sexta-feira, 17 de abril de 2015

Oficina Desmontagem
Com  Amir Haddad

Nos moldes de “Beijo no Asfalto”  e “Rei Lear”, Amir Haddad desmonta agora:

            Noite de Reis - de William Shakespeare      

Noite de Reis é uma comédia sobre o amor. No reino de Illrya, o duque Orsino está apaixonado por Lady Olívia, que não o ama. Uma jovem mulher, Viola, chega a Illrya levada pelo mar após um naufrágio. Ela tem um irmão gêmeo idêntico, Sebastian, o qual ela acredita que morreu afogado no naufrágio. Para sobreviver,  Viola se disfarça de homem, muda seu nome para Cesário, e encontra trabalho como mensageiro de Orsino. O trabalho de  Cesário  é levar  mensagens de amor de Orsino para Lady Olívia. Olívia se apaixona por Cesário (Viola) , achando que ela é um homem. Viola, por sua vez,  se apaixona por Orsino, mas não pode revelar seu amor por ele pois Orsino acha que ela é Cesário.  Assim,  intrincado, divertido e surpreendente   triangulo amoroso é formado provocando questões inquietantes à respeito da sexualidade humana em clima de máscara de carnaval! Tendo como pano de fundo as disputas entre um burguês puritano, em ascensão, Malvólio, e um velho bufão/ator em extinção, Feste.
 Sobre a Oficina de Teatro:
“Teatro sem Arquitetura, Dramaturgia sem Literatura e Ator sem Papel”-  Amir Haddad
 Oficina teórica e prática, aberta para atores profissionais e estudantes de teatro. Um mergulho na releitura  do texto teatral de  Shakespeare, através da linguagem desenvolvida durante 30 anos pelo grupo Tá Na Rua.  O  ator tem a possibilidade de se reciclar e avançar nas questões sobre sua função no espaço cênico e a possibilidade  descobrir a dramaturgia sem literatura, ler o que não está escrito nos textos.
 Um espaço de reciclagem para atores em formação ou desgastados pela prática esterilizante cotidiana, a partir  do texto de  Noite De Reis.
 Tempo de duração : 3 meses Realização: 2 X por Semana – de 9h as 12h ( Terças e Quintas)
Inicio dia 12 de maio
 Local: Casa do Tá na Rua
End. Av. Mem de Sá 35  Lapa
Valor R$ 800,00 (à vista)
Mínimo: 30 alunos

 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
(UNIRIO/PROEXC - PROJETO CULTURAL) E
SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO (SPRJ)
Caríssimos,
FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA, no dia 24 de abril, às 18h, exibirá STELLA (Stella, 2008, 103 min.), um filme autobiográfico da diretora Sylvie Verheyde, focalizando a jovem adolescente do título que vive com seus pais em um bar na periferia de Paris, aonde atendem trabalhadores da região. Aos 11 anos, admitida em uma famosa escola parisiense, conhece Gladys, filha de um judeu intelectual e, por meio dessa amizade, é apresentada a um novo mundo, oposto a tudo que conhece. O filme trata das novas experiências que irão mudar a vida da jovem para sempre... Um filme fascinante que, por certo, ensejará um estimulante debate e troca de ideias.
SERVIÇO:
ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISES PSICANALÍTCAS: DR. WALDEMAR ZUSMAN E DR. NEILTON SILVA
DATA: 24 DE ABRIL DE 2015
HORÁRIO: FILME: 18h; ANÁLISE E DEBATE: 20h às 22h.
LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO
ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296.
ENTRADA FRANCA
Contando sempre com a divulgação e com os nossos agradecimentos pela presença, recebam um grande abraçoAna Lúcia, Zusman e Neilton.
NOTA: Quem se interessar em adquirir o livro: Fórum de Psicanálise e Cinema: análises culturais e psicanalíticas, de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva, ele se encontra à venda pelo site - www.travessa.com.br/ - e nas diversas filiais da Livraria da Travessa, assim como nos dias do FÓRUM. 
Igualmente, o livro do Dr. Waldemar Zusman: Poemas & Textos de um Psicanalista: rimas, risos & reflexõespoderá ser adquirido no Fórum.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Saco e Vanzetti"

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Poderoso libelo contra o preconceito e a hipocrisia



Lionel Fischer




"Os italianos Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti emigraram para os Estados Unidos quando jovens, no início do século XX, separadamente. Tendo Boston como nova morada, Sacco passou a trabalhar numa fábrica de calçados, enquanto Vanzetti desempenhou várias funções, dentre elas a de vendedor de peixe. A dupla se conheceu ao frequentar círculos anarquistas ítalo-americanos. Em maio de 1920, detidos em um comício anarquista por estar de posse de panfletos e algumas armas, foram acusados por assalto e assassinato de dois homens. Não havia qualquer prova contra eles, mas a Justiça montou um processo que acabou se transformando num ato político: um gesto exemplar para as classes perigosas. Nem mesmo a confissão de um detento que assumiu o crime serviu para impedir que ambos fossem executados na cadeira elétrica em 23 de agosto de 1927".

Extraído (e levemente editado) do release que me foi enviado, o trecho acima explicita o contexto de "Sacco e Vanzetti", primeira montagem da Companhia Ensaio Aberto no Armazém da Utopia, no Cais do Porto, que volta agora a ser exibida. De autoria do argentino Maurício Kartun, a peça conta com direção de Luiz Fernando Lobo e tem elenco formado por Adriano Soares, Alain Catein, Bruno Peixoto, Danielle Oliveira, Diego Diener, Douglas Amaral, Gilberto Miranda, João Rafael Schuler, João Raphael Alves, Luiza Moraes, Luiz Fernando Lobo, Nathália Marçal, Taís Alves, Tuca Moraes, Victor Oliveira e Vinícius Domingues.

Quem está minimamente familiarizado com o "caso Sacco e Vanzetti" e possui um grau mínimo de lucidez e imparcialidade sabe que ambos foram vítimas de um julgamento precipitado e privados de um processo justo, graças às suas convicções políticas. Mas por que estas foram consideradas tão ameaçadoras? Para o jurista Edmund Morgan, da Universidade de Harvard, que investigou o processo e o julgamento durante vários anos, Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti foram "vítimas de uma sociedade preconceituosa, chauvinista e perversa". 

Curiosamente, em 1977, o governador de Massachusetts, Michael Dukakis, assinou uma declaração na qual reconheceu a injustiça cometida pelo tribunal e reabilitou o nome dos dois italianos. Será que tal ato contribuiu para reafirmar a máxima de que "a Justiça tarda, mas não falha?". Pode ser. Mas prefiro acreditar que a Justiça, ao menos quando aplicada aos menos favorecidos, não apenas tarda, mas quase sempre falha.

Com relação ao texto de Maurício Kartun, este exibe excelente carpintaria teatral e consegue retratar, com uma mescla de objetividade e emoção, o hediondo massacre humano de que foram vítimas os protagonistas. E ao mesmo tempo não deixa de facultar ao espectador um acurado exame das condições sociais e políticas que permitiram tal barbárie, e justamente em um país que apregoa deter o monopólio da liberdade e da justiça. 

No tocante à montagem, as mesmas e preciosas virtudes que atribuo ao texto (objetividade e emoção) estão presentes na encenação de Luiz Fernando Lobo. E sendo este um declarado discípulo de Bertolt Brecht, nada mais natural que nos emocionemos com a trágica trajetória de Sacco e Vanzetti, mas sem que esta emoção se sobreponha à indispensável reflexão sobre os fatos retratados. Estamos diante de uma montagem impregnada de aspereza e tragicidade, de extremo rigor em termos formais e de exemplar coerência do ponto de vista estilístico. E cujo êxito também se deve, como não poderia deixar de ser, ao trabalho de todo elenco, cuja coesão e inteligência cênica considero impecáveis.

Na equipe técnica, são realmente notáveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta mais do que oportuna empreitada teatral - J.C. Serroni (cenografia), César de Ramires (iluminação e direção técnica), Beth Filipecki e Renaldo Machado (figurinos), Luiz Felipe Radicetti (música e direção musical), Tuca Moraes (preparação corporal) e Aurora Dias (preparação vocal).

SACCO E VANZETTI - Texto de Maurício Kartun. Direção de Luiz Fernando Lobo. Com a Companhia Ensaio Aberto. Armazém da Utopia (Cais do porto). Sexta às 21h. Sábado e Domingo, 19h.









quarta-feira, 15 de abril de 2015

Teatro/CRÍTICA

"No se pude vívír sín amor"

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Fortes emoções no Galpão das Artes


Lionel Fischer




Jornalista, dramaturgo e escritor, o gaúcho Caio Fernando Abreu (1948-1996) deixou uma obra vasta e diversificada, em grande parte abrangendo temas como o amor, o sexo, o medo, a solidão e a morte. Valendo-se de uma escrita intimista e passional, marcada por absoluta sinceridade, o autor conquistou uma grande legião de admiradores, que continua aumentando à medida que sua obra é reeditada ou ganha novas adaptações para o palco.

No presente caso, o espetáculo reúne, dentre outros, textos extraídos dos volumes "Pequenas epifanias", "Pedras de Calcutá", "Ovelhas negras", "Morangos mofados" e "Triângulo das águas", além de um poema e duas cartas inéditas escritas por Caio para sua grande amiga Nara Keiserman, responsável pela concepção e dramaturgia do espetáculo, e sua única intérprete. Demetrio Nicolau responde pela direção da montagem, em cartaz no Galpão das Artes (Espaço Tom Jobim).

Como expresso no parágrafo inicial, aqui o tema predominante é o amor. E certamente poderia me deter em particularizar um ou mais textos, tecendo considerações sobre os mesmos. Mas como os considero excelentes, julgo mais produtivo me focar na circunstância cênica que contribui para torná-los ainda mais atraentes.

No início do espetáculo, Nara Keiserman empreende aparentes exercício vocais. E digo aparentes porque, mais do que aquecer a própria voz, me parece que a atriz está aquecendo todo o seu corpo e, em particular, seu coração. A partir daí, tendo atingido o estado almejado, Nara canta, dança e, naturalmente, diz os textos de Caio, ora sentada em uma cadeira, ora aproximando-se e afastando-se de fechados focos de luz, como a sugerir que o visível e o invisível possuem idêntica importância.

E certamente a dinâmica cênica criada por Demetrio Nicolau, parceiro de palco e de vida da atriz, contribui de forma decisiva para que Nara Keiserman possa extrair o máximo potencial dos belos textos selecionados, cabendo registrar a genuína emoção da intérprete ao ler as cartas que Caio lhe endereçou. 

E já que falei em emoção, acho imperioso ressaltar que o espetáculo só faz ratificar a mais bela definição de teatro que conheço, proferida pelo inglês Peter Brook: "O Teatro é a arte do encontro". Portanto, aqueles que acreditam na veracidade de tal assertiva não podem se dar ao luxo de perder um evento teatral tão marcante como este. Porque, além de poderem usufruir um maravilhoso encontro com Nara Keiserman e Caio Fernando Abreu, certamente terão um encontro igualmente belo consigo mesmos.

Na equipe técnica, Demetrio Nicolau responde (como já implícito) por sensível iluminação, sendo igualmente irretocáveis a cenografia e figurino de Carlos Alberto Nunes, a maquiagem de Mona Magalhães e a orientação musical de Alba Lírio.

NO SE PUEDE VÍVÍR SÍN AMOR - Textos de Caio Fernando Abreu. Direção de Demetrio Nicolau. Concepção, dramaturgia e atuação de Nara Keiserman. Galpão das Artes (Espaço Tom Jobim).  Sexta e sábado, 20h30. Domingo, 19h30.





Teatro/CRÍTICA

"Um recital à brasileira"

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Emocionante encontro com a Poesia



Lionel Fischer




"Somos filhos da língua, ela é parte fundamental da nossa identidade. Somos irmãos de Portugal, separados por um Atlântico e unidos pela História. Unir poetas brasileiros e portugueses nos irmana ainda mais. A nossa bandeira é a Poesia". (Elisa Lucinda). "O espetáculo aproxima o público da poesia, que tantas vezes se viu sufocada pelo excesso de formalidades e pompas da habitual declamação". (Geovana Pires).

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima, assinado pelas duas intérpretes, resume as premissas fundamentais que norteiam "Um recital à brasileira", mais recente produção da Companhia da Outra. Em cartaz na Sala Tônia Carrero (Teatro do Leblon), a montagem conta com roteiro e direção de Elisa Lucinda e Geovana Pires, com Amir Haddad assinando a supervisão artística. 

Já apresentada com grande sucesso em diversas cidades brasileiras e também em Portugal (em curto vídeo exibido, o escritor José Saramago profere emocionadas palavras sobre o espetáculo), a montagem reúne 32 poemas de autores como Adélia Prado, Fernando Pessoa, Manoel Alegre, José Régio, Mário Quintana, Bocage, Camões e da própria Elisa Lucinda, dentre outros. E se a qualidade dos poetas selecionados já valeria, em princípio, uma ida ao teatro, a forma como são ditos e encenados confere à presente empreitada um valor e um charme absolutamente especiais.

Desde que começou a dar aulas, há cerca de 15 anos, Elisa Lucinda sempre incutiu em seus alunos a ideia de que é possível dizer poesia sem ser chato. Ou seja: renunciando a empoladas impostações e gestos grandiloquentes, e priorizando a simplicidade e o entendimento. Sua ex-aluna e mais adiante professora e sócia da Casa Poema, Geovana Pires absorveu por completo os ensinamentos da mestra e a parceria entre ambas se mostra cada vez mais sólida e encantadora a cada novo trabalho.

Costuma-se dizer que há sempre uma distância entre intenção e gesto. Mas aqui não há distância alguma entre as palavras proferidas e as emoções que geram, posto que as palavras são ditas e vivenciadas de tal forma que a plateia tem a sensação de que elas brotam não do palco, mas de todos os corações presentes. Sem dúvida, um espetáculo que merece ser prestigiado de forma incondicional por todos aqueles que já amam a poesia e, certamente, por todos que começarão a amá-la a partir deste encontro tão essencial com Elisa Lucinda e Geovana Pires.

Na equipe técnica, Cristina Cordeiro responde por belos e sensuais figurinos, assim como por uma despojada cenografia composta por duas estantes e duas cadeiras, assim como por uma mesa farta de frutas, uma espécie de simbólico convite para degustações não necessariamente (ou exclusivamente) de natureza frutífera. Djalma Amaral ilumina a cena com simplicidade e eficiência.

UM RECITAL À BRASILEIRA - Textos de vários poetas. Roteiro e direção de Elisa Lucinda e Geovana Pires. Supervisão artística de Amir Haddad. Com Elisa Lucinda e Geovana Pires. Sala Tônia Carrero (Teatro do Leblon). Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h. 




sexta-feira, 10 de abril de 2015

O ATOR E O TEXTO
Oficina com o diretor Eduardo Wotzik
De 13 a 17 de abril de 2015
Segunda-feira, das 20h às 23h - Palestra com o diretor: O Ator e o Texto
Terça a Sexta, das 10h às 14h - Mergulho prático
Público-alvo: atores, profissionais de teatro (acima de 18 anos), professores, pesquisadores, produtores, roteiristas
Enviar curriculo e carta de intenção. Vagas Limitadas
 TEATRO DO LEBLON - Rio de Janeiro
Rua Conde de Bernadote, 26 - Leblon

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Bilac vê estrelas"

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Deliciosa comédia musical



Lionel Fischer



"A história se passa no início do século XX, em plena Belle Époque carioca, e apresenta personagens históricos como o poeta Olavo Bilac e o jornalista José do Patrocínio, em uma trama que mistura ficção e realidade. Os dois amigos têm que enfrentar a cobiça de uma espiã portuguesa que se alia a padre Maximiliano, interessados no projeto de um dirigível criado por Patrocínio".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima resume o enredo da comédia musical "Bilac vê estrelas", baseada no romance homônimo de Ruy Castro. Heloisa Seixas e Julia Romeu respondem pela adaptação e roteiro, estando a direção a cargo de João Fonseca. Em cartaz no Teatro dos Quatro, a montagem chega à cena com elenco formado por André Dias, Izabella Bicalho, Tadeu Aguiar, Alice Borges, Sergio Menezes, Reiner Tenente, Jefferson Almeida, Saulo Segreto e Gustavo Klein. 

Como não li o romance, não tenho como avaliá-lo. Mas a adaptação feita por Heloisa Seixas e Julia Romeu é tão sedutora que a obra de Ruy Castro tem que ser maravilhosa - a trama é repleta de episódios surpreendentes e hilariantes, protagonizados por ótimos personagens que, na maior parte do tempo, exibem sedutora e ingênua malícia.  

Com relação ao espetáculo, João Fonseca impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico. As marcações são ágeis, leves e muito divertidas, e os tempos rítmicos trabalhados com extrema precisão. Afora isto, Fonseca conseguiu extrair ótimas atuações do elenco.

Na pele de Olavo Bilac, André Dias realiza um trabalho primoroso. Exibindo esmerado trabalho corporal, voz belíssima e apuradíssimo tempo de comédia, o ator realiza aqui uma das melhores performances de sua brilhante carreira. A mesma eficiência se faz presente na atuação de Izabella Bicalho (Dona Eduarda Bandeira, espiã portuguesa, e Mocinha), cuja voz dispensa comentários (alguém consegue se esquecer de sua atuação em "Gota d'água"?) e que aqui exercita seu lado de comediante com total eficácia. 

Outra atuação marcante é a de Tadeu Aguiar: também possuidor de bela voz e forte presença cênica, o ator está engraçadíssimo na pele do padre mau caráter, cabendo destacar sua hilariantes saídas de cena, quando produz uma espécie de chilique corporal que provoca inevitáveis gargalhadas. Vivendo Madame Labiche, que funciona como uma espécie de narradora, Alice Borges convence plenamente na pele de uma personagem em que não explora sua conhecida e maravilhosa veia cômica, mas que funciona plenamente, tanto no canto como nas partes faladas. Com relação aos demais intérpretes, muitos interpretando vários personagens, a atuação de todos contribui de forma decisiva para o sucesso desta deliciosa empreitada teatral.

No tocante à equipe técnica, são irrepreensíveis as contribuições de Nello Marrese (cenografia), Carol Lobato (figurinos), Sueli Guerra (coreografias) e Daniela Sanchez (iluminação). E cabe também destacar a direção musical de Luís Filipe de Lima, as performances dos músicos Daniel Sanches (piano), Jorge Oscar (contrabaixo) e Oscar Bolão (bateria), e as maravilhosas composições originais de Nei Lopes, que abarcam diversos gêneros com o mesmo brilho.

BILAC VÊ ESTRELAS - Texto de Heloisa Seixas e Julia Romeu. Com André Dias, Izabella Bicalho, Tadeu Aguiar, Alice Borges e grande elenco. Direção de João Fonseca. Teatro dos Quatro. Quinta às 19h, sexta e sábado às 21h, domingo às 20h.