segunda-feira, 13 de julho de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Antologia do remorso"

....................................................
Humor e paixão no Calouste



Lionel Fischer



"Antologia do remorso utiliza-se de pilares do universo rodrigueano, como a violência e os questionamentos morais, aliados a uma estética inspirada nos filmes Noir e nas histórias em quadrinhos. Interpretada de forma leve pelos atores, a peça, irônica e ácida, coloca em perspectiva a tristeza fúnebre, analisando os desdobramentos das crises de forma sarcástica. Assim, o espectador é levado a um riso constante, mas nervoso, que provoca uma reflexão a respeito das questões abordadas".

O trecho acima, extraído do release que me foi enviado, resume o contexto em que se dá "Antologia do remorso", em cartaz no Teatro Gonzaguinha (Centro Municipal Calouste Gulbenkian). Flávia Prosdocimi assina o texto - vários contos transpostos para o palco sem qualquer adaptação dramatúrgica -, estando a direção a cargo de Daniel Belmonte. No elenco, Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d'Ávila.

Como se sabe, o conceito de dramaturgia vem sofrendo grandes mudanças, sobretudo a partir dos anos 60. Até então, de uma maneira geral, o fenômeno teatral se dava a partir de textos escritos para serem representados em um palco. Aos poucos, porém, versões de romances, filmes, vídeos, obras poéticas e contos - dentre outros gêneros - foram cada vez mais ganhando espaço. Aqui, como já explicitado, estamos diante de contos transpostos para a cena de forma literal. Essa transposição possibilita uma série de variantes, sendo uma das mais utilizadas a que é adotada pela direção: os intérpretes dão vida aos personagens e ao mesmo tempo atuam como narradores.  

Com relação aos contos, é nítida a influência de Nelson Rodrigues, sobretudo no que se refere às obras reunidas em "A vida como ela é". Assim como Nelson, Flávia Prosdocimi prioriza as paixões e o exacerbamento, criando situações que invariavelmente conduzem a um impasse, cuja resolução é quase sempre trágica. E, também como Nelson, a autora não dispensa o humor, ainda que ácido, o que fatalmente converte seus escritos em tragicomédias.   

Isto posto, caberia a pergunta: sendo de fato verdadeira a grande influência de Nelson Rodrigues, estaria Flávia Prosdocimi apenas reproduzindo - ou tentando reproduzir - um modelo consagrado? Não creio que seja esse seu objetivo. No entanto, e partindo da premissa de que Flávia escreve muito bem e evidencia grande talento para criar personagens e inseri-los em contextos plenos de imaginação e expressividade, acredito que aos poucos acabará materializando uma escrita que não remeta a ninguém e apenas traduza sua singularidade.

Com relação ao espetáculo, Daniel Belmonte impõe à cena uma dinâmica muito criativa, que valoriza em igual medida tanto o humor quanto a tragicidade dos ótimos contos de Flávia Prosdocimi. E os três intérpretes (Elisabetht Monteiro, Tiago D'Ávila e Gustavo Barros, este último evidenciando grande expressividade corporal) também contribuem de forma decisiva para o encanto desta bem sucedida e oportuna empreitada teatral.

Na equipe técnica, considero seguras e eficientes as participações de Tiago e Fernanda Mantovani (iluminação), Julia Marina (cenário e figurinos), Daniel Belmonte (trilha sonora), Milene Pimentel (direção de movimento), Verônica Machado (preparação vocal) e Rafa Monteiro (visagismo).

ANTOLOGIA DO REMORSO - Texto de Flávia Prosdocimi. Direção de Daniel Belmonte. Com Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d'Ávila. Teatro Gonzaguinha. Sexta e sábado, 20h. Domingo, 19h.  

     

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Teatro/CRÍTICA

"2.500 por hora"

.......................................................
Instrutiva e divertida jornada



Lionel Fischer



Consta que, para redimir-se de haver matado a esposa e filhos em um acesso de loucura (maiores detalhes em uma próxima crítica), o herói mitológico Hércules foi incumbido de realizar as seguintes tarefas:

1) Matar o leão que apavorava a cidade de Neméia; 2) Matar a hidra de Lerna, monstro de 9 cabeças; 3) Limpar os estábulos de Áugias, rei de Élida; 4) Trazer para Admeta, filha de Euristeus, o cinto de ouro de Hipólita, rainha das amazonas; 5) Trazer para Euristeus o boi de Gerião, monstro de três cabeças; 6) Colher os pomos de ouro das Hespérides; 7) Caçar a Corsa de Cerínia, animal lendário com chifres de ouro e pés de bronze; 8) Capturar vivo o javali de Erimanto; 9) Matar, com setas envenenadas, no lago Estínfalo, os monstros cujas asas, cabeça e bico eram de ferro; 10) Levar o Touro de Creta vivo até Euristeus; 11) Entregar Diómedes, rei da Trácia, à voracidade de seus próprios cavalos, que vomitavam fogo; 12) Trazer do inferno o cão Cérbero, que guardava o mundo das profundezas. 

Ao que tudo indica, o herói conseguiu cumprir todas essas diversificadas, perigosas e estafantes tarefas. Mas poderiam elas encontrar algum paralelo em um esforço, digamos, de natureza artística? Como, por exemplo, tentar resumir toda história do teatro em um texto que resultasse em um espetáculo de pouco mais de uma hora? Bem, se alguém quiser conferir - e acho que todos devem conferir - é só comparecer ao Oi Futuro, onde está em cartaz "2.500 por hora", de autoria de Jacques Livchine e Hervée de Lafond. Monica Biel assina a tradução e adaptação do texto, e Moacir Chaves a direção da montagem, que tem elenco formado por Claudio Gabriel, Henrique Juliano, Júlia Marini, Joelson Medeiros e Monica Biel. 

Reunindo fragmentos de obras de Pirandello, Tchecov, Molière, Feydeau, Eurípedes, Brecht, Beckett, Goethe e Nelson Rodrigues, dentre outros, assim como reflexões de Artaud e João Caetano, o presente texto efetivamente oferece ao público uma visão abrangente de toda a história da dramaturgia. E como a adaptação e a direção encontraram um formato narrativo delicioso - os fragmentos das cenas são representados e eventualmente comentados de forma extremamente bem humorada, com os atores (todos eles excelentes) entrando e saindo dos personagens com notável agilidade e saborosas doses de cinismo - o resultado é uma divertida e criativa jornada de 25 séculos, que merece ser prestigiada de forma incondicional pelo público.

Na equipe técnica, destaco com o mesmo entusiasmo as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta curiosa e oportuna empreitada teatral - Miguel Mendes e Tomás Correia (direção musical e execução ao vivo), Inês Salgado (figurinos), Sergio Marimba (cenografia), Aurélio de Simoni (iluminação) e Marcio Newlands (boneco e direção de manipulação). E embora não tenha lido o original, cumpre destacar a fluência da tradução de Monica Biel, assim como seu impecável e parisiense sotaque em uma das cenas.

2.500 POR HORA - Texto de Jacques Livchine e Hervée de Lafond. Tradução e adaptação de Monica Biel. Direção de Moacir Chaves. Com Claudio Gabriel, Henrique Juliano, Júlia Marini, Joelson Medeiros e Monica Biel. Oi Futuro. Quinta a domingo, 20h. 









terça-feira, 7 de julho de 2015

Cia OmondÉ Repertório 5 Anos

Comemorando 5 anos de atividades ininterruptas a Cia OmondÉ apresenta seu repertório completo de 16 de julho a 2 de agosto no Teatro Dulcina, dentro da ocupação Dulcina em Foco. Obras de Ariano Suassuna, Jô Bilac e Alcione Araújo fazem parte da mostra Cia OmondÉ Repertório 5 Anos.

Criada em 2010, a partir de um encontro teatral ocorrido um ano antes com “As Conchambranças de Quaderna”, a Cia OmondÉ é a concretização de um desejo que a atriz e diretora Inez Viana nutriu por mais de duas décadas, o de ter a sua própria companhia. Naquela ocasião, “movidos por esse encontro inicial, pelo desejo de compartilhar processos e criar em colaboração, nove atores de diferentes lugares do Brasil e eu, iniciamos uma pesquisa dialogando com diferentes recursos do teatro e da dança contemporâneos, pensando a cena a partir do lugar do ator no espaço vazio” comenta Inez, que outrora integrou grupos consagrados como o Manhas e Manias e o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo.

Passados cinco anos, todos os quatro espetáculos da OmondÉ continuam em repertório e viajando pelo Brasil. Essas peças tem textos assinados por Ariano Suassuna (“As Cochambranças de Quaderna”), Jô Bilac (“Os Mamutes” e “Infância, tiros e plumas”) e pela própria Inez adaptando um romance trágico de Alcione Araújo (“Nem mesmo todo o oceano”). Atualmente, além de Inez Viana, a OmondÉ é formada pelos atores Carolina Pismel, Debora Lamm, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Juliane Bodini, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell, pela produtora Claudia Marques e pelos artistas colaboradores Marcelo Alonso Neves, Flávio Souza, Renato Machado e Dani Amorim.

A apresentação do repertório da Cia OmondÉ acontece de 16 de julho a 2 de agosto no Teatro Dulcina, sempre às 19h, com ingressos a 20 reais. Além de comemorativo, a mostra é uma oportunidade tanto para aqueles que perderam uma ou outra peça do repertório da OmondÉ como para aqueles que desejam rever de uma só vez toda a produção teatral deste talentoso grupo.

Durante a exibição do repertório, em parceria com a Editora Cobogó, serão  lançados três livros com os textos das peças “Os Mamutes”, “Infância, tiros e plumas” e “Nem mesmo todo o oceano”. Estas publicações contaram com textos do ator Guilherme Weber, da juíza e escritora Andrea Pachá e do escritor Paulo Scott.


·         SERVIÇO

Teatro Dulcina
Rua Alcindo Guanabara 17, Centro – RJ (tel. 2240-4879)
Próximo a Estação Cinelândia do Metrô.
Horário: 19 horas
Ingressos: R$ 20,00

AS CONCHAMBRANÇAS DE QUADERNA
De Ariano Suassuna
Dias 16, 17 e 18/07 às 19h
Classificação: 12 anos
Comédia

OS MAMUTES
De Jô Bilac
Dias 22, 23 e 24/07 às 19h
Classificação: 16 anos
Comédia

NEM MESMO TODO O OCEANO
De Alcione Araújo – Adaptação Inez Viana
Dias 25 e 26/07 às 19h
Classificação: 16 anos
Drama

INFÂNCIA, TIROS E PLUMAS
De Jô Bilac
Dias 30 e 31/07, 01 e 02/08 às 19h
Classificação: 14 anos
Drama

ATENDIMENTO À IMPRENSA

assessor de imprensa Ney Motta
contemporânea comunicação
21 98718-1965 | 2539-2873
www.neymotta.com.br




Teatro/CRÍTICA

"Caranguejo Overdrive"

................................................................
Virulenta e hilariante reflexão



Lionel Fischer



"Ele é um homem, ou um caranguejo, ou um soldado, ou um operário. Mergulhado na guerra, sofre um colapso; de volta à cidade onde nasceu, encontra um Rio de Janeiro em convulsões urbanísticas - uma cidade, para ele, irreconhecível e com sabor de exílio. Cosme, ex-combatente da Guerra do Paraguai, dispensado por ter enlouquecido na batalha, volta nos anos 1870 ao Rio. Procura o Mangue - a parte da cidade então chamada Rocio Pequeno, hoje Praça 11 - e se emprega na construção do canal que representou a primeira grande obra de saneamento do Rio. Mais uma vez sofre uma crise - abandona tudo, vaga pela noite, mergulha no delírio. Apanhado por uma dessas tempestades tão conhecidas dos cariocas, torna-se enfim um caranguejo".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima contextualiza "Caranguejo Overdrive", em cartaz na Sala Mezanino do Espaço Sesc. De autoria de Pedro Kosovski, o texto chega à cena com direção de Marco André Nunes, estando o elenco formado por Carolina Virguez, Alex Nader, Eduardo Speroni, Fellipe Marques e Matheus Macena, que dividem a cena com os músicos Felipe Storino, Maurício Chiari e Pedro Kosovski. Esta montagem integra a Ocupação Aquela Cia - 10 anos.

Tendo como referências o Manguebeat, de Chico Science (uma fusão de música eletrônica e tambores de maracatu) e o trabalho do geógrafo Josué de Castro, "Caranguejo Overdrive" nos mostra a trajetória de um homem que da vida só conheceu o seu lado mais amargo. Miserável no início, vivendo na lama e do que dela extrai, termina no mesmo lugar, só que metaforicamente convertido no mesmo artrópode invertebrado que no passado lhe garantiu a sobrevivência e que agora, muito provavelmente, servirá de alimento para um novo Cosme.

Ao mesmo tempo, o texto possibilita uma pertinente e angustiante reflexão (ainda que eventualmente muito engraçada) sobre a relação que temos com o espaço que habitamos. Será que as transformações efetivadas visam o nosso bem? Será que levam em consideração nossas necessidades essenciais? Ou será que, em maior ou menor grau, acabamos sendo convertidos em espectadores de um espetáculo para o qual não fomos efetivamente convidados? Caso esta última hipótese seja verdadeira, só nos restariam duas alternativas: ou nos tornamos caranguejos - ou insetos (Kafka), ou rinocerontes (Ionesco) - ou nos insurgimos contra um destino que não escolhemos e que execramos. Cosme se torna um caranguejo. E quanto a nós? O que nos tornaremos?

Bem escrito, contendo ótimos personagens e uma ação (não linear, fragmentada) que prende a atenção do espectador desde o início, "Caranguejo Overdrive" exibe mais uma excelente direção de Marco André Nunes. Lançando mão de uma estética propositadamente virulenta e suja, perfeitamente integrada a sons impregnados de desconforto e fúria, ao mesmo tempo o encenador também consegue extrair irresistível humor de algumas passagens, sobretudo aquelas que envolvem a prostituta paraguaia e a delirante cientista. Sob todos os aspectos, estamos diante de uma das montagens mais instigantes da atual temporada.

Com relação ao elenco, Alex Nader, Eduardo Speroni e Fellipe Marques exibem seguras participações nos vários personagens que interpretam. Na pele do protagonista, Matheus Macena é uma gratíssima revelação. Possuidor de ótima voz e de um trabalho corporal da mais alta expressividade, assim como de uma visceral capacidade de entrega, o jovem ator reúne todas as condições para se tornar um grande intérprete - desde que não perca a humildade e continue estudando sempre e cada vez mais. Quanto a Carolina Virguez, a atriz exibe aqui uma das melhores performances de sua sólida carreira. Muito engraçada na pele da prostituta paraguaia e absolutamente hilariante vivendo a tresloucada cientista, a atriz demonstra uma vez mais seus vastos recursos expressivos e uma notável inteligência cênica, fruto de escolhas que jamais se valem de soluções previsíveis. Sem dúvida, um dos melhores trabalhos de atriz de 2015.

Na equipe técnica, Felipe Storino assina impecável direção musical, sendo igualmente irrepreensível sua performance como guitarrista - Maurício Chiari e Pedro Kosovski o acompanham no mesmo nível. Renato Machado responde por soturna e claustrofóbica iluminação, cabendo ainda mencionar a ótima instalação cênica de Marco André Nunes e a ideia original de Maurício Chiari.   

CARANGUEJO OVERDRIVE - Texto de Pedro Kosovski. Direção de Marco André Nunes. Com Carolina Virguez, Alex Nader, Eduardo Speroni, Fellipe Marques e Matheus Macena. Sala Mezanino do Espaço Sesc. Terças e quartas, 21h. Sábado, 17h.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

PROJETO “GRANDES MINORIAS” OCUPA O TEATRO GLAUCE ROCHA, NO CENTRO, COM PEÇAS INÉDITAS E PREMIADAS PARA O PÚBLICO ADULTO E INFANTIL
 Ocupação acontece de maio a agosto com montagens de Cias. cariocas e de outros estados, além de debates e oficina de dramaturgia.
 As minorias somam a maior parte do nosso país. Apesar de bombardeadas por preconceitos sociais de diversos tipos são elas que nos caracterizam brasileiros, nos dão nossos traços mais fortes. E é para dar voz a elas, que durante três meses o Teatro Glauce Rocha, no Centro, será ocupado pelo projeto “Grandes Minorias”, que irá trazer diversos espetáculos e debates sobre os preconceitos sofridos por esses grupos, muitas vezes quase invisíveis de tão arraigados. A ocupação irá acontecer de julho a setembro e 2015 e conta com peças inéditas, encenadas por companhias do Rio e de outros estados, voltadas para o público infantil e adulto.
 “Queremos explorar a grandeza das minorias, a dramaticidade dos seus conflitos, jogar uma lente de aumento sobre elas. Encontrar uma cena que dê conta desses conflitos com arte, numa amálgama elegante de potência e beleza”, explica Marcia Zanelatto, idealizadora do evento. Através de um variado leque de espetáculos, o projeto irá tratar de diversos temas: preconceitos raciais e sociais, o problema penitenciário, a diversidade religiosa e cultural do país, entre outros.
 A abertura da ocupação será dia 9 de julho, trazendo pela primeira vez ao Rio, a companhia Piauhy Estúdio das Artes, com o premiado solo “Exercício sobre Medéia”, que explora a temática da MULHER. Em seguida, a peça musical “Deixa Clarear”, sucesso da atriz Clara Santhana, traz uma homenagem à Clara Nunes, que cantou como ninguém o TRABALHADOR e OS ORIXÁS. No final do mês, o primeiro lançamento da Ocupação: a peça “Hipnose – uma tragicomédia carioca”, de Marcia Zanelatto, dirigida por Renato Carrera. Encenada pela Vil Cia de Teatro, a montagem traz um hilário e exasperante encontro entre representantes das classes média e baixa, através do famoso golpe do falso sequestro, tendo como pano de fundo a REALIDADE PRISIONAL do país.
 Para agosto, a ocupação apresenta mais um lançamento da autoria de Marcia Zanelatto: “Eles não usam tênis Naique”, novo espetáculo da Cia. Marginal, dirigida por Isabel Penoni e sediada no Complexo da Maré, que conta a história de uma família de COMUNIDADE avassalada pelo TRÁFICO DE DROGAS. E o musical infantil “Fuzuêzinho”, da Cia. de Aruanda, formada por brincantes da Serrinha, Madureira, que explora a CULTURA POPULAR DE MATRIZ AFRICANA.
 Em setembro, outro infantil de sucesso, “Sherazade”, de Suzana Abranches, com direção de Isaac Bernat, traz o encontro de paz e beleza das CULTURAS ÁRABES E JUDAICAS. A Ocupação se encerra em setembro, dando voz aos JOVENS, através do espetáculo Suave, uma criação coletiva sobre a utopia e o mundo que estes jovens pediram nas ruas em junho de 2013. 
 Por fim, pensando na formação de profissionais de arte cênica, o projeto “Grandes Minorias” realiza também uma oficina permanente de dramaturgia sobre temáticas socioculturais, no programa “Novos Autores Cariocas.
Ao longo da ocupação, a porta do teatro também será palco. O projeto Átrium, de Rodrigo de Abreu, trará uma menu variado de performances que dialogarão com a CULTURA QUEER, a TERCEIRA IDADE e até com os EVANGÉLICOS. 
 INÉDITOS – a programação traz três peças de autoria de Marcia Zanelatto que serão encenadas por diferentes grupos.
 Com direção de Renato Carrera, “Hipnose” é uma tragicomédia cujo pano de fundo é a questão prisional. O golpe do falso sequestro reúne por 12 horas dois representantes de classes sociais distintas, uma psicanalista do Jardim Botânico e um jovem do Encantado, subúrbio do Rio, que, preso por engano e sem conseguir provar sua inocência, precisa do dinheiro do golpe para subornar quem o possa tirar de lá. A peça inaugura a Vil Cia., formada pelo diretor e atores que, com foco na dramaturgia brasileira, realizaram juntos a premiada montagem de Vestido de Noiva (2013).
 “Eles Não Usam Tênis Naique”com a diretora e antropóloga Isabel Penoni conduzindo a Cia. Marginal, sediada na Favela da Maré, a peça traz à cena os conflitos entre pai e filha, duas gerações do tráfico de drogas no Rio. O texto foi a única peça de teatro vencedora do Concurso Literário Sexualidade, Violência e Justiça nas Comunidades Populares, realizado pelo Observatório das Favelas, CESEC – Centro de Estudos.
“Suave- Notícias Futuras” é uma criação coletiva sobre a utopia e o mundo que estes jovens pediram nas ruas em junho de 2013.  O que eles desejam? É preciso ouvi-los de coração aberto. Através do espetáculo Suave – notícias futuras os jovens, essa grande minoria, soprarão o vento fresco de suas ideias em nossas mentes. Quem sabe assim, nos estimulando a fazer pequenas grandes mudanças realmente possíveis.
 PEÇAS CONVIDADAS – A ocupação vai trazer pela primeira vez ao Rio de Janeiro a Cia Piauhy Estúdio das Artes, sediada em Teresina/ PI, apresentando “Exercício sobre Medéia”, premiado solo que lança um novo olhar sobre a clássica tragédia grega. Minoria – mulher.
 O outro espetáculo é “Deixa Clarear”, uma homenagem a Clara Nunes, que nasceu com parcos recursos e abundante desejo da atriz Clara Santhana. Contrariando o mercado tanto na estética - na medida em que homenageia Clara Nunes sem tentar contorná-la biograficamente - , quanto na produção - o musical já foi visto por mais de 50 mil pessoas em menos de dois anos e faz um passeio sobre as canções que marcaram a carreira da cantora.
 INFANTIL – para o público infantil o “Grandes Minorias” traz dois espetáculos que se destacaram na produção carioca recente. São eles: “Sherazad, a rainha do deserto”, de Suzana Abranches, direção de Isaac  Bernat; e “Fuzuezinho”,  da Cia. de Aruanda, formada por brincantes da Serrinha, Madureira.
 Enquanto a primeira (vencedora do FATE 2013 e indicado ao Prêmio Zilka Salaberry em 4 categorias) avança sobre as narrativas encantadoras do Oriente Médio e da cultura árabe, a segunda é um espetáculo educacional e interativo com dança, música ao vivo, contação de história que permeia o folclore e a temática negra.
 SERVIÇO:
TEATRO GLAUCE ROCHA
Quarta a domingo, 19h.
Endereço: Rua da Imprensa, 16 – Em frente ao Metrô Carioca
Telefone:(21) 2220-0259
Ingressos: R$ 20,00 (inteira) R$10,00 (meia)
Peças infantis: entrada franca
PROGRAMAÇÃO
 JULHO
 Cia. Convidada - Adulto
EXERCÍCIO SOBRE MEDÉIA com a Piauhy Estúdio das Artes (Terezina/PI)
09 A 12 DE JULHO - de quarta a domingo, às 19h
Classificação indicativa: 16 anos
 “Exercício Sobre Medéia” reconta a história da mulher-mãe-feiticeira que num ato premeditado de vingança contra a infidelidade do marido, assassina sua rival e os próprios filhos. Em seis fragmentos a ação teatral se desenvolve através de escritos visuais e vibracionais, nos quais a condição da MULHER é revelada em uma narrativa única que vai ao encontro  do  teatro mitopoético.
 Concepção, Direção Geral, Sonoplastia: Adriano Abreu.
Concepção, Atuação, Figurinos: Silmara Silva.
Dramaturgia: Adriano Abreu e Silmara Silva a partir dos textos originais de Cecília Meireles, Chico Buarque e Paulo Pontes, Ritual de Invocação de Hécate e Silmara Silva.
Cenário e Adereços: Adriano Abreu e David Santos.
Iluminação: Pablo Erickson.
Maquiagem: Mikael Dackson.
Preparação Corporal: Ieda Gabrielle.
Programação Visual: Coletivo Piauhy Estúdio das Artes
Vídeo: Francisvaldo Sousa e Doroteu Filmes.
Fotos: Ana Cândida Carvalho e Vítor Sampaio.
Apoio Técnico: Érica Smith, Carlos Aguiar, David Santos, Luã Jansen e Arnaldo Pacovan.
Produção e Realização: Coletivo Piauhy Estúdio das Artes.
Projeto Contemplado pelo SIEC (Sistema de Incentivo Estadual a Cultura) com patrocínio do Armazém Paraíba e SINDLOJAS
 Espetáculo convidado - Adulto
DEIXA CLAREAR - UMA HOMENAGEM À CLARA NUNES com Clara Santhana
16 a 26  de JULHO - de quinta a domingo, às 19h
Classificação indicativa: Livre
 A peça musical Deixa Clarear traz uma homenagem à Clara Nunes que cantou como ninguém o TRABALHADOR e OS ORIXÁS. 
 Texto - Marcia Zanelatto
Direção - Isaac Bernat
Direção Musical - Alfredo Del Penho
Direção de Movimento - Marcelle Sampaio
Atuação - Clara Santhana
Percussão – Fogaça
Percussão - Lucas Ferraz
Violão/ Cavaquinho - João Bittencourt
Flauta - João Gabriel
Assistência de Direção - Daniel Belmonte
Iluminação - Aurélio de Simoni
Figurino - Desirée Bastos
Cenário - Doris Rollemberg
Programação Visual - Side 2
Vídeo Divulgação - Alexandre Rudah
Idealização: Clara Santhana
Direção de Produção – Sandro Rabello e Neila de Lucena
Realização: Clara Santhana e Diga Sim! Produções
 Lançamento - adulto
HIPNOSE, UMA TRAGICOMÉDIA CARIOCA com a Vil Cia.
29 DE JULHO A 16 DE AGOSTO - de quarta a domingo, 19h
Classificação indicativa: 14 anos
 Lançamento nacional da peça dirigida por Renato Carrera, com a Vil Cia de Teatro, traz um hilário e exasperante encontro entre representantes das classes média e baixa através do famoso golpe do falso sequestro, tendo como pano de fundo a REALIDADE PRISIONAL do país.
 Direção: Renato Carrera
Texto: Marcia Zanelatto
Elenco: Andreza Bittencourt, Carine Klimeck, Cecília hoeltz, Hugo Germano, Ivson Rainero, Rodolfo Mesquita  e Vanessa Galvão.
Figurino: Maria Duarte
Iluminação: Renato Machado
Trilha Sonora: Gustavo Benjão
Produção: Roberta Schneider
Realização: VIL CIA
 LAGE ASSESSORIA
Fernanda Lacombe
fernanda.lageassessoria@gmail.com
21 3579-8960/ 21 98121-7409


    

sexta-feira, 3 de julho de 2015

GRUPO MOITARÁ APRESENTA PALESTRA-ESPETÁCULO “A MÁSCARA NA ENERGIA DO ATOR”
No dia 10 de julho, o Grupo Moitará realiza a palestra-espetáculo “A Máscara na Energia do Ator”. No encontro, são apresentados alguns dos percursos desenvolvidos pelo Grupo sobre a dramaturgia do ator, com demonstrações de cena, de músicas trabalhadas pelos atores e exercícios físicos e vocais utilizados pelo Moitará na construção de seu trabalho.
O evento é uma oportunidade do público se aproximar e desvendar um pouco mais do ofício do ator por trás da máscara teatral, aprendendo, de forma lúdica e espetacular, sobre as várias formas de utilização desta na cena.
Um dos compromissos do Grupo Moitará com a cidade é a acessibilidade da comunidade surda. Além do projeto “Palavras Visíveis”, focado na capacitação de atores surdos, a palestra-espetáculo também contará com a presença de um intérprete de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). A atividade é gratuita e as senhas serão distribuídas a partir das 19 horas.
Esta atividade faz parte do projeto de manutenção “Grupo Moitará, 26 anos de contribuição à cena Carioca”, patrocinado pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, através do II Programa de Fomento à Cultura Carioca.

Sobre o Grupo Moitará
 Com uma efetiva participação na cena teatral brasileira através da participação em festivais nacionais e internacionais, e também pela atuação pedagógica, o Grupo Moitará desenvolve há 27 anos  ininterruptos o trabalho de pesquisa sobre a dramaturgia do ator com a linguagem da máscara teatral.
 Aliado ao trabalho diário de pesquisa dos atores, o grupo ainda democratiza os conhecimentos sobre a Linguagem da Máscara a estudantes, pesquisadores, artistas e ao público em geral, através de oficinas, palestras-espetáculo, seminários e intercâmbios, oferecendo rica contribuição ao desenvolvimento cultural do país.
 Moitará é um termo kamaiurá que significa troca, escambo, comércio e é também a única ocasião em que diferentes tribos indígenas do Alto Xingú acampam no mesmo local para realizar trocas de artefatos. O Moitará subsiste como forma estimuladora de contatos e é também uma oportunidade para que haja o confronto e a autoafirmação dos grupos como entidades distintas. 
 É esta a dimensão que o nome dá ao Grupo Teatral Moitará, um espaço de trocas, de valorização das diferenças culturais.
 Serviço:
 Palestra-espetáculo “A Máscara na Energia do Ator”
10 de julho
Às 20hs.
Entrada gratuita e classificação livre
Senhas distribuídas uma hora antes do início do evento.
Espaço Moitará – Rua Joaquim Silva, 56/2º andar
 Informação para a imprensa:
 Ana Pinto
21 98171-3739 / 21 3852-0403

Ana Pinto
21 8171-3
739

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Laio & Crísipo"

....................................................................
Belo texto ganha impecável montagem



Lionel Fischer



"O jovem Laio fugiu de Tebas - sua cidade natal, onde uma sangrenta disputa pelo trono torna sua vida perigosa - e foi acolhido pelo rei Pélops da Frígia, que o nomeou preceptor de seu herdeiro, o adolescente Crísipo. Mas a relação entre mestre e pupilo se transmuta em paixão. Perseguidos pelo rei - que amaldiçoa Laio - e pela sociedade, forjam um sequestro e se dirigem a Tebas, onde a situação política se tornara favorável a Laio, que ali reencontra a jovem Jocasta, prometida a ele como esposa. Sagrado rei, casa-se com Jocasta e mantêm a relação com Crísipo - e os três se envolvem em um ardente triângulo amoroso."

Extraído do ótimo release que me foi enviado pelas assessoras de imprensa Luciana Medeiros e Leila Grimming, o trecho acima explicita uma livre interpretação do mito de Laio, aqui materializada no espetáculo "Laio & Crísipo", que, juntamente com "Caranguejo Overdrive", comemora os dez anos de existência do grupo Aquela Cia. - o segundo espetáculo será analisado na crítica seguinte. Pedro Kosovski assina o texto e Marcos André Nunes a direção da montagem, em cartaz no Mezanino do Espaço Sesc. No elenco, Eron Cordeiro (Laio), Ravel Andrade (Crísipo) e Carolina Ferman (Jocasta). 

Como dito no parágrafo anterior, estamos aqui diante de uma livre interpretação do mito de Laio. Sendo assim, ao invés de discorrer sobre o que de fato se sabe sobre os personagens e em seguida tentar perceber em que medida foram recriados, contestados ou subvertidos, opto por também valer-me de total liberdade para falar sobre o que assisti, ou seja, como se estivesse diante de personagens sem qualquer referência anterior. 

Laio e Crísipo vivem uma relação vertiginosa que inclui ensinamentos (éticos, filosóficos e marciais), trocas, cumplicidade, desentendimentos, reconciliações e visceral atração física. Ou seja: existe entre ambos uma verdadeira paixão, com todos os ingredientes de lucidez e loucura a ela inerentes. E após se encontrarem com a jovem Jocasta - prostituta que faz strip-tease em um inferninho à beira de uma estrada - estabelece-se um virulento triângulo amoroso. 

Diante do exposto, cabe a pergunta: qual terá sido o real objetivo de Pedro Kosovski ao escrever "Laio & Crísipo"? Que diferença haveria se o presente texto não tivesse mitos como referência? Em minha opinião, nenhuma. Sim, pois com ou sem referências, o fundamental é que Kosovski escreveu um belo, instigante, libertário e contundente texto sobre a paixão, aqui materializada como irresistível pulsão de vida e essencial no que diz respeito à descoberta sobre si mesmo e sobre o outro. 

Com relação ao espetáculo, Marcos André Nunes impõe à cena a dinâmica característica da Aquela Cia.: marcas expressivas e diversificadas, invariavelmente surpreendentes, impecável domínio dos tempos rítmicos e uma visceral relação com a música, que praticamente se converte em um personagem. E no tocante ao elenco, Eron Cordeiro, Ravel Andrade e Carolina Ferman têm desempenhos irrepreensíveis, tanto do ponto de vista vocal como corporal. Além disso,  exibem uma contracena que só existe quando a confiança mútua é total, assim como no projeto em que estão engajados. A todos, portanto, parabenizo com o mesmo entusiasmo e agradeço a instigante noite que me proporcionaram.

Na equipe técnica, Felipe Storino responde por maravilhosa (como de hábito) direção musical, sendo igualmente irretocável sua contribuição como músico, ao lado de João Paulo. Marcia Rubin, com sua notável direção de movimento, é uma peça-chave no sucesso da presente empreitada teatral, o mesmo aplicando-se a Marcelo Marques (figurino), Aurora dos Campos (cenografia) e Renato Machado (iluminação) - este último, por sinal, cada vez mais se firma como um iluminador de ponta.

LAIO & CRÍSIPO - Texto de Pedro Kosovski. Direção de Marcos André Nunes. Com Eron Cordeiro, Ravel Andrade e Carolina Ferman. Sala Multiuso do Espaço Sesc. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.