quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O premiado diretor de teatro, ópera e cinema, radicado em Los Angeles há 16 anos, 
Gulu Monteiro
estará no Brasil para oficina de 32h de sua técnica chamada 
EDP “Emotional Distancing Phenomenon” 
(Fenômeno do Distanciamento Emocional). 
E nesta sexta-feira, às 20h, 
estará no Teatro O Tablado 
para falar sobre seu trabalho e tirar dúvidas quanto a oficina.



Esta técnica é amplamente usada por atores de cinema, teatro e TV de Hollywood e motivo de estudo por um dos maiores neurocientistas de nossa era, professor Antonio Damasio, considerado pela revista francesa Sciences Humaines como uma das 50 mentes mais brilhantes dos últimos 200 anos. Os estudos sobre o Fenômeno do Distanciamento Emocional de Gulu Monteiro serão conduzidos no Instituto do Cérebro e da Criatividade (Brain and Creativity Institute), construído para as pesquisas de Damasio no coração do campus da USC (Universidade do Sul da Califórnia), em Los Angeles e será o pano de fundo de um documentário dirigido por Gulu sobre os estudos de Antonio Damasio que revolucionaram a neurociência nos últimos 20 anos.

Em Paris, estão criando uma escola para formação de atores profissionais usando exclusivamente a técnica de Gulu Monteiro, que permite aos atores e atrizes, experimentar as emoções de seus personagens, mesmo que devastadoras e traumáticas, sem prejudicar seu equilíbrio psico-mental.

É algo inovador e recomendado pelo maior coach de atores de Hollywood, Larry Moss, que já guiou Leonardo DiCaprio, Helen Hunt, Hilary Swank, Sutton Foster, Michael Clarke Duncan, Hank Azaria, Jim Carrey, Tobey Maguire entre outros.

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“Gulu usa os atores de forma extraordinária. Ele os desafia, não tem nada sobrando no jogo. Tem tantas mudanças, tanto comprometimento dos atores com seus personagens, que eles não têm tempo para pensar, eles estão simplesmente ocupados em agir. Sander Maisner, meu primeiro professor, dizia: emoções são o fazer ativo e é isso que eu vejo no trabalho de Gulu” – conta Larry Moss.


O diretor de Star Wars – O Império Contra Ataca, Irving Kershner, recomenda a técnica EDP: “Eu sou impressionado do uso que o Gulu faz dos atores em suas magistrais encenações e performances."


O ator brasileiro Rodrigo Santoro, que vive em Los Angeles, está atualmente em formação com a técnica do Fenômeno do Distanciamento Emocional e atesta "Gulu trabalha incentivando o ator a estimular sua criatividade, descobrindo a personagem através do corpo e não deixando o racional interferir no processo. É uma valiosa experiência de Imersão conduzida com muita sensibilidade"

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Para aplicar à seleção de participação, é necessário escrever uma carta de intenções para o e-mail: edpgulu@gmail.com


As aulas serão ministradas no Jardim Botânico/Horto.

Mais informações no site www.charbuild.com

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ENCONTRO COM GULU NO TABLADO:
Sexta-feira, 20/10, às 20H.
Entrada franca.




Julia Carrera

O TABLADO
Avenida Lineu de Paula Machado, 795, Lagoa 
CEP: 22470-040 - Rio de Janeiro - RJ

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

OFICINA SECRETA DE DRAMATURGIA SOMENTE PARA MULHERES DE TODOS OS SEXOS

Com Marcia Zanelatto

Programa:

Conversar sobre a dominação da estrutura narrativa clássica, como essa forma se aninhou em nossos corações e mentes e quais suas consequencias visíveis e invisibilizadoras.

Desvendar o conteúdo patriarcal da estrutura clássica, esmiuçando quais as tarefas dessa narrativa na produção de ficção e como ela altera a percepção das realidades íntimas e sociais e as impressões do simbólico.

Pesquisar o que existe para além das características dessa estrutura, algumas hipóteses:
- torções temporais diagonais e não cronológicas
- ação hiper-subjetiva, com plataformas realistas, filosóficas e poéticas concomitantes para expandir o trabalho da atua
ção em cena (subsituindo a ideia de objetivo e confronto - protagonismo e antagonismo)
- personagens sem objetivo, plenos de vazio, aos quais tudo falta e nada falta
- criação de camadas simultâneas de espaço físico para o correr da ação no palco

Partir em busca de estruturas narrativas não-patriarcais, em que os valores atribuídos ao feminino ganhem formas dramatúrgicas insuspeitas

Avaliar qual o impacto desse tipo de produção na desconstrução do imaginário contemporâneo, e, principalmente, o quanto ela pode libertar iminentes formas de criação, autopercepção e autoidentificação nos processos íntimos e nos coletivos.

Público alvo:
Mulheres de todos os sexos e de todas as áreas do saber interessadas e/ou comprometidas com a escrita para teatro e não só para ele.

LOCAL: Instituto CAL de Arte e Cultura - Rua Santo Amaro, 44 - Glória - (Rio de Janeiro/ RJ)

PERÍODO: de 16 a 19 de outubro de 2017

HORÁRIO: De segunda à quinta-feira, das 19:30 às 22:00

VALOR: R$ 300,00

Inscrições: http://www.cal.com.br/livres/marcia_zanelatto_segundo2017.html
Marcia Zanelatto é escritora e dramaturga.
Neste momento, está indicada aos prêmios Shell, Categoria Melhor Autor; CESGRANRIO, categria Melhor Texto Nacional Inédito, e Botequim Cultural, Melhor Autor, todos pela peça "ELA", direção de Paulo Verlings.
Recebeu o Prêmio APTR 2015, Melhor Autora, pela peça "Desalinho". Foi indicada ao Prêmio Shell, Melhor Autor, 2016, ao lado de Jô Bilac e Pedro Kosovki, pela peça "Fatal", direção de Guilherme Leme Garcia.
É autora da peça "Genderless - um corpo fora da lei", direção de Guilherme Leme Garcia; "Por amor ao mundo - um encontro com Hannah Arendt", "Desalinho" e "Deixa Clarear", direções de Isaac Bernat. 
Com a peça The Body's Night (ELA) participa do Female Voices from Brazil, CUNY/ Segal Center/ Evoé Collective, NYC. 
É autora comissionada pelo Royal Exchange Theatre (UK) para o Birth Project, para a qual escreveu a peça The Birth Machine. 
Para o projeto Conexões, do British Council e National Theatre (São Paulo/ Londres), escreveu a peça "Meninos, meninas, meninas" ("He, She, Ze"). 
Participou como autora da peça "Genderless - an outlaw body" e curadora da Ocupação Rio Diversidade do Pen World Voices Festival, da City University of New York e Martin Segal Center Theatre (Nova Iorque); com a peça "Lest we forget" participou da mostra Red Like Embers, do Theatre 503 (Londres) e da mostra Dreams Before Daws, Theatre Menilmontant (Paris). 
É uma das autoras da antologia Teatro Contemporâneo Brasileiro, com a peça "Tempo de Solidão". Suas peças já foram traduzidas para o Inglês, Espanhol, Francês e Sueco.
É criadora e roteirista da sitcom "República do Peru"/ TV Brasil e autora do livro "Thammy - nadando contra a corrente"/ Editora Best Seller.
Como empresária cultural, suas mais recentes realizações são a Ocupação Rio Diversidade (indicada aos prêmios Shell, Categoria Inovação 2016 e APTR, Categoria Especial, 2016) e a Ocupação Grandes Minorias - Teatro para pensar o Brasil (Teatro Glauce Rocha/ 2015)

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Por amor ao mundo - um encontro com Hanna Arendt 

Ocupação Rio Diversidade 
OFICINA SECRETA DE DRAMATURGIA SOMENTE PARA MULHERES DE TODOS OS SEXOS

Com Marcia Zanelatto

Programa:

Conversar sobre a dominação da estrutura narrativa clássica, como essa forma se aninhou em nossos corações e mentes e quais suas consequencias visíveis e invisibilizadoras.

Desvendar o conteúdo patriarcal da estrutura clássica, esmiuçando quais as tarefas dessa narrativa na produção de ficção e como ela altera a percepção das realidades íntimas e sociais e as impressões do simbólico.

Pesquisar o que existe para além das características dessa estrutura, algumas hipóteses:
- torções temporais diagonais e não cronológicas
- ação hiper-subjetiva, com plataformas realistas, filosóficas e poéticas concomitantes para expandir o trabalho da atua
ção em cena (subsituindo a ideia de objetivo e confronto - protagonismo e antagonismo)
- personagens sem objetivo, plenos de vazio, aos quais tudo falta e nada falta
- criação de camadas simultâneas de espaço físico para o correr da ação no palco

Partir em busca de estruturas narrativas não-patriarcais, em que os valores atribuídos ao feminino ganhem formas dramatúrgicas insuspeitas

Avaliar qual o impacto desse tipo de produção na desconstrução do imaginário contemporâneo, e, principalmente, o quanto ela pode libertar iminentes formas de criação, autopercepção e autoidentificação nos processos íntimos e nos coletivos.

Público alvo:
Mulheres de todos os sexos e de todas as áreas do saber interessadas e/ou comprometidas com a escrita para teatro e não só para ele.

LOCAL: Instituto CAL de Arte e Cultura - Rua Santo Amaro, 44 - Glória - (Rio de Janeiro/ RJ)

PERÍODO: de 16 a 19 de outubro de 2017

HORÁRIO: De segunda à quinta-feira, das 19:30 às 22:00

VALOR: R$ 300,00

Inscrições: http://www.cal.com.br/livres/marcia_zanelatto_segundo2017.html
Marcia Zanelatto é escritora e dramaturga.
Neste momento, está indicada aos prêmios Shell, Categoria Melhor Autor; CESGRANRIO, categria Melhor Texto Nacional Inédito, e Botequim Cultural, Melhor Autor, todos pela peça "ELA", direção de Paulo Verlings.
Recebeu o Prêmio APTR 2015, Melhor Autora, pela peça "Desalinho". Foi indicada ao Prêmio Shell, Melhor Autor, 2016, ao lado de Jô Bilac e Pedro Kosovki, pela peça "Fatal", direção de Guilherme Leme Garcia.
É autora da peça "Genderless - um corpo fora da lei", direção de Guilherme Leme Garcia; "Por amor ao mundo - um encontro com Hannah Arendt", "Desalinho" e "Deixa Clarear", direções de Isaac Bernat. 
Com a peça The Body's Night (ELA) participa do Female Voices from Brazil, CUNY/ Segal Center/ Evoé Collective, NYC. 
É autora comissionada pelo Royal Exchange Theatre (UK) para o Birth Project, para a qual escreveu a peça The Birth Machine. 
Para o projeto Conexões, do British Council e National Theatre (São Paulo/ Londres), escreveu a peça "Meninos, meninas, meninas" ("He, She, Ze"). 
Participou como autora da peça "Genderless - an outlaw body" e curadora da Ocupação Rio Diversidade do Pen World Voices Festival, da City University of New York e Martin Segal Center Theatre (Nova Iorque); com a peça "Lest we forget" participou da mostra Red Like Embers, do Theatre 503 (Londres) e da mostra Dreams Before Daws, Theatre Menilmontant (Paris). 
É uma das autoras da antologia Teatro Contemporâneo Brasileiro, com a peça "Tempo de Solidão". Suas peças já foram traduzidas para o Inglês, Espanhol, Francês e Sueco.
É criadora e roteirista da sitcom "República do Peru"/ TV Brasil e autora do livro "Thammy - nadando contra a corrente"/ Editora Best Seller.
Como empresária cultural, suas mais recentes realizações são a Ocupação Rio Diversidade (indicada aos prêmios Shell, Categoria Inovação 2016 e APTR, Categoria Especial, 2016) e a Ocupação Grandes Minorias - Teatro para pensar o Brasil (Teatro Glauce Rocha/ 2015)

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Por amor ao mundo - um encontro com Hanna Arendt 

Ocupação Rio Diversidade 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Teatro/CRÍTICA

"Tripas"

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Inesquecível resgate de imprescindíveis afetos



Lionel Fischer




Em seu sentido mais óbvio, fronteira é o limite que demarca um país e o separa de outro(s). No entanto, o termo pode ser aplicado a variados contextos. No presente caso, a fronteira é entre a vida e a morte. Um homem sofre imprevista crise de diverticulite aguda. Passa por diversas cirurgias. Fica um ano internado. Em alguns momentos, seu estado melhora; em outros, piora a ponto de sugerir que não escapará. O filho desse homem está sempre ao seu lado, ora alimentando esperanças, ora tentando controlar a angústia que o devasta. Mas não estamos diante de personagens. O homem que luta por sua vida é o ator, diretor e professor Ricardo Kosovski. O homem que o acompanha é seu filho, o autor, diretor e professor Pedro Kososki. 

Quando privado de um mínimo de lucidez, Ricardo sequer reconhece o filho, chamando-o inclusive por vários nomes. Mas em um momento em que a doença dá uma trégua, e na hipótese de que a recuperação seja total, os dois combinam viajar juntos pelo mundo. Ou por outra: decidem visitar Tel Aviv, em Israel. E o almejado sonho se materializa: lá conhecem o Golfo de Ácaba, que fica na fronteira entre Israel, Egito, Jordânia e Arábia Saudita. E foi neste momento que Pedro começou a criar a dramaturgia.

Em cartaz na Sala Multiuso do Sesc Copacabana, "Tripas" chega à cena com direção de Pedro (que no final do espetáculo faz breve participação) e atuação de Ricardo, com o projeto contando com as colaborações de Lídia Kosovski (cenografia), Renato Machado (iluminação), Felipe Storino (direção musical), Toni Rodrigues (direção de movimento) e Pedro Nêgo (músico). Cabe registrar que o processo de criação de "Tripas" teve interlocução com Renato Ferracini (LUME Teatro/UNICAMP) e a peça está associada ao pós-doutoramento de Ricardo Kosovski, professor da UNIRIO, com o título "Das tripas...autoficção". 

Como todos sabemos, um espetáculo teatral pode ser abominável ou inesquecível - para ficarmos apenas com considerações extremas. Mas quais seriam as razões que nos levam a considerar inesquecível um espetáculo teatral? Somente devido a razões de natureza estética? Sem dúvida, estas possuem enorme importância. Mas acredito que também existam outras, que transcendem conjecturas teóricas e se inserem em territórios nem sempre muito definidos ou acessíveis, como o dos afetos.

Quem perde o pai ou a mãe conhece a dimensão de uma dor que palavra alguma é capaz de definir. No entanto, a dor é ainda maior quando, por infinitas razões, muito do que poderia ter sido dito não o foi, muito do que poderia ter sido vivido e compartilhado acabou não se materializando. E essa sensação de incompletude é devastadora, posto que jamais poderá ser remediada. 

E é exatamente isto que o texto nos mostra: graças à viagem que fizeram, Ricardo e Pedro puderam se conhecer muito mais e chegar à mesma conclusão: a grande celebração teria que se dar através do teatro, teria que acontecer em um teatro, pois assim o belíssimo encontro que tiveram poderia ser compartilhado com os espectadores, que, a exemplo do que aconteceu comigo, certamente acompanharão o espetáculo alternando lágrimas e sorrisos, e irão para suas casas conscientes de que tudo pode e deve ser dito àqueles que amamos, que tudo pode e deve ser vivido com aqueles que amamos. Enquanto há tempo. E o tempo passa muito rápido...

Texto pungente, emocionante, divertido e dilacerado, "Tripas" recebeu excelente versão de Pedro Kosovski, que impõe à cena uma dinâmica que valoriza ao extremo a estrutura fragmentada do texto, que alterna passagens ficcionais e outras em que Ricardo Kosovski fala na primeira pessoa a respeito do que lhe ocorreu. 

E é justamente quando isso acontece que o público se sente abraçado e cúmplice do que está assistindo e vivenciando. E por isso não reluta em aceitar o convite do ator para que, em dado momento, com ele compartilhe o palco. E é então que, pouco depois, Ricardo lê a carta que Pedro lhe escreveu quando tudo indicava não haver mais a menor possibilidade de cura - sem entrar em maiores detalhes, faço questão de confessar que este foi um dos mais lindos e impactantes momentos já vividos por mim em um teatro. 

Quanto a Ricardo Kosovski, tive o privilégio de conviver mais estreitamente com ele em "Boa noite, professor", peça escrita e dirigida por mim e minha filha Julia Stockler, e que esteve em cartaz no ano passado no Tablado. E então, duas certezas que já possuía não sofreram o mais ínfimo abalo. A primeira: Ricardo não é apenas um dos maiores atores do país, mas um artista, na acepção máxima do termo. A segunda: é um homem cuja integridade não admite que com ele estabeleçamos uma relação pautada por qualquer dubiedade. Com Ricardo Kosovski, é sempre olho no olho. E por isso nossos corações bateram juntos, e nossas almas se tornaram gêmeas.

Com relação à equipe técnica, Lídia Kosovski responde por expressiva cenografia, que sugere a aridez de um deserto e cujos desníveis estão em perfeita sintonia com as oscilações de um homem que luta desesperadamente por sua vida, a mesma expressividade presente no figurino que assina. Igualmente irrepreensíveis são as contribuições de Renato Machado, Felipe Storino, Toni Rodrigues e Pedro Nêgo, cabendo também destacar o belíssimo design gráfico de Marina Kosovski. 

TRIPAS - Texto e direção de Pedro Kosovski. Com Ricardo Kosovski. Sala Multiuso do Sesc Copacabana. Sexta e sábado, 19h. Domingo, 18h.