terça-feira, 6 de novembro de 2018

Teatro/CRÍTICA

"Zilda Arns - A dona dos lírios"

.................................................................................
Belo tributo a uma mulher imprescindível



Lionel Fischer



Três vezes indicada ao Prêmio Nobel da Paz, filha de alemães, Zilda Arns Neumman nasceu em 1934, em Santa Catarina. Médica pediátrica e sanitarista, irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, foi fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, que completou 35 anos em 2018, e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 

Com iniciativas como as campanhas do soro caseiro e da amamentação e pesagem regular de crianças até 2 anos, a médica conseguiu reduzir em 60% os índices da mortalidade infantil no Brasil dos anos 80. Recebeu um milhão de dólares da Fundação Woodrow Wilson pelo prêmio de melhores práticas globais. Doou o valor integral à Pastoral da Criança Internacional. A Pastoral da Criança, fundada no Paraná, foi expandida para outros 26 países, além de estar presente em quase todas as cidades brasileiras. 

Dra. Zilda morreu, em 2010, durante o terremoto que devastou o Haiti. A dona dos lírios: em 16 de janeiro de 2010, dia do velório da Dra. Zilda, na cidade de Curitiba, inexplicavelmente fora de época, os lírios abriram em flor.

As informações acima foram extraídas do programa de "Zilda Arns - A dona dos lírios", que encerrou neste domingo sua temporada no Teatro Candido Mendes. Mas uma nova temporada está prevista para ainda este ano e queira o bom Deus que muitas outras a sucedam, pelas razões que explicitarei mais adiante. Luiz Antônio Rocha e Simone Kalil respondem pelo texto, cabendo ao primeiro a direção do espetáculo. Simone protagoniza o monólogo.

Em algum momento de sua vida, Bertolt Brecht disse algo mais ou menos assim: "Há pessoas que lutam durante um ano, e são boas pessoas; há pessoas que lutam durante 10 anos, e são pessoas admiráveis; mas há aquelas que lutam a vida inteira: essas são as pessoas imprescindíveis". E certamente Zilda Arns pertenceu a este seletíssimo rol, posto que durante toda a sua passagem por este curioso planeta que habitamos pensou fundamentalmente no outro - e por outro entenda-se aqueles que, sem sua preciosa ajuda, só haveriam de conhecer da vida o seu lado mais amargo.

O presente texto exibe dois grandes méritos. Por um lado, oferece ampla informação sobre a trajetória pessoal e profissional de Zilda; e por outro o faz sem jamais renunciar à poesia, o que elimina a possibilidade do mero didatismo. E o lúdico me parece que foi um componente fortíssimo desta extraordinária personalidade, mesmo nos momentos mais difíceis, quando a materialização de seus objetivos sugeria ser inalcançável. 

Com relação ao espetáculo, Luiz Antônio Rocha impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com os conteúdos em jogo. Marcações simples e precisas enfatizam com delicadeza, lirismo e potência todas as passagens retratadas, cabendo também ressaltar sua atuação junto à intérprete. Simone Kalil não é apenas uma atriz possuidora de amplos recursos expressivos, mas alguém que nos cativa por sua inteligência cênica e visceral capacidade de entrega. Afora isso, possui um dos mais belos sorrisos do teatro brasileiro, e quando sorri converte tudo à sua volta em uma manhã de primavera. E não há nada mais precioso do que um belo sorriso para nos dar ao menos a esperança de que o tempo sombrio em que vivemos haverá de passar.

Na equipe técnica, é absolutamente extraordinária a direção musical e composição sonora de Beá, estruturada a partir da manipulação de instrumentos musicais, brinquedos e variados objetos cotidianos, daí resultando uma inestimável contribuição para o fortalecimento de todas as emoções em causa. Na noite em que assisti ao espetáculo, coube a Ana Magalhães responder pela execução musical, e ela o fez de forma irretocável. Cabe também  ressaltar as excelentes participações de Ricardo Lyra (iluminação), Luiz Antônio Rocha e Eduardo Albini (cenografia), Caká Oliveira (figurinos), Jane Celeste (preparação vocal), Roberto Rodrigues (preparação corporal), André Luiz Nascimento (pintura artística do cenário e dos figurinos) e Josué Batista da Ponte (adereços em lata).

ZILDA ARNS - A DONA DOS LÍRIOS - Texto de Luiz Antônio Rocha e Simone Kalil. Direção de Luiz Antônio Rocha. Interpretação de Simone Kalil. O espetáculo voltará em breve ao cartaz. 

  

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

27º FESTIVAL PANORAMA OCUPA DIVERSOS ESPAÇOS DO RIO DE JANEIRO DE 2 A 24 DE NOVEMBRO
O Festival propõe um convite a respirar e estar juntos. A resistir e re-existir.
A 27ª edição do Festival Panorama, mais importante evento de artes do corpo, dança e performance no Brasil e um dos principais da América Latina, traz ao Rio de Janeiro, de 2 a 24 de novembro, 22 atrações estrangeiras e brasileiras, com espetáculos, exposições, conversas, residências e outras atividades em linguagens diversas que se destacam na cena contemporânea mundial.
Nesta edição, o festival destaca a importância da ampliação do eixo cultural nacional e convida o festival Junta – Festival Internacional de Dança, de Teresina, para ser o curador nacional. A parceria marca a criação de novas possibilidades de experiências, dando corpo às novas produções artísticas. Na programação conjunta, três espetáculos, oficinas, intervenções, conversas, entre outras atividades.
Em realização conjunta ainda com o Festival Junta e com o Programa Pontes, do British Council e do Oi Futuro, o Panorama recebe a exposição Corpo de Som, da artista britânica Helen Cole e do carioca Floriano Romano.
Com sua programação múltipla, o festival, este ano, ocupa espaços convencionais como o CCBB, Centro Municipal de Artes Helio Oiticica, Espaço Cultural Sérgio Porto; locais públicos como a Praça Tiradentes; e ambientes inusitados como a sobreloja AZ Sustentabilidade, quer se transformará numa grande Galeria, e do sobrado que abriga a produção do Panorama e, pela primeira vez, receberá público. As atividades têm preços acessíveis, que variam entre R$ 30 ou entrada franca. “Vamos celebrar nossa existência da única forma que sabemos: resistindo”, resume Nayse Lopez, diretora artística e curadora do festival.

ESTREIA
Nesta edição, o Panorama propõe um convite à reflexão sobre o ato de respirar e apresenta a exposição Corpo de Som, que fica em cartaz no Centro Municipal Helio Oiticica, entre 3 e 24 de novembro.
O trabalho consiste na recriação da instalação sonora ‘Breathe’ (Respire) com artistas do Rio de Janeiro e de Teresina, através do registro de suas respirações durante uma dança livre e exaustiva, captadas em áudio. A exposição conta ainda com duas esculturas sonoras do carioca Floriano Romano e sua arte quemescla paisagens corporais e paisagens sonoras.
A obra sonora ‘Breathe’ foi exibida no Festival Internacional de Performance de Veneza, no Gibney Dance Studios, em Nova York e no IBT17 Festival, em pequenas salas escuras e porões cavernosos.

 PANORAMA + JUNTA
Abarcando a importância de desenvolver novos curadores e a ampliação deste eixo cultural, o Festival Panorama 2018, convidou o jovem festival Junta – Festival Internacional de Dança, de Teresina, que está em sua 4º edição, para ser o curador nacional deste ano. A parceria quer criar novas possibilidades de experiências e dar corpo às novas produções artísticas. Como a do piauiense Datan Izaká, que convida o público para uma experiência intimista em E | N | T | R | E, coreografia de três performers, um ambiente sensorial e um emaranhado de fios. A ideia parte do principio de que tudo é movido à partir de uma cadeia de enganchamentos na vida. Também do Piauí vem o espetáculo Treta, fruto de dois anos de pesquisas no Campo Arte Contemporânea e da Casa de Hip Hop Balde, que resultou no que o grupo Original Bomber Crew classifica como ‘uma explosão poderosa a partir do movimento’. O espetáculo Trindade traz ao palco três personagens – a drag, o cavalo e o xaile – interpretados por membros da companhia Só Homens Cia de Dança, que desenvolvem uma dramaturgia criada por Samuel Alvís ao som de fados portugueses e questionam: ‘O que define a sua natureza?’.

ATRAÇÕES NACIONAIS 

O viés político com o cenário atual como pano de fundo também é abordado pelo festival em  Domínio Público, uma resposta artística ao momento que vive o Brasil, onde artistas e seus trabalhos são "censurados e atacados". O espetáculo é um convite a um passeio pela História e um convite à uma reflexão política, poética e pedagoga. Assinada por Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho, Wagner Schwartz, a apresentação tem como proposta estabelecer relações entre as múltiplas interpretações projetadas sobre a Mona Lisa e as projeções criadas pela sociedade sobre as vidas, identidades e trabalhos de quatro atores em cena.
Em , Denise Stutz une palavra e dança com a história de uma mulher que se prepara para sua última apresentação teatral e convida o público a debruçar-se sobre suas reflexões a acerca da passagem do tempo, velhice e outros questionamento. Com colaboração de Inês Vianna, o monólogo entrega à plateia os rumos da história da protagonista.

AÇÕES, CONVERSAS E ENCONTROS
Em busca do mundo que queremos, o Festival Panorama 2018 abre seu sobradinho e convida a todos para os encontros na Sala de Estar. A ideia é conviver, dividir e estar junto. Respirar, comer, conversar, rir, tocar, amar, dançar, tocar, cantar, trocar. Também em sua casa, o Panorama apresenta a obra Por Um Fio, ação do Coletivo em Silêncio, um convite a diálogos, dispositivos de aproximação e olho no olho.
Seguindo este movimento de troca, o Panorama, em parceria com o LAbCrítica - projeto de pesquisa e extensão, vinculado aos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Dança do Departamento de Arte Corporal (DAC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) -  convida o público a debater sobre as obras, as curadorias e os espaços-tempos em que vivemos. Desta imersão na programação do festival, transformada em produção textual, sairá uma publicação a ser lançada ao fim desta edição.
A Praça Tiradentes recebe a ação Piquenique, que convida a todos a ocuparem o espaço público e romperem as fronteiras entre o público e o privado, com comidas, bebidas e conversas. Também na Praça, o ato de respirar se transforma em uma ação coletiva e performática, através de exercícios conduzidos na açãoRespiração.

ESPAÇOS 2018

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro  - (21) 3108-2100
R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia) | Exposição: entrada franca

CENTRO MUNICIPAL DE ARTES HÉLIO OITICICA
R. Luís de Camões, 68 – Centro - (21) 2242-1012
Entrada franca

PRAÇA TIRADENTES
Praça Tiradentes, s/n – Centro
Entrada franca
*Parceria com Tiradentes Cultural

ESPAÇO CULTURAL MUNICIPAL SÉRGIO PORTO
Rua Humaitá, 163 – Humaitá / Rio de Janeiro (Entrada pela Rua Visconde Silva s/n) - (21) 2535-3846
R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia)

CENTRO COREOGRÁFICO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
R. José Higino, 115 – Tijuca
(21) 3238-0357
Inscrições prévias

AZ SUSTENTABILIDADE
Av. Nossa de Copacabana, 828/Sobreloja – Copacabana
R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia)

SOBRADO PANORAMA
Rua da Lapa, 213/Sobrado – Centro – (21) 2210-4007
Entrada franca

DESCONTOS
Descontos não cumulativos. Em todos os casos é necessário apresentar documentação comprobatória.

TÊM DIREITO A 50% DE DESCONTO NA COMPRA DO INGRESSO:
• Estudantes, maiores de 60 anos, menores de 21 anos, portadores de deficiência e professores da rede municipal de ensino;
• Classe artística mediante apresentação das carteiras do DATED, SBAT, SPDRJ;
• Equipe do festival apresentando o crachá;
• Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto: moradores da cidade do Rio de Janeiro;
•Centro Cultural Banco do Brasil: clientes BB e assinantes O Globo.


PATROCÍNIO
O Festival Panorama 2018, tem patrocínio da Oi, através do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Estadual de Cultura e Lei de incentivo à Cultura. E conta com o apoio do Programa Pontes (parceria do British Council e Oi Futuro) e do Centro Cultural do Banco do Brasil. 

ASSESSORIA DE IMPRENSA:
(21) 3204-3124

Direção
Cristina Rio Branco


quarta-feira, 31 de outubro de 2018


Esta mensagem foi enviada com Alta prioridade.
Ana de Castro <anadecastro@terra.com.br>
Qua 31/10/2018, 14:02
Ana de Castro
Caríssimos amigos e colegas,
Primeiramente, queremos agradecer e nos desculpar  com os frequentadores do FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA que nos apoiaram no imprevisto que ocorreu na última sexta-feira, dia 26 de outubro e seus respectivos transtornos. Por força de uma inesperada falta de energia nos arredores da Reitoria e dos prédios da UNIRIO, não foi possível apresentar o filme a ser analisado e debatido, sem que nós fossemos avisados e sem tempo hábil de advertir às pessoas.
Assim, decidimos tentar uma nova data para realizarmos o FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA e conseguimos o dia 09 de novembro, sexta-feira, no mesmo horário, para exibirmos o filme: O JANTAR, sem que isso atrapalhe a data do final de novembro.
Solicitamos a todos que divulguem aos amigos esse imprevisto e a nova data da realização de nosso projeto.
Um grande abraço, Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva.
UNIRIO – PROEXC/ESCOLA DE TEATRO & SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO
APRESENTAM: FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA
No dia 09 de novembro, às 18 h,  será analisado o impactante filme:  O JANTAR ( The Dinner, 2017, 121 min.), dirigido e roteirizado por Oren Moverman
SERVIÇO:
DATA: 09 DE NOVEMBRO DE 2018.
HORÁRIO: FILME: 18 h; ANÁLISE E DEBATE: 20 h às 22 h.
LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO
ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296. URCA.
ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISE PSICANALÍTICA: DR. NEILTON SILVA
ENTRADA FRANCA - INFORMAÇÕES: forumpsicinema@gmail.com