quinta-feira, 23 de maio de 2019


Esta mensagem foi enviada com Alta prioridade.
Ana de Castro <anadecastro@terra.com.br>
Qui, 23/05/2019 16:58
  • Ana de Castro
UNIRIO – PROEXC/ESCOLA DE TEATRO & SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO APRESENTAM:
FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA
Prezados amigos e colegas, no dia 31 de maio, às 18 h,  será analisado o premiado filme: MADRE JOANA DOS ANJOS, vencedor do Prêmio de Júri no Festival de Cannes de 1961, um clássico do cinema polonês, dirigido e roteirizado por Jerzy Kawalerowicz. Baseado em fatos reais, passado no século XVII, a obra recria o episódio ocorrido em um convento localizado na Polônia. Um padre é enviado ao local para exorcizar a religiosa que dá título à obra, pois se acredita estar sob posse demoníaca. Lá, ele encontra suas próprias tentações à espera.  Com vigorosa direção de fotografia em preto e branco, o ambiente reforça o aprisionamento das freiras submetidas à rigidez religiosa, em regime autoritário e ameaçador. Esse clássico, considerado uma obra-prima pela crítica, vale ser assistido e debatido, por seu pioneirismo e atualidade. Assim, na última sexta-feira do mês, na Sala Vera Janacópulos da UNIRIO, analisaremos e discutiremos a película, em seus múltiplos aspectos e prismas diversos. Como sempre, aguardamos todos vocês e contamos com a divulgação aos amigos e aos interessados no viés cultural e psicanalítico.  Um grande abraço de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva.
SERVIÇO:
DATA: 31 DE MAIO DE 2019.
HORÁRIO: FILME: 18 h; ANÁLISE E DEBATE: 20 h às 22 h.                                                        
LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO                                                                                
ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296. URCA.
ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISE PSICANALÍTICA: DR. NEILTON SILVA
ENTRADA FRANCA - INFORMAÇÕES: forumpsicinema@gmail.com
NOTA: Quem se interessar em adquirir o livro: Fórum de Psicanálise e Cinema: 20 filmes analisados, de autoria de Ana Lúcia de Castro e Neilton Dias da Silva, ele se encontra à venda nos dias do FÓRUM ou através da editora Letra Capital.
HISTÓRICO: O FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA FOI CRIADO EM 1997, COMO UM PROJETO CIENTÍFICO DA ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA RIO 3, PELO ENTÃO PRESIDENTE, DR. WALDEMAR ZUSMAN, E PELO DIRETOR DO INSTITUTO, DR. NEILTON DIAS DA SILVA. DESDE 2004 PASSOU A CONTAR COM A PARTICIPAÇÃO DA MUSEÓLOGA E PROFESSORA DA UNIRIO, DRA ANA LÚCIA DE CASTRO, RESPONSÁVEL PELAS ANÁLISES CULTURAIS DOS FILMES. CELEBRAMOS OS 14 ANOS DO FÓRUM E A PARCERIA DA SPRJ COM A UNIRIO PARA SEDIAR O PROJETO MENSALMENTE, SEMPRE MUITO CONCORRIDO.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Teatro/CRÍTICA

"Como se um trem passasse"

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Elenco transcende fragilidade dramatúrgica


Lionel Fischer



"A peça aborda a relação de uma mãe e seu filho pós-adolescente, deficiente intelectual, que deseja a vida com paixão. A mãe, superprotetora e medrosa, transmite ao filho seus receios e a impossibilidade de alcançar sonhos. A chegada da prima da capital evidencia fissuras na situação fechada em que vivem mãe e filho, muda as relações na casa e abre a perspectiva de que desejos se realizem".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o contexto em que se dá "Como se um trem passasse", em cartaz no Teatro Poeirinha. De autoria da dramaturga argentina Lorena Romanin, também responsável pela direção, a montagem tem elenco formado por Dida Camero (Mãe), Caio Scot (Filho) e Manu Hashimoto (Prima).

Muitos sustentam que uma boa peça tem que necessariamente ser fruto de uma boa ideia, de preferência impregnada de grande originalidade. Sempre discordei disso, ainda que concordando que partir de uma boa e original ideia é melhor do que o inverso. Mas vamos a um exemplo: "Hamlet", de Shakespeare, que todos consideram o melhor texto teatral já escrito.  

Pois bem: o que dispara a trama? O pai de Hamlet surge como um fantasma, informa o príncipe que foi assassinado pelo irmão e clama por vingança. Trata-se de uma boa e original ideia? Não me parece. No entanto, a partir dela, o fabuloso bardo escreveu a obra-prima que o mundo não se cansa de reverenciar.

No presente caso, o contexto nada tem de original, mas se trabalhado com mais profundidade poderia resultar em uma excelente peça. Infelizmente, não é o que acontece. Ainda que explicitados, os conflitos jamais são levados às últimas consequências e os embates só muito raramente ultrapassam a superficialidade. Além disso, a previsibilidade impera, o que inviabiliza qualquer possibilidade de espanto ou desconforto para o espectador. 

Quanto ao final, acredito que o mesmo tenha surpreendido tanto a mim quanto a todos que assistiram a montagem: a mãe, que sempre relutou em deixar o filho ir sozinho a escola, permite que ele vá embora com a prima, quando esta retorna à capital. Mas, justiça seja feita, apesar de todas as ressalvas cumpre destacar as passagens em que o humor predomina, muito bem trabalhadas pela autora.  

Com relação ao espetáculo, a simplicidade é a tônica, tornando-se evidente que a diretora apostou todas as suas fichas nos atores. E estes não decepcionam. No papel da mãe, Dida Camero exibe excelente desempenho, conseguindo materializar as principais características de uma personalidade autoritária e protetora, mas ao mesmo tempo amorosa e desamparada. Caio Scot compõe de forma irrepreensível o jovem com "deficiência intelectual", como consta no release, embora eu não saiba exatamente o que é isso - será que, em nome do politicamente correto, a clara doença do jovem não pode ser devidamente mencionada? Finalmente, Manu Hashimoto valoriza com eficiência a revolta, a doçura e o humor da prima adolescente.

No tocante à equipe técnica, Dina Salem assina um cenário belíssimo, sendo igualmente primorosa a sutil iluminação de Renato Machado. A mesma eficiência se faz presente nos figurinos de Julia Marques, em total sintonia com o contexto e as personalidades retratadas. Cabe também destacar a ótima tradução deCaio Scot e Junio Duarte.

COMO SE UM TREM PASSASSE - Texto e direção de Lorena Romanin. Com Dida Camero, Caio Scot e Manu Hashimoto. Teatro Poeirinha. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 19h.




quinta-feira, 9 de maio de 2019

Teatro/CRÍTICA

"DENTRO"


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Bela e sensível reflexão sobre o passado



Lionel Fischer


"Leonor acolhe o público na mesma sala de estar onde outrora suas antepassadas viveram, serve café aos espectadores e mostra a eles algumas fotografias das mulheres de sua família. Pouco a pouco, instaurando um clima de intimidade com os presentes, a protagonista inicia um mergulho em seu passado buscando compreender melhor a sua própria história. A peça apresenta uma reflexão sobre o vínculo - nem sempre visível - entre uma história pessoal e subjetiva e outra mais geral e objetiva, a história oficial dos fatos e acontecimentos culturais, sociais e políticos do Brasil".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o enredo e as premissas essenciais de "DENTRO", em cartaz no Teatro III do CCBB. O espetáculo, que comemora os dez anos de existência da companhia carioca Teatro Inominável, tem dramaturgia assinada por Diogo Liberano e direção a cargo de Natássia Vello, cabendo a atuação a Laura Nielsen. 

Sempre acreditei que, se nos recusamos a refletir sobre nosso próprio passado, estamos condenados a repeti-lo. Ou seja: se eu me recuso a pensar sobre o que eu fui, eu o serei sempre. Não sei se Diogo Liberano concorda com o que acabo de dizer, mas tenho a impressão que sim. 

No entanto, vai mais além, na medida em que a protagonista julga imprescindível, para chegar a um satisfatório entendimento sobre si mesma, empreender não apenas um profundo mergulho em sua memória, mas também nas histórias referentes às mulheres de sua família, abrangendo um total de 148 anos. Cabe também registrar que o referido mergulho não dissocia a história dessas mulheres do contexto sócio, político e cultural em que viveram, como explicitado no parágrafo inicial.

Sei que tratados já foram escritos - e por pessoas infinitamente mais capazes do que eu - sobre o passado e como ele pode ser distorcido e reinventado pela memória. Sendo tal assertiva verdadeira e exceção feita a fatos inquestionáveis, tudo o mais passaria por uma espécie de filtro seletivo, cujo objetivo seria o de, por um lado, valorizar ao máximo o que nos fez feliz, e, por outro, minimizar  (ou até deletar) o que nos fez sofrer. 

Seja como for, estamos diante de um belo texto que, em sua  essência, nos incita a ter coragem de formular perguntas para as quais nem sempre haveremos de ter respostas. E se por acaso tais lacunas nos gerem um estado de perplexidade e desamparo, creio que Diogo Liberano nos lembra que nenhum movimento de transformação se inicia quando temos a sensação (quase sempre enganosa) de que nossa vida corresponde exatamente àquela que idealizamos. 

Com relação ao espetáculo, Natássia Vello impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com os conteúdos em jogo. Na parte inicial, consegue estabelecer uma atmosfera próxima e acolhedora entre os espectadores e a protagonista. Mais adiante, à medida que o clima vai se tornando mais denso, explora com vigor e sensibilidade o potencial expressivo da bela cenografia de Elsa  Romero. E, finalmente, quando a personagem vive um momento de incontrolada fúria, consegue extrair de Laura Nielsen o máximo que o papel permite. E ouso afirmar, sem nenhuma hesitação, que a intérprete exibe aqui a melhor performance de sua carreira, evidenciando uma vez mais sua total capacidade de entrega e notável inteligência cênica.

No complemento da ficha técnica, considero irrepreensíveis as preciosas colaborações de Ticiana Passos (figurino), Livs Ataíde (iluminação) e Arthur Braganti e Letícia Novaes (direção musical).

DENTRO - Dramaturgia de Diogo Liberano. Direção de Natássia Vello. Atuação de Laura Nielsen. Teatro III do CCBB. Quarta a domingo, 19h30. 

sexta-feira, 26 de abril de 2019



ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A 9ª EDIÇÃO DO
FESTU – FESTIVAL DE TEATRO UNIVERSITÁRIO

Os estudantes universitários de todo o país já podem se inscrever na 9ª edição do FESTU – Festival de Teatro Universitário. Até o dia 24 de maio, o evento recebe os projetos para participarem da Mostra de Espetáculos (peças longas) e da Mostra Nacional Competitiva (esquetes). As inscrições são gratuitas e podem feitas somente pelo sitewww.festu.com.br.  O resultado com os grupos selecionados será divulgado no site e nas redes sociais do FESTU, a partir do dia 5 de junho.

Este ano, o FESTU acontecerá entre 05 e 22 de setembro em diferentes espaços culturais da cidade do Rio de Janeiro.Criado em 2010 pelo produtor Miguel Colker e pelo diretor e ator Felipe Cabral, o FESTU é uma verdadeira maratona teatral com montagens criadas por jovens da cena universitária nacional. Até as oito edições anteriores, o festival recebeu cerca de 2.600 inscrições de grupos de todo Brasil. Desde então, o evento apresentou 200 esquetes e 32 espetáculos, tendo patrocinado 11 peças e premiado 73 categorias.

De esquetes a espetáculos, passando por gêneros como drama, musical, teatro-dança, palhaçaria e experimental, o FESTU promove uma intensa troca entre as escolas e universidades de artes cênicas de todo o país e revela novos talentos. A cada edição, um novo júri é formado para julgar os projetos em competição. Já passaram 74 profissionais de artes cênicas pelo júri do FESTU. Entre eles, estão nomes como Marília Pêra, Cássia Kis MagroJoão Falcão, José Wilker, Otávio Augusto, Debora Lamm, Renata Mizrahi, Pedro Kosovski, Tonico Pereira, Gregório Duvivier, Deborah Colker, Lilia Cabral, Milton Gonçalves, Catarina Abdalla, Karina Ramil, Johnny Massaro, Leopoldo Pacheco e Caio Paduan.

Paula Catunda (paula.catunda@gmail.com) – (21) 98795-6583
Catharina Rocha (catharocha@gmail.com)  (21) 99205-8856

quarta-feira, 24 de abril de 2019

2019 / 26 DE ABRIL / 18 H
GRANDES ESPERANÇAS
O filme Grandes Esperanças (Great Expectations, 1998, 111 min.) é baseado no livro de Charles Dickens sobre o órfão Finn Bell e seu amor pela bela Estella, jovem criada pela tia cruel que busca vingança contra o noivo que a abandonou à beira do altar, e o misterioso benfeitor que muda o destino do rapaz. O roteiro e a direção são do premiado mexicanoAlfonso Cuarón, que atualizou a trama, porém preservando a essência da narrativa do grande escritor inglês, considerado o maior popular romancista da era vitoriana.

Sempre na última sexta-feira do mês, dia 26 de abril, às 18 h, na Sala Vera Janacópulos da UNIRIO, analisaremos e discutiremos a película, em seus múltiplos aspectos e prismas diversos. Como sempre, aguardamos todos vocês para mais um debate e contamos com a divulgação aos amigos e aos interessados no viés cultural e psicanalítico.

Um grande abraço de
Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva.

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SERVIÇO:
26 DE ABRIL DE 2019 / SEXTA-FEIRA
EXIBIÇÃO DO FILME DE 18 H ÀS 20 H  /  ANÁLISE E DEBATE DE 20 H ÀS 22 H
SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO /  AV. PASTEUR, 296 - URCA
ENTRADA FRANCA / INFORMAÇÕES: forumpsicinema@gmail.com

ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISE PSICANALÍTICA: DR. NEILTON SILVA
Fórum de Psicanálise e Cinema foi criado em 1997, como um projeto científico da Associação Psicanalítica Rio 3, pelo então presidente, Dr. Waldemar Zusman, e pelo diretor do instituto, Dr. Neilton Dias da Silva. Desde 2004 passou a contar com a participação da museóloga e professora da UNIRIO, Dra Ana Lúcia de Castro, responsável pela análise cultural dos filmes. Celebramos os 13 anos do Fórum e a parceria da SPRJ com a UNIRIO para sediar o projeto mensalmente, sempre muito concorrido.
 
Quem se interessar em adquirir o livro Fórum de Psicanálise e Cinema: 20 filmes analisados, de Ana Lúcia de Castro e Neilton Dias da Silva, ele se encontra à venda nos dias do FÓRUM ou através da editora Letra Capital: www.letracapital.com.br.
Teatro/CRÍTICA

"O ator e o lobo"

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Belíssima comemoração no Poeira



Lionel Fischer





"Num cenário frugal, de bancos e cadeiras, vestido com calça de garrafeiro, camisa e colete, Pedro Paulo Rangel contracena com projeções de fotos e materializa dezenas de personagens, advindos da mescla de suas recordações pessoais com escritos do grande escritor português António Lobo Antunes (1942). Desfilam a comunhão silenciosa de irmãos que fazem xixi lado a lado no jardim; o encontro amargo, dolorido, com um velho amigo no hospital; a histérica amante do Senhor Biscaia; o homem que espera uma mulher na chuva; os mortos que evidentemente não vão embora; a mãe, seu amante de 20 anos e o filho estupefato; a surdez do avô Antunes, a surdez provocada por milhares de tiros de festim".

Extraído (e levemente editado) do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza o contexto em que se dá "O ator e o lobo". Após cumprir temporada em São Paulo, o espetáculo está em cartaz no Teatro Poeira, e celebra os 70 anos de idade de Pedro Paulo Rangel e os 50 dedicados à arte de interpretar. O ator também responde pela dramaturgia, estando a direção a cargo de Fernando Philbert. 

De uns dois ou três anos para cá, o teatro carioca vem sendo assolado por uma inimaginável quantidade de monólogos. A explicação para tal abundância é quase sempre atribuída à falta de editais e patrocínios, o que levaria inevitavelmente ao enxugamento das produções. Sem que isso deixe de ser verdade, acredito que também fica implícita uma certa dose de narcisismo, pois ninguém conseguirá me convencer de que não existem bons textos para dois ou três atores.  

Outra curiosidade no tocante ao tema é a seguinte. Em meus 50 e tantos anos de ligação com o teatro, sendo os últimos 30 basicamente como crítico teatral, já assisti a monólogos deslumbrantes. Ocorre que tais monólogos foram protagonizados por intérpretes magníficos, quase todos com larga experiência e belíssima trajetória profissional. Hoje, no entanto, praticamente todo mundo se julga apto a fazer um monólogo, com resultados não raro constrangedores, ainda que as intenções possam ser as melhores. Enfim...

Mas não é absolutamente o que se dá aqui. Em primeiro lugar, porque Pedro Paulo Rangel é um dos melhores atores deste país, e isso ficou claro desde o início de sua carreira. E depois porque os textos selecionados, habilmente costurados a ponto de às vezes não se saber ao certo se são de autoria do ator ou do autor português,  oferecem ao espectador uma vasta gama de situações, como explicitado no parágrafo inicial, transitando com igual maestria pela dor, nostalgia, lirismo e humor, dentre outros sentimentos.   

Com relação ao espetáculo, Fernando Philbert impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o contexto. Dispensando inócuas mirabolâncias formais, o encenador criou um desenho simples - mas nem por isso isento de expressividade - capaz de permitir ao ator nos brindar com uma atuação à altura de seu imenso talento e inacreditável versatilidade. Pepê (como é conhecido) pertence ao seletíssimo grupo de intérpretes que pode representar o que quiser, e assisti-lo é um privilégio ao qual nenhum espectador pode se furtar. Sem dúvida, estamos diante de um artista que, desde sempre, conta com as bênçãos dos sempre caprichosos deuses do teatro.

No tocante à equipe técnica, Helena Araújo assina um figurino encantador, que contribui decisivamente para irmanar o ator com o autor português. Fernando Mello da Costa responde por uma cenografia simples e acolhedora, que faz com que nos sintamos ainda mais próximos do intérprete. A mesma eficiência se faz presente na delicada e lírica iluminação de Aurélio de Simoni, o mesmo aplicando-se à trilha sonora de Maíra Freitas e às projeções de Aníbal Diniz.

O ATOR E O LOBO - Dramaturgia e interpretação de Pedro Paulo Rangel. Autoria de António Lobo Antunes. Direção de Fernando Philbert. Teatro Poeira. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 19h.