terça-feira, 15 de julho de 2014

Prêmio Cesgranrio de Teatro
Indicados 1º Semestre de 2014

Melhor Direção:

Gustavo Gasparani - "Samba Futebol Clube"

Christiane Jatahy - "E se elas fossem para Moscou?"

André Curti e Artur Ribeiro - "Irmãos e sangue"


Melhor Ator:

Gustavo Gasparani - "Ricardo III"

Rafael Canedo - "O estranho caso do cachorro morto"

Marcelo Valle - "Como é cruel viver assim"


Melhor Atriz:

Isabel Teixeira - "E se elas fossem para Moscou?"

Carolina Ferman - "Desalinho"

Amanda Vides Veras - "Uma vida boa"


Melhor Espetáculo:

"Samba Futebol Clube"

"Irmãos de sangue"

"E se elas fossem para Moscou?"


Melhor Cenografia:

André Curti e Artur Ribeiro - "Irmãos de sangue"

Nello Marrese - "O grande circo místico"

Marcelo Lipiani - "E se elas fossem para Moscou?"


Melhor Iluminação:

Bertrand Perez e Artur Ribeiro - "Irmãos de sangue"

Daniela Sanches - "Uma vida boa"

Luiz Paulo Nenen - "O grande circo místico"


Melhor Figurino:

Antonio Medeiros e Tatiana Rodrigues - "2 X Matei"

Carol Castro - "O grande circo místico"

Marcelo Marques - "Edypop"


Melhor Texto Nacional Inédito:

"O dia em que Sam morreu" - Maurício Arruda de Mendonça e Paulo de Moraes

"Desalinho" - Marcia Zanelatto

"Uma vida boa" - Rafael Primot


Categoria Especial:

Renato Vieira - coreografia e direção de movimento de "Samba Futebol Clube"

João Pimentel e Alfredo Del Penho - pesquisa de textos e pesquisa musical de "Samba Futebol Clube"

Todo o elenco de "Samba Futebol Clube"


Melhor Direção Musical:

Nando Duarte - "Samba Futebol Clube"

Felipe Storino - "Edypop"

Ernani Maleta - "O grande circo místico"


Melhor Ator em Musical:

Gabriel Stauffer - "O grande circo místico"


Melhor Atriz em Musical:

Claudia Netto - "Se eu fosse você"

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domingo, 13 de julho de 2014


Estes são os indicados do 1º semestre de 2014 ao 4º Prêmio Questão de Crítica:

CATEGORIA ESPECIAL
Bruce Gomlevsky pelas escolhas dramatúrgicas com a Cia Teatro Esplendor
Cia PeQuod pela pesquisa de movimento para a peça Peh Quod Deux
Heloísa Lyra de Bulcão pela pesquisa publicada no livro Luiz Carlos Mendes Ripper para além da cenografia.

CENOGRAFIA
André Cortez por Contrações
J. C. Serroni por Sacco e Vanzetti
Laura Vinci por O duelo

ILUMINAÇÃO
Guilherme Bonfanti por O duelo
João Gioia e Wagner Azevedo por Cidadela

FIGURINO
Diogo Costa por O duelo
Marcelo Marques por Edypop

DIREÇÃO MUSICAL / TRILHA SONORA ORIGINAL
Dr. Morris por Contrações
Felipe Storino por Edypop
Otávio Ortega e Lucas Santtana por O duelo

DRAMATURGIA 
Emanuel Aragão por Eu, o Romeu e a Julieta
Pedro Kosovski por Edypop

DIREÇÃO
Christiane Jatahy por E se elas fossem para Moscou?
Georgette Fadel por O duelo
Grace Passô por Contrações

ATOR
Henrique César por 12 homens e uma sentença
Pascoal da Conceição por O duelo

ATRIZ
Debora Lamm por Cock
Isabel Teixeira por E se elas fossem para Moscou?
Yara de Novaes por Contrações

ELENCO
Aury Porto, Camila Pitanga, Carol Badra, Fredy Állan, Guilherme Calzavara, Otávio Ortega, Pascoal da Conceição, Rafael Matede, Sergio Siviero, Vanderlei Bernardino e Victor Gally por O duelo.
Bruce Gomlevsky, Carolina Chalita, Felipe Cabral, Glauce Guima, Gustavo Damasceno, Jaime Leibovitch, João Lucas Romero, Luiz Felipe Lucas, Luiza Maldonado, Raul Guaraná, Ricardo Ventura, Silvio Matos, Sofia Viamonte, Thalita Godoi, Thiago Guerrante, Xuxa Lopes por Festa de família / O funeral.

ESPETÁCULO
Contrações, do Grupo 3 de Teatro
E se elas fossem para Moscou?, da Cia Vértice de Teatro
O duelo, da mundana companhia

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sábado, 12 de julho de 2014

Teatro/CRÍTICA

"Morro da Ópera"

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Bela e instigante montagem no Sesc



Lionel Fischer



"Diversas questões sociais são abordadas nas teias dessas histórias. O Morro da Ópera é um microcosmo da sociedade e embala dentro dela as convenções da família feliz que na verdade vive uma ilusão ou de aparências. De como o homem se apega a coisas pequenas e materiais e que após grandes tragédias dá mais valor às relações humanas".

Extraído do release que me foi enviado, o trecho acima, escrito pela dramaturga e diretora Marcela Rodrigues, resume as premissas essenciais de "Morro da Ópera", em cartaz na Sala Mezanino do Espaço Sesc. Terceiro espetáculo da Troupp Pas D'argent (os anteriores foram "Cidade das donzelas" e "Holoclownsto"), este chega à cena com elenco formado por Carolina Garcês, Lilian Meireles, Marcela Rodrigues, Natalíe Rodrigues e Orlando Caldeira.

Optando por uma estrutura narrativa que mescla o presente e o passado, a autora me parece propor não uma história decorrente dos conflitos entre os personagens, mas flashes que retratam o cotidiano de uma comunidade carente. Muitos desses breves retratos são conflitantes, certamente, mas acredito que o principal objetivo tenha sido o de converter a dita comunidade em protagonista - se foi essa a intenção, a considero pertinente e muito bem-sucedida, pois os dramas dos menos favorecidos, ainda que exibam peculiaridades, em sua essência são análogos aos daqueles que da vida não conheceram seu lado mais amargo.

Contendo bons personagens, diálogos fluentes e um contexto que prende a atenção do espectador ao longo de toda a montagem, a versão cênica de "Morro da Ópera" é uma das mais interessantes da atual temporada. Impondo ao espetáculo uma dinâmica imprevista e criativa, lançando mão de marcações cuja expressividade decorre, em grande parte, de movimentos coreografados e também de notável domínio dos tempos rítmicos, Marcela Rodrigues exibe o mérito suplementar de haver extraído ótimas atuações do elenco.

Muito bem preparados fisicamente, todos os atores conseguem converter seus corpos em algo que poderia chamar de "massas expressivas". Ou seja: embora o universo sonoro não seja desprezado (palavra e canto), o jovem grupo se mostra capaz de valorizar gestos e movimentos em igual medida, conferindo grande unidade aos desempenhos. Assim, a todos parabenizo com o mesmo entusiasmo, e desejo longa e vitoriosa trajetória artística para este grupo tão singular.  

Na equipe técnica, Lilian Meireles e Orlando Caldeira assinam figurinos em total consonância com a personalidade e condição social dos personagens, cabendo salientar um detalhe muito interessante: as roupas dão a sensação de não terem sido perfeitamente finalizadas, o que me permite supor que, além de poderem ser usadas por vários personagens, sugerem um universo ainda por construir - se estiver enganado, que me perdoem.

Luiz Paulo Nenen responde por uma iluminação de grande expressividade, e que muito contribui para enfatizar os múltiplos climas emocionais em jogo. Igualmente irrepreensíveis a cenografia de Marcela Rodrigues - composta basicamente por diferenciadas escadas - e a trilha sonora e direção musical de Isadora Medella, que evidencia os mesmos méritos da iluminação. Finalmente, gostaria de destacar a precisão dos operadores de luz (Zoatha David) e de som (Jorge Florêncio), certamente determinantes para o perfeito andamento desta bela e original montagem

O MORRO DA ÓPERA - Texto e direção de Marcela Rodrigues. Com Carolina Garcês, Lilian Meireles, Marcela Rodrigues, Natalíe Rodrigues e Orlando Caldeira. Sala Mezanino do Espaço Sesc. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.





quarta-feira, 9 de julho de 2014

Teatro/CRÍTICA

"Dois amores e um bicho"

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Instigante montagem no Galpão



Lionel Fischer



Como uma bomba de efeito retardado, a peça em questão tem como mola propulsora um fato ocorrido há 15 anos. Pablo e Karen, pais da menina Carol, estão assistindo televisão quando se deparam com uma notícia aterradora: uma bomba explodira em um colégio, matando muitas crianças e professores. Mesmo diante de tal impacto, Pablo concentra sua atenção na insistência de seu cachorro Cabral em molestar o outro, Bandido, menor e supostamente incapaz de se defender. Em um acesso de fúria, mata a pontapés o cão molestador, o que o leva a cumprir pena de 40 dias em uma cadeia.

Quando se inicia a peça, a família está no zoológico onde Carol trabalha como veterinária. Todos contemplam a jaula onde um chimpanzé fora colocado, isolado dos demais, por insistir em molestar sexualmente os outros. Carol, que nunca entendera as razões que haviam levado o pai à prisão, o inquire com insistência. E acaba tendo acesso à verdade. Pouco depois, o casamento entre Pablo e Karen entra em colapso.

Eis, em resumo, o enredo de "Dois amores e um bicho", mais recente montagem do Grupo Tentáculos Espetáculos. De autoria do venezuelano Gustavo Ott, a peça chega à cena (Galpão do Espaço Tom Jobim) com direção de Guilherme Delgado e elenco formado por Vítor Fraga (Pablo), Ana Paula Novellino (Karen), Yndara Barbosa (Carol) e Luiz Paulo Barreto, que dá vida a vários personagens. 

Em 2006, o Museu de História Natural da Universidade de Oslo, na Noruega, promoveu uma exposição com o tema "Homossexualidade Animal", apresentando modelos, fotografias e textos para exemplificar algumas das 1.500 espécies de animais onde a homossexualidade foi observada, abrangendo desde primatas a vermes intestinais. Ou seja: trata-se de um fato incontestável que se enquadra, sem nenhum conflito, nas leis da Natureza. Mas é possível que Pablo ignorasse tal evidência. Ainda assim, o que estaria por trás da injustificada atitude que tomou contra um cão que, sendo seu, supostamente amava? 

Se Pablo frequentasse o divã de um analista, talvez fosse induzido a refletir sobre a possibilidade de ser um homossexual latente. Ou então seria estimulado a refletir sobre uma possível identificação com o cão menor, mais fraco, e por isso teoricamente indefeso e desprotegido. Será que Pablo se encaixa em uma dessas possibilidades? E admitindo ser a última a mais provável, o caráter punitivo de sua atitude se limitaria ao episódio em questão ou, numa perspectiva mais abrangente e sombria, revelaria uma personalidade capaz de perpetrar atos violentos, desde que favorecidos por determinadas circunstâncias?

Como não creio que a peça tenha por prioridade mergulhar em uma patologia específica, imagino que o autor pretendeu, através do personagem Pablo, nos alertar sobre a violência, explícita ou latente, que parece inerente à condição humana. E minha crença também se baseia no fato de que, a partir de um certo ponto, somos informados de que várias espécies de animais estão sendo dizimadas no zoológico. Como tudo indica não tratar-se de uma epidemia, quem seria o responsável pela matança? Alguém como Pablo? Talvez o próprio? Ou será que, em termos metafóricos, o autor estaria sugerindo que, atualmente, os homens estão quase que totalmente tomados por uma pulsão de morte? Thanatos teria, desgraçadamente, se sobreposto a Eros? É uma hipótese. 

Com relação ao espetáculo, Guilherme Delgado impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico, cabendo destacar o aprisionamento de grande parte das marcações, como se os personagens estivessem, eles próprios, circunscritos a jaulas criadas, por um lado,  pelo contexto histórico e social, e por outro reforçadas por uma extrema dificuldade de entendimento, primeiro passo rumo à total intolerância.

No tocante ao elenco, Vítor Fraga confere grande intensidade dramática a Pablo, construindo uma figura cênica simultaneamente ameaçadora e desprotegida. Ana Paula Novelinno convence plenamente na pele de Karen, valorizando com grande sensibilidade tanto a indignação da personagem quanto o vazio que sente diante de uma relação destroçada. Yndara Barbosa trabalha bem as nuances de sua personagem, mas precisa ficar atenta a questões vocais - muitas vezes não se escuta com clareza algumas palavras que profere. Luiz Paulo Barreto defende com correção os vários personagens que interpreta.

Na equipe técnica, cabe destacar a ótima tradução de Carlito Azevedo, sendo muito expressivas a iluminação de Daniel Archangelo e a cenografia de Carlos Augusto Campos - e neste particular gostaria de destacar o forte impacto que advém dos animais enjaulados, cuja graciosidade individual contrasta com o excesso dos mesmos em cada jaula. Ricardo Rocha responde por figurinos corretos.

DOIS AMORES E UM BICHO - Texto de Gustavo Ott. Direção de Guilherme Delgado. Com Vítor Fraga, Ana Paula Novellino, Yndara Barbosa e Luiz Paulo Barreto. Galpão do Espaço Tom Jobim. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h.







segunda-feira, 7 de julho de 2014

Espaço Sesc discute os reflexos da ditadura na produção artística da época
‘Arte e autoritarismo em cena’ terá leituras de peças, show e interpretação de depoimentos de mulheres que viveram a tortura

A ditadura militar, instaurada em 1964, foi marcada, entre outras coisas, pela repressão à criatividade e ao pensamento crítico. Arbitrariedades, restrições às liberdades públicas e individuais e controle do pensamento eram alguns dos mecanismos utilizados pelo autoritarismo para se manter no poder. A memória desse tempo ainda incomoda o país, meio século depois do golpe.
Para discutir os reflexos dos Anos de Chumbo na produção artística da época, o Espaço Sesc abre suas portas para uma série de leituras dramatizadas e apresentações artísticas no projeto “Arte e autoritarismo em cena”. De 17 a 27 de julho (quinta a domingo), obras de artistas como Oduvaldo Vianna Filho e Millôr Fernandes e um texto inédito de Glauber Rocha vão trazer à cena a fala de artistas preocupados com a questão política do país.
 Entre as atividades está ainda a leitura de depoimentos da cineasta Lucia Murat e da militante Maria Amelia Teles à Comissão da Verdade, que investiga casos de violação de direitos humanos na ditadura, além da carta da militante Inês Etienne Romeu enviada à Ordem dos Advogados do Brasil, em 1979. As três mulheres foram torturadas, sendo Inês a única sobrevivente da Casa da Morte, instalada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Os relatos serão interpretados pelas atrizes Guida Vianna, Betina Viany e Betty Erthal.

ARTE E AUTORITARISMO EM CENA
 Espaço Sesc (Arena): Rua Domingos Ferreira, 160. Tel.: 2547-0156
17 a 27/7/2014
Quinta a sábado, 20h30. Domingos, 19h.
Ingressos: R$ 5 (associados Sesc), R$ 10 (meia entrada) R$ 20 (inteira)
Classificação etária: 14 anos.
Capacidade: 242 lugares
 17/7/2014 (quinta-feira) – Papa Highirte, texto de Oduvaldo Vianna Filho - Direção: Luiz Fernando Lobo. Com a Companhia Ensaio AbertoPapa Highirte é um ditador típico do Terceiro Mundo que está exilado e banido de seu país. Ele trama seu retorno ao poder, mas acaba assassinado por um revolucionário. A peça recebeu o 1º prêmio no Concurso do Serviço Nacional de Teatro, foi censurada e só pôde ser encenada em 1979, quando foi dirigida por Nelson Xavier em montagem que contou com Sérgio BrittoTonico Pereira,Ângela Leal, entre outros.
 18/7/2014 (sexta-feira) – Leitura de Minha Vida Depois (Mi Vida Después), da argentina Lola Arias. Direção: Carolina Virguez. A peça estreou em 2009, em Buenos Aires. No texto, seis atores argentinos, nascidos na década de 1970 e início dos anos 1980, reconstroem a juventude de seus pais a partir de fotos, cartas, fitas cassete, roupas e histórias. Tradução e direção: Carolina Virgüez / Elenco: Álvaro Antunes, Anna Fernanda, André de Luca, Fernanda Vizeu, Giselda Prado, Natália Mikeliunas, Rafael Abreu.
 19/7/2014 (sábado) – Vivemos para Contar - Direção Álamo Facó. Trata-se da leitura dos depoimentos de Lucia Murat, Inês Etienne Romeu e Maria Amelia Teles, pela voz das atrizes Guida Vianna, Betina Viany e Betty Erthal. Três atrizes que começaram a fazer teatro nos anos 60 e 70 prestam homenagem a três bravas mulheres que optaram por combater a ditadura brasileira e, por isso, foram barbaramente torturadas. Em seus depoimentos à Comissão da Verdade, seusrelatos se revelam verdadeiros monólogos contra o autoritarismo, que através da arte podemos ampliar, divulgar e jogar luz sobre esse período. Uma trilha sonora da época vai reproduzir esse momento, em que a emoção, a razão e a reflexão vão trazer o passado à tona, para que este seja visualizado pela nova geração.
 20/7/2014 (domingo) – Liberdade, Liberdade- Direção: Miwa Yanagizawa. Com a Cia Código de Artes Cênicas. Musical escrito porMillôr Fernandes e Flávio Rangel, considerado o texto de maior sucesso do teatro de protesto. A peça recorre a textos de autores comoSócratesPlatãoAbraham LincolnMartin Luther KingAnne FrankWinston Churchill,Vinícius de MoraesCecília MeirelesGeraldo VandréJesus CristoWilliam Shakespeare,Moreira da Silva e Carlos Drummond de Andrade, entre outros, em uma colagem entremeada por números musicais. O tom varia do dramático ao cômico, do discurso político mais explícito ao lirismo da poesia. A peça estreou no Rio, em 1965, com direção de Flavio Rangel e no elenco Paulo Autran, Tereza Rachel, Nara Leão e Oduvaldo Vianna Filho. A repercussão foi imediata a ponto de o presidente Castello Branco afirmar que “as ameaças (da peça) são de aterrorizar a liberdade de opinião”. Só e2005, quatro décadas após ser encenado pela primeira vez, o espetáculo ganhou nova montagem, com direção de Cibele Forjaz e no elenco Renato BorghiDébora Dubocentre outros. Em 2006, na Baixada Fluminense, o espetáculo foi adaptado sob o título “Censura Livre” pela CIA Código de Artes Cênicas, da cidade de Japeri, a partir do projeto Tempo Livre, uma parceria entre o Sesc Rio e o grupo Nós do Morro. Na ocasião, a peça teve direção da também atriz e professora Miwa Yanagizawa, que agora retoma o projeto.
 24 e 25/7/2014 (quinta e sexta-feira) – ShowApesar de Você - Com Marya Bravo. Direção: Cesar Augusto. Roteiro: Rodrigo Faour. Direção musical: Bruno Pederneiras. Por meio da voz singular de Marya Bravo, o Brasil  dos chamados  ‘Anos de Chumbo’ será  revisitado. Um show intimista onde a performance e a música irão compor um discurso sonoro e político da época.
 26/7/2014 (sábado) – O Destino da Humanidade - de Glauber Rocha. Direção: Fabiano de Freitas. Com Teatro de Extremos (Guilherme Siman, Leonardo Corajo, Mauricio Lima e Renato Carrera) Ator convidado: Cesar Augusto. Intervenção cênico-musical: Isadora Medella. Intervenção visual: Evee Ávila. Originalmente um roteiro cinematográfico inacabado e nunca filmado, “O Destino da Humanidade” trata de uma história aparentemente comum, cheia de intrigas pessoais, liberalidade sexual e denúncia política em que surgem elementos fantásticos, culminando em invasões de outros planetas e numa viagem extragaláctica.
 27/7/2014 (domingo) – Apresentação-Palestra de Aquilo de que somos feitos - Criação e Direção: Lia Rodrigues. A estreia foi em 2000, mas até hoje Aquilo de que somos Feitos, literalmente rasga corações. No cruzamento entre a performance dos anos 60, as artes plásticas e a dança, o espetáculo resgata a arte como espaço de inquietude lançando sobre o mundo um olhar carregado de poesia e indignação. Interpretação:  Amalia Lima , Leonardo Nunes, Gabriele Nascimento, Francisco Thiago Cavalcanti, Clara Castro, Clara Cavalcante, Dora Selva, Felipe Vian, Glaciel Farias, Luana Bezerra, Thiago de Souza. 

Vanessa Freitas
Assessoria de Imprensa | Depto. Regional Rio                                          
Tel.: 21 3138-1232 | 99644-2597
www.sescrio.org.br | twitter: @sesc_rio    



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Teatro/CRÍTICA

"Cássia Eller - O musical"

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Merecido e emocionado tributo



Lionel Fischer



Enquanto alguns políticos nefastos dão a sensação de que viverão para sempre, no tocante a astros da música brasileira ocorre o inverso. Partiram muito cedo, dentre outros, Elis Regina, Renato Russo e Cazuza, mais do que merecidamente homenageados com excelentes musicais. E o mesmo ocorreu com Cássia Eller, morta aos 39 anos, e que agora recebe oportuno tributo com "Cássia Eller - O Musical", em cartaz no Teatro I do CCBB.

De autoria de Patrícia Andrade, o espetáculo chega à cena com direção de João Fonseca e Viniciús Arneiro, estando o elenco formado por Eline Porto, Emerson Espíndola, Evelyn Castro, Jana Figarella, Mario Hermeto, Thainá Gallo e Tacy de Campos, esta última vivendo a protagonista. 

Exibindo uma estrutura narrativa cronológica, o texto nos mostra Cássia Eller desde o momento em que ainda não sabia exatamente o que fazer da vida até sua consagração como intérprete, incluindo suas relações de amizade e seus amores, em especial por Maria Eugênia, sua companheira com quem criou o filho Chicão. A peça também retrata, com extrema sensibilidade, alguns aspectos da personalidade de Cássia, como sua timidez e sua cada vez maior relação com as drogas.

Estamos, portanto, diante de um texto que faculta ao espectador um retrato pertinente não apenas da vida, mas também da trajetória artística de uma intérprete maravilhosa, dotada de voz poderosa e notável singularidade. E tais virtudes são bastante valorizadas pelo excelente espetáculo, que exibe um total de 34 canções, algumas delas referências na trajetória de Cássia Eller, como "Lanterna dos afogados", "Que país é esse", "Malandragem", "Socorro" e "Por enquanto", dentre outras. 

Impondo à cena uma dinâmica simples e despojada, abdicando por completo de qualquer resquício de suntuosidade, João Falcão e Viniciús Arneiro priorizaram um caráter intimista, possibilitando à plateia uma aproximação com Cássia Eller como se ela - ao menos em alguma medida - tivesse efetivamente feito parte de nossas vidas, de nosso cotidiano. Renunciando ao endeusamento e à mitificação, os encenadores optaram sabiamente por humanizar a grande e inesquecível cantora.

No tocante ao elenco, Tacy de Campos (preparada pela excelente atriz e bailarina Ana Paula Bouzas) encarna Cássia Eller de forma exemplar, não apenas no que diz respeito ao canto, mas também às passagens faladas, valorizando ao máximo as principais características da personalidade retratada, cabendo também destacar sua ótima performance corporal. Sem dúvida, uma atriz/cantora cuja trajetória merece ser acompanhada com extrema atenção.

Quanto aos demais intérpretes, todos se saem muito bem nas partes cantadas e nos muitos personagens que interpretam, e certamente à força do conjunto deve ser creditada uma parcela significativa do sucesso da presente empreitada. Mas tal sucesso se deve ainda às preciosas contribuições de vários profissionais. Vamos começar pela direção musical e performance dos músicos.

Lan Lan criou arranjos maravilhosos, plenos de originalidade e impregnados de grande emoção. E, suprema dádiva, conseguiu o prodígio de fazer com que o acompanhamento não abafasse as vozes, o que muitas vezes tem ocorrido em nossos musicais - neste particular, um agradecimento todo especial ao ótimo baterista Maurício Braga, que não se relaciona com seu instrumento como se por ele nutrisse incontrolável raiva. Cabe também destacar o virtuosismo de Felipe Caneca (piano), Pedro Coelho (baixo), Diogo Viola (guitarra) e Fernando Caneca (violão), este último valendo-se de harmonias deslumbrantes.

Na ficha técnica, Marília Carneiro e Lydia Quintais assinam figurinos em total consonância com a classe social e personalidade dos personagens, sendo igualmente irrepreensíveis a belíssima cenografia de Nello Marrese e Natália Lana, e a igualmente bela iluminação de Maneco Quinderé, que sublinha com grande sensibilidade todos os climas emocionais em jogo. A destacar também o visagismo de Beto Carramanhos, a preparação vocal de Marco Dantonio e a preciosa contribuição do engenheiro de som Carlos Esteves, ao que suponho também responsável por escutarmos claramente os cantores e aqueles que os acompanham.

CÁSSIA ELLER - O MUSICAL - Texto de Patrícia Andrade. Direção de João Fonseca e Viniciús Arneiro. Com Tacy de Campos, Eline Porto, Emerson Espíndola, Evelyn Castro, Jana Figarella, Mario Hermeto e Thainá Gallo. Teatro I do CCBB. Quarta a domingo, 19h.






segunda-feira, 30 de junho de 2014

Paulo Pontes (1940 - 1976)

Biografia

Vicente de Paula Holanda Pontes (Campina Grande PB 1940 - Rio de Janeiro RJ 1976). Autor. Com uma linguagem bem-humorada, o dramaturgo Paulo Pontes trata de temáticas populares para colocar em cena o homem brasileiro comum e os conflitos que emergem de sua situação social. Ao lado de Oduvaldo Vianna Filho, é um dos grandes pensadores e ativistas do teatro de resistência nos anos da ditadura militar.

Inicia sua experiência em teatro como ator do Teatro de Estudante da Paraíba, em que atua em Os Inimigos Não Mandam Flores, de Pedro Bloch. Sua primeira experiência com a escrita foi no rádio, no programa de humor de Haroldo Barbosa. No Rio de Janeiro, participa, juntamente com Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, da fundação do Grupo Opinião e escreve o texto de estréia, o show Opinião, 1964. 

Em 1968, sob sua direção, apresenta em João Pessoa, Paraibê-aba.

Em 1969 ingressa no grupo de dramaturgia da TV Tupi. Em 1970 escreve o roteiro do show sobre Dolores Duran, interpretado por Paulo Gracindo e Clara Nunes, Brasileiro: Profissão Esperança. Em 1971, seu primeiro texto para teatro o torna nacionalmente conhecido: Um Edifício Chamado 200, protagonizado por Milton Morais, no Rio de Janeiro, e por Juca de Oliveira, em São Paulo. Partindo de uma temática popular - a tentativa desesperada de ganhar na loteria para sair de uma vida medíocre -, Paulo Pontes reforma e revitaliza a decadente comédia de costumes carioca. O sucesso da peça o faz ser procurado por atores e diretores.

Ele entrega a Ziembinski seu segundo texto que, embora parta de uma situação não cômica - é durante o período de internação para uma cirurgia que o escreve -, mostra o talento do autor em criar a comicidade a partir do dinamismo da ação. Engajado na luta por um teatro que chegue até o povo, ele diz: "Nós temos que tentar de todas as maneiras a reaproximação com nossa única fonte de concretude, de substância e até de originalidade: o povo brasileiro. É preciso tentar fazer voltar o nosso povo ao nosso palco. (...) O fundamental é que a vida brasileira possa, novamente, ser devolvida, nos palcos, ao público brasileiro".1 "Um país carente de tudo, como o nosso, não tem a sua própria realidade para discutir no palco. O público diz: vamos conversar sobre a minha gravata, o meu fedor, o meu cotidiano, e o artista responde: não, vamos conversar sobre a aventura do imponderável".2 "Quem está indo ao teatro é essa minoria que paga pelo ingresso de um espetáculo que não o faz refletir sobre sua posição ética dentro dessa sociedade".3

Encena, no Rio de Janeiro, Check-Up, com direção de Cecil Thiré, em 1972. No ano seguinte, sob direção de Flávio Rangel e com Jorge Dória no papel central, estréia Dr. Fausto da Silva, texto em que o tema da concentração de renda no país é inserido dentro de uma emissora de televisão, em que a competição profissional evidencia Fausto, o homem que vende a alma ao sucesso. Nesse texto, diferentemente dos anteriores, a comédia sai do realismo e ingressa no reino do fabuloso.

Suas peças são montadas no exterior. Na televisão, ele continua a consagrada série A Grande Família, depois da morte de Vianinha. Em 1975, estréia seu maior sucesso e dá um salto na sua carreira de autor teatral, ganhando o prêmio Molière de melhor autor, em parceria com Chico Buarque, pelo drama poético Gota d'Água, recriação de Medéia, tragédia de Eurípides, com direção de Gianni Ratto. A modernização do tema, combinada com uma aguda visão crítica do processo de exploração de uma humilde comunidade popular por um tubarão da especulação imobiliária, alcança enorme êxito e recebe desde então numerosas montagens pelo Brasil afora; é também montada na Cidade do México, em 1980. Ela integra hoje o restrito grupo dos clássicos da dramaturgia brasileira. O autor participa também da organização do ciclo de debates sobre Cultura Brasileira no Teatro Casa Grande.

Atua na organização do Projeto Nacional Popular de Cultura, reunindo intelectuais de diversos setores.

Em 1976, Paulo Pontes falece aos 36 anos de idade, deixando, como seu amigo e parceiro Oduvaldo Vianna Filho, uma carreira interrompida, além dos textos inconclusos O Dia em que Frank Sinatra Veio ao BrasilLuna Bar e o ambicioso projeto de adaptar em versos Senhor Presidente, original de Miguel Angel Astúrias, ao qual dedicara mais de quatro anos. 

O diretor Flávio Rangel, depois de sua morte, assim resumiu sua importância: "Em todos os seus trabalhos, Paulo Pontes teve sempre a preocupação de retratar o povo de seu país, e era também um permanente batalhador pela liberdade de expressão. Lutou incansavelmente pela regulamentação da profissão e esteve presente, em posição de destaque, em todos os movimentos que envolveram a classe teatral. Dotado de uma poderosa inteligência e uma rara lucidez, exercia uma liderança natural através de seu pensamento profundo, que se fez sentir através dos inúmeros ensaios que escreveu e das brilhantes conferências que pronunciou".4

Notas
1. PONTES, Paulo. Prefácio de Gota d'água, trecho citado por Yan Michalski em Um conscientizador,Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 dez. 1976. Caderno B.
2. PONTES, Paulo. Entrevista para o Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 19 set. 1972. Caderno B, página 8.
3. PONTES, Paulo. A crise vista pelo prisma de Paulo Pontes, Revista Visão, Rio de Janeiro, 8 dez. 1975.

4. RANGEL, Flávio. Paulinho, por Flávio Rangel, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 dez. 1976, Caderno B.

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Extraído de Enciclopédia Itaú Cultural