sábado, 10 de fevereiro de 2018

Exercícios de Improvisação
Para iniciantes

Lionel Fischer

Cena curta criar uma cena passando pelos três estímulos, na ordem.

A       angústia/alívio/amor
B       busca/bondade/beijo/
C        carência/carícia/casamento
D       dívida/dádiva/dúvida
E       esperança/espera/escrotice
F         força/foco/fica
G      gemido/ganância/gozo
H      história/histeria/habitação
I          intriga/instante/inútil
J         jogo/justiça/jaca
L         luta/luto/luz
M       medo/mácula/música
N        negação/novidade/nudismo 
O        onda/ódio/onde
P       perda/perto/perplexidade
Q        querer/queimadura/queijo
R       raiva/rosto/rumo
S       susto/sinto/saudad
T       teimosia/temporal/tenacidade
U       único/última/ultimato
V       vitória/ vontade/ volúpia
X        xuxu/ xepa/xispa
Z       zona/zodíaco/zero

Tesouras rítmicas – dois alunos, duas tesouras. O primeiro faz uma pequena seqüência, que o segundo tem que repetir. Depois, inverter. Até aqui, só memória. Em seguida, o primeiro faz uma pequena seqüência, um aluno de fora coloca um texto. O segundo responde com a tesoura, um outro aluno coloca um texto. E assim seguimos por um tempo.

Criando um textoo aluno entra, já com uma atitude/sentimento. Pára num local, congela. Em seguida, vai para outro ponto e congela. Vamos fazer cinco mudanças. O aluno repete tudo que fez. Em seguida, repete, parando, e alguém de fora coloca um texto quando a cena congela.  Depois, nova repetição, outro aluno coloca um novo texto, completamente diferente, em cima da mesma seqüência. Finalmente, o primeiro aluno faz toda a seqüência colocando seu próprio texto.   




História em duplas - oito atores, lado a lado, em fila. O primeiro começa a relembrar qualquer coisa envolvendo aquele que está ao seu lado. Este retruca. Em seguida, os dois vão para o final da fila e a dupla seguinte avança. Cada ator só pode usar uma frase, de preferência curta. E o assunto deve evoluir, podendo tomar rumos imprevistos. Mas não vale criar frases disparatadas. A história tem que fazer sentido, mesmo que sua conclusão seja completamente inesperada com relação ao início. Vamos rodar as filas três vezes.

Ida e volta - dois atores, sentados, bem perto, um de frente para o outro. Começam a trocar ofensas, num ritmo bem rápido.  As ofensas devem se limitar a uma palavra. Ao mesmo tempo em que se ofendem, vão recuando o corpo. Quando estão bem afastados, congelam. A seguir, vão se reaproximando, só que agora trocando palavras gentis, num ritmo bem lento. 

Criando uma história - dois atores iniciam uma cena.  No sinal, congelam. Outros dois os substituem e continuam a cena. E assim por diante. Fazer com quatro duplas. A última deve concluir a cena, que deverá necessariamente evoluir, como se fosse um pequeno esquete.

Cantando um trecho de música - quatro atores. Cada um canta um trecho de uma música. Depois, cada um repete o trecho cantado como se fosse o texto de uma peça.  

Reação instantânea – individual. O professor diz a frase e o aluno deve justificá-la, com toda a seriedade, no prazo máximo de 1 minuto.

Se chifre fosse flor, a cabeça do Lionel era um jardim!
Quando a jabuticaba é pouca, a gente engole o caroço!
Mesmo quando descansa, o Diabo amola as moscas com o rabo!
O mentiroso, quando diz a verdade, adoece!
Os apaixonados sofrem mais que sovaco de aleijado!

Fazendo um jingle - 4 atores no palco. A cada um o professor diz um nome – sapato, calcinha, relógio etc. O aluno deve imediatamente fazer uma música curtíssima.

Frase que aumenta  - 4 duplas, uma de cada vez. A primeira e a última palavra não podem mudar. Exemplo: “Você é muito burra”. “Você, desde ontem, é muito burra”.  “Você, desde ontem, depois de negar o que eu pedi, é muito burra”. “Você, desde ontem, depois de negar o que eu pedi, e eu pedi com tanta delicadeza, é muito burra”. “Você, desde ontem, depois de negar o que eu pedi, e eu pedi com tanta delicadeza e sorrindo, é muito burra”. E etc. Objetivo: construir a maior frase possível.

Cortando palavrasA partir de um tema – por exemplo, separação – dois alunos fazem uma cena, só podendo usar frases de quatro palavras. Em seguida, outra dupla faz a mesma cena, mas só usando três palavras por frase. A terceira dupla usa duas palavras e a última, uma.   

Desfazendo um sonho – individual. Uma jovem de 15, 16 anos, está diante de um espelho, acabando de se arrumar. Vai sair, pela primeira vez, com aquele que julga ser o menino da sua vida. O telefone toca. Ela atende e nada fala, só escuta o rapaz dizer que não poderá vir.  Ela volta para o espelho, começa a tirar a maquiagem etc., sem  pronunciar uma única palavra.

Cortando palavrasA partir de um tema – por exemplo, separação – dois alunos fazem uma cena, só podendo usar frases de quatro palavras. Em seguida, outra dupla faz a mesma cena, mas só usando três palavras por frase. A terceira dupla usa duas palavras e a última, uma.   

Desfazendo um sonho – individual. Uma jovem de 15, 16 anos, está diante de um espelho, acabando de se arrumar. Vai sair, pela primeira vez, com aquele que julga ser o menino da sua vida. O telefone toca. Ela atende e nada fala, só escuta o rapaz dizer que não poderá vir.  Ela volta para o espelho, começa a tirar a maquiagem etc., sem  pronunciar uma única palavra.


Criação em grupo 1 dividir a turma em grupos. Cinco minutos para preparar uma cena que tenha como tema uma frase – por exemplo, “Nunca mais”. Em algum momento essa frase tem que ser dita. Cenas curtas.

Criação em grupo 2 toda a turma. O tema pode ser, por exemplo,  “Na primavera eu volto”. Tempo de preparação: 15 minutos. Tempo da cena: 10 minutos. OBS: a frase/tema tem que fechar a cena.

Conquista em versosexercício para duplas. Cada apaixonado diz uma frase  bem curta e o outro a completa. Por exemplo:

Ele – Quando te vi, era inverno.
Ela – Você estava lindo, de terno.

OBS: o importante é não apenas rimar, mas criar uma pequena história.

Memória exercício em duplas. O exercício termina quando algum dado for omitido na seqüência de frases. Por exemplo:
Qual o seu nome? Meu nome é Paulo / Mentira. Seu nome é Henrique/ Tem razão. Meu nome é Henrique/ Quantos anos você tem?/ 35 / Mentira.  Seu nome é Henrique e você tem 23 anos./ Tem razão. Meu nome é Henrique e eu tenho 23 anos/ Qual a sua profissão?/ Engenheiro/ Mentira. Seu nome é Henrique, você tem 23 anos e é personal training / Tem razão. Meu nome é Henrique, tenho 23 anos e sou personal training/ Você tem namorada?/ Tenho / Mentira. Seu nome é Henrique, você tem 23 anos, é personal training e não tem namorada/ Tem razão. Meu nome é Henrique, tenho 23 anos, sou personal training e não tenho namorada/ Onde você mora?/ Leme/ Mentira. Seu nome é Henrique etc...

Perdão Amigas desde a infância, já adultas uma dela se torna amante do marido da primeira. O caso é descoberto. Rompimento. Arrependimento. Tentativas de encontro fracassadas. Até que um dia, dois anos depois, a que foi traída resolve receber a ex-amiga. Houve suas razões. Há possibilidade de perdão?

Encontros Inesperados

1)      Bordel – cafetina, pai e filha. A cafetina diz à garota que hoje ela vai conhecer um cliente super importante, um homem riquíssimo, de São Paulo. A cafetina sai. A garota está se ajeitando diante de um espelho. O homem entra. Se aproxima. Acaricia a garota. Ela se vira. O homem está diante de sua filha. Pouquíssimas palavras, de preferência nenhuma. O que importa é o impacto da situação.
2)      Num bar – reencontro com um grande amor. Ela está sentada, ele a vê. Tiveram um romance muito tempo atrás. Ambos se casaram com outras pessoas. Mas...Ele se aproxima, uma grande emoção toma conta dos dois. O que fazer?

Confissão

Filho diante de pai agonizante – algo ficou por dizer? Algum agradecimento?


Despedidaduplas. Começa num abraço, se separam, se afastam. Se olham, correm, se abraçam, se afastam. No final, apenas se olham, de longe, e não mais se aproximam.

Interpretando anúnciosO aluno abre um jornal numa página qualquer, escolhe um anúncio e o lê de três maneiras diferentes, impulsos emocionais diferentes.

Esculturas oito alunos. Três grupos. Três músicas diferentes produzem três esculturas diferentes. Depois de prontas, as esculturas são desfeitas – o último que entrou sai primeiro, depois o penúltimo etc., até ficar o primeiro.

Conversa loucaduplas, frases curtas. Toda frase tem que começar com a última palavra dita pelo outro. Por exemplo:

A – Você não passa de um idiota!
B – Idiota eu fui quando me apaixonei por você!
A -  Você está sendo agressivo...
B – Agressivo? Você ainda não viu nada!

Pecados Capitais - dividir o grupo. Cada grupo terá 10 minutos para bolar uma cena sobre um determinado Pecado (Luxúria, Avareza, Soberba, Gula, Inveja, Ira e Preguiça). Detalhe: todas as cenas terão que ser cômicas e não vale                            aproveitar cenas já feitas ou conhecidas.


No sótãoquatro irmãos visitam o sótão da casa em que passaram a infância. Com a morte dos pais, a casa será vendida. Recordações. Os brinquedos. O sótão está igual.


Caretas - exercício para duplas. Sentados lado a lado, olhando pra frente, no sinal os alunos fazem um careta, que deforma seu rosto. Em seguida, sem desarmar essa careta, travam um diálogo, como se estivessem se vendo pela primeira após marcarem um encontro via Internet. A voz tem que ser resultante dessa careta.

Briga de facaRitmo mais lento possível. Quatro contra quatro.

Discussão em língua estranha com tradução simultâneasentados na mesa de um bar, um casal discute numa língua incompreensível. Cada um dos personagens tem a seu lado um tradutor simultâneo, que fala em português, imediatamente, o que a pessoa falou. As frases têm que ser curtas.

Subversivos – à espera do próximo interrogatório. Depois de um tempo, entra um guarda. Leva um deles.

Aquecimento – luta, conduite.

Desfazendo um sonho – adolescente diante de um espelho, aprontando-se para o primeiro encontro com o “menino de sua vida”. Anos 50/60. O telefone toca. O cara diz que não vai. Ela nada diz. Volta para a cômoda/espelho e retira a maquiagem, as coisas que colocara etc.

Exame – clínica. Cada personagem está à espera do resultado de um exame que poderá significar morrer ou viver. Entra a enfermeira, distribui os envelopes. No que estiver escrito POSITIVO, a pessoa vai morrer. No negativo, vai viver. Sem palavras, sem relação entre os personagens.

Solidão – grupo caminha lentamente pelo espaço, sem estabelecer qualquer tipo de relação. Os atores caminham o mais lentamente possível. Num dado momento, quando entra o piano, correm até um ponto e julgam ver passar, ao longe, a pessoa “que se foi”. Acompanham com o olhar essa pessoa, que logo adiante desaparece. Todos retornam ao estado inicial, só que ainda mais sozinhos. Este exercício será feito tendo como música de fundo o 2º movimento do Concerto “Imperador”, de Beethoven. OBS: cada ator imagina o que quiser, mas tem que ter sido uma perda grave.

A partir de um sentimento/postura – o ator caminha pelo palco e para num dado momento, expressando o mais possível um sentimento, uma situação, um estado. Congela. Em seguida, ele repete o que fez e congela. Então, um outro ator, previamente escolhido e que o observava, entra e faz uma cena a partir do que sentiu na postura congelada. OBS: o ator que entra não tem como adivinhar a razão da postura, mas vai propor algo a partir dela. Ou seja: se o ator congela com “medo”, o que entra não sabe a razão desse medo, e pode piorar esse estado, suavizá-lo etc.

Apenas 1 minuto – dividir a turma em três grupos. Propor ao primeiro uma cena, especificando o contexto, quem são os personagens e o objetivo principal de cada um. O grupo tem 1 minuto para preparar a cena e 1 minuto para apresentar. As propostas vão sendo dadas depois que cada grupo realiza a sua, senão o segundo e terceiro grupos, por exemplo, teriam mais tempo para preparar. Feitas as três cenas, escolhemos a mais interessante. Então, o grupo que a realizou a repete, aumentando-a um pouco. No sinal, congelam e entram outros três, que dão prosseguimento à cena, aumentando-a. Finalmente, entra o terceiro grupo, repetindo o mesmo mecanismo. Ou seja, o que durara apenas 1 minuto no início, pode durar uns 15 minutos no final.

Pescadores – mulheres (ou parentes) de pescadores estão na beira da praia, aguardando a volta de seus entes queridos. Soube-se que houve uma forte tempestade. Depois de um tempo, algumas velas começam a aparecer no horizonte. As jangadas se aproximam. Todas as pessoas, menos uma, reconhece alguém. Fica uma última. Seu homem (ou parente) não voltou. Exercício sem palavras.

Retirantes – grupo exausto de retirantes nordestinos fugindo da seca. Não conseguem mais caminhar. Então se acomodam, depositando toda a esperança de sobrevivência na chuva. Depois de um tempo, surge ao longe uma nuvem escura. Mais adiante, essa nuvem se aproxima. Finalmente, ela para em cima do grupo. Choverá ou não? Começa a chover. Aos poucos, uma chuva fina. Depois, um toró. O grupo está salvo. Viver a esperança, a expectativa, a surpresa,e, finalmente, o enorme alívio.
Exercício sem palavras. Talvez caiba uma reza e, no final, exclamações.

Uma pessoa no meio – duas histórias, um ouvinte. Frases curtas. No fim, o ouvinte deve ser capaz de sintetizar as duas histórias. Estas devem ser contadas rapidamente, sem intervalo, e o que escuta nada diz – no máximo, um “sim”, ou “não”, um  “é verdade” etc.

___________________








                                               


                                               

                                               





                                               


                                               





                                               


                                               



Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 

— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Teatro/CRÍTICA

"Boca de Ouro"

..............................................................
Mítica versão minimiza o trágico



Lionel Fischer



"Boca de ouro é um lendário bicheiro carioca, figura temida e megalomaníaca, que tem esse apelido porque trocou todos os dentes por uma dentadura de ouro. Quando Boca é assassinado, seu passado é vasculhado pelo repórter Caveirinha, que vai até a casa de Guigui, ex-amante de Boca. Lá, ouve a versão dela, que desanca o bicheiro. Mas, ao saber de seu assassinato, Guigui se arrepende e exalta Boca como uma figura amorosa. Já no terceiro ato, Guigui volta a desancar o bicheiro, pois teme ser abandonada pelo marido Agenor. Nas três versões relatadas, surge o casal Celeste e Leleco, que tem relação direta com o assassinato de Boca de Ouro".

Extraído do ótimo release que me foi enviado, o trecho acima resume o enredo de "Boca de Ouro", de Nelson Rodrigues. Em cartaz no Teatro Sesc Ginástico, a montagem leva a assinatura de Gabriel Villela, também responsável pela cenografia e figurinos. No elenco, Malvino Salvador, Mel Lisboa, Claudio Fontana, Lavínia Pannunzio, Leonardo Ventura, Chico Carvalho, Cacá Toledo e Guilherme Bueno, que dividem a cena com o pianista Jonatan Harold e a cantora Mariana Elisabetsky, que interpreta as 14 canções do espetáculo.

Como todos sabemos, Gabriel Villela é um dos melhores diretores  do teatro brasileiro, já tendo levado à cena uma série de espetáculos memoráveis. Ao longo dos últimos 29 anos de exercício ininterrupto da crítica teatral, tive o privilégio de escrever sobre várias montagens de Villela, que, em sua maioria, considerei verdadeiras obras-primas de encenação - neste particular, "A rua da amargura" ocupa um lugar muito especial, tamanho o deslumbre que senti. E meu encantamento pelo trabalho do diretor se deve, dentre outras coisas, à estonteante beleza e originalidade das soluções que materializa, independentemente do autor encenado.

Isto posto, cabe registrar que tais predicados estão presentes nesta versão de "Boca de Ouro". No entanto, ao optar por uma visão, digamos, mítica do texto, e propor ao elenco interpretações impregnadas de maneirismos, em meu entendimento Villela minimiza a tragicidade do texto, posto que as belíssimas imagens acabam se sobrepondo aos conteúdos emocionais em jogo. E se por um lado todos os intérpretes executam com brilhantismo o que lhes foi proposto - gestos entrecortados, vozes que exibem entonações que fogem totalmente ao real, posturas corporais propositadamente exageradas etc.-, por outro me parece inegável que todo esse brilhantismo retira dos personagens sua forte humanidade.

No tocante à inserção de 14 canções, dentre elas Cidade Maravilhosa, Vingança, A Noite do Meu Bem e Ne Me Quittes Pas, as mesmas estão em plena sintonia com as propostas da encenação, cabendo registar que são maravilhosamente interpretadas por Mariana Elisabetsky, que tem a acompanhá-la o excelente pianista Jonatan Harold. E quanto às colaborações da equipe técnica, a todas considero de altíssimo nível - Gabriel Villela (cenografia e figurinos), Wagner Freire (iluminação), Babaya (direção musical e preparação vocal) e Francesca Della Monica (espacialização vocal e antropologia da voz).

BOCA DE OURO - Texto de Nelson Rodrigues. Direção de Gabriel Villela. Com Malvino Salvador, Mel Lisboa, Claudio Fontana, Lavínia Pannunzio, Leonardo Ventura, Chico Carvalho, Cacá Toledo, Guilherme Bueno, Mariana Elisabetsky e Jonatan Harold. Teatro Sesc Ginástico. Sexta e sábado, 19h. Domingo, 18h.




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Teatro/CRÍTICA

"O tempo não dá tempo"

..........................................................................
Imprevistas emoções em ótimo espetáculo



Lionel Fischer



"O tempo não dá tempo, espetáculo itinerante de teatro-dança, construído a partir das sensações de interrupção, insistência, lentidão e falta de tempo, faz um paralelo entre os tempos urbanos e o tempo da poesia. De um lado, cenas curtas, interrompidas e confinadas, experimentando o tempo das relações que não se estabelecem e a fragilidade da vida. Tempo que atravessa, interrompe, separa. De outro, o tempo da delicadeza, do respeito e do cuidado. A observação sobre o nosso próprio corpo e, com isso, a reflexão sobre o que fazemos com nosso tempo e, principalmente, sobre a percepção de vivenciar de verdade cada minuto da vida".

Extraído do ótimo release que me foi enviado, o trecho acima explicita as principais premissas de "O tempo não dá tempo" (Teatro Oi Futuro), cuja dramaturgia é oriunda de uma criação colaborativa de Duda Maia, Gregorio Duvivier, Oscar Saraiva, Gonçalo M. Tavares e elenco, composto por Ciro Sales, Juliana Linhares, Marina Vianna e Oscar Saraiva. Angel Vianna participa como artista convidada, estando a direção a cargo de Duda Maia.

Em função do exposto no parágrafo inicial, suponho que o leitor possa ter percebido que não se trata de um espetáculo convencional, estruturado a partir de uma dramaturgia igualmente convencional - com relação a esta última, cabe lembrar que dramaturgia não é necessariamente composta de palavras, ainda que as mesmas estejam aqui presentes, mesmo que em pequenas doses.  

Ainda assim, meu envolvimento com o espetáculo se deu, basicamente, através da seguinte frase, proferida enquanto dois intérpretes galgam uma escada entrelaçados, de forma muito lenta, ultrapassando alguns degraus com seus corpos, sem que os mesmos desgrudem dos ditos degraus:  "Há movimento no repouso" - não me recordo agora se também é dito o inverso, "Há repouso no movimento". Mas parto da primeira opção.

Se me parece óbvio que um corpo em repouso não está em movimento, em que consistiria o mencionado movimento? Posso estar enganado, naturalmente, mas para mim o movimento em questão seria interno. Ou seja, a ausência de deslocamento físico talvez propicie um estado que permite o aflorar de questões inerentes ao espírito.   

E mesmo que esta avaliação possa estar equivocada, como acabo de dizer, ainda assim tal equívoco não me parece assim tão grave, pois o espetáculo, em meu entendimento, pode ser recebido pelo espectador de formas diversas. Por exemplo: há uma passagem em que uma mulher, vestida de vermelho e iluminada por uma luz igualmente vermelha, está encostada em uma parede. Ela faz alguns movimentos impregnados de angústia, e finalmente inclina seu corpo para a frente. Para mim, essa mulher está em vias de se suicidar. Mas outro espectador pode achar que ela está iniciando um movimento de libertação daquilo que a angustia. E um outro poderia aventar uma terceira possibilidade, e assim por diante.

Em outra passagem, uma mulher se encontra sentada em uma cadeira. Inicialmente, ela faz pequeníssimos gestos, que pouco a pouco ganham amplitude e frenética velocidade. Percebe-se seu imenso desconforto. Para mim, ela ambiciona deixar aquele lugar, libertando-se da angústia e indecisão que a dominam. Mas pode ser que alguém suponha que essa mulher não passa de uma insana que perpetua um gestual que se repete. E aí? Haveria a possibilidade de estarmos ambos certos, eu e esse hipotético espectador?

E há também uma curiosidade. Nem todas as cenas são vistas por todos os espectadores, que são conduzidos pelos intérpretes para variados espaços. Neste sentido, só posso falar sobre o que vi. E o que vi me encantou profundamente, aí incluindo, dentre outras passagens, a inicial, em que um casal executa uma série de movimentos que se repetem, ganham progressiva velocidade, acabam sugerindo uma violenta relação sexual e finalmente ambos se apaziguam, como se tivessem chegado ao final de um ciclo pelo qual teriam que necessariamente passar. Também me sensibilizou muito os momentos de aconchego entre os atores e os espectadores, intensa comunhão física que sabiamente abdica das palavras.

Finalmente, cabe registar o emocionante momento final do espetáculo, em que o elenco acolhe Angel Vianna, artista que, juntamente com seu falecido marido Klaus Vianna, revolucionou o teatro carioca no que concerne à expressividade corporal dos atores. Minha única ressalva fica por conta das capas plásticas que todos acabam vestindo - se até esse momento os corpos se expuseram e se entregaram de forma tão visceral, por que cobri-los, ainda que não deixem de ser vistos?

Seja como for, essa pequena ressalva em nada invalida o espetáculo como um todo, dirigido por Duda Maia com a habitual sensibilidade e aparentemente inesgotável capacidade de nos surpreender com soluções tão criativas como imprevistas. E meu aplauso entusiasmado se estende à performance de todo o elenco, cuja visceral entrega se materializa através de irretocáveis trabalhos de corpo e voz, e também nas passagens em que a dança predomina. Neste sentido, e sem nenhum demérito aos demais, gostaria de registrar que, em dados momentos, a atriz Juliana Linhares sugere estar impregnada do furor das grandes tempestades, o que me gerou profundo encantamento e, verdade seja dita, uma singela ponta de inveja... 

Com relação à equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de Theodoro Cochrane (direção de arte), Rico e Renato Vilarouca (direção de projeções e criação gráfica), Ricco Viana (direção musical), Renato Luciano (composição do "tema da escada") e Renato Machado (iluminação).

O TEMPO NÃO DÁ TEMPO - Dramaturgia colaborativa. Direção de Duda Maia. Com Ciro Sales, Juliana Linhares, Marina Vianna, Oscar Saraiva e Angel Vianna. Teatro Oi Futuro. Quinta a domingo, 20h.

   



  


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Prêmio Cesgranrio de Teatro
5ª Edição - 2017

Vencedores

Figurino
Kika Lopes e Heloisa Stockler ("Suassuna - O Auto do Reino do Sol")

Cenografia 
Aurora dos Campos ("Tom na fazenda")

Iluminação 
Maneco Quinderé ("Hamlet")

Ator 
Armando Babaioff e Gustavo Vaz ("Tom na fazenda")

Ator em Teatro Musical 
Adrén Alves ("Suassuna")

Especial 
Roberto Guimarães pela atuação como programador do Teatro Oi Futuro

Atriz 
Guida Vianna ("Agosto")

Atriz em Teatro Musical 
Carol Fazu ("Janis")

Direção 
Rodrigo Portella ("Tom na fazenda")

Direção Musical 
Chico César, Beto Lemos e Alfredo Del Penho ("Suassuna")

Texto Nacional Inédito 
Grace Passô ("Mata teu pai")

Espetáculo 
"Suassuna"

______________

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Prêmio APTR 2017
Indicados

Autor

Bráulio Tavares - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Gustavo Gasparani - "Zeca Pagodinho - Uma história de amor ao samba"
Luís Alberto de Abreu - "Pagliacci"
Mônica Martelli - "Minha vida em Marte"
Pedro Kosovski - "Tripas"

Direção

Eric Lenate - "Love Love Love"
José Roberto Jardim - "Adeus, palhaços mortos"
Luiz Carlos Vasconcelos - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Paulo de Moraes - "Hamlet"
Rodrigo Portella - "Tom na fazenda"

Espetáculo

"Adeus, palhaços mortos"
"Hamlet"
"Love Love Love"
"Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
"Tom na fazenda"

Cenografia

Aurora dos Campos - "Tom na fazenda"
Bijari - "Adeus, palhaços mortos"
Carla Berri e Paulo de Moraes - "Hamlet"
Marco André Nunes e Marcelo Marques - "Guanabara canibal"
Sérgio Marimba - "Monólogo público"

Figurino

Antônio Guedes - "Ubu Rei"
João Marcelino e Carol Lobato - "Hamlet"
Kika Lopes e Heloisa Stockler - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Marcelo Olinto - "Zeca Pagodinho - Uma história de amor ao samba"

Iluminação

Adriana Ortiz - "Monólogo público"
Maneco Quinderé - "Hamlet"
Paulo César Medeiros - "O jornal"
Renato Machado - "Guanabara canibal"
Tomás Ribas - "Tom na fazenda"

Música

Alfredo Del Penho, Beto Lemos e Chico César - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Felipe Storino - "Guanabara canibal"
João Callado - "Zeca Pagodinho - Uma história de amor ao samba"
Marcelo Alonso Neves - "Dançando no escuro"

Ator Coadjuvante

Claudio Mendes - "Agosto"
Fábio Henriquez - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Mário Borges - "Doce pássaro da juventude"
Renato Luciano - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Rodrigo Pocidônio - "Adeus, palhaços mortos"

Atriz Coadjuvante

Claudia Ventura - "Agosto"
Heloísa Jorge - "O jornal"
Kelsy Ecard - "Agosto"
Letícia Isnard - "Agosto"
Lisa Eiras - "Hamlet"

Ator Protagonista

Adrén Alves - "Suassuna - O Auto do Reino do Sol"
Armando Babaioff - "Tom na fazenda"
Ary Fontoura - "Num lago dourado"
Gustavo Vaz - "Tom na fazenda"
Ricardo Kosovski - "Tripas"

Atriz Protagonista

Aline Deluna - "Josephine Baker, a Vênus Negra"
Débora Falabella - "Love Love Love"
Guida Vianna - "Agosto"
Monica Martelli - "Minha vida em Marte"
Patrícia Selonk - "Hamlet"
Yara de Novaes - "Love Love Love"

Especial

Aniela Jordan - gestão e programação do Imperator
Ivan Sugahara - curadoria da Sede das Cias
Renato Vieira - direção de movimento e coreografia de "Zeca Padodinho - Uma história de amor ao samba"
Sergio Saboya - Festival Cena Brasil Internacional
Veríssimo - trabalho no Teatro da Laje"

__________________________









segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Teatro/CRÍTICA

"Bibi, uma vida em musical"

...............................................................................
Inesquecível encontro entre palco e plateia



Lionel Fischer



"A história familiar, profissional e amorosa da artista se enredam. A formação em música, dança e línguas estrangeiras foi estimulada pela mãe Aida Izquierdo, bailarina espanhola. A estreia profissional no teatro, aos 19 anos, foi pela mão do pai, o ator Procópio Ferreira, em papel escrito por ele para a filha. Assim, o musical percorre todas as fases da vida de Bibi, da escolha do seu nome, sua preparação para os palcos, espetáculos musicais inesquecíveis como Gota d'Água, My Fair Lady, Alô Dolly e Piaf, a vida de uma estrela da canção, seus casamentos, o nascimento da filha única, Tina Ferreira, as viagens para Portugal e Inglaterra a trabalho, a homenagem da escola de samba Viradouro até sua chegada a um teatro da Broadway, aos 90 anos".

Extraído do ótimo release que me foi enviado, o trecho acima explicita o enredo de "Bibi, uma vida em musical", em cartaz no Teatro Oi Casa Grande. Artur Xexéu e Luanna Guimarães respondem pelo texto, com Tadeu Aguiar assinando a direção. No elenco, Amanda Acosta, Analu Pimenta, André Luiz Odin, Bel Lima, Caio Giovani, Carlos Darzé, Chris Penna, Fernanda Gabriela, Flavia Santana, Guilherme Logullo, João Telles, Julie Duarte, Leandro Melo, Leo Bahia, Leonam Moraes, Luísa Vianna, Moira Osório, Rosana Penna e Simone Centurione.

Após digitar os dois parágrafos acima, meramente introdutórios, devo confessar que estou há uns 15 minutos sem saber por onde começar a análise deste espetáculo, que me divertiu e emocionou de forma tão arrebatadora que não hesito em inclui-lo entre os melhores que já assisti ao longo dos últimos 28 anos de exercício da crítica teatral. Então, inicio por una assertiva que talvez pareça um tanto abstrata, mas que para mim é absolutamente concreta: o presente espetáculo certamente contou com a irrestrita benção dos sempre caprichosos Deuses do Teatro. Em caso contrário, o espetáculo poderia até ser ótimo, mas ainda assim exibir pequenas ressalvas, ainda que insignificantes em face do todo. Mas aqui, não: tudo funciona maravilhosamente, o que talvez seja um prenúncio de que teremos uma temporada esplendorosa.

O texto de Artur Xexéu e Luanna Guimarães consegue, sem jamais ser didático, traçar um triplo perfil: da homenageada, da história política do país e do teatro nacional ao longo do século XX. Exibindo ótimos diálogos, personagens muito bem estruturados e mesclando, sempre com inegável eficiência, diversificados climas emocionais, "Bibi" proporciona um inesquecível encontro entre palco e plateia, cabendo também ressaltar a ótima ideia da trama  ser conduzida por três narradores - uma cigana meio confusa e um tanto malcriada, um mestre de cerimônia simpático e malicioso, e Vó Irma, senhora portadora de hilária propensão de contestar seus parceiros. 

Com relação ao espetáculo, este é absolutamente deslumbrante. Contando com as preciosas colaborações de Thereza Tinoco (música original e mais quatro canções), Tony Lucchesi (direção musical e arranjos), Sueli Guerra (coreografia), Natalia Lana (cenário), Ney Madeira e Dani Vidal (figurino), Rogério Wiltgen (desenho de luz), Gabriel D'Ângelo (desenho de som) e Ulysses Rabelo (visagismo), Tadeu Aguiar impõe à cena uma dinâmica plena de humor e humanidade, cabendo também ressaltar sua sensibilidade no tocante às passagens mais dramáticas, que jamais enveredam para a pieguice. Afora isto, ao encenador cabe o mérito suplementar de haver extraído ótimas atuações de todo o elenco, a começar pela de Amanda Acosta.

Neste particular, cabe ressaltar que a atriz não imita Bibi Ferreira, mas se apropria de algumas de suas peculiaridades e a elas agrega algumas suas, daí resultando uma personagem que certamente é Bibi, mas também contém algo de Amanda Acosta - se tudo se resumisse a uma cópia, o resultado haveria de ser bem menos interessante, posto que nenhuma cópia, por mais esmerada que seja, consegue se equiparar ao original. Possuidora de belíssima voz, enorme carisma, fortíssima presença cênica e visceral capacidade de entrega, Amanda Acosta se insere entre as melhores atrizes de musicais de toda a história do teatro brasileiro.

No tocante aos demais atores, cujos desempenhos já disse que considero excelentes, ainda assim faço questão de mencionar a irretocável performance de Chris Penna na pele de Procópio Ferreira - a exemplo de Amanda Acosta, o ator também não se limita a copiar o modelo, mas a ele também agrega certamente algo que lhe é inerente.

Finalmente, um aplauso entusiasmado para os músicos, cuja excelência e virtuosismo se faz presente nas 33 canções que compõem o espetáculo, cinco delas compostas por Thereza Tinoco -  Alexandre Queiroz (regência e piano), Miguel Schönmann (teclado, violão e cavaquinho), Léo Bandeira (bateria), David Nascimento (baixo), Thais Ferreira (violoncelo), Luiz Felipe Ferreira (violino), Everson Moraes (trombone) e Gilberto Pereira (flauta, clarinete, sax alto e sax tenor).

BIBI, UMA VIDA EM MUSICAL - Texto de Artur Xexéu e Luanna Guimarães. Direção de Tadeu Aguiar. Com Amanda Acosta, Chris Penna e grande elenco. Teatro Oi Casa Grande. Quinta e sexta, 20h30. Sábado às 17 e 21h. Domingo, 19h.