quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Prêmio Cesgranrio de Teatro - 2014

VENCEDORES

Melhor Ator - Candido Damm ("Vianinha conta o último combate do homem comum")

Melhor Ator em Musical - Gabriel Stauffer ("O grande circo místico"

Melhor Atriz - Susana Faini ("Silêncio")

Melhor Atriz em Musical - Solange Badim ("As bodas de Fígaro")

Melhor Direção - Gustavo Gasparani ("Samba Futebol Clube")

Melhor Iluminação - Renato Machado ("Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir")

Melhor Cenografia - Nello Marrese ("O grande circo místico")

Melhor Figurino - Marcelo Marques ("Edypop")

Melhor Texto Nacional Inédito - "O dia em que Sam morreu" (Maurício Arruda de Mendonça e Paulo de Moraes)

Melhor Direção Musical - Leandro Castilho ("As bodas de Fígaro")

Melhor Espetáculo - "Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir"

Categoria Especial - Renato Vieira (direção de movimento de "Samba Futebol Clube")

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Teatro/CRÍTICA

"Cabaré Foguete"

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Divertida montagem no Café Pequeno


Lionel Fischer


Após passar sua infância e adolescência numa pequena cidade do interior do Paraná, onde vivenciou suas primeiras experiências lúbricas, Ana Foguetinho chega ao Rio de Janeiro e é logo assaltada. Sem muitas opções, acaba enveredando para a prostituição, atividade que exerce sem maiores problemas. E é a história da protagonista que nos é contada neste curioso cabaré, sendo a mesma iniciada quando Ana Foguetinho, na primeira cena do espetáculo, conta aos pais de seu noivo (que não são vistos) um pouco do que lhe aconteceu no passado.

Após ser exibido em 2014 na Sede das Cias, "Cabaré Foguete" acaba de iniciar nova temporada no Teatro Café Pequeno. Ivan Sugahara e Gustavo Damasceno assinam direção e dramaturgia (esta com a colaboração de Valéria Motta), estando o elenco formado por Nara Parolini (Ana Foguetinho), Rita Fischer (Apresentadora), Joel Vieira (Mestre de Cerimônias), Catarina Saibro (responsável por grande parte dos números musicais) e Thiago Ristow (marido de Ana Foguetinho). Além dos citados personagens, os atores dão vida a muitos outros, dividindo o palco com a Banda Héteras, composta por Antônio Ziviani, Breno Góes, Felipe Ridolfi e Pedro Leal David. 

Mais do que detalhar a história da protogonista, tenho a impressão de que a proposta fundamental do texto é enfatizar não apenas o papel fundamental que o sexo representa em nossas vidas, mas também a possibilidade de usufruirmos, sem nenhuma culpa, uma série de sensações que normalmente preferimos ocultar. Neste sentido, e embora o humor seja a tônica, é possível que a premissa básica dos dramaturgos tenha sido a de nos propor uma séria e salutar avaliação de nossos preconceitos, sejam eles de natureza sexual ou não.

Com relação ao espetáculo, é inegável que os diretores conseguiram impor à cena uma dinâmica sem dúvida muito divertida, exibindo soluções não raro muito criativas. Ainda assim, acredito que o espetáculo poderia ter um tempo de duração menor - algumas cenas se alongam em demasia, em especial o prólogo, e talvez algumas canções não precisassem ser cantadas inteiras. No tocante ao elenco, todos os intérpretes valorizam com humor e sensibilidade os muitos personagens que interpretam, evidenciando talento e grande versatilidade.

Na equipe técnica, considero de grande profissionalismo as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta curiosa e divertida empreitada teatral - Banda Héteras, Kelly Siqueira (direção de movimento), André Sanches (cenografia), Tarsila Takahashi (figurinos) e Ricardo Grings (iluminação).

CABARÉ FOGUETE - Texto e direção de Ivan Sugahara e Gustavo Damasceno. Com Catarina Saibro, Joel Vieira, Nara Parolini, Rita Fischer e Thiago Ristow. Teatro Café Pequeno. Sexta a domingo, 20h.

  

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

FESTIVAL MIDRASH DE TEATRO
De 12 de janeiro a 5 de fevereiro, mais de 40 apresentações no Leblon

Um festival de teatro em pleno verão carioca, com mais de 40 apresentações e 20 produções, nos meses de janeiro e fevereiro. É o que promete o Festival Midrash de Teatro, que acontece de 12 de janeiro a 5 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Inspirado no Festival de Avignon, realizado anualmente na França, a iniciativa consolida o Midrash como um espaço de teatro na cidade. Durante a semana, diferentes peças estarão em cartaz. Aos domingos, um ‘poupourri’ de apresentações teatrais únicas. Cada espetáculo terá o custo de R$ 30 e os ingressos podem ser comprados online, no site do Midrash.

Durante quatro semanas, haverá dois espetáculos teatrais por dia, às segundas, terças, quartas e quintas-feiras. Aos domingos, quatro apresentações teatrais únicas, uma infantil às 11h e as demais para adultos, em três horários, às 17h, às 19h e às 20h. Completando a programação, o festival oferece um curso livre de teatro para jovens às sextas-feiras e uma oficina de voz às segundas-feiras.

A ideia do evento é de Nilton Bonder, fundador do Midrash, inspirada pelo festival francês, uma das grande manifestações internacionais do espetáculo vivo contemporâneo, realizado no verão europeu, em julho, desde 1947. “O festival é uma resposta natural a um movimento que começou há cerca de três anos no Midrash. Fomos escolhidos pelo teatro. Regularmente recebemos um número muito grande de propostas e nem sempre podemos atender à demanda”, explica Nilton Bonder. Toda essa procura tem um motivo. O Midrash é considerado um espaço intimista que permite uma proximidade grande entre o ator e o espectador, favorecendo uma troca intensa e muito rica entre os dois.


PROGRAMAÇÃO

A FILA ANDA (estreia)

Texto e atuação: Mariana Marciano
Direção: Arthur Barcellos
Classificação: 16 anos
12, 19 e 26 jan e 2 fev | segundas | 21h | 60 min | R$ 30

Ivete é uma mulher que sempre sonhou com um grande amor, até quando encontrou nos livros de auto-ajuda a sua salvação. A Fila Anda retrata a realidade de muitas pessoas que têm dificuldade de se relacionar numa sociedade que cobra tanto que todos sejam felizes.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-a-fila-anda-12-jan/1567


COMO A CHUVA NOS FAZ FALTA

Texto: Danilo Marcks

Direção: Marina Gil
Com Amanda Leal e Leonardo Hinckel
Classificação: 14 anos
13, 20 e 27 jan e 03 fev | terças | 19h | 50 min | R$ 30
Como a chuva nos faz falta narra a história de um casal, que tenta a todo o momento descobrir onde é que está o amor entre eles. Em diferentes estações, em diferentes tempos, entre idas e vindas. Em um certo momento do relacionamento decidem rompê-lo, mas com uma decisão: se encontrarem uma vez na semana por apenas 25 minutos, com a condição de não falar da relação, nem do passado, nem do futuro. Tudo isso para não sentir a falta que o término os traria, quando já não se tem a total certeza de um amanhã juntos. É uma peça que fala do amor, da capacidade do ser humano de amar e ser amado, da questão da falta que o outro faz em nossas vidas, da perda e da redescoberta de uma vida sem o outro.
Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-como-a-chuva-nos-faz-falta-13-jan/1568

A VIDA COMO ELA É

Texto: Nelson Rodrigues

Adaptação: Luiz Arthur Nunes
Direção e trilha: Marcus Alvisi
Com Ana Cecília Mamede, André Brito, Bianca Brunstein, Breno de Freitas, Camila Monterosso, Guilherme Melca, Gessyca Mendes, Judson Feitosa, Julia Lechtman, Karla Dalvi, Maha Sati, Pedro Sarmento  e Yuri Ribeiro
Classificação: 16 anos
13, 20 e 27  jan e 03 fev | Terças | 21h | 1h40 | R$ 30
A peça gira em torno das crônicas escritas por Nelson Rodrigues entre 1950 e 1961. São 12 atores em 12 contos extraordinários, que narram o cotidiano nada normal de famílias do subúrbio carioca. O texto gira em torno dos temas adultério, pecado, desejos e moral. Delírios de uma mulher mal amada, a agonia de um homem que só pensa em mulher, as irmãs que disputam o mesmo homem, aquele que só amava mulheres mortas, o traído pela esposa, o pai que abusa da filha, a mulher que não sabe se trai e a que trai demais, são algumas histórias dessa narrativa.
Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-a-vida-como-ela-e-13-jan/1569

ROLIÚDE
Texto: Homero Fonseca
Supervisão cênica: Julio Adrião

Projeto, adaptação e atuação: João Ricardo Oliveira
Classificação: 12 anos
14, 21 e 28 de jan e 04 fev | quartas | 19h | 60 min | R$ 30
Bibiu é um sertanejo típico, mas apaixonado pelo cinema. Na luta pela sobrevivência, vencendo a seca, a fome e os poderosos, ele ganha a vida contando nas ruas e praças públicas os maiores clássicos do cinema mundial. Ganha fama como se fosse um repentista ou folheteiro, faz sucesso com as mulheres, e tira lições das "fitas", comparando as histórias das telas com sua própria vivência. Acima de tudo, Bibiu nos mostra como nossos medos, anseios e paixões são os mesmos, independente dos locais, épocas ou idiomas falados.
Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-roliude-14-jan/1570


CARTAS DE MARIA JULIETA E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Texto, direção e atuação: Sura Berditchevsky
Classificação: 12 anos
14, 21 e 28  jan e 04 fev | quartas | 21h | 60 min | R$ 30

O monólogo traz ao público a correspondência de uma vida inteira, trocada entre um dos nossos maiores poetas e sua única filha. Desde que Maria Julieta tinha cinco anos de idade, pai e filha iniciam uma profunda e intensa cumplicidade, expressa através de desenhos, cartas, bilhetes estendendo-se ao longo da vida em que as palavras são o veículo maior da demonstração de amor entre os dois.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-cartas-de-maria-julieta-e-carlos-drummond-de-andrade-14-jan/1571


HOMINUS BRASILIS - A história do mundo em um palco de 2m²
Idealização: Matheus Lima e Helena Marques
Dramaturgia, Concepção e Direção: Cia de Teatro Manual

Supervisão de Cena: Julio Adrião
Com Dio Cavalcanti, Helena Marques, Matheus Lima e Patrícia Ubeda
Classificação: 10 anos

15, 22 e 29 jan e 05 fev | quintas | 19h | 70 min | R$ 30
A peça conta a história da humanidade de uma forma nunca antes vista. A partir de detalhada pesquisa sobre a trajetória da homem no mundo, o grupo de quatro atores utiliza corpo e sonoplastia vocal, ao vivo, para contar episódios marcantes da História. Desde o Big Bang até hoje, a peça pincela grandes momentos da humanidade e convida o espectador a se emocionar com o surgimento da vida, a extinção dos dinossauros, a expansão marítima da Europa, as grandes guerras e também eventos que marcaram a história brasileira, como a chegada dos portugueses, a escravidão, a ditadura militar e a repentina morte de Ayrton Senna. O espetáculo utiliza uma linguagem cênica inédita no Brasil: todas as cenas acontecem sobre uma plataforma de 2m² (2m x 1m).
Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-hominus-brasilis-15-jan/1572


A DESCOBERTA DAS AMÉRICAS
Texto original: Dario Fo
Tradução e adaptação: Alessandra Vannucci e Julio Adrião
Direção: Alessandra Vannucci
Com Julio Adrião
Classificação: 14 anos
15 de jan | quinta | 21h | 90 min | R$ 30
O monólogo conta a história de Johan Padan, um sujeito que narra os fatos que se sucederam lá pelos idos de 1492, quando embarcou em Sevilha numa caravela de Cristóvão Colombo. O malandro e fanfarrão se vira contando vantagens, sempre em fuga da fogueira da Inquisição. Júlio  Adrião  é  um  Zé  ninguém  de  nome  Johan  Padan.  Rústico,  esperto  e  carismático,  escapa  da fogueira da inquisição embarcando, em Sevilha, numa das caravelas de Cristóvão Colombo. No Novo Mundo, nosso herói sobrevive a naufrágios, testemunha massacres, é preso, escravizado e quase devorado pelos canibais. Com o tempo, aprende a língua dos nativos, cativa-os e safa-se fazendo "milagres" com alguma técnica e uma boa dose de sorte.  Venerado como filho do sol e da lua, catequiza e guia os nativos numa batalha de libertação contra os espanhóis invasores.
Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-a-descoberta-das-americas-15-jan/1591


TEATRO INFANTIL
FOI PARAR NO BELELÉU

Uma leitura animada
Texto: Thaisa Damous
Direção: Taís Trindade
Com Marina Monteiro, Tatjana Vereza, Thaisa Damous e Thiago Mello.
Classificação: Livre
18 jan | domingo | 11h | 60 min | R$ 30

Marieta é uma criança muito consumista. Algo acontece no dia em que perde o colar de sua mãe e ela conhece o Beleléu, lugar onde todas as coisas que perdemos vão parar. Lá, ao lado da sua boneca e do Sr. Cabide, ela faz importantes e valiosas descobertas.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-infantil-foi-parar-no-beleleu-18-jan/1595


SOLO DE MARAJÓ

Direção: Alberto Silva Neto
Dramaturgia: Alberto Silva Neto, Cláudio Barros e Carlos Correa Santos
Produção: Sandra Condurú
Com Cláudio Barros
Classificação: 14 anos
18 jan | domingo | 17h | 55 min | R$ 30

Utilizando o mínimo de recursos cênicos, o ator paraense Cláudio Barros narra oito pequenas histórias que fazem um retrato da paisagem urbana da Ilha de Marajó, revelando um retrato multifacetado das relações humanas de quem vive mergulhado nos confins da Amazônia.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-solo-de-marajo-18-jan/1596


VESTIDO DE NOIVA

Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Brunno Rodrigues
Com Alexandre Oliveira, Alice Madeira, Clayton Moreira, Gilson Barth, Giovana Benitez, Gloria Marra, Jéssica Santos, Kadu Flu, Larissa Natividade, Marcela Santoro e Wayne Marinnsk.
Classificação: 18 anos
18 jan | domingo | 19h | 60 min | R$ 30

A história de um trágico triângulo amoroso, formado por Pedro, Lúcia e sua irmã - Alaíde. Esta última é a personagem central, cujo atropelamento desencadeia toda trama. Ela viaja nos planos da alucinação, passado e presente, para relembrar quem ela foi e quem ela é. O seu encontro com uma prostituta de cabaré do século passado será o ponto de partida para a  investigação que Alaíde irá fazer sobre si para desvendar o mistério que ronda o seu casamento e possíveis traições que permeiam sua vida.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-vestido-de-noiva-18-jan/1597


TEATRO ESPONTÂNEO DO RIO DE JANEIRO (estreia)

Direção: Jitman Vibranovski
Com Jitman Vibranovski e outros
Classificação: 18 anos
18 e 25 jan | domingo | 20h30 | 90 min | R$ 30

No teatro espontâneo não há peça ou texto, apenas um tema sobre o qual o público é convidado a se manifestar. Conduzido e estimulado pelo diretor e por atores auxiliares, espontaneamente o debate vai se transformando em cenas teatrais. O objetivo não é chegar a uma conclusão, mas democratizar o debate. E expressar as opiniões não só com a voz, mas também com o corpo, encenando-as.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-teatro-espontaneo-do-rio-18-jan/1598


TODO MUNDO TEM UM POUCO (estreia)

Texto e direção: Márcia Cerqueira
Supervisão de direção: Marcelo Saback
Com Carolina Floare e Márcia Cerqueira
Classificação: 12 anos
22 e 29 jan e 5 fev | quintas | 21h | R$ 30

Sete esquetes independentes que abordam, através da comédia, questões que permeiam o dia a dia de todo o seu humano e os relacionamentos nas sociedades atuais. Como tema, o desejo de comunicação em confronto com a falta real dela e a diferença que a opinião do outro pode causar em nossas vidas, refletindo as carências e solidões de todos nós.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-todo-mundo-tem-um-pouco-22-jan/1592


TEATRO INFANTIL
MR BRUNO E A MÁQUINA MARIONETE
Texto: Bruno Descaves
Direção: Misao Inoue e Bruno Descaves
Classificação: de 2 a 100 anos
25 jan | domingo | 11h | 45 min | R$ 30
Um violino que anima e empresta voz e personalidade a bonecos. Mr Bruno é um verdadeiro one man show. Num espetáculo diferente, com música ao vivo e marionetes, ele cria, toca, canta, contagia, brinca e manipula seus bonecos. Mr Bruno cria um clima de suspense e emoção numa aventura em que ele entra no mundo da Máquina Marionete e encontra a trupe de marionetes. A  Máquina  Marionete  é  uma  engenhoca  maluca,  inventada  por  ele,  permite movimentar os bonecos e tocar violino simultaneamente. No repertório, Monti Czardas, músicas brasileiras e variadas. Além do violino, instrumentos como berimbau de boca, agogô e pratos ajudam Bruno a dar ritmo ao espetáculo, criando clima de suspense e emoção. Repleto de ação, humor, surpresas e variedades, o show encanta pessoas de todas as idades e culturas.
Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-infantil-mr-bruno-e-a-maquina-marionete-25-jan/1600


AS MOÇAS

Texto: Isabel Câmara
Direção: Vitor Lemos
Com Dâmaris Grün e Jaqueline Macóeh
Classificação: 16 anos
25 jan | domingo | 17h | 60 min | R$ 30

Duas amigas dividem um quarto e sala. Numa noite, regada a vinho, colocam suas questões existenciais em jogo, numa espécie de acerto de contas mútuo.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-as-mocas-25-jan/1601


TRANS HAMLET FORMATION

Baseada em Hamlet, de William Shakespeare
Texto: William Shakespeare – textos adicionais dos atores da Cia Completa Mente Solta.
Direção: Márcio Januário
Com Felipe Paiva, Hugo Germano, Márcio Januário, Rammon Amaro e Yorran de Paula.
Classificação: 16 anos
25 jan | domingo | 19h | 60 min | R$ 30

A proposta é mergulhar na tragédia do atormentado príncipe da Dinamarca, pelo ponto de vista dos outros personagens da peça e dos atores que participam da montagem. Sendo assim, trechos da peça são encenados e ampliados por textos escritos pelos próprios atores. O elenco de seis homens transita pelos personagens num jogo de linguagens distintas, para criar uma analogia entre os temas da peça e a atual situação da América Latina.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-trans-hamlet-formation-25-jan/1602


TEATRO INFANTIL
MARIA MINHOCA

Texto: Maria Clara Machado
Direção: Bruno Sobral
Com a Liga Extraordinária Teatral
Classificação: Livre
01 fev | domingo | 11h | 80 min | 50 min | R$ 30

Uma linda história de amor com muita trapalhada. Maria Minhoca, apaixonada por Chiquinho Colibri, precisa provar para o pai que ele é seu verdadeiro amor.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-infantil-maria-minhoca-01-fev/1603


ANTES QUE VOCÊ PARTA PRO TEU BAILE

Direção: Dora Bellavinha e Lucas de Castello
Produção: Claudia Wer
Trilha sonora de Gabriel Carneiro e Tomas Gonzaga.
Com Bruna Félix, Dai Fiorati, Lucas de Castello e Lucas Nascimento. 
Classificação: 16 anos
01 fev | domingo | 17h | 70 min | R$ 30 

Espetáculo teatral que traz fragmentos da obra de Ana Cristina Cesar (Ana C.), expoente da poesia marginal da década de 1970/80. A peça mescla elementos do teatro performativo e épico apresentado como poesia  cena que procura construir uma zona de intimidade entre o espectador e os escritos da poeta carioca.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-antes-que-voce-parta-pro-teu-baile-01-fev/1604


NÃO ME TOQUE, ESTOU CHEIA DE LÁGRIMAS (estreia no Rio)
Sensações de Clarice Lispector

Direção cênica: Maria Waleska Van Helden e João de Ricardo
Concepção e coreografia: Maria Waleska Van Helden
Com Fabiane Severo
Classificação: 12 anos
01 fev | domingo | 19h | 50 min | R$ 30

Obra coreográfica baseada na personalidade de Clarice Lispector. A estrangeiridade de sua prosa, a singularidade dos seus livros e os movimentos que ela executou na vida desde o nascimento até a morte provocam a concepção dessa obra solo que enfatiza a perturbação e inquietação dessa mulher paradoxal, sombria e corajosa. Sua intimidade com as palavras refletiu a necessidade de se expressar em uma moldura gestual, ora sofisticada ora impregnada de mágoas e reflexões sobre a vida. O espetáculo é constituído de três cenas: o nascimento de Clarice, a infância de Clarice e Clarice adulta.

Informação e compras online: http://www.midrash.org.br/programacao/festival-midrash-de-teatro-natildeo-me-toque-estou-cheia-de-lagrimas-01-fev/1605


CURSO
SUA VOZ EM CENA
Igo Ribeiro [professor de teatro, diretor e dramaturgo] e
Tatiana Ceschini [vocal coach, professora de canto e diretora musical]
12, 19 e 26 jan e 02 fev | segundas | 04 aulas | 18h - 21h | R$ 240/mês
Um intensivão de férias, com quatro aulas e apresentação final (com gravação) de uma radionovela. Para atores profissionais, estudantes de teatro, dubladores, profissionais da voz e qualquer pessoa que tenha interesse em trabalhar seus recursos vocais. O curso terá enfoque no trabalho de voz e todos os seus recursos, explorando esse instrumento na construção de personagens e sonoridades para serem utilizados na apresentação final de uma radionovela, aberta ao público. Aulas com Igo Ribeiro (professor de teatro, diretor e dramaturgo) e Tatiana Ceschini (vocal coach, professora de canto e diretora musical). Os alunos receberão um cd com o resultado final.


CURSO LIVRE DE TEATRO PARA JOVENS

Lena Brito [atriz e professora de teatro]
Faixa etária: 16 anos em diante
16, 23 e 30 jan e 06 fev | sextas | 4 aulas | 16h - 18h | R$ 240/mês
Curso para iniciantes e iniciados na arte de representar, em busca de conhecimento e aperfeiçoamento. O objetivo é oferecer um espaço criativo para o exercício da teatralidade, através de trabalho de corpo, jogos dramáticos, preparação vocal e improvisação. Criar cenas a partir de fotos e registros apresentados pela professora e/ou pelos alunos, entrelaçando impressões e histórias pessoais vividas à narrativas poéticas literárias e teatrais.


SERVIÇO

FESTIVAL MIDRASH DE TEATRO
Período:
de 12 de janeiro a 5 de fevereiro de 2015
Curadoria: Isio Ghelman, Joice Niskier, Natasha Corbelino e Renata Mizrahi
Local:
Midrash Centro Cultural e entorno

End.:
Rua General Venâncio Flores, 184, Leblon, Rio de Janeiro
Tel.:  21 2239-1800

secretaria@midrash.org.br - 

Compra de ingressos online, pelo site: www.midrash.org.br

sábado, 13 de dezembro de 2014

Teatro/CRÍTICA

"Selfie"

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Divertida e pertinente reflexão



Lionel Fischer



"Claudio é um homem super conectado que armazena toda a sua vida em computadores, redes sociais e nuvens. Debruçado sobre um projeto de criar um sistema único para armazenamento de todos os dados de uma pessoa, vê seu sonho ir por água abaixo quando deixa cair um café em seu equipamento, que sofre uma pane e apaga tudo. Ele então torna-se um homem sem passado, já que não se lembra de nada, pois toda a sua memória era virtual. A partir daí, Claudio inicia uma saga em busca da memória perdida, recorrendo a vários personagens de sua vida para reconstituir sua história".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o enredo de "Selfie", projeto idealizado por Carlos Grun, Mateus Solano e Miguel Thiré. Marcos Caruso assina a direção da montagem, em cartaz no Teatro Miguel Falabella. No elenco, Mateus Solano dá vida a Claudio, com Miguel Thiré interpretando 11 personagens - Paulista, o amigo técnico / Solange, a mãe/ Amanda, a namorada/ Álamo, amigo maconheiro/ Empresário/ Suzana Souza, apresentadora de TV/ Barman/ Mulher do bar/ Deputado/ Menino e Inocêncio, o velho.

Pessoas próximas se divertem com minha incapacidade de resolver qualquer questão tecnológica que uma criança de três anos (com sono) resolveria em segundos. Isto é um fato, sem dúvida. Mas suponho (sou um otimista desvairado) que tal inabilidade se deva menos a um QI lamentável do que à minha consciente rejeição de me integrar a um universo que cada vez mais prioriza o virtual em detrimento do humano. Aos que discordam, permito-me um exemplo. 

Muitos se orgulham de possuir milhares de amigos no Face - que admito não saber exatamente o que é. Pois bem: suponhamos que numa sexta-feira à noite esta privilegiada e tão amada criatura esteja angustiada ou simplesmente padecendo de prosaica dor de dente. Será que um desses milhares de amigos virtuais virá socorrê-la oferecendo amparo, no primeiro caso, ou um comprimido de Toragesic, no segundo?  

É claro que sei que qualquer tecnologia, desde que bem utilizada, pode oferecer enormes benefícios à humanidade. No entanto, acredito que estejamos vivendo um momento em que a virtualidade se tornou muito mais importante do que o real da vida. E esta me parece ser a questão mais relevante abordada por "Selfie".

Como expresso no parágrafo inicial, o personagem Claudio passa literalmente a não existir quando seu equipamento entra em colapso. Se tudo que lhe interessa foi deletado, se sua memória foi apagada, o que lhe restaria viver no presente? E embora o personagem, em sua busca para se reencontrar, viva situações muito engraçadas, nem por isso as mesmas deixam de conter elementos trágicos. E aqui reside o maior mérito de Daniela Ocampo: ter escrito uma peça que se vale do humor como elemento deflagrador de urgentíssimas e mais do que pertinentes reflexões. 

Com relação ao espetáculo, Marcos Caruso impõe à cena uma dinâmica cuja expressividade decorre não apenas de marcas criativas e imprevistas, mas também da maravilhosa performance dos dois intérpretes, tanto no que diz respeito à palavra articulada quanto ao universo gestual, aí incluindo-se as passagens (quase todas) em que os objetos são recriados através de esmerada mímica.

Na pele de Claudio, Mateus Solano reafirma, uma vez mais, suas fantásticas qualidades de intérprete, construindo o personagem com comovente carga de sinceridade, sem jamais partir para soluções que objetivem extrair inócuas gargalhadas da plateia. Vivendo onze personagens, Miguel Thiré evidencia notável capacidade de metamorfose, impondo a cada papel características diferenciadas e em total sintonia com as personalidades retratadas. 

Na equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta original e mais do que oportuna empreitada teatral - Sol Azulay (figurinos), Felipe Lourenço (iluminação), Marcos Caruso (cenografia), Lincoln Vargas (direção musical e trilha sonora) e Arlindo Teixeira (preparação corporal).

SELFIE - Texto de Daniela Ocampo. Direção de Marcos Caruso. Com Mateus Solano e Miguel Thiré. Teatro Miguel Falabella. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Teatro/CRÍTICA

"As bodas de Fígaro"

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Deliciosa versão de obra-prima



Lionel Fischer




"Ambientada no castelo do conde e da condessa de Almaviva, a história se passa no dia do casamento dos criados Fígaro e Suzana. A felicidade dos noivos está ameaçada com o 'direito de pernada' ou 'o direito da primeira noite', que permitia ao senhor feudal usufruir do leito de suas criadas antes de seus maridos. Para manter Suzana longe dos assédios de seu patrão, Fígaro precisa colocar em prática uma série de artimanhas, provocando mal-entendidos, situações cômicas e revelações inesperadas".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o enredo de "As bodas de Fígaro", de Beaumarchais, magistralmente transformada em ópera homônima por Mozart. A partir da peça e da ópera, o diretor Daniel Herz e o ator Leandro Castilho criaram um dos melhores musicais da atual temporada.

Em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim, a montagem traz no elenco Leandro Castilho (Fígaro), Carol Garcia (Suzana), Ernani Moraes (Conde de Almaviva), Solange Badim (Condessa de Almaviva), Tiago Herz (pajem Cherubino), Claudia Ventura (governanta Marcelina), Ricardo Souzedo (Dr. Bartholo), Alexandre Dantas (Professor Basílio), Adriano Saboya (jardineiro Antonio) e Carolina Vilar (Fanchette, filha de Antonio).

Sátira deliciosamente crítica dos costumes da nobreza européia do século XVIII, a presente versão reúne um grande número de méritos, a começar pela proposta de abrasileirar as composições de Mozart, sem que isso desfigure a beleza das partituras originais - tal feito merece ser destacado com todo o entusiasmo, e o diretor musical Leandro Castilho demonstra aqui que é possível se apropriar da obra de um gênio com respeito, sem dúvida, mas sem renunciar a uma mais do que salutar irreverência.

Mas vamos aos outros méritos. A direção de Daniel Herz encontrou um tom perfeitamente adequado ao texto, impondo à cena uma dinâmica que transita pela farsa e pelo pastelão, com uma agilidade que lembra a dos vaudevilles. Sob todos os pontos de vista, aqui Daniel Herz materializa um de seus melhores trabalhos como encenador.

No tocante ao elenco, que canta maravilhosamente e executa com precisão uma série de instrumentos - piano, flauta, viola caipira, saxofone e acordeão, além de variados instrumentos de percussão - gostaria de destacar, antes de mais nada, a unidade do conjunto e a alegria que todos demonstram de estar em cena realizando um projeto em que acreditam totalmente. Isto posto, vamos a cada um.

Leandro Castilho valoriza ao máximo a esperteza de Fígaro, sendo igualmente de ótimo nível seu trabalho corporal. Carol Garcia faz uma Suzana hilariante, desleixada fisicamente e também em termos vocais nas partes faladas - mas quando canta, a atriz me parece capaz de seduzir todos os anjos. Ernani Moraes, com sua vulcânica presença, compõe de forma exemplar o lamentável sedutor e enfurecido corno. Tiago Herz convence plenamente na pele do suave e ingênuo pajem.

Com relação a Solange Badim e Claudia Ventura, sem dúvida duas das melhores atrizes de sua geração, ambas estão absolutamente impecáveis nas personagens que interpretam: a primeira, irresistível na exibição dos furores inerentes àquelas que jamais têm satisfeitas suas ânsias lúbricas; a segunda, deliciosamente divertida com suas invejas e intrigas. Ricardo Souzedo, Adriano Saboya e Carolina Vilar extraem o que é possível de papéis com menores oportunidades, com Alexandre Dantas compondo muito bem o professor Basílio e mais adiante arrancando gargalhadas interpretando um personagem (cujo nome não recordo) que padece de assombrosa gagueira.  

No complemento da ficha técnica, considero brilhantes as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta maravilhosa e mais do que oportuna empreitada teatral - Bárbara Heliodora (tradução), Leandro Castilho (adaptação), Aurélio de Simoni (iluminação), Nello Marrese (cenografia), Antonio Guedes (figurino), Guedes e Junior Leal (visagismo) e Márcia Rubin (direção de movimento).

AS BODAS DE FÍGARO - Texto de Beaumarchais. Direção de Daniel Herz. Com Leandro Castilho, Solange Badim e grande elenco. Casa de Cultura Laura Alvim. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h.




quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Prêmio Cesgranrio de Teatro 2014
Indicados do Segundo Semestre

Melhor Direção
Daniel Herz (As bodas de Fígaro)
Isabel Cavalcanti (Galápagos)
Bruce Gomlevski (O funeral)

Melhor Ator
Mario Borges (A estufa)
Cândido Damm (Vianinha conta o último combate do homem comun)
Xando Graça (Fazendo História)

Melhor Atriz
Ana Beatriz Nogueira (Uma relação pornográfica)
Andrea Beltrão (Nômades)
Susana Faíni (Silêncio)

Melhor Espetáculo
As bodas de Fígaro
Fala comigo como a chuva e me deixa ouvir
O funeral

Melhor Cenografia
Daniela Thomas (Beije minha lápide)
André Sanchez (Fala comigo...)
Rogério Falcão (Os saltimbancos Trapalhões - O Musical)

Melhor Iluminação
Maneco Quinderé (Uma relação pornográfica e A dama do mar)
Renato Machado (Fala comigo...)

Melhor Figurino 
Claudia Kopke (Chacrinha, o musical)
Kika Lopes (Ópera do malandro)
Luciana Buarque (Os saltimbancos...)

Melhor Texto Nacional Inédito
Renata Mizrahi (Galápagos e Silêncio)
Jô Bilac (Beije minha lápide)

Categoria Especial
Cia. Teatro Manual - pelo estudo do espaço cênico através da Plataforma no espetáculo Hominus Brasilis.

Escola Sesc - pelo conjunto de ações para a formação e divulgação do teatro no Rio de Janeiro.

Duda Maia - pela direção de movimento de Fala comigo...

Melhor Direção Musical
Leandro Castilho (As bodas de Fígaro)
Marcelo Alonso Neves (Agnaldo Rayol, a alma do Brasil)
Tim Rescala (O pequeno Zacarias - uma ópera irresponsável)

Melhor Ator em Musical
Marcelo Nogueira (Agnaldo Rayol...)
Léo Bahia (Chacrinha...)

Melhor Atriz em Musical
Stela Maria Rodrigues (Agnaldo Rayol...)
Solange Badim (Bodas...)
Claudia Ventura (Bodas...)

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Teatro/CRÍTICA

"Fazendo História"

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Bela reflexão sobre o ensino e o sucesso



Lionel Fischer



"Um grupo de alunos do equivalente ao nosso ensino médio é estimulado, pelo diretor da escola, a prosseguir numa preparação especial, com o objetivo de ingressarem em Oxford ou Cambridge. Um novo professor de História é contratado com esse objetivo, mas sua influência esbarra na verdadeira cumplicidade que os estudantes têm com outro mestre naquela matéria, mais velho e experiente, cujos métodos de ensino parecem excessivamente heterodoxos aos olhos da direção do estabelecimento. Cria-se a partir daí uma relação entre os dois docentes, em meio às turbulências das vidas pessoais tanto de professores quanto de alunos, que evolui para uma admiração mútua apesar das divergências metodológicas".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima resume o enredo de "Fazendo História", do dramaturgo inglês Alan Bennett,
Em cartaz no Teatro Eva Herz, a montagem leva a assinatura de Gláucia Rodrigues, estando o elenco formado por Xando Graça (Hector), Mouhamed Harfouch (Irwin), Nedira Campos (Doroty) e Edmundo Lippi (diretor), equipe de professores. E os alunos André Arteche (Scripps), Renato Góes (Dakin), Hugo Kerth (Posner), Helder Agostinni (Locwood), Rafael Canedo (Timms), Yuri Ribeiro (Rudge), Ricardo Kennup (Crowther) e Guilherme Ferraz (Akthar).

Fartamente premiada tanto em Londres quanto em Nova York, "Fazendo História" evidencia, dentre seus muitos méritos, dois que me parecem essenciais: a capacidade do autor de discutir, de forma bem humorada e crítica, a metodologia de ensino - muito parecida, em sua essência, em todos os países capitalistas; e a partir deste questionamento esmiuçar, com extrema ternura e notável capacidade de observação, todos os conflitos humanos decorrentes dessa exasperante obsessão pelo sucesso, aqui centrado na possibilidade de os alunos cursarem universidades de elite.

Bem estruturado, contendo ótimos personagens e diálogos magníficos, "Fazendo História" recebeu esplêndida versão cênica da atriz Gláucia Rodrigues, em seu primeiro trabalho como diretora. Impondo à cena uma dinâmica despojada e austera, explorando com sensibilidade todos os climas emocionais em jogo, a encenadora possui o mérito suplementar de haver extraído irretocáveis atuações do numeroso elenco.

Sem exceção, todos os intérpretes valorizam ao máximo os maravilhosos personagens criados por Alan Bennett. E ainda que Xando Graça e Mouhamed Harfouch tenham um destaque maior na trama em função de interpretarem os protagonistas, nem por isso o brilho de suas performances minimiza as de seus colegas de cena. Assim, a todos parabenizo com o mesmo entusiasmo e a todos agradeço a maravilhosa noite que me proporcionaram.

Na equipe técnica, considero irrepreensíveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta mais do que oportuna empreitada teatral, sem dúvida uma das mais significativas da atual temporada - José Henrique Moreira (tradução e adaptação), José Dias (cenografia), Ney Madeira (figurinos), Rogério Wiltgen (iluminação) e Edvan Moraes (direção musical).

FAZENDO HISTÓRIA - Texto de Alan Bennett. Direção de Gláucia Rodrigues. Com Xando Graça, Mouhamed Harfouch e grande elenco. Teatro Eva Herz. Quarta a sábado, 19h.