sombrios da história recente do país.

De posse de material tão rico e instigante, em nada me surpreende que a excelente atriz Yara de Novaes tenha conseguido impor à cena uma dinâmica à altura da adaptação de Maria Adelaide Amaral. Valendo-se de soluções criativas e imprevistas, e evidenciando notável domínio dos tempos rítmicos, a encenadora exibe o mérito suplementar de haver extraído ótimas atuações do elenco. 

Na pele de Lia, a idealista guerrilheira, Silvia Lourenço consegue valorizar ao máximo uma personagem não tão interessante quanto as demais, posto que isenta de maiores nuances. Clarissa Rockenbach (Lorena) convence plenamente na pele da jovem sempre generosa, romântica e possuidora de delicioso senso de humor. Luciana Brites materializa, com visceral capacidade de entrega, a trágica personalidade da modelo que acaba consumida pelas drogas. Daniel Alvim está excelente vivendo o exasperado e sonhador traficante Max, conseguindo diferenciá-lo por completo de Guga, jovem que adere ao movimento Paz e Amor. E também convence em OFF vivendo M.N., o mesmo aplicando-se a Eloísa Elena (Secretária).

Com relação a Sandra Pêra (Irmã Priscila), a atriz realiza aqui um dos melhores trabalhos de sua carreira, conseguindo extrair o máximo de uma personalidade perplexa com a evolução dos costumes e cuja hilária histeria a leva a ambicionar converter-se em mártir na África. No tocante a Clarisse Abujamra (mãe de Lorena, na peça Mãezinha), estamos diante de um excepcional trabalho de atriz, tanto do ponto de vista vocal quanto corporal - é impressionante a capacidade da intérprete de valorizar todas as suas falas, assim como de cercá-las de um universo gestual de incrível expressividade. Sem dúvida, uma das performances mais marcantes da atual temporada carioca.

Na equipe técnica, destaco com o mesmo entusiasmo a maravilhosa contribuição de todos os profissionais envolvidos nesta mais do que oportuna empreitada teatral - André Cortez (cenário e figurinos), Juliana Santos (iluminação), Dr Morris (trilha sonora), Miriam Rinaldi (preparação corporal), Daniel Maia (preparação e arranjo vocal) e Bruna Pires (visagismo).

AS MENINAS - Texto de Lygia Fagundes Telles. Adaptação e dramaturgia de Maria Adelaide Amaral. Direção e concepção de Yara de Novaes. Com Clarissa Rockenbach, Luciana Brites, Silvia Lourenço, Daniel Alvim, Clarisse Abujamra e Sandra Pêra. Teatro Poeira. Terças e quartas, 21h.










quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Desmontagem Oficina do Ator - Módulo II

Desmontando Pirandello com Amir Haddad

"O texto contem tudo que o ator precisa para contar a historia"
A.H

Dias: Terças e quintas
hora: 9h ao 12h
período:  de 15 de setembro a  12 de  novembro
Local:       Casa  do Tá na Rua
            Av. Mem de Sá , 35 - Lapa
INFORMAÇÕES: email: ritafischer21@yahoo.com.br ou pelo cel: 997959870


sábado, 29 de agosto de 2015

CICLO DE LEITURAS DE PEÇAS DE BOSCO BRASIL NA CASA DA GÁVEA
Todas as segundas-feiras de setembro, às 21h, na Casa da Gávea
 ·        Curadoria: Diego Molina e Janaina Avila
·        Produção: Ananda Campana, Carol Godinho, Diego Molina e Janaina Avila
·        Realização: Bosco Brasil e 2BB2 Produções Artísticas.
 LEITURAS
 Dia 7 - NOVAS DIRETRIZES EM TEMPOS DE PAZ
Direção de Ariela Goldmann (a confirmar, porque se o Tony não puder teremos que mudar a direção).
Elenco: a confirmar (Tony Ramos é uma possibilidade).
Dia 14 - ATOS E OMISSÕES
Direção de Luiz Antônio Rocha
Elenco: a confirmar
 Dia 21 - BUDRO
Direção de Ivan Sugahara
Com o grupo Os dezequilibrados: Cristina Flores, Letícia Isnard, Lucas Gouvêa e Saulo Rodrigues
 Dia 28 - LONGE DA VISTA CHINESA (PEÇA INÉDITA)
Direção de Diego Molina
Elenco: a confirmar
Breve currículo BOSCO BRASIL
 Dramaturgo, autor de novelas, roteirista e diretor de teatro, é considerado um dos nomes mais importantes do audiovisual e da dramaturgia nacional. Escreveu dezenas de novelas, seriados e especiais para tevê, como “Conselho tutelar”, “Tempos modernos”, “Bicho do mato”, “Castelo Rá Tim Bum”, “Anjo mau” e “As pupilas do senhor reitor”. Escreveu peças premiadas como "Novas diretrizes em tempos de paz", "Cheiro de chuva", "Budro", "Blitz", “O acidente”, "Corações encaixotados", entre outras. É responsável pela formação de inúmeros autores do movimento da Nova Dramaturgia Carioca. É roteirista do filme “Tempos de paz”, dirigido por Daniel Filho, e foi um dos escritores brasileiros convidados para o Salão do Livro em Paris este ano. Em outubro estreia seu primeiro musical, “Radiofonias”, com direção de Diego Molina.
 SERVIÇO
Ciclo de Leituras Bosco Brasil
Local: Casa da Gávea – Praça Santos Dumont, nº 116 - Gávea
Informações: 2239-3511
Data: dias 07, 14, 21 e 28 de setembro (2as.), às 21h
Capacidade: 100 lugares
Classificação: 12 anos
Grátis (distribuição de senhas a partir das 19h)



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Teatro/CRÍTICA

"BR-TRANS"

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Poderoso brado contra a intolerância



Lionel Fischer



"Um processo cênico antropológico-autofágico-esquizofrênico traz à cena histórias sobre medo, solidão e morte. Histórias que se encontram e se confundem entre si e com a vida e as inquietações do ator. Recortes de vidas e vidas recortadas a partir de pesquisas e conversas com travestis, transformistas e transexuais de Porto Alegre, pelas ruas e casas de show. BR-TRANS é um trânsito de informações e de fatos reais. Um traço "brasil-trans" construído a partir da convergência e dos deslocamentos entre os polos Nordeste e Sul do país".

Extraído do ótimo release que me foi enviado pela assessora de imprensa Daniella Cavalcanti, o trecho acima sintetiza o contexto em que se dá "BR-TRANS", espetáculo que após rodar o país e participar de importantes mostras e festivas aporta no Teatro III do Centro Cultural Banco do Brasil. O cearense Silvero Pereira responde pela dramaturgia e atuação, estando a direção a cargo da gaúcha Jezebel De Carli.

Há um provérbio latino que diz: "Sou homem: nada de humano me é estranho". Ou seja: contemos tudo que se refere à natureza humana. Isso significa que há em mim, potencialmente, tanto um Hitler quanto um Mozart. E se a maioria de nós opta pelo segundo, isso não quer dizer que o primeiro tenha sido deletado - dependendo das circunstâncias, ele pode perfeitamente emergir. E é o que acontece com muitas pessoas quando se deparam com travestis, transformistas ou transsexuais. As mais moderadas ainda se contentam com  olhares de desprezo ou discretas ofensas; mas muitas partem para agressões infames, covardes e que não raro resultam na morte do agredido - ou pelo menos em ferimentos gravíssimos. Mas por que essas pessoas agem assim, se não foram em nenhum momento molestadas?

Embora tenha feito análise por mais de 15 anos, acho que me bastaria ter lido um trecho da "orelha" de qualquer livro de Freud para concluir que o que incomoda àqueles que agridem homossexuais não é a diferença, mas a semelhança. Ou a possibilidade de semelhança. Quem agride um homossexual, seja com palavras ou atitudes, está apenas descontando no outro algo que não tolera em si mesmo, ainda que possa não ter consciência disso. Ao agredir o outro, é como se procurasse reafirmar, para si e para o mundo, que nada tem a ver com ele. E no entanto...

Logo no início do espetáculo, um vídeo exibe uma cena que, desgraçadamente, já se tornou corriqueira em nosso país: três homens (certamente héteros e muio bem resolvidos) espanca brutalmente alguém que certamente é um homossexual. E depois fogem em um carro. Em seguida, fotos aterradoras mostram muitos homossexuais mortos, assassinados com requintes de bárbara crueldade. Essa espécie de prólogo nos informa o essencial: homossexuais estão sendo espancados e mortos. A partir daí, muitas histórias se materializam na cena, envolvendo, digamos assim, abençoados sobreviventes

Como expresso no parágrafo inicial, essas histórias se confundem entre si e muitas vezes se entrelaçam com as vividas por Silvero Pereira. Sendo o ser humano que é, Silvero consegue enxergar beleza e poesia em contextos que a maioria execraria. E sendo o artista que é, Silvero consegue materializar na cena uma espécie de brado, não apenas contra o preconceito relativo aos homossexuais, mas contra a própria essência do preconceito, que pressupõe o cerceamento, em um primeiro momento, e logo adiante, a exclusão. 

No presente caso, é óbvio que se está falando de homossexuais. Mas poderiam ser negros, judeus, árabes, pobres, defeituosos físicos e assim por diante. Neste sentido, a mim parece que "BR-TRANS" transcende em muito uma temática específica, e sua grandeza e alcance residem justamente nisso, no alerta que nós faz com relação a qualquer tipo de preconceito, que se origina, como todos sabemos, na maior praga que assola a humanidade desde sempre: a intolerância. 

Ator magnífico, senhor absoluto de vastíssimos recursos expressivos e possuidor de enorme carisma, Silvero Pereira mostra-se inteiramente à vontade na dinâmica cênica proposta por Jezebel De Carli, que prioriza a relação direta do ator com a plateia e com os muitos objetos que o rodeiam, sempre trabalhados de forma a valorizar incrivelmente os muitos e diversificados climas emocionais em jogo. Brilhante tanto nas passagens mais dilaceradas quanto naquelas impregnadas de irresistível humor, a encenação de Jezebel De Carli converte-se em poderosa referência da atual temporada teatral.

Na equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de Marco Krug ( responsável pela cenografia, em parceria com Silvero Pereira), Lucca Simas (iluminação), Ivan Ribeiro (vídeo) e o próprio Silvero, que responde por figurino, maquiagem e adereços. Finalmente, um elogio todo especial ao compositor e pianista Rodrigo Apolinário, que assina ótimas músicas originais e cujos arranjos contribuem de forma decisiva para o fortalecimento de todas as propostas estéticas do espetáculo.

BR-TRANS - Texto de Silvero Pereira. Direção de Jezebel De Carli. Com Silvero Pereira. Teatro III do CCBB. Quarta a segunda, 19h30.









quarta-feira, 26 de agosto de 2015


ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A 7ª EDIÇÃO DO CONCURSO DE DRAMATURGIA “SELEÇÃO BRASIL EM CENA”


Leituras dramatizadas dos textos finalistas serão realizadas com estudantes de teatro em três unidades do CCBB: Rio, Brasília e Belo Horizonte

Os três grandes vencedores terão seus textos encenados em março de 2016 

Autores de todo o país já podem enviar seus textos inéditos para a 7ªedição do Seleção Brasil em Cena. Promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil, o concurso nacional de dramaturgia que tem como principal objetivo fomentar a criação de textos teatrais inéditos por meio de novos dramaturgos. As inscrições poderão ser feitas atéo dia 24 de setembro. A partir deste ano, o material será recebido somente pelosite oficial do projeto– www.selecaobrasilemcena.com.br –onde também estarão disponíveis o regulamento na íntegra e informações sobre todas as edições anteriores.

A nova ferramenta criada para fazer o cadastramento unicamente on-line vai gerar um banco de textos. O material enviado ficará disponível para consulta após o término do concurso. A informatização do processo de seleção é uma das novidades da sétima edição do Seleção Brasil em Cena. Além do CCBB do Rio de Janeiro e da unidade de Brasília, o projeto acontecerá pela primeira vez no CCBB de Belo Horizonte. Este ano, os participantes também poderão inscrever textos do segmento infanto-juvenil.

O Seleção Brasil em Cena receberá textos inéditos de todo o Brasil. Os inscritos serão avaliados por uma comissão julgadora formada por profissionais das artes cênicas. O júri só conhecerá os nomes dos autores após a escolha dos finalistas, que serão revelados no site do projeto no dia 22 de outubro. Serão selecionados 12 textos finalistas e realizados ciclos de leituras dramatizadas, entre os dias 21 de novembro e 06 de dezembro, simultaneamente nas três unidades do CCBB participantes.

Durante as leituras dramatizadas, serão eleitos os três textos vencedores (um em cada cidade), por meio do voto dos diretores e do público. Em cada lugar, as leituras serão realizadas com alunos de escolas de teatro sob a direção de profissionais do mercado de artes cênicas. Os três autores vencedores serão revelados no dia 06 de dezembro. Eles terão como prêmio suas montagens patrocinadas pelo Banco do Brasil e ganharão temporadas nos teatros das unidades do CCBB do Rio, Belo Horizonte e Brasília, a partir de março  de 2016.

Desde sua criação em 2006, o Seleção Brasil em Cena recebeu mais de 1.400 textos de autores de todo o Brasil. As leituras dramatizadas foram dirigidas por expressivos nomes do teatro brasileiro contemporâneo: Moacir Chaves, Ivan Sugahara, Gilberto Gawronski, Stella Miranda, Paulo de Moraes, André Paes Leme, Inez Viana, entre outros. Ao longo das seis edições, quase 300 atores indicados por escolas de teatro participaram das leituras e encenações.“Além de contribuir para formação de plateia, o concurso tem o mérito de inserir novos atores de escolas de teatro no mercado de trabalho. As leituras dramatizadas os colocam em contato direto com diretores experientes do mercado de artes cênicas”, ressalta o produtor Sérgio Saboya, idealizador do projeto.

Como parte do projeto de estimular o fomento à nova dramaturgia, a formação de plateia e a visibilidade de novos criadores, o Seleção Brasil em Cena promove “Oficinas de dramaturgia”ministradas por importantes dramaturgos, nas unidades do Sesc. Nesta edição, as oficinas acontecerão em São Paulo (SP), Campinas (SP), Palmas(TO)  e no Rio de Janeiro (RJ).

Os vencedores das edições anteriores – A peça “A tragédia de Ismene”, uma moderna tragédia grega escrita por Pedro de Senna (1ª edição), ganhou uma encenação dirigida por Moacir Chaves. “É samba na veia, é Candeia”, de Eduardo Riecche (2ª edição), foi indicado ao Prêmio Shell 2009 na categoria “melhor texto” e agraciado com o prêmio de “melhor direção musical”. Em 2011,“Tempo de solidão”, de Márcia Zanellatto (3ª edição) foi eleito um dos dez melhores do ano pelo jornal “O Globo”. Em 2012, “Não me diga adeus”, de Juliano Marciano (4ªedição) foi indicado ao Prêmio Shell de“melhor direção musical”.

Na 5ª edição, o CCBB Brasília foi inserido no concurso e foram selecionados os textos “Arresolvido” (etapa Rio), de Ronaldo Ventura, que cumpriu uma segunda temporada no Teatro Gláucio Gill; e “Sexton” (etapa Brasília), de Helena Machado e Juliana Shimitz, que foi convidado para participar do Festival Internacional Cena Contemporânea, em Brasília.“Camélia”, de Ronaldo Ventura e “Casarão ao vento”, de Francisco Alves foram os vencedores da 6ª edição.

Os finalistas que se destacaram na cena – As leituras dramatizadas dos textos finalistas trazem visibilidade aos novos autores e podem se desdobrar em oportunidades de trabalho. Na primeira edição, quatro dramaturgos tiveram os direitos de seus textos comprados por Stella Miranda, Carlos Maciel e Louise Cardoso. “Velha é a mãe”, de Fabio Porchat (finalista da 1ª edição), foi montado com direção de João Fonseca e com Louise Cardoso no elenco.“Quatro faces do amor”, de Eduardo Bak (finalista 2ª Edição) ganhou uma montagem profissional; e “Bandeira de Retalhos”, de autoria do músico e dramaturgo Sérgio Ricardo (finalista da 3ª edição), foi montado pelo grupo Nós do Morro.

Seleção Brasil em Cena em números
Ana de criação: 2006
Número de edições: 6
Espetáculos premiados com montagem: 8
Público (leituras, oficinas e espetáculos no Rio e Brasília: 21 mil
Textos inscritos: 1.411
Textos finalistas: 72
Leituras Dramatizadas (Rio e Brasília): 96
Diretores: 22
Estudantes de teatro: 297
Espetáculos produzidos (Rio e Brasília): 8
Oficinas de dramaturgia: 21
Dramaturgos ministrantes: 5
Cidades onde foram ministradas as oficinas: 20
Participantes das oficinas: 420
Regiões onde foram ministradas as oficinas: Norte, Nordeste, Centro Oeste,
Sudeste e Sul

As etapas do Seleção Brasil em Cena

Entre 24 de agosto e 24 de setembro: inscrições dos textos no site do concurso.
Dia 22 de outubro:anúncio dos doze textos selecionados em cada cidade (Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte).
Entre 21 de novembro e 06 de dezembro: leituras dramatizadas nas três unidades do CCBB do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.
Dia 06 de dezembro:anúncio dos três textos finalistas que serão montados em 2016.
A partir de março de 2016:montagens dos três textos vencedores nos teatros das três unidades do CCBB participantes.




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