quarta-feira, 29 de outubro de 2014

FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA

um projeto de extensão universitária da UNIRIO, em parceria com a SBRJ, no dia 31 de outubro, às 18h, exibirá o filme: EU E VOCÊ (Io e Te, 2012, 100 min.), que marca a volta do consagrado BERNARDO BERTOLUCCI aos longas-metragens, após um hiato de quase 12 anos. Baseado no romance do famoso escritor italiano, Niccolò Ammaniti, o roteiro, adaptado pelos diretor e autor, relata com profundidade as dificuldades de relacionamento e afetividade de um jovem de 14 anos, que se esconde em um sótão no prédio onde mora. Porém, tal situação é perturbada com a chegada inesperada da meia-irmã, que busca abrigo para deixar as drogas. Um filme fascinante e inesperado, que, por certo, ensejará um estimulante debate  e troca de ideias.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
(UNIRIO/PROEXC - PROJETO CULTURAL) E

SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO (SPRJ)
convidam para assistir: EU E VOCÊ

DIREÇÃO: BERNARDO BERTOLUCCI.  

ELENCO: Jacopo Olmo Antinori, Tea Falco e Sonia Bergamasco.

DEBATEDOR: Dr. NEILTON SILVA

SINOPSE: Lorenzo, um introvertido adolescente, informa à mãe que participará de uma excursão escolar, porém decide ficar sozinho no porão de sua casa. Tudo corria muito bem, até a chegada da meia-irmã, Olívia, com quem não tem uma relação fraterna bem estruturada.

DATA: 31 DE OUTUBRO DE 2014

HORÁRIO: FILME: 18h; ANÁLISE E DEBATE: 20h às 22h.

LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO

ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296.

ENTRADA FRANCA

Contando sempre com a divulgação e com os nossos agradecimentos pela presença, recebam um grande abraço.
Ana Lúcia, Neilton e Zusman.

NOTA: Quem se interessar em adquirir o livro: Fórum de Psicanálise e Cinema: análises culturais e psicanalíticas, de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva, ele se encontra à venda pelo site - www.travessa.com.br/ - e nas diversas filiais da Livraria da Travessa, assim como nos dias do FÓRUM. 
Igualmente, o livro do Dr. Waldemar Zusman: Poemas & Textos de um Psicanalista: rimas, risos & reflexõespoderá ser adquirido no Fórum.



Teatro/CRÍTICA

"Depois do Ensaio"

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Belíssima reflexão sobre o teatro



Lionel Fischer



"Henrik Vogler, diretor de teatro experiente e perfeccionista, ensaia a peça O Sonho, de Strindberg. Depois de uma tarde de trabalho, ele está cochilando no palco quando volta ao teatro sua jovem protagonista, Anna, com a desculpa de procurar uma pulseira perdida. Durante o que seria uma conversa casual, surge uma avalanche de revelações pessoais, que vão transformando o texto em obra confessional. Em uma licença poética, ou num devaneio, ou mesmo em um sonho, mais adiante surge Raquel, mãe de Anna, que no passado interpretou o papel que hoje é da filha".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o enredo e o contexto de "Depois do ensaio", de autoria de Ingmar Bergman. Escrita em 1980, quatro anos depois a peça foi transformada em filme para a televisão. A presente montagem, em cartaz no Oi Futuro, leva a assinatura de Mônica Guimarães, estando o elenco formado por Denise Weinberg (Raquel), Leopoldo Pacheco (Vogler) e Sophia Reis (Anna).

Embora Ingmar Bergman (1918-2007) tenha passado à História como um dos maiores cineastas de todos os tempos, nem por isso deixou de ser também um brilhante diretor teatral, tendo se dedicado ao palco por mais de 50 anos. E esta obra é, fundamentalmente, uma belíssima reflexão sobre o teatro - a função do diretor, sua relação com os atores, os processos criativos, os encontros e desencontros de uma arte cujo caráter efêmero é sua máxima potência e, ao mesmo tempo, fonte de inenarráveis angústias.

E a estrutura narrativa adotada por Bergman reforça de forma brilhante o caráter lúdico e mágico do teatro, pois jamais se chega a saber, com absoluta certeza, se alguns episódios aconteceram da forma como estão materializados (como a relação de Vogler e Raquel, esta última supostamente já falecida) ou se tudo se resume a um devaneio do diretor semi-adormecido. Assim, o espectador é convidado não a racionalizar sobre o que assiste, mas a liberar sua fantasia e deixar-se encharcar pela poesia do palco que, no presente caso, encontrará um campo muito mais fértil não na inteligência ou cultura do espectador, mas em seu inconsciente.   

Com relação ao espetáculo, Mônica Guimarães impõe à cena uma dinâmica bem mais forte e significativa nas passagens que envolvem Vogler e Raquel. E isto se dá não apenas porque aí suas marcas são mais criativas e intensas, mas também em função da maravilhosa contracena que estabelecem Leopoldo Pacheco e Denise Weinberg. Neste segmento, o ator exibe performance tocante, revela toda a angústia e paixão do personagem, com Denise Weinberg materializando (de forma brilhante, como sempre) todas as nuances de uma personalidade atormentada, mas nem por isso destituída de potência e corrosiva ironia.

Em contrapartida, nas passagens, digamos, supostamente reais, os embates se dão de forma bem menos sedutora. E isto se deve, fundamentalmente, à enorme defasagem de experiência entre o ator e a atriz. Ainda muito jovem, Sophia Reis tem excelente físico para o papel e percebe-se que o compreendeu perfeitamente. No entanto, ainda carece de uma voz mais trabalhada e de um corpo cênico mais expressivo, predicados que certamente poderá adquirir com o passar do tempo, pois acredito que talento não lhe falta. Mas tais lacunas a impedem de estabelecer uma contracena de igual para igual com um ator do porte de Leopoldo Pacheco, que neste segmento praticamente concentra em si todo o interesse.

Na equipe técnica, destaco com entusiasmo a irrepreensível tradução de Amir Labaki e Humberto Saccomandi, sendo igualmente irretocáveis a música original de Marcelo Pelegrini, a cenografia de Marco Lima e a iluminação de Wagner Freire.

DEPOIS DO ENSAIO - Texto de Ingmar Bergman. Direção de Mônica Guimarães. Com Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco e Sophia Reis. Oi Futuro. Quinta a domingo, 20h.   

Mostra Hífen de Pesquisa-Cena

Nesta quarta 29 de outubro, a Mostra Hífen de Pesquisa-Cena dá início a sua quinta e última semana. Realizada pelo Teatro Inominável e pelo Instituto Galpão Gamboa, durante esta última semana, mostra completa sua programação voltando ao Teatro Dulcina com um processo-aberto, uma performance e uma pesquisa-cena (atrações inéditas na cidade do rio!). 

confiram a programação desta semana:

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ABERRA, quarta-feira, às 19h no teatro dulcina
pesquisa textual e cênica que explora constituições e aberrações em relações maternais. com dramaturgia e direção de marcela andrade, o processo do espetáculo tem como estímulo quatro monstros de uma mesma família: mãe, filha precocemente morta, filha inesperadamente viva e filha tardiamente recém-nascida. trabalho autoral inspirado em fragmentos de textos de franz kafka e clarice lispector. após apresentação de cenas do processo, haverá conversa com público presente.

ISSO É PARA DOR, sexta a domingo, às 19h no teatro dulcina
diretamente de belo horizonte/mg, a primeira campainha traz o espetáculo isso é para dor, com direção e dramaturgia de byron o’neill. inédita no rio de janeiro, a peça mantém forte diálogo com o absurdo de samuel beckett e eugene ionesco e apresenta mulheres num lugar indefinido, aprisionadas entre a tensão da catástrofe e o tédio da desesperança. no limite da agonia de uma espera melancólica, benjamim, shyrley e vonda ensaiam sobre a vida em um mundo que desmorona. o resultado do encontro de byron com a primeira campainha é um teatro de densidade e sátira, do pop e do absurdo, atemporal e contemporâneo.

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* foto de ISSO É PARA DOR por TOMÁS ARTHUZZI

TRANS*CORRIMENTO XOXOTAÇO, sábado, às 18h no foyer do teatro dulcina
o performer caio riscado, (re)combinando próteses de gênero socialmente atribuídas ao masculino e ao feminino, performa pela desconstrução do binarismo de gênero e da heteronormatividade. a ação consiste em um striptease de uma única peça em multiplicidade. serão utilizados na ação, os seguintes materiais: peruca, batom, calcinhas e tênis.

GUSTAVO COLOMBINI é o dramaturgo desta quinta semana. direto de são paulo/sp, colombini dá continuidade ao projeto SEIS DRAMATURGOS, em parceria com o TEMPO_FESTIVAL, produzindo criações textuais (publicadas em nosso site) em resposta aos espetáculos assistidos.

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toda a programação da hífen possui entrada gratuita e vai até este domingo, 02 de novembro.
acessem o nosso site: mostrahifen.com.br

saudações inomináveis
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O Festival ES EM CENA chega ao Rio de Janeiro
Mostra capixaba que já passou por Salvador, São Luís, Curitiba e Belo Horizonte encerra sua primeira edição a partir de 29 de outubro, no Teatro Glauce Rocha


De 29 de outubro a 02 de novembro, às 19h, o Festival ES em Cena chega ao Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio de Janeiro. A Mostra já passou pelas capitais da Bahia, Maranhão, Paraná e Minas Gerais. No Festival serão apresentados dramas, comédias e performances encenadas por Cias teatrais do Espírito Santo. Todas as peças foram selecionadas pela WB Produções, em parceria com a Secult (Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo). A entrada é franca.

No evento o público poderá assistir aos espetáculos Estórias de um povo de lá (Grupo Gota, pó e Poeira), O Pastelão e a Torta (Grupo Folgazões), Insone (Grupo Z), Bernarda, por detrás das paredes (Cia Repertório) e Mefisto (Cia Teatro Urgente). Após as apresentações haverá um debate com os artistas envolvidos, onde serão apresentados o histórico de cada grupo participante e reflexões sobre os processos de criação de suas obras.

Esta é a primeira edição do Festival, que estreou em Salvador, em outubro de 2013, e termina na capital carioca. Até o momento, O ES em Cena já levou mais de 6 mil pessoas ao teatro. Para ano que vem Wesley Telles e Bruna Dornellas, da WB Produções, já estão preparando uma nova temporada que começa em março de 2015 no Festival de Teatro de Curitiba.  O projeto tem patrocínio do Ministério da Cultura através da Lei de Incentivo Fiscal (Lei Rouanet) e apoio do Governo do Estado do Espírito Santo, através do edital de chamamento da Secretaria de Cultura. 

ES EM CENA

O ES em Cena nasceu em 2013 com a intenção de difundir nacionalmente as iniciativas culturais de artistas do estado do Espírito Santo. Os espetáculos foram selecionados pela WB Produções, em parceria da Secult (Secretaria de Cultura do Estado do Espírito Santo). “Há trabalhos excelentes produzidos no Espírito Santo que precisam ser enaltecidos e que merecem romper fronteiras e serem assistidos por diversos públicos”, diz Wesley Telles, idealizador da mostra e diretor-geral da WB produções.  “Além de possibilitar maior reconhecimento aos grupos envolvidos, a ideia é dar estímulos para que essas companhias continuem produzindo e contribuindo com a cultura capixaba e com o desenvolvimento de novos projetos”, completa Wesley.

O ES em Cena é importante também por proporcionar mais experiência para as companhias que irão circular por espaços e eventos importantes do Brasil, garantindo assim a chance de uma maior visibilidade. Eventos como o Festival de Curitiba recebem olheiros nacionais e internacionais em busca de novos talentos e de espetáculos fora do eixo Rio-São Paulo. 

Bruna Dornellas, diretora de produção da WB, ressalta a importância desse projeto também para as empresas que produzem e idealizam projetos com este perfil: No ES em Cena, estaremos deixando de ser produtores locais, levando o Espírito Santo à frente, com um pouco de sua cultura e de sua identidade. Fazemos isso com muito prazer e orgulho”.

A mostra ES em Cena conta com os benefícios da Lei Federal de Incentivo à Cultura!

Programação

29 de outubro de 2014 (quarta-feira), às 19h
Espetáculo: Estórias de um povo de lá (Grupo Gota, pó e Poeira)

Livremente inspirado nos contos de Guimarães Rosa, o espetáculo retrata histórias de pessoas que podem estar aqui e lá em seus anseios, obstáculos, religiosidade e esperanças. Estórias de um povo de lá apresenta logo em sua abertura um prólogo com fragmentos de textos que contemplam o universo de Guimarães Rosa, seguindo depois para três pequenas histórias. A primeira narrativa é centrada na viagem de avião de  um menino ao interior onde se construía uma grande cidade;  lá ele se encanta pela natureza e pela figura de um peru, conhecendo também duros aspectos da realidade. A segunda trata da história de uma menina isolada em seu mundo e que de repente  consegue materializar todos os seus desejos, a maioria coisas simples e comuns, o que a faz diferente na visão da família e parentes. A terceira narrativa mostra a partida de um pai que vai habitar o rio, dentro de uma canoa, criando várias versões para sua partida. A família, composta pela mãe, dois meninos e uma menina, busca explicações para aquela atitude. A montagem reúne literatura, teatro e música, e os atores se revezam em diversos personagens.
Duração: 70 minutos
Classificação: 10 anos
Gênero: Drama

30 de outubro de 2014 (quinta-feira), às 19h
Espetáculo: O Pastelão e a Torta (Grupo Folgazões)

A peça, uma farsa medieval encenada utilizando-se da linguagem de commedia dell'arte, traz no elenco os atores Wyller Villaças, Vanessa Darmani, Duílio Kuster e Foca Magalhães. A obra adaptada é dirigida coletivamente pelos integrantes, com enredo que narra as aventuras e desventuras de dois mendigos, Julião e Balandrot, em busca de um suculento pastel e de uma apetitosa torta que são vistos na janela do casal de pasteleiros Joaquim e Marieta. Esteticamente, o espetáculo é fruto de uma fusão de várias linguagens que estão presentes no processo de pesquisa e treinamento permanente do grupo, como a comicidade, a música e o teatro popular. Esta montagem já foi encenada em festivais nacionais e internacionais. Em agosto deste ano, representou o Brasil em dois festivais latino-americanos de teatro realizados na Colômbia.
Duração: 50 minutos
Classificação: Livre
Gênero: Comédia



31 de outubro de 2014 (sexta-feira), às 19h
Espetáculo: Insone (Grupo Z)

Em Insone, o Grupo Z de Teatro dá prosseguimento às suas investigações acerca dos três eixos que norteiam seu trabalho: o desenvolvimento de dramaturgia própria, o corpo como instrumento de criação, o uso de espaços diversos. O espetáculo, que se utiliza da linguagem da dança-teatro, não tem uma narrativa linear, não conta uma história. Antes, debruça-se sobre os estados de sono e vigília, os sonhos, pesadelos e a insônia, mostrando o homem contemporâneo entre a sua necessidade de descanso e repouso e as exigências de um mundo cada vez mais veloz, vertiginoso.
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Gênero: Teatro Físico

01º de novembro de 2014 (sábado), às 19h
Espetáculo: Bernarda, por detrás das paredes (Cia Repertório)

Bernarda, por detrás das paredes é uma colagem dos textos “A casa de Bernarda Alba”, de Federico García Lorca e “Arte poética”, de Aristóteles. Bernarda é uma matriarca dominadora que após a morte de seu segundo marido decreta um luto de oito anos, enclausurando em casa suas cinco filhas. Em um jogo cênico musical, os atores manipulam seus corpos para criar e destruir nove personagens que duelam suas expectativas como em uma arena de touros.
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Tragicomédia

02 de novembro (domingo), às 19h
Espetáculo: Mefisto (Cia Teatro Urgente)

Artista vive a tragédia de vender a cabeça para o Estado. Cenas de teatro-dança e vídeo mapping em live performance que fazem referência às obras: Mephisto, de Klaus Mann, Fausto de Goethe e à coreografia homônima de Magno Godoy (1987).
Duração: 50min.
Classificação: 14 anos.   
Gênero: Instalação Cênica

 WB PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

Tem como sócios os produtores Bruna Dornellas e Wesley Telles. A produtora que sempre teve seu foco de atuação na cidades da Grande Vitória já produziu espetáculos por várias cidades do estado do Espírito Santo, dentre elas Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, Colatina, Alegre, Guaçuí e São Mateus. Nesses sete anos foram 100 espetáculos produzidos em um total de 200 apresentações e mais de 100 mil espectadores; isso só comprova o sucesso e reconhecimento da empresa em todo o estado. Unindo uma equipe com grande know-how em produção cultural, está sempre à frente de suas incorporações e tem como aliado vários parceiros e apoiadores. A equipe está sempre se atualizando, procurando trazer ao estado o que tem de melhor nas artes cênicas do país.

SERVIÇO

"ES EM CENA"
Data: De 29 de outubro a 2 de novembro de 2014 (quarta a domingo)
Horário: de quarta à domingo, às 19h
Local: Teatro Glauce Rocha (Av. Rio Branco, 179 – Centro – em frente à Estação Carioca do Metrô)
Tel.: 21 2220 0259
Espetáculos:
Dia 29/10 - Estórias de um povo de lá (Grupo Gota, pó e Poeira) – drama, 10 anos, 70min.
Dia 30/10 - O Pastelão e a Torta (Grupo Folgazões) – comédia, livre, 50 min.
Dia 31/10 - Insone (Grupo Z) – Teatro Físico, 12 anos, 60 min.  
Dia 1/11 - Bernarda, por detrás das paredes (Cia Repertório) – Tragicomédia, 14 anos, 55 min.
Dia 2/11 - Mefisto (Cia Teatro Urgente) – Instalação Cênica, 14 anos, 50 min.
Classificação: Ver espetáculos
Entrada Franca: Os ingressos poderão ser retirados no teatro, nos dias de espetáculo, a partir das 14h (sujeito à lotação do espaço)
Capacidade: 202 lugares (O teatro possui acesso à cadeirantes)
Debates: Logo após as apresentações, acontecerão os debates com os atores que falarão sobre o grupo e sobre a concepção do espetáculo.
Realização: WB Produções

Outras Informações (RJ)
Lu Nabuco Assessoria em Comunicação
Luciana Nabuco
21 99405 4125 / 3042 2647

Contato para a imprensa, em Vitória:
Bruna Dornellas - WB Produções: (27) 9 8152-1461



terça-feira, 21 de outubro de 2014

Teatro/CRÍTICA

"Rei Lear"

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Obra-prima em belíssima adaptação



Lionel Fischer


"A peça conta a história do velho Lear, Rei da Bretanha, que decide dividir seu reino entre suas três filhas. Ao fazer a partilha, acaba sensibilizado e ludibriado pelos discursos bajuladores das ambiciosas Goneril e Regan e renega Cordélia, a filha mais nova que, preferindo manter-se íntegra, recusa-se a bajular o pai. O tempo, no entanto, mostra que Cordélia era a única merecedora do trono e do afeto de Lear, a essa altura já enredado nas armadilhas das filhas mais velhas".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o enredo de "Rei Lear", por muitos considerada a obra suprema de William Shakespeare. Mas aqui a tragédia, em cartaz no Teatro dos Quatro, está condensada e os 16 principais personagens foram reduzidos a seis: Lear, suas três filhas, o Bobo e Kent, assessor do rei. E todos são interpretados por um único ator, Juca de Oliveira. Geraldo Carneiro assina a tradução e a adaptação, estando a direção a cargo de Elias Andreato.

É possível, e até mesmo provável, que puristas de plantão torçam seus desgraciosos narizes diante de uma adaptação como esta - como torceriam, certamente, para qualquer adaptação. No entanto, considero brilhante o trabalho feito por Geraldo Carneiro, pois foram preservadas tanto a essência da história como algumas das falas mais sublimes da obra, através das quais o fabuloso bardo esgota os principais temas que elegeu: a cobiça e a ingratidão filial.

Com relação ao espetáculo, Elias Andreato optou por uma dinâmica cênica despojada, que tem como elemento cenográfico apenas uma cadeira. E como Juca de Oliveira usa um traje negro e
certamente foi orientado para se deslocar pelo espaço sem maiores arroubos, toda a atenção da plateia se concentra na inacreditável beleza e poesia do texto, em suas dolorosas e pertinentes reflexões, assim como na capacidade do ator de encarnar os seis personagens já mencionados.  

Neste particular, é realmente notável a performance de Juca de Oliveira. Valendo-se de sutis mudanças vocais e corporais, sem nenhum resquício de desnecessários maneirismos, o ator demonstra uma vez mais seu imenso talento. E este também pode ser aferido pela inteligência de suas escolhas, pela maestria com que domina os tempos rítmicos, pela autoridade e veracidade que confere a cada fala e, evidentemente, por sua visceral capacidade de entrega. Sem dúvida, estamos diante de um momento teatral de altíssimo nível, um verdadeiro presente para todos aqueles que amam a dificílima arte de representar.  

No complemento da ficha técnica, cabe destacar a maravilhosa tradução de Geraldo Carneiro, que contribui decisivamente para reforçar a atualidade de uma obra fadada a se perpetuar. Fabio Namatame responde pelas sábias escolhas relativas a cenário e figurino, sendo muito expressiva (ainda que discreta) a iluminação de Wagner Freire. Também essenciais as participações de Melissa Vettore (preparação corporal) e Daniel Maia (trilha sonora).

REI LEAR - Texto de William Shakespeare. Tradução e adaptação de Geraldo Carneiro. Direção de Elias Andreato. Com Juca de Oliveira. Teatro dos Quatro. Quinta a sábado, 19h. Domingo às 18h30 (outubro) e às 20h30 (novembro).   

  

  









segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Teatro/CRÍTICA

"Chuva constante"

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Honra, lealdade e valores



Lionel Fischer



"Dois policiais, companheiros e velhos conhecidos, se veem envolvidos em acontecimentos que afetarão suas vidas. Não só a amizade é posta à prova, mas também valores, honra e lealdade. Mas a lembrança do que realmente aconteceu naqueles poucos dias em que uma chuva constante não parou de cair, não é necessariamente igual para os dois..."

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima resume o contexto em que se dá "Chuva constante", de Keith Huff. Grande sucesso na Broadway, tendo como intérpretes Daniel Craig e Hugh Jackman, o texto chega à cena (Teatro do Leblon - Sala Marília Pêra) com direção de Paulo de Moraes e elenco formado por Malvino Salvador e Augusto Zacchi.

Exibindo uma curiosa estrutura narrativa (os personagens monologam mais do que propriamente contracenam, sendo tais monólogos endereçados à plateia, como se os personagens buscassem a aprovação da mesma), o texto empreende uma pertinente reflexão sobre os temas citados no parágrafo inicial. Mas há um outro, não citado, que me parece apropriado mencionar: a obsessiva compulsão da sociedade norte-americana de catalogar as pessoas como vencedores e perdedores.

No presente caso, a trama chega a um momento em que só um dos amigos pode sobreviver, nem que para tanto tenha que trair ou mentir. E ele mente e trai. E torna-se um vencedor - casa-se com a mulher do amigo, assume sua família e consegue a promoção a detetive que ambos almejavam. Mas seria efetivamente um vencedor? E quanto ao outro, que se suicida: seria ele o real perdedor? Cabe ao público decidir. 

Decisões à parte, cabe ressaltar a impecável escrita do autor, sua maestria nos diálogos e na construção de sólidos personagens. E enfatizar a irrepreensível direção de Paulo de Moraes, que impõe à cena uma dinâmica cuja aspereza e virulência traduzem de forma exemplar todos os conteúdos emocionais em jogo. Mas neste particular, cabe um esclarecimento.

Quando assisti a montagem, neste último sábado (18 de outubro), um grave problema técnico impediu a projeção de alguns vídeos. Uma das produtoras do espetáculo, Cinthya Graber, explicou o problema à plateia, facultando àqueles que o desejassem voltar em outra ocasião. Exceção feita a uma senhora mal humorada e, quem sabe, mal amada, todos resolveram ficar e ao final aplaudiram entusiasticamente a montagem. 

Não assisti aos vídeos, evidentemente, mas conhecendo como conheço o diretor Paulo de Moraes, e tendo conversado após o espetáculo com Cintya Graber e com os atores, não tenho a menor dúvida de que os tais vídeos contribuem muito para enriquecer o espetáculo. Mas nem por isso - e eis aqui uma questão essencial - ele deixou de me emocionar profundamente, sendo tal emoção fruto não apenas da direção de Paulo de Moraes, mas também das irrepreensíveis performances de Malvino Salvador e Augusto Zacchi. 

Como sustenta Peter Brook (maior encenador vivo), o teatro é "A Arte do Encontro". E tal encontro só se estabelece quando ocorre uma profunda ligação entre quem faz e quem assiste. E mesmo na ausência (temporária, diga-se de passagem) dos tais vídeos, nem por isso os atores deixaram de estabelecer este indispensável elo com o público. E é até possível que o mesmo tenha sido ainda mais poderoso em função do imprevisto, pois uma das mais preciosas virtudes dos atores consiste em superar todas as dificuldades possíveis e imagináveis. Portanto, parabenizo com grande entusiasmo Malvino Salvador e Augusto Zacchi, e a ambos desejo uma longa e merecida temporada de sucesso.

Na equipe técnica, Daniele Avila Small assina impecável tradução, sendo de altíssimo nível a iluminação de Maneco Quinderé, que enfatiza de forma exemplar todos os climas emocionais em jogo. Também de grande mérito é a trilha sonora de Ricco Vianna, com Paulo de Moraes respondendo por corretos cenário e figurinos.

CHUVA CONSTANTE - Texto de Keith Huff. Direção de Paulo de Moraes. Com Malvino Salvador e Augusto Zacchi. Teatro do Leblon (Sala Marília Pêra). Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.  




Teatro/CRÍTICA

"Nômades"

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Inesquecível encontro no Poeira



Lionel Fischer



"Três amigas, atrizes, são surpreendidas pela morte precoce de uma quarta amiga, também atriz. Em um único dia, entre a notícia dessa morte inesperada e as últimas homenagens feitas no enterro, as três reagem de diferentes maneiras à dor dessa perda, vivem de forma condensada todas as fases do luto - a indignação com a finitude da vida, as autoacusações, a tristeza, a saudade, todas as lembranças compartilhadas e, finalmente, a consciência de que somos mortais. E dessa consciência brota o sentimento de urgência".

Extraído (e levemente editado) do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o enredo de "Nômades", em cartaz no Teatro Poeira. De autoria de Marcio Abreu e Patrick Pessoa (com a colaboração de Andréa Beltrão, Malu Galli, Mariana Lima e Newton Moreno), a peça chega à cena com direção de Marcio Abreu e elenco formado por Andréa Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima.

A primeira curiosidade referente ao presente espetáculo diz respeito ao título. Nômades nos remete aos antigos povos que viviam se deslocando em função de novos pastos ou de animais que caçavam. Mas aqui (como consta do release) a palavra também se aplica ao fato de que atores vivem migrando de personagem para personagem, sempre em tempos e locais diferenciados, habitados por renovados sentimentos. E a peça certamente aborda esse tema, afora os já mencionados no parágrafo inicial. 

No entanto, durante a montagem tive a sensação de que as personagens também poderiam estar falando do tempo em que eram mais jovens, do tempo das primeiras experiências artísticas, de uma possível crença no poder transformador do teatro através do visceral encontro com o outro, aí incluindo-se a transformação de cada uma delas em função do exercício da profissão. Caberia também a possibilidade de estar em discussão a questão da imagem pública e a do artista enquanto agente do próprio trabalho. 

Enfim...muitas conjecturas podem ser feitas. Mas o que importa ressaltar é a extrema pertinência com que os autores abordam os temas que elegeram, e também a estrutura narrativa que adotaram, que mescla a, digamos, irrealidade da cena com a realidade das relações que as intérpretes estabelecem com a plateia, compartilhando, ao que tudo indica, dúvidas e sentimentos inerentes a cada uma delas. Sob todos os pontos de vista, um texto belíssimo, profundamente comovente e, em dados momentos, irresistivelmente engraçado.  

Com relação ao espetáculo, Marcio Abreu impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico. Através de marcas sempre diversificadas e imprevistas, trabalhando os tempos rítmicos com maestria e valorizando com extrema sensibilidade todos os climas emocionais em jogo, o encenador exibe o mérito suplementar de haver extraído deslumbrantes atuações das atrizes.

E aqui me parece irrelevante ressaltar os imensos recursos expressivos de Andréa Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima, que todos os frequentadores de teatro já estão cansados de conhecer. O que me parece fundamental é destacar a visceral capacidade de entrega, a poderosa contracena que estabelecem e a cumplicidade que exibem em um projeto que é fruto de seus próprios anseios. Assim, só me resta agradecer a maravilhosa noite que me proporcionaram e a todos que estavam na estreia do espetáculo, e desejar que os sempre caprichosos deuses do teatro abençoem esta inesquecível empreitada teatral.

Na equipe técnica, Marcia Rubin (como de hábito) realiza uma impecável direção de movimento, sendo igualmente irretocáveis e expressivas a cenografia de Fernando Marés e Marcio Abreu, a iluminação de Nadja Naira, os figurinos de Cao Albuquerque e Natália Durán e a música de Felipe Storino.

NÔMADES - Texto de Marcio Abreu e Patrick Pessoa, com a colaboração de Andréa Beltrão, Malu Galli, Mariana Lima e Newton Moreno. Direção de Marcio Abreu. Com Andréa Beltrão, Malu Galli e Mariana Lima. Teatro Poeira. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.