segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Olá Amigos, 

em outubro, vou dar o curso TEATRO DE APRENDIZ, no MIDRASH. Serão 4 palestras sobre o Teatro Carioca (Um breve panorama dos recentes 40 anos). A primeira noite - os anos 70, a segunda - os 80, a terceira - os 90, a quarta – de 2000 até hoje. Ano que vem comemoro 4 décadas de “bons serviços” ao teatro, vou publicar um livro sobre esses tempos e estrear “O Almoxarifado” que trata de espetáculos verdadeiros e falsos que existiram nos nossos palcos. Esse curso no MIDRASH é o primeiro ato desse projeto. Vou palestrar sobre dramaturgia, encenação, interpretação, produção, comunicação e público. Naturalmente, do ponto de vista de um Aprendiz. Vou projetar vídeos e fotos, ler cenas de obras que foram importantes nas últimas temporadas; e, comigo vão estar Débora Bloch, Claudia Abreu, Patricia Pillar, Malu Mader, Patricya Travassos, Perfeito Fortuna e a banda Exército de Bebês. Simpatizem com o projeto, avisem aos amigos e apareçam!
                                                     Hamilton Vaz Pereira


 MIDRASH CENTRO CULTURAL apresenta
TEATRO DE APRENDIZ
Panorama De 40 Anos Do Teatro Carioca 1974 / 2014
Com  HAMILTON VAZ PEREIRA
Quartas 09 / 16 / 23 / 30 OUT -  20 h
Rua General Venâncio Flores 184 Leblon
T 22391800  - 22392222
secretaria@midrash.org.br
www.midrash.org.br 


Teatro/CRÍTICA

"Garagem"

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Texto excessivo minimiza ótima proposta


Lionel Fischer



"A peça conta a história de Juan, um advogado que perde tudo e se vê despejado, recém separado da esposa e seus dois filhos, sem lugar para morar, quando entre recibos antigos e certidões encontra uma escritura de uma vaga de garagem que adquiriu de uma senhora, sua vizinha, quando ainda tinha dois carros. Não pensa duas vezes. Recolhe os móveis que ficaram da mobília do quarto da empregada e se muda para lá".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima resume o enredo de "Garagem", em cartaz no estacionamento G3 do Shopping Rio Sul. Gustavo Paso assina o texto e a direção, estando o elenco formado por Gustavo Falcão, Luciana Fávero, Eduardo Tornaghi, Luis Carlos Mièle, André Poyart, Nina Morena, Thalita Vaz, Thalita Lippi, Antonio Ysmael, Cecília Lage, Daí Bonfim, Dody, Eléa Mercúrio, Ericka Bayert, Felipe Miguel, Jaime Berenguer e Letícia Lobo.

Não resta dúvida de que Gustavo Paso teve uma excelente ideia ao centrar a ação numa garagem. No presente caso, por tratar-se efetivamente de uma garagem real, o que confere ao contexto um caráter ao mesmo tempo naturalista e inusitado. Mas o maior impacto fica por conta do simbolismo da escolha. Não se "mora" numa garagem. Se temos carro, evidentemente, por ela passamos para sair ou quando retornamos. Mas o protagonista vive ali e defende seu direito de ali permanecer, mesmo enfrentando a sarcástica oposição do síndico e a revolta de sua ex-mulher. Em contrapartida, conta com a simpatia dos moradores, com os quais estabelece relações divertidas e fraternas.

Estamos, portanto, diante de uma situação que, dentre muitas leituras possíveis, pode ser encarada como um ato de resistência de um homem arruinado, ex-alcoólatra, mas que ainda assim recusa-se a entregar os pontos e luta desesperadamente para fazer prevalecer os direitos que julga possuir. E se por um lado não enxerga um futuro promissor, por outro luta ferozmente por seu presente.

Como já dito, trata-se de uma excelente ideia. Mas esta acaba um tanto prejudicada por um texto excessivo e um excessivo número de personagens, muitos dos quais meramente episódicos e que em nada contribuem para um possível aprofundamento do tema central, que, em minha opinião, é a luta de um homem contra o sistema - afora outros temas também importantes, como o amor, a solidão, a ausência de perspectivas etc. Se ao invés de duas horas o espetáculo tivesse uns 30 minutos a menos, certamente seu impacto haveria de ser bem maior.

Ainda assim, "Garagem" possui passagens interessantes, alguns diálogos e personagens bem construídos e o espetáculo trabalha muito bem uma atmosfera que gera no espectador um apropriado clima de permanente ansiedade. Esta se deve, fundamentalmente, à total impossibilidade de se saber para onde irá a trama, que imprevistos podem acontecer, se a situação básica acabará mudando ou não e assim por diante.

Com relação ao elenco, torna-se literalmente impossível analisar todas as performances. Ainda assim, gostaria de destacar as atuações seguras e convincentes dos que defendem os papéis mais relevantes - Gustavo Falcão (Juan), Nina Morena (Lara, jovem alcoólatra), Luciana Fávero (Rosa, ex-mulher de Juan) e Eduardo Tornaghi (Sr. Avila, síndico do prédio). Quanto aos demais, todos extraem de seus personagens o melhor que eles permitem.

Na equipe técnica, destaco com o mesmo entusiasmo as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta curiosa e pertinente empreitada teatral - Teca Fichinski (figurinos), Fichinski e Paso (cenografia), Paulo Cesar Medeiros (iluminação) e Felipe Miguel e André Poyart (trilha sonora).

GARAGEM - Texto e direção de Gustavo Paso. Com Gustavo Falcão, Luciana Fávero e grande elenco. Estacionamento G3 do Shopping Rio Sul. Quarta a sábado, 21h. Domingo, 19h.  

    

sábado, 28 de setembro de 2013

13/09/2013 12h47 - Atualizado em 17/09/2013 20h31
Artigo: Paulo de Moraes fala sobre a trajetória da Armazém Cia de Teatro
Construindo uma lógica interna
Por Globo Teatro publicada em 09/04/2012

Em 2012, o Armazém Companhia de Teatro completa 25 anos de trabalho. Começamos em Londrina, no interior do Paraná, em 1987, e nos transferimos para o Rio de Janeiro no início de 1998. E é curioso como essas efemérides sempre nos levam a revisitar nosso baú de memórias. Se fosse contar a história do Armazém, como num livro de memórias, talvez um capítulo tivesse que falar sobre os encontros que definiram o nosso caminho. O encontro com a obra de Oswald de Andrade, com a encenação e os atores do grupo peruano/alemão La Otra Orilla, com a música de Arrigo Barnabé, com as HQs de Will Eisner, com Paulo Autran e suas histórias e percepção do trabalho do ator. 

Um outro capítulo ainda precisaria ser reservado para relatar as atividades paralelas que fizemos para conseguir manter o grupo: animação de festas, apresentações em shoppings, bares, supermercados,  espetáculos infantis, espetáculos sobre literatura em escolas, organização de shows, desfiles de moda ou festas de fim de ano em nossos espaços. Tudo para conseguir manter acesa a possibilidade de viver do ofício. 

Mais de um capítulo teria que ser escrito sobre as viagens intermináveis pelo interior de Paraná e São Paulo, quase sempre em micro-ônibus fretados caindo aos pedaços, ou todo mundo apertado dentro de um ou dois carros viajando de volta pra casa depois das apresentações pra economizar com hotel, ou ainda quando voltamos de uma apresentação em Piracicaba (depois de um final de semana apresentando dois espetáculos, sem nenhum dinheiro no bolso), numa pequena caminhonete Fiat, com três de nós na boleia e mais três deitados junto com o cenário na carroceria, mortos de medo de uma blitz policial. 

Houve alguns momentos em que pareceu absoluta insanidade a determinação, que alguns de nós tínhamos, de fazer daquele grupo de teatro não só um projeto artístico, mas também um projeto de vida. Apesar de Londrina ter, nas décadas de 80/90, uma vida cultural considerada rica, viver de teatro era difícil demais. Muita gente boa ficou pelo caminho. Outros insistiram o quanto puderam. Éramos um coletivo que moldava corpo, voz e pensamento, trancados numa sala de ensaios durante horas, mas que também tinha que funcionar como produtor e divulgador do próprio trabalho. 

Quando – depois de seis anos de grupo – nós apresentávamos “A Ratoeira é o Gato”, correndo de cidade em cidade pelo interior, havia o desejo de apresentar o trabalho no Rio de Janeiro, já que (a gente entendia assim) havia uma importância no espetáculo e uma maturidade na busca artística da companhia que não podiam ser ignorados. Fiz uma viagem ao Rio, com um dossiê sobre a montagem e algumas fitas VHS debaixo do braço, para tentar a tão sonhada temporada carioca. Visitei todos os teatros públicos da cidade, tentando conversar com os diretores artísticos e mostrar o trabalho. Fiquei dias na cidade, mas não consegui ser recebido por ninguém. O dinheiro estava no fim (sempre estava no fim), precisava voltar à Londrina. Como ninguém me recebia mesmo, resolvi fazer uma carta razoavelmente agressiva e arrogante, falando maravilhas do espetáculo e do grupo, e do equívoco que seria não nos oferecer um espaço. Queria ver se assim, conseguia convencer alguém a, pelo menos, assistir aquela fita com 15 minutos da peça. Nunca soube se a carta teve alguma importância, mas o fato é que Lolly Nunes – que na época dirigia o Teatro Gláucio Gil – gentilmente convidou o grupo para a primeira temporada no Rio de Janeiro. 

Escrevo tudo isso de uma forma meio desencontrada, porque percebo como é difícil reunir num pequeno texto 25 anos de trabalho. Fica uma vontade enorme de que as pessoas realmente entendam como tudo aconteceu. E uma sensação nítida, transparente, de que não tem como isso acontecer. Então, talvez, o que importe sejam alguns fragmentos, alguns fotogramas da história de um grupo que tinha desde seu início uma grande aspiração: reencontrar o poder simbólico que o teatro teve em outros tempos. 

No início de tudo, contaminados pela agitação cultural que tomava conta de Londrina – e que produzia qualidade e vanguarda artística em teatro, música e poesia –, éramos um bando de “canibais contentes”, devorando com imensa alegria e curiosidade todas as informações que eram postas à mesa. Absolutamente influenciados pela obra de Oswald de Andrade, queríamos criar um universo teatral particular a partir de um cruzamento de referências que ia das HQs a Shakespeare, dos filmes de Kurosawa à literatura de Guimarães Rosa, do teatro de Beckett à poesia de Fernando Pessoa. A ideia era “misturar tudo num caldeirão e ver no que vai dar”. Havia um mundo que queríamos refletir, mas a forma de refletir este mundo (e sobre este mundo) tinha para nós a mesma importância. Havia uma necessidade de que forma e conteúdo fossem uma coisa só (o que pressupõe certa arrogância, eu sei). Portanto, para nós, o importante não era tanto o gênero do teatro que fazíamos, mas a aplicação de um estilo próprio. E este estilo, a gente sabia, só seria construído com o tempo, com um espetáculo após o outro. 

Quando ocupamos nossa primeira sede, um barracão de grandes proporções (onde antes havia funcionado, curiosamente, um depósito de cerveja, uma rinha de briga de galo e um rinque de patinação), a questão do espaço cênico começou a ganhar mais importância. Fomos surpreendidos pelo espaço, pela possibilidade de sair do palco tradicional, pelas novas formas que a gente percebeu que poderiam vir dali e pelo jeito diferente de se relacionar com o público que o espaço impunha. Isso criou um verdadeiro impacto para nós. E isso refletia no resultado do nosso trabalho.

Quando saímos de Londrina e nos encontramos na Fundição Progresso, no Rio, o impacto foi parecido. Isso fez surgir espetáculos como “Alice Através do Espelho”, “Da Arte de Subir em Telhados”, “Pessoas Invisíveis”, “Inveja dos Anjos”. A linguagem que a companhia foi construindo durante esse tempo não pode ser considerada estática, ao contrário, é permanentemente afetada pela entrada ou saída de um novo companheiro. Se quando fizemos “A Ratoeira é o Gato” eram seis atores com um trabalho corporal muito homogêneo – talhado durante meses para retratar a temática da violência –, hoje a diversidade é mais nítida, sem que isso esvazie a premissa na qual o grupo sempre acreditou, de um “ator criador”, que vá em busca de seus personagens e que não seja um mero repetidor de movimentos.

Não é viável que um ator com poucos anos na companhia abarque a história e as referências todas que vieram antes dele, mas é possível que trabalhe a partir dos mesmos princípios e contribua dando a sua leitura disso. Assim, a linguagem se desenvolve. Assim, é possível ainda trabalhar muitos anos, sem cair numa fórmula pronta, mas sem abrir mão do que é princípio e síntese. 
Que o Armazém tenha vida longa!
*Paulo de Moraes é diretor artístico do Armazém Companhia de Teatro


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Um novo porto seguro para
o Théâtre du Soleil
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·         Em visita ao Rio, a diretora do Théâtre du Soleil, Ariane Mnouchkine inicia parceria com o Armazém da Utopia que servirá de base a atividades do grupo na cidade
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LUIZ FELIPE REIS (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
Publicado:22/07/13

Ariane
RIO — Assim que pôs os pés no Armazém da Utopia, o galpão de número 6 localizado na Zona Portuária do Rio, Ariane Mnouchkine passou um bom tempo em silêncio, observando o lugar e antevendo suas possibilidades de ação ali. A amplidão do espaço, o pé direito alto e a estrutura arquitetônica fabril não poderiam deixar de remeter à Cartoucherie, antiga fábrica de armamentos parisiense que, desde 1970, se tornou a sede oficial do Théâtre du Soleil. A convite de Luiz Fernando Lôbo, diretor da Cia. Ensaio Aberto, que ocupa há dois anos e meio o Armazém, Ariane esteve ali na última quinta-feira para estabelecer o início de uma futura parceria entre as duas companhias.

O que ambos planejam é transformar o Armazém da Utopia numa espécie de casa extraoficial do Soleil na cidade. Ao lado da produtora Maria Júlia, responsável pelas duas últimas encenações da companhia no país — “Les éphémères” (2008) e “Os náufragos do Louca Esperança” (2011), que gerou um filme dirigido por Ariane, com lançamento previsto para este ano — Ariane e Lôbo planejam intensificar a presença de artistas do Soleil no Rio para a realização de oficinas, além da encenação de espetáculos do repertório do grupo e também da Aftaab, um grupo-filhote do Soleil criado há dez anos em Kabul, no Afeganistão.

— Aftaab quer dizer sol em afegão, e é o que chamamos de satélite, um grupo integrado à dinâmica do Soleil. Hoje em dia eles têm cinco peças no repertório, e a ideia é trazer uma delas para cá — diz a atriz Juliana Carneiro da Cunha, parceira de Ariane e atriz do Soleil há 22 anos.

— É um grupo de 17 artistas com suas famílias — diz Ariane sobre os afegãos que vivem em trailers nos arredores da sede do Soleil. A companhia ocupou o galpão em Paris em 1970.

Lôbo, que conduz uma série de atividades formativas e encena as peças da Ensaio Aberto no Armazém, acredita que a trajetória dos grupos se relaciona não só teatralmente, mas pelo modo como ambos transformaram espaços públicos ociosos e abandonados em pólos culturais, além de servir como sede de seus grupos.

— Lutamos muito para conseguir ocupar esse galpão, que estava completamente abandonado. Passamos os últimos dois anos e meio transformando-o num espaço de formação e criação. Agora, nosso objetivo é integrá-lo cada vez mais à cidade — diz. — Do mesmo modo que já recebemos diversos festivais, queremos abrir espaço para residências e intercâmbios com companhias internacionais, e o Soleil é a prioridade. Ele vai nos ajudar muito como exemplo. Estamos num momento em que a cidade precisa repensar a questão cultural e formular políticas públicas que mantenham os grupos trabalhando e com suas sedes funcionado.

Prestes a completar 50 anos de atividades, em 2014, o Théâtre du Soleil tem sua história ligada à Cartoucherie desde 1970. Até ali, Ariane Mnouchkine já havia dirigido cinco montagens, mas continuava sem uma sede. Drama de todo grupo que planeja um trabalho contínuo, a busca pela casa própria acabou num ato de ousadia. Ao deparar com diversos galpões abandonados no bosque de Vincennes, em Paris, Ariane escolheu um, entrou e nunca mais saiu de lá.

— Às vezes, os artistas precisam ocupar os espaços. E toda ocupação artística é uma espécie de fertilização. Já o capital, por exemplo, geralmente não pensa em fertilização, mas em comercialização. Então o que fizemos com a Cartoucherie foi um processo de fertilização.

À época, para conseguir encenar o espetáculo “1789” na Cartoucherie, Ariane conseguiu um documento forjado dentro da prefeitura de Paris que “autorizava” a permanência do grupo.

— Não tinha nada de oficial, mas quando vinham tentar nos tirar eu mostrava o papel e eles voltavam para a prefeitura para tentar saber que documento era aquele. Nesse meio tempo, a peça fez tanto sucesso que foi impossível nos tirarem dali. Imagina, eles queriam transformar a Cartoucherie num aquário de tubarões.

Ao lado de Ariane, Lôbo se entusiasma:

— Até hoje é assim, ou a cultura ocupa ou não consegue. O governo não cede.

E Ariane toma a palavra final:

— Desde a primeira vez que vim aqui, em 1993, sempre ouço dos artistas que o país não tem uma política cultural, e aí me pergunto: “Mas como vocês não fazem um movimento tão forte que faça finalmente esse dinheiro existir?” — diz. — É preciso fazer entender que a arte é primordial para o progresso social e para a educação. Falo com veemência, sabendo que venho de um país privilegiado, mas que se mantém deste jeito porque a luta é de todo instante. Artistas precisam sempre lutar pela solidificação do teatro público e pela manutenção da educação artística nas escolas. É fundamental.



A Comédie-Française: 
uma tradição teatral sempre em renovação

Excelência artística, sua história secular e sua trupe unida sob o lema "Simul e singulis (todo e cada um em particular) dão renome mundial à Comédie-Française. Somente no teatro estatal da França localizado no coração de Paris.

Muitas vezes, erroneamente, atribuímos a criação da Comédie-Française (Comédia Francesa) a Molière. No entanto, Jean-Baptiste Poquelin já havia morrido há sete anos, quando, em 1680, Luís XIV impõe às trupes de comédia com sede em Paris que trabalhem juntas. O objetivo era aproveitar o monopólio da representação em francês.

Poucos meses depois, os atores do Hôtel de Bourgogne e do Hotel Guénégaud (trupe Molière liderada pelo seu ex-filho espiritual Charles, disse Jack La Grange) fizeram sua primeira apresentação junto. A Colmeia, um símbolo da criatividade abundante da Comédie-Française, nasceu!

Instalada na rue de Richelieu desde 1799, a Comédie-Française desde então adicionou outros dois lugares: o Théâtre du Vieux Colombier (300 lugares inaugurados em 1993) e o Studio Théâtre (136 lugares inaugurados no interior do Carrousel du Louvre em 1996). Duas estruturas de programas independentes, mas sempre complementares estão na programação da sala Richelieu.

Dirigida desde 2006 por Muriel Mayette, a Comédie-Française conta com 397 profissionais permanentes, inclusive 57 atores. Ha atores societários (pertencem à Sociedade de Atores Franceses) dentre os quais os mais conhecidos são Denis PodalydèsLaurent Stocker e Guillaume Gallienne. Mas também há atores, a maioria moradores, que são do Conservatoire.

Antes de mais nada, o teatro de criação, a Comédie-Française,  também tem a missão de conservação e recuperação de repertório. Um repertório onde Molière ocupa um lugar privilegiado como qualquer outro; desde o nascimento da Comédie-Française, suas obras foram representadas quase 34 mil vezes! 

Queridos parceiros do blog

De 2 a 20 de outubro estarei em Angra dos Reis como jurado da FITA (Festa Internacional de Teatro de Angra). Portanto, neste período não postarei praticamente nada. Assim que retornar, volto ao ritmo habitual de postagens. Nutro a sincera esperança de que não me abandonem...

Um beijo em todos,

Eu

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Teatro/CRÍTICA

"O submarino"

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Deliciosa comédia romântica

Lionel Fischer



"Cesar e Rita são casados e se amam, mas tem hábitos e gostos muito diferentes. Tentam ceder um ao outro para que prevaleça um meio termo, mas o que conseguem é brigar e se separar. Mas não agüentam ficar longe um do outro, apesar dos esforços e até das novas relações. Acabam se reencontrando sempre, seu amor sobrevive ao tempo, aos acontecimentos e até mesmo ao embate de personalidades. As diferenças acabam sendo vencidas pela vontade que os dois tem de ficar juntos".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima reproduz o enredo de "O submarino" (Teatro das Artes), de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa, já levada à cena no Rio de Janeiro nos anos 90. Victor Garcia Peralta assina a direção, estando o elenco formado por Luciana Braga e Marcius Melhem.

Dizem os sábios que os opostos se atraem. É até possível. Mas, em se tratando de relações amorosas, sendo muitas as oposições é quase impossível que o amor sobreviva. Mas aqui, como já dito no parágrafo inicial, Rita e Cesar continuam se amando, ainda que se engalfinhando por coisas sérias ou bobagens, ainda que juntos ou separados, e mesmo quando ambos estão se relacionando com outras pessoas. É como se ambos dissessem em uníssono: não posso viver com você, mas também não posso viver sem você. Eis um dilema que faria cismar o Príncipe da Dinamarca...

Mas o que importa ressaltar é que os autores escreveram uma comédia romântica deliciosa, repleta de observações mais do que pertinentes sobre as relações amorosas - algumas leves e corriqueiras, outras mais amargas. E criaram dois personagens com os quais o público se identifica totalmente.

Com relação à direção, Victor Garcia Peralta impõe à cena uma dinâmica ágil e extremamente divertida, ainda que sabiamente pontue com sensibilidade alguns momentos mais delicados e tensos.
E teve como parceiros dois intérpretes inteiramente afinados com o contexto.

Comediante por excelência, Marcius Melhem está impecável na pele de Cesar, cabendo registrar o talento do ator no que concerne aos tempos rítmicos e sua notável capacidade de atuar em silêncio. A mesma eficiência se faz presente na performance de Luciana Braga, tanto no que diz respeito ao texto articulado como na expressividade que impõe ao seu corpo. Ambos formam, sem dúvida, uma dupla irretocável, exibindo ótima contracena.

Na equipe técnica, Maneco Quinderé ilumina a cena com a competência habitual, a mesma aplicando-se ao cenário de Miguel Pinto Guimarães, aos figurinos de Rita Murtinho e a trilha sonora de Pablo Paleólogo.

O SUBMARINO - Texto de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa. Direção de Victor Garcia Peralta. Com Luciana Braga e Marcius Melhem. Teatro das Artes. Sexta e sábado, 21h30. Domingo, 20h30.