5º Prêmio APTR de Teatro:
Uma noite inesquecível!
Lionel Fischer
Acossado por um dilúvio de proporções bíblicas, o Teatro Carlos Gomes abrigou, ontem, a cerimônia de premiação da 5ª edição do Prêmio APTR de Teatro, que homenageou Bibi Ferreira. Tendo como apresentadores Cissa Guimarães e Fernando Eiras, acompanhados pelo pianista João Carlos Assis Brasil, a festa dirigida por João Fonseca ganhou contornos emocionantes quando Fernanda Montenegro subiu ao palco para falar sobre Bibi Ferreira.
Inicialmente, a grande dama do teatro brasileiro leu um resumo dos principais êxitos artísticos de Bibi, aqui e no exterior. Finda a leitura, deu um depoimento pessoal sobre a extraordinária artista, durante o qual se emocionou a ponto de ficar com os olhos marejados de lágrimas, o mesmo ocorrendo com todos que ali estavam. E dentre as muitas revelações que fez, uma delas encheu de assombro o teatro: Bibi Ferreira estreou nos palcos quando tinha, exatamente, 24 dias de vida!!! - um contra-regra não conseguia achar uma boneca e a mãe de Bibi resolveu antecipar a estréia da filha como atriz.
Num dado momento, já perto do final da cerimônia, eis que surge Bibi Ferreira, que completa 90 anos em junho. E aí o teatro, literalmente, "veio abaixo!". Exibindo toda a sua inteligência, humor e carisma, Bibi conversou com a platéia durante alguns minutos e depois cantou "Gota d'água", composição de Chico Buarque e Paulo Pontes, título do musical homônimo protagonizado pela atriz. E o fez com tamanha perfeição técnica e inenarrável capacidade de entrega que, concluída a canção, todos os espectadores se ergueram, a maioria aos prantos, e brindaram a grande atriz com uma ovação que parecia não ter fim.
Em resumo: os sempre caprichosos deuses do teatro facultaram a cerca de 800 pessoas o supremo privilégio de ver em cena duas das maiores artistas que este país possui, o que certamente conferiu à festa um brilho extraordinário, que jamais será esquecido.
Tendo como jurados Barbara Heliodora, Carlos Henrique Braz, Daniel Schenker, Daniele Ávila, Macksen Luis, Mauro Ferreira, Norma Thiré, Tânia Brandão e eu, a 5ª edição do Prêmio APTR de Teatro contemplou os seguintes profissionais:
Categoria ESPECIAL - Cia. Pequod, pelo trabalho desenvolvido para a realização do espetáculo "Marina".
ILUMINAÇÃO - Renato Machado ("Marina"/ "Senhora dos afogados"/ "Hamelin"/ "Deus da carnificina")
FIGURINO - Marcelo Pies ("Hair")
CENOGRAFIA - Daniela Thomas ("Pterodátilos")
DIREÇÃO - André Paes Leme ("Hamelin")
AUTOR - Rodrigo Nogueira ("Ponto de fuga")
ATOR COADJUVANTE - André Dias ("Era no tempo do rei")
ATRIZ COADJUVANTE - Dani Barros ("Maria do Caritó"/ "As conchambranças de Quaderna")
ATOR PROTAGONISTA - Marco Nanini ("Pterodátilos")
ATRIZ PROTAGONISTA - Julia Lemmertz ("Deus da carnificina")
ESPETÁCULO - "Pterodátilos" (direção de Felipe Hirsh)
PRODUÇÃO - Fernando Libonati e Pequena Central ("Pterodátilos) - esta premiação é resultante dos votos de todos os membros da APTR (Associação de Produtores Teatrais do Rio de Janeiro).
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terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O caso do espelho e
O caso do sapato
Domingos Oliveira
Conta a lenda que uma grande atriz brasileira representava um vaudeville no qual, em certa cena, se olhava num espelho de mão. Durante os ensaios essa atriz recobriu o espelho com um pedaço de jornal, recortado em forma oval. Na estréia, o contra-regra retirou o jornal. Qual não foi sua surpresa quando, entre um ato e outro, foi eloqüentemente repreendido pela grande atriz: "Meu filho, pelo amor de Deus, assim você me estraga a representação! Eu estou em cena, olho o espelho e, de repente, vejo minha cara? Não posso, eu não estou com a minha cara no personagem! Assim você me atrapalha..."
Conta a lenda que um grande ator russo (Tchecov) ensaiava uma peça de seu irmão dramaturgo, Anton Tchecov, na qual fazia o papel de um aristocrata decadente. Apesar de sua grande categoria profissional, o ator estava sofrendo muito, não conseguia resolver o personagem: "Não consigo. Se trabalho seriamente sobre o aristocrata, pouco a pouco perco a decadência. Se trabalho sobre a decadência, vou imperceptivelmente perdendo a aristocracia! Estou desesperado, num beco sem saída".
Foi quando surgiu Stanislavski para fazer-lhe uma visita. Numa conversa de camarim, o grande ator confessou sua angústia ao grande diretor. Stanislavski, numa tirada digna de Sherlock Holmes, retrucou: "É simples a solução. Faça um buraco na sola do sapato".
E assim fez o ator, com o auxílio de um canivete. Um buraco na sola do sapato direito! Um buraco que ninguém percebia, nem o colega, nem os espectadores. Mas que ele sabia que tinha! Um buraco no sapato que não lhe permitia cruzar as pernas com a mesma impunidade. Um homem não anda da mesma maneira quando sabe que tem um buraco no sapato...Não fala, não pensa do mesmo jeito, pois sabe que, embora ninguém o perceba, seu sapato está furado! E assim ficou resolvida a interpretação. Através de um buraco na sola do sapato.
Um grande amor não pode sobreviver sem que haja segredos entre os amantes, assim como os há entre o céu e a terra. Do mesmo modo, deve haver segredos entre o personagem e a pessoa do ator que o concretiza.
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Extraído de Do tamanho da vida - reflexões sobre o teatro (Coleção "Documentos". MINC/INACEN)
O caso do sapato
Domingos Oliveira
Conta a lenda que uma grande atriz brasileira representava um vaudeville no qual, em certa cena, se olhava num espelho de mão. Durante os ensaios essa atriz recobriu o espelho com um pedaço de jornal, recortado em forma oval. Na estréia, o contra-regra retirou o jornal. Qual não foi sua surpresa quando, entre um ato e outro, foi eloqüentemente repreendido pela grande atriz: "Meu filho, pelo amor de Deus, assim você me estraga a representação! Eu estou em cena, olho o espelho e, de repente, vejo minha cara? Não posso, eu não estou com a minha cara no personagem! Assim você me atrapalha..."
Conta a lenda que um grande ator russo (Tchecov) ensaiava uma peça de seu irmão dramaturgo, Anton Tchecov, na qual fazia o papel de um aristocrata decadente. Apesar de sua grande categoria profissional, o ator estava sofrendo muito, não conseguia resolver o personagem: "Não consigo. Se trabalho seriamente sobre o aristocrata, pouco a pouco perco a decadência. Se trabalho sobre a decadência, vou imperceptivelmente perdendo a aristocracia! Estou desesperado, num beco sem saída".
Foi quando surgiu Stanislavski para fazer-lhe uma visita. Numa conversa de camarim, o grande ator confessou sua angústia ao grande diretor. Stanislavski, numa tirada digna de Sherlock Holmes, retrucou: "É simples a solução. Faça um buraco na sola do sapato".
E assim fez o ator, com o auxílio de um canivete. Um buraco na sola do sapato direito! Um buraco que ninguém percebia, nem o colega, nem os espectadores. Mas que ele sabia que tinha! Um buraco no sapato que não lhe permitia cruzar as pernas com a mesma impunidade. Um homem não anda da mesma maneira quando sabe que tem um buraco no sapato...Não fala, não pensa do mesmo jeito, pois sabe que, embora ninguém o perceba, seu sapato está furado! E assim ficou resolvida a interpretação. Através de um buraco na sola do sapato.
Um grande amor não pode sobreviver sem que haja segredos entre os amantes, assim como os há entre o céu e a terra. Do mesmo modo, deve haver segredos entre o personagem e a pessoa do ator que o concretiza.
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Extraído de Do tamanho da vida - reflexões sobre o teatro (Coleção "Documentos". MINC/INACEN)
SITE DRAMA DIÁRIO REESTREIA DIA 02 DE MAIO E TRARÁ SETE HISTÓRIAS INÉDITAS, UM CAPÍTULO POR DIA.
O site Drama Diário está entrando no seu quarto ano de existência com uma nova proposta: Dramaturgia em série. Cada um dos sete autores irá atualizar o site com textos inéditos diariamente, mas aos invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançam ao desafio da continuidade. Um capítulo por semana, sete histórias diferentes, podendo resultar num roteiro de cinema, uma novela, um seriado, ou até mesmo numa peça de teatro.
O que é o Drama Diário?
Sete dramaturgos com forte atuação na cena contemporânea carioca se reúnem com o objetivo de desenvolver um site para exercitar diariamente a escrita e disponibilizar textos para amantes de dramaturgia ou para o simples entretenimento dos internautas.
O resultado deste encontro é o Drama Diário (www.dramadiario.com), lançado em maio de 2008 no Ciclo de Leituras da Casa da Gávea/RJ e que desde então tem recebido grande destaque da imprensa e reconhecimento da classe artística, hoje contando com mais de 500 cenas publicadas e tornando-se o maior acervo dramatúrgico inédito da web.
Formado por Camilo Pellegrini, Carla Faour, Felipe Barenco, Henrique Tavares, Leandro Muniz, Renata Mizrahi e Rodrigo de Roure – sete autores atuantes da nova geração, todos com já alguma obra realizada.
Cada autor escreve em um dia da semana:
SEGUNDA-FEIRA - Renata Mizrahi é roteirista e dramaturga, ganhou o Prêmio Zilka Salaberry 2010, na categoria melhor texto com Joaquim e as Estrelas. Atualmente trabalha como roteirista na Conspiração Filmes. Integrante da Companhia Teatro de Nós.
TERÇA-FEIRA - Camilo Pellegrini é autor da “Trilogia das Assassinas”, do espetáculo “Brecht Morreu” e hoje trabalha como colaborador em sua quarta novela da Rede Record, “Vidas em Jogo”.
QUARTA-FEIRA - Leandro Muniz é roteirista das series Amor & sexo e Junto & Misturado, na Rede Globo, e também colabora com os roteiros de duas séries do canal Multishow, "Morando Sozinho" e "Na fama e na lama". Escreveu e dirigiu o espetáculo Relações - peça quase romântica, obtendo 4 prêmios no XVI Festival de Teatro do Rio 2009, inclusive o de melhor texto.
QUINTA-FEIRA - Carla Faour, Indicada como melhor autora aos principais Prêmios do Teatro Carioca: Shell, APTR e Contigo de Teatro por A Arte de Escutar. É também autora do romance A Arte de Escutar, baseado em seu texto teatral. Atualmente está em turnê com seu último espetáculo Açaí e Dedos.
SEXTA-FEIRA - Rodrigo de Roure é autor - dentre outros textos - de “Senhora Coisa” e “Os Últimos dias de Gilda”, ambas as peças traduzidas para o francês e lançadas na coleção Palco Sur Scène pela Impressa Oficial no Brasil e na França. “Os Últimos Dias de Gilda” teve montagem em Londres (2009) e participará do Festival de Edimburgo (Escócia) neste ano de 2011. “Os Últimos Dias de Gilda” estreia em Paris no ano de 2012. “Gilda” está em fase de captação e produção pela Saraguina filmes com estreia no cinema em 2013. Rodrigo de Roure assina o roteiro do programa “Penetra!” no canal Sexy Hot / Playboy TV desde 2010.
SÁBADO - Henrique Tavares é autor e diretor dos espetáculos Epheitos Kolaterais, Cidade Vampira e Barbara Não Lhe Adora; e roteirista da série Vampiro Carioca do Canal Brasil.
DOMINGO - Felipe Barenco é o criador da personagem @donaheliodora no twitter e por duas vezes foi contemplado com o patrocínio dos Correios pelos espetáculos "Meu caro amigo" e "Chuva de arroz".
A união desses autores faz do Drama Diário um projeto de referência tanto no teatro quanto na internet. O projeto, hoje, tornou-se um valioso banco de textos para estudantes e professores de teatro em todo o Brasil.
Criado por Felipe Barenco e idealizado para difundir a criação dramatúrgica brasileira, o site surge como uma ferramenta que produz conteúdo e discussão sobre dramaturgia, é um valioso e instigante meio de experimentação e, aproveitando-se da internet como meio de produção. Drama Diário é um projeto pioneiro e que põe em discussão as possibilidades de se pensar uma “dramaturgia para a internet”.
CONTATOS
Camilo Pellegrini --- 21-9999-8518 --- camilopellegrini@gmail.com
Carla Faour --- 21-97038011 --- carla.faour@gmail.com
Felipe Barenco --- 21-8229-6562 --- felipebarenco@uol.com.br
Henrique Tavares --- 21-9213-8495 --- henrique@dramadiario.com
Leandro Muniz --- 21-9564-1138 --- leandromuniz@globo.com
Renata Mizrahi --- 21-8201-2087 --- renata.mizrahi@gmail.com
Rodrigo de Roure --- 21-8620-2585 --- rodrigoderoure@gmail.com
O site Drama Diário está entrando no seu quarto ano de existência com uma nova proposta: Dramaturgia em série. Cada um dos sete autores irá atualizar o site com textos inéditos diariamente, mas aos invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançam ao desafio da continuidade. Um capítulo por semana, sete histórias diferentes, podendo resultar num roteiro de cinema, uma novela, um seriado, ou até mesmo numa peça de teatro.
O que é o Drama Diário?
Sete dramaturgos com forte atuação na cena contemporânea carioca se reúnem com o objetivo de desenvolver um site para exercitar diariamente a escrita e disponibilizar textos para amantes de dramaturgia ou para o simples entretenimento dos internautas.
O resultado deste encontro é o Drama Diário (www.dramadiario.com), lançado em maio de 2008 no Ciclo de Leituras da Casa da Gávea/RJ e que desde então tem recebido grande destaque da imprensa e reconhecimento da classe artística, hoje contando com mais de 500 cenas publicadas e tornando-se o maior acervo dramatúrgico inédito da web.
Formado por Camilo Pellegrini, Carla Faour, Felipe Barenco, Henrique Tavares, Leandro Muniz, Renata Mizrahi e Rodrigo de Roure – sete autores atuantes da nova geração, todos com já alguma obra realizada.
Cada autor escreve em um dia da semana:
SEGUNDA-FEIRA - Renata Mizrahi é roteirista e dramaturga, ganhou o Prêmio Zilka Salaberry 2010, na categoria melhor texto com Joaquim e as Estrelas. Atualmente trabalha como roteirista na Conspiração Filmes. Integrante da Companhia Teatro de Nós.
TERÇA-FEIRA - Camilo Pellegrini é autor da “Trilogia das Assassinas”, do espetáculo “Brecht Morreu” e hoje trabalha como colaborador em sua quarta novela da Rede Record, “Vidas em Jogo”.
QUARTA-FEIRA - Leandro Muniz é roteirista das series Amor & sexo e Junto & Misturado, na Rede Globo, e também colabora com os roteiros de duas séries do canal Multishow, "Morando Sozinho" e "Na fama e na lama". Escreveu e dirigiu o espetáculo Relações - peça quase romântica, obtendo 4 prêmios no XVI Festival de Teatro do Rio 2009, inclusive o de melhor texto.
QUINTA-FEIRA - Carla Faour, Indicada como melhor autora aos principais Prêmios do Teatro Carioca: Shell, APTR e Contigo de Teatro por A Arte de Escutar. É também autora do romance A Arte de Escutar, baseado em seu texto teatral. Atualmente está em turnê com seu último espetáculo Açaí e Dedos.
SEXTA-FEIRA - Rodrigo de Roure é autor - dentre outros textos - de “Senhora Coisa” e “Os Últimos dias de Gilda”, ambas as peças traduzidas para o francês e lançadas na coleção Palco Sur Scène pela Impressa Oficial no Brasil e na França. “Os Últimos Dias de Gilda” teve montagem em Londres (2009) e participará do Festival de Edimburgo (Escócia) neste ano de 2011. “Os Últimos Dias de Gilda” estreia em Paris no ano de 2012. “Gilda” está em fase de captação e produção pela Saraguina filmes com estreia no cinema em 2013. Rodrigo de Roure assina o roteiro do programa “Penetra!” no canal Sexy Hot / Playboy TV desde 2010.
SÁBADO - Henrique Tavares é autor e diretor dos espetáculos Epheitos Kolaterais, Cidade Vampira e Barbara Não Lhe Adora; e roteirista da série Vampiro Carioca do Canal Brasil.
DOMINGO - Felipe Barenco é o criador da personagem @donaheliodora no twitter e por duas vezes foi contemplado com o patrocínio dos Correios pelos espetáculos "Meu caro amigo" e "Chuva de arroz".
A união desses autores faz do Drama Diário um projeto de referência tanto no teatro quanto na internet. O projeto, hoje, tornou-se um valioso banco de textos para estudantes e professores de teatro em todo o Brasil.
Criado por Felipe Barenco e idealizado para difundir a criação dramatúrgica brasileira, o site surge como uma ferramenta que produz conteúdo e discussão sobre dramaturgia, é um valioso e instigante meio de experimentação e, aproveitando-se da internet como meio de produção. Drama Diário é um projeto pioneiro e que põe em discussão as possibilidades de se pensar uma “dramaturgia para a internet”.
CONTATOS
Camilo Pellegrini --- 21-9999-8518 --- camilopellegrini@gmail.com
Carla Faour --- 21-97038011 --- carla.faour@gmail.com
Felipe Barenco --- 21-8229-6562 --- felipebarenco@uol.com.br
Henrique Tavares --- 21-9213-8495 --- henrique@dramadiario.com
Leandro Muniz --- 21-9564-1138 --- leandromuniz@globo.com
Renata Mizrahi --- 21-8201-2087 --- renata.mizrahi@gmail.com
Rodrigo de Roure --- 21-8620-2585 --- rodrigoderoure@gmail.com
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Teatro/CRÍTICA
"Os 39 degraus"
..........................................................
Humor, fantasia e cumplicidade
Lionel Fischer
Após cumprir excelente temporada em São Paulo, chega ao Rio um espetáculo delicioso, baseado no filme homônimo de Alfred Hichcock. E a delícia em questão fica por conta, dentre outros fatores, da capacidade do autor Patrick Barlow de parodiar a obra do genial cineasta sem, em momento algum, desrespeitá-la. Em cartaz no Teatro do Leblon (Sala Marília Pêra), "Os 39 degraus" tem direção assinada por Alexandre Reinecke e elenco formado por Dan Stulbach, Fabiana Gugli, Danton Mello e Henrique Stroeter.
Como se trata de uma obra baseada em filme muito conhecido, não julgo necessário reproduzir seu enredo. Mas ainda que se tratasse de um filme pouco visto, detalhar a trama privaria o espectador de uma série de surpresas hilariantes e desvairadas, o que terminaria por minimizar o efeito dos acontecimentos que povoam este verdadeiro "trem fantasma" impregnado de humor e fantasia.
Como todos sabemos, produzir humor não é tarefa nada fácil e, menos ainda, quando a direção investe corajosamente numa linguagem que despreza por completo o realismo e expõe, de forma absolutamente explícita, o lúdico inerente ao jogo teatral, ao invés de ocultá-lo.
Isto certamente coloca o espectador em um outro lugar, diria mesmo que o transforma numa espécie de cúmplice, não estando afastada a hipótese de que muitos devem ter desejado estar em cena e assim exercitar a criança que existe em todos nós, mas em geral tão esquecida.
Valendo-se de marcações engraçadíssimas, conferindo a objetos inusitadas funções e trabalhando de forma notável os tempos rítmicos, o diretor Alexandre Reinecke exibe ainda o mérito suplementar de haver extraído ótimas atuações do elenco.
Na pele de Richard, Dan Stulbach confere total veracidade ao sedutor irresistível, o mesmo ocorrendo com Fabiana Gugli nas três personagens que interpreta (a agente secreta Annabela Schimit, a inconstante Pamela e a camponesa Margaret) e com Danton Mello e Henrique Stroeter, que encarnam múltiplos papéis. E aqui me parece de suma importância destacar não apenas a eficiência do elenco no que diz respeito ao texto articulado, mas também a expressividade do trabalho corporal de todos.
Na equipe técnica, todos os profissionais envolvidos nesta deliciosa empreitada teatral realizam trabalhos de altíssimo nível - Cyro Del Nero (direção cenográfica), Cássio Brasil (figurinos), Paulo César Medeiros (iluminação), Daniel Maia (trilha sonora) e Carol Mariottini (direção de movimento). Faço também questão de registrar as impecáveis operações de luz (Lucas Gonçalves) e som (Bruno dos Reis), cuja precisão em muito contribui para o êxito do espetáculo.
OS 39 DEGRAUS - Texto de Patrick Barlow. Direção de Alexandre Reinecke. Com Dan Stulbach, Danton Mello, Fabiana Gugli e Henrique Stroeter. Teatro do Leblon. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.
"Os 39 degraus"
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Humor, fantasia e cumplicidade
Lionel Fischer
Após cumprir excelente temporada em São Paulo, chega ao Rio um espetáculo delicioso, baseado no filme homônimo de Alfred Hichcock. E a delícia em questão fica por conta, dentre outros fatores, da capacidade do autor Patrick Barlow de parodiar a obra do genial cineasta sem, em momento algum, desrespeitá-la. Em cartaz no Teatro do Leblon (Sala Marília Pêra), "Os 39 degraus" tem direção assinada por Alexandre Reinecke e elenco formado por Dan Stulbach, Fabiana Gugli, Danton Mello e Henrique Stroeter.
Como se trata de uma obra baseada em filme muito conhecido, não julgo necessário reproduzir seu enredo. Mas ainda que se tratasse de um filme pouco visto, detalhar a trama privaria o espectador de uma série de surpresas hilariantes e desvairadas, o que terminaria por minimizar o efeito dos acontecimentos que povoam este verdadeiro "trem fantasma" impregnado de humor e fantasia.
Como todos sabemos, produzir humor não é tarefa nada fácil e, menos ainda, quando a direção investe corajosamente numa linguagem que despreza por completo o realismo e expõe, de forma absolutamente explícita, o lúdico inerente ao jogo teatral, ao invés de ocultá-lo.
Isto certamente coloca o espectador em um outro lugar, diria mesmo que o transforma numa espécie de cúmplice, não estando afastada a hipótese de que muitos devem ter desejado estar em cena e assim exercitar a criança que existe em todos nós, mas em geral tão esquecida.
Valendo-se de marcações engraçadíssimas, conferindo a objetos inusitadas funções e trabalhando de forma notável os tempos rítmicos, o diretor Alexandre Reinecke exibe ainda o mérito suplementar de haver extraído ótimas atuações do elenco.
Na pele de Richard, Dan Stulbach confere total veracidade ao sedutor irresistível, o mesmo ocorrendo com Fabiana Gugli nas três personagens que interpreta (a agente secreta Annabela Schimit, a inconstante Pamela e a camponesa Margaret) e com Danton Mello e Henrique Stroeter, que encarnam múltiplos papéis. E aqui me parece de suma importância destacar não apenas a eficiência do elenco no que diz respeito ao texto articulado, mas também a expressividade do trabalho corporal de todos.
Na equipe técnica, todos os profissionais envolvidos nesta deliciosa empreitada teatral realizam trabalhos de altíssimo nível - Cyro Del Nero (direção cenográfica), Cássio Brasil (figurinos), Paulo César Medeiros (iluminação), Daniel Maia (trilha sonora) e Carol Mariottini (direção de movimento). Faço também questão de registrar as impecáveis operações de luz (Lucas Gonçalves) e som (Bruno dos Reis), cuja precisão em muito contribui para o êxito do espetáculo.
OS 39 DEGRAUS - Texto de Patrick Barlow. Direção de Alexandre Reinecke. Com Dan Stulbach, Danton Mello, Fabiana Gugli e Henrique Stroeter. Teatro do Leblon. Quinta a sábado, 21h. Domingo, 20h.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Teatro/CRÍTICA
"A estupidez"
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Hilariantes desvarios no CCBB
Lionel Fischer
Como todos sabemos, a estupidez humana se manifesta de diversas formas e em variados contextos. Aqui, podemos identificá-la na Arte, na Ciência, na Justiça, na forma como lidamos com o dinheiro e também no que concerne às relações familiares. Tendo como cenário diversos hotéis de beira de estrada em Las Vegas, o autor argentino Rafael Spregelburd criou cinco núcleos e 24 personagens (mafiosos, cientistas, atores, policiais, marchands e doentes mentais, dentre outros), cujas histórias se cruzam a todo momento.
Mais recente produção do grupo Os Dezequilibrados, "A estupidez" (Teatro II do CCBB) chega à cena com direção de Ivan Sugahara e elenco formado por Alcemar Vieira, Cristina Flores, José Karini, Letícia Isnard e Saulo Rodrigues.
Como bem define o diretor em texto que consta do programa, a peça "...lembra a obra de Quentin Tarantino e seu 'Pulp Fiction' ou os irmãos Cohen e seu 'Queime depois de ler'. A estetização da vulgaridade das produções B que, em alguma medida, ocorre nesses filmes, é semelhante à que ocorre na peça. Como se o matiz de 'A estupidez' fosse um seriado tosco (e por isso mesmo atraente), tal como os clássicos 'Dallas' ou 'Chips', ou um bom filme fuleiro, desimportante e interessante como as nossas vidas".
Isto posto, cumpre salientar que o presente texto é bastante engraçado, sempre apoiado em um humor crítico e a vasta galeria de personagens se encaixa perfeitamente na proposta do autor de salientar múltiplos aspectos da estupidez humana. No entanto, acredito que o resultado seria ainda mais contundente se o texto tivesse sido um pouco reduzido, não me parecendo que tenha estofo para sustentar dois atos.
Quanto à direção, Ivan Sugahara impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico, para tanto valendo-se de marcas tão imprevistas quanto desvairadas, executadas de forma primorosa por um elenco que mergulha de cabeça neste universo divertido e crítico. E aqui cabe ressaltar a maravilhosa capacidade dos atores de criarem tipos completamente diferentes, a cada um deles impondo diversificadas vozes e hilariantes composições físicas.
Na equipe técnica, destaco com o mesmo entusiasmo o trabalho de todos os profissionais envolvidos nesta curiosa e oportuna empreitada teatral - Rui Cortez (direção de arte e figurino), Cortez e Nello Marrese (cenografia), Ivan Sugahara e Álvaro Lazzarotto (trilha sonora), Lazzarotto (música original) e Paula Maracajá (preparação corporal).
A ESTUPIDEZ - Texto de Rafael Spregelburd. Direção de Ivan Sugahara. Com a grupo Os Dezequilibrados. Teatro II do CCBB. Quinta a domingo, 19h30.
"A estupidez"
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Hilariantes desvarios no CCBB
Lionel Fischer
Como todos sabemos, a estupidez humana se manifesta de diversas formas e em variados contextos. Aqui, podemos identificá-la na Arte, na Ciência, na Justiça, na forma como lidamos com o dinheiro e também no que concerne às relações familiares. Tendo como cenário diversos hotéis de beira de estrada em Las Vegas, o autor argentino Rafael Spregelburd criou cinco núcleos e 24 personagens (mafiosos, cientistas, atores, policiais, marchands e doentes mentais, dentre outros), cujas histórias se cruzam a todo momento.
Mais recente produção do grupo Os Dezequilibrados, "A estupidez" (Teatro II do CCBB) chega à cena com direção de Ivan Sugahara e elenco formado por Alcemar Vieira, Cristina Flores, José Karini, Letícia Isnard e Saulo Rodrigues.
Como bem define o diretor em texto que consta do programa, a peça "...lembra a obra de Quentin Tarantino e seu 'Pulp Fiction' ou os irmãos Cohen e seu 'Queime depois de ler'. A estetização da vulgaridade das produções B que, em alguma medida, ocorre nesses filmes, é semelhante à que ocorre na peça. Como se o matiz de 'A estupidez' fosse um seriado tosco (e por isso mesmo atraente), tal como os clássicos 'Dallas' ou 'Chips', ou um bom filme fuleiro, desimportante e interessante como as nossas vidas".
Isto posto, cumpre salientar que o presente texto é bastante engraçado, sempre apoiado em um humor crítico e a vasta galeria de personagens se encaixa perfeitamente na proposta do autor de salientar múltiplos aspectos da estupidez humana. No entanto, acredito que o resultado seria ainda mais contundente se o texto tivesse sido um pouco reduzido, não me parecendo que tenha estofo para sustentar dois atos.
Quanto à direção, Ivan Sugahara impõe à cena uma dinâmica em total sintonia com o material dramatúrgico, para tanto valendo-se de marcas tão imprevistas quanto desvairadas, executadas de forma primorosa por um elenco que mergulha de cabeça neste universo divertido e crítico. E aqui cabe ressaltar a maravilhosa capacidade dos atores de criarem tipos completamente diferentes, a cada um deles impondo diversificadas vozes e hilariantes composições físicas.
Na equipe técnica, destaco com o mesmo entusiasmo o trabalho de todos os profissionais envolvidos nesta curiosa e oportuna empreitada teatral - Rui Cortez (direção de arte e figurino), Cortez e Nello Marrese (cenografia), Ivan Sugahara e Álvaro Lazzarotto (trilha sonora), Lazzarotto (música original) e Paula Maracajá (preparação corporal).
A ESTUPIDEZ - Texto de Rafael Spregelburd. Direção de Ivan Sugahara. Com a grupo Os Dezequilibrados. Teatro II do CCBB. Quinta a domingo, 19h30.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Teatro/CRÍTICA
"Ninguém falou que seria fácil"
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Adorável brincadeira de criança
Lionel Fischer
"Como em uma brincadeira de criança, um jogo de amarelinha fragmentado e mutável, os personagens saltam da infância para as angústias da vida adulta, da velhice para o encontro amoroso, da sala de parto para a morte. Assim que os espectadores se acomodam, uma discussão de casal inicia uma vertiginosa troca de papéis, que irá carregá-los por lugares, épocas e situações diversas. Um homem se torna pai mas não quer deixar o colo da mãe, uma filha argumenta racionalmente sobre as razões para não largar a chupeta, um jovem recém-formado decide hibernar, irmãos disputam comida e carinho em duelos cinematográficos, os filhos crescem e se tornam pais..."
O trecho acima, que consta do ótimo release que me foi enviado pela assessora de imprensa Mônica Riani, sintetiza de forma irrepreensível não apenas algumas das mais significativas passagens do presente espetáculo, mas sobretudo o espírito que o anima: uma brincadeira de criança.
Mas isto não significa, obviamente, que estejamos diante de uma montagem dirigida ao público infantil, e sim de algo que, através do lúdico, nos convida a sermos cúmplices de permanentes construções e desconstruções, inversões de papéis, recriação do real, e assim por diante, exatamente como fazem as crianças.
Em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado, "Ninguém falou que seria fácil" é o segundo espetáculo do grupo Foguetes Maravilha (o anterior foi "Ele precisa começar"). De autoria de Felipe Rocha, a montagem chega à cena com direção de Alex Cassal (co-direção de Rocha) e elenco formado por Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello.
Como já deve ter ficado implícito, estamos diante da rara oportunidade de rever nossa postura no que concerne ao ato de assistir a um espetáculo. Se nos mantivermos aferrados à crença de que um bom texto deve seguir à risca os cânones que norteiam a dramaturgia tradicional, estaremos perdidos.
Mas se, ao contrário, nos colocarmos disponíveis para apreender o que nos é oferecido muito mais através de sentimentos e sensações do que de procedimentos lógicos e racionais, aí então deixaremos o Planetário convictos de que, a exemplo das crianças, podemos perfeitamente lidar com o real da vida sem que isto implique em renunciar à nossa tão esquecida capacidade de recriá-la por meio da fantasia.
Isto posto, torna-se evidente que tanto o ótimo texto de Felipe Rocha quanto a direção de Alex Cassal (com a parceria de Felipe) nos propõem uma espécie de co-autoria, nos demandam uma postura muito mais de cúmplices do que de meros espectadores. Ou seja: ou você entra no jogo ou não entra. Ou você é "capturado" ou não é. No meu caso, entrei no jogo e fui totalmente capturado. Daí minha felicidade durante todo espetáculo e após o mesmo ter-se encerrado.
Valendo-se de uma dinâmica cênica em total sintonia com o material dramatúrgico, com permanente alternância de climas e abruptos cortes que surpreendem e encantam em igual medida, Cassal e Rocha exibem o mérito suplementar de haverem extraído ótimas atuações do elenco - no caso de Rocha, suponho que deva ter permito ao parceiro de direção um valioso "olhar de fora".
Renato Linhares, Stella Rabello e Felipe Rocha parecem ter nascido com a expressa finalidade de encarnar os muitos personagens de "Ninguém falou que seria fácil" - no caso de Rocha, é até compreensível...Exibindo performances irretocáveis, tanto no que diz respeito ao texto articulado como em relação às diversificadas composições físicas, o trio ainda evidencia maravilhosa contracena e comovente prazer de compartilhar o mesmo palco. Aos três, portanto, só me resta agradecer a noite tão emocionante e divertida que me proporcionaram, e desejar uma longa carreira para esta montagem tão apaixonante.
Na equipe técnica, Alice Ripoli assina uma impecável direção de movimento, sendo de altíssimo nível a expressiva iluminação de Tomás Ribas, a mesma expressividade presente na despojada e inventiva cenografia de Aurora dos Campos, na direção musical de Rodrigo Marçal e nos figurinos de Antônio Medeiros.
NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL - Texto de Felipe Rocha. Direção de Alex Cassal (co-direção de Rocha). Com Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello. Teatro Maria Clara Machado. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h.
"Ninguém falou que seria fácil"
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Adorável brincadeira de criança
Lionel Fischer
"Como em uma brincadeira de criança, um jogo de amarelinha fragmentado e mutável, os personagens saltam da infância para as angústias da vida adulta, da velhice para o encontro amoroso, da sala de parto para a morte. Assim que os espectadores se acomodam, uma discussão de casal inicia uma vertiginosa troca de papéis, que irá carregá-los por lugares, épocas e situações diversas. Um homem se torna pai mas não quer deixar o colo da mãe, uma filha argumenta racionalmente sobre as razões para não largar a chupeta, um jovem recém-formado decide hibernar, irmãos disputam comida e carinho em duelos cinematográficos, os filhos crescem e se tornam pais..."
O trecho acima, que consta do ótimo release que me foi enviado pela assessora de imprensa Mônica Riani, sintetiza de forma irrepreensível não apenas algumas das mais significativas passagens do presente espetáculo, mas sobretudo o espírito que o anima: uma brincadeira de criança.
Mas isto não significa, obviamente, que estejamos diante de uma montagem dirigida ao público infantil, e sim de algo que, através do lúdico, nos convida a sermos cúmplices de permanentes construções e desconstruções, inversões de papéis, recriação do real, e assim por diante, exatamente como fazem as crianças.
Em cartaz no Teatro Municipal Maria Clara Machado, "Ninguém falou que seria fácil" é o segundo espetáculo do grupo Foguetes Maravilha (o anterior foi "Ele precisa começar"). De autoria de Felipe Rocha, a montagem chega à cena com direção de Alex Cassal (co-direção de Rocha) e elenco formado por Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello.
Como já deve ter ficado implícito, estamos diante da rara oportunidade de rever nossa postura no que concerne ao ato de assistir a um espetáculo. Se nos mantivermos aferrados à crença de que um bom texto deve seguir à risca os cânones que norteiam a dramaturgia tradicional, estaremos perdidos.
Mas se, ao contrário, nos colocarmos disponíveis para apreender o que nos é oferecido muito mais através de sentimentos e sensações do que de procedimentos lógicos e racionais, aí então deixaremos o Planetário convictos de que, a exemplo das crianças, podemos perfeitamente lidar com o real da vida sem que isto implique em renunciar à nossa tão esquecida capacidade de recriá-la por meio da fantasia.
Isto posto, torna-se evidente que tanto o ótimo texto de Felipe Rocha quanto a direção de Alex Cassal (com a parceria de Felipe) nos propõem uma espécie de co-autoria, nos demandam uma postura muito mais de cúmplices do que de meros espectadores. Ou seja: ou você entra no jogo ou não entra. Ou você é "capturado" ou não é. No meu caso, entrei no jogo e fui totalmente capturado. Daí minha felicidade durante todo espetáculo e após o mesmo ter-se encerrado.
Valendo-se de uma dinâmica cênica em total sintonia com o material dramatúrgico, com permanente alternância de climas e abruptos cortes que surpreendem e encantam em igual medida, Cassal e Rocha exibem o mérito suplementar de haverem extraído ótimas atuações do elenco - no caso de Rocha, suponho que deva ter permito ao parceiro de direção um valioso "olhar de fora".
Renato Linhares, Stella Rabello e Felipe Rocha parecem ter nascido com a expressa finalidade de encarnar os muitos personagens de "Ninguém falou que seria fácil" - no caso de Rocha, é até compreensível...Exibindo performances irretocáveis, tanto no que diz respeito ao texto articulado como em relação às diversificadas composições físicas, o trio ainda evidencia maravilhosa contracena e comovente prazer de compartilhar o mesmo palco. Aos três, portanto, só me resta agradecer a noite tão emocionante e divertida que me proporcionaram, e desejar uma longa carreira para esta montagem tão apaixonante.
Na equipe técnica, Alice Ripoli assina uma impecável direção de movimento, sendo de altíssimo nível a expressiva iluminação de Tomás Ribas, a mesma expressividade presente na despojada e inventiva cenografia de Aurora dos Campos, na direção musical de Rodrigo Marçal e nos figurinos de Antônio Medeiros.
NINGUÉM FALOU QUE SERIA FÁCIL - Texto de Felipe Rocha. Direção de Alex Cassal (co-direção de Rocha). Com Felipe Rocha, Renato Linhares e Stella Rabello. Teatro Maria Clara Machado. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
A matéria-prima do enredo
Eric Bentley
A experiência viva de uma peça de teatro, como de uma novela, ou de uma peça musical, é um caudal de sentimentos que flui dentro de nós, ora célere, ora lento, aqui placidamente espraiando-se entre as margens largas, além precipitando-se em torrentes entre as ribas estreitas, agora deslizando por uma vertente, logo atirando-se em vertiginosos rápidos, depois precipitando-se de uma catarata, adiante sustado por uma represa, até desaguar num oceano.
Com tudo isso, a imediata experiência, a erudição e a crítica e a pedagogia, surpreendentemente, pouco têm a ver. Os especialistas dispõem de teorias a respeito do Hamlet e têm certeza de que são corretas. Mas pergunte-se-lhes por que vão a um show ou ao cinema num sábado à noite e vê-los-emos muito menos seguros de si.
Ora, deverá parecer um tanto suspeito que se pretenda resolver os problemas mais avançados sem que se tenham solucionado os mais elementares. Mas alguma vez foram solucionados os elementares? As perguntas mais fáceis são as mais difíceis. E só é possível começar a discuti-las tal como se discutem as mais complexas: fragmentando-as em suas parcelas componentes, detendo as mais cruas e tratando de abrir caminho através das menos cruas.
O que é enredo? O produto acabado que ocorre à mente é, sobretudo, intrincado e sutil. De que matérias-primas se fez o produto? Da vida, poderíamos confiantemente aventar, a vida em sua diversidade e sem exclusão do seu aspecto mais desagradável. Mas não pode haver respostas, mesmo provisórias, enquanto as perguntas forem tão genéricas.
A análise do material do enredo só poderá começar quando for isolada alguma unidade menor que a "vida", de preferência - uma vez que o nosso tema é o enredo no teatro - uma unidade característica do teatro, em particular. Na busca dessa unidade, aproveito uma sugestão de George Santayana para efeito de que, enquanto o novelista verá os acontecimentos por intermédio da mente de outros homens, o dramaturgo, por seu lado, "consente que vejamos a mente de outros homens, por intermédio de eventos". Se o enredo é um edifício, os tijolos de que está construído são acontecimentos, ocorrências, sucessos, incidentes.
Os eventos não são dramáticos em si. O drama requer os olhos do espectador. Ver drama nalguma coisa é perceber os elementos de conflito e reagir emocionalmente a esses elementos. Essa reação emocional consiste em ficar impressionado, ser atingido de espanto, na presença do conflito. O próprio conflito também não é intrinsicamente dramático. Se todos perecermos numa guerra nuclear, continuará havendo conflito - nos domínios da Física e da Química. Não se trata de um drama e apenas de um processo. Se o drama é uma coisa que se vê, tem de haver alguém para ver. A arte dramática é humana.
Até que ponto a nossa vida é dramática? Existe, por certo, a opinião de que os elementos dramáticos são raros, e de que a experiência cotidiana é cacete, sem conflitos. Que as coisas passam e repassam num vaivém infindável poder-se-ia dizer, e tem-se dito, da vida em geral. Tem-se dito também de certas épocas e lugares.
Mas se o drama é uma questão não só de acontecimentos, propriamente ditos, mas também das nossas reações emocionais, então a pergunta "até que ponto a nossa vida é draqmática?" é, em parte, uma questão subjetiva. O que uma pessoa sente como coisa aborrecida, outra acha emocionante. Mesmo um homem que considere a vida, em geral, não-dramática, notará exceções.
Freud escreveu um livro revelador, Psicopatologia da Vida Cotidiana, em que mostrou que as atividades verbais sem conteúdo aparente encerram, na realidade, um tesouro de significações. Não poderíamos falar, numa acepção semelhante, do drama da vida cotidiana, mesmo onde o drama pareça faltar completamente?
A idéia convencional é que a vida só é dramática depois de um jornalista ou um dramaturgo "dramatizarem" os assuntos. Sem mencionar aquilo com que os jornalistas e dramaturgos principalmente contam: o nosso insaciável apetite de drama. Consideremos a atividade conhecida como ócio. Pensemos que o cansaço é tanto que nem dá para devaneios. Cochilamos em nossa cadeira. Talvez nos sintamos relativamente serenos em nosso cochilo. Mas tão logo adormecemos, como se diz, "o diabo fica à solta". Lutas gigantescas, perseguições terríveis, frustrações angustiosas, desencadeiam-se no íntimo dos nossos sonhos.
Se, ao menos, cessassem quando despertamos! Mas a disposição gerada durante o sonho persiste, como é natural, se considerarmos que consubstancia as nossas principais inquietações. Descarregamnos em nossa esposa. Uma peça de Strindberg! A nossa irritação tem as mesmas dimensões do nosso pesadelo. O telefone soa. Um pequeno problema surgiu no escritório. Mas, nesse momento, o pequeno já é enorme. O problema do escritório adquire proporções de um bombardeio aéreo. Suspendemos o fone coléricos. Um drama social!
Por um lado, os grandes dramas dos Linberghs e dos Hitlers; por outro lado, os pequenos dramas de cada um de nós, de cada dia. Mas esses pequenos dramas, para a imaginação, são grandes e estão moldados à semelhança, precisamente, dos grandes dramas descritos nos jornais. Assim é que as peças, em geral, são a respeito de grandes pessoas, embora o que elas dizem se aplique às pequenas.
E há o inverso dessa proposição: quando um grande dramaturgo, como Tchecov, apresenta a mesquinhez da vida cotidiana, consegue sugerir - como realmente deve - a grandeza da vida de todos os dias, as dimensões daquelas fantasias que vão desde a vida secreta de Walter Mitty até os devaneios heróicos de Don Quixote.
Virginia Woolf referiu-se certa vez à novelística como um prolongamento do âmbito de nossa bisbilhotice. O drama, sendo em geral um fenômeno mais violento, poderia ser considerado uma ampliação do âmbito do escândalo. Ambos os gêneros testemunham o amor humano à informação que diga respeito a outros seres humanos, particularmente àquele tipo de informação que, normalmente, é retido ou negado; e o dramaturgo é, nisso como em muitas outras coisas, um extremista, um homem que, noutras circunstâncias, poderia ter sido um bisbilhoteiro ou um espião da polícia.
Se isso não for aceito como coisa certa logo de início, apenas servirá para sentirmo-nos frustrados mais tarde, como acredito que alguns em tudo o mais excelentes críticos se sentiram - Edwin Muir, por exemplo, que escreveu em seu livro sobre novelística:
"Um deleite irresponsável nos acontecimentos vigorosos é o que nos encanta na novela de ação. Por que uma simples descrição de ações violentas nos agrada é uma questão para os psicólogos".
O segundo período transcrito fornece, incidentalmente, uma pequena prova de que o homem literário talvez deseje evitar os fatos mais elementares da experiência literária, porquanto Muir não poderia querer dizer que é difícil encontrar o motivo para a atração exercida pelas ações violentas. Por que nos agrada mesmo uma péssima descrição de ações violentas? E como poderia deixar de agradar?
Inclinamo-nos a sentir que a nossa vida carece de violência e gostamos de ver aquilo que nos falta. Tendemos para uma existência enfadonha, e gostamos de ser colhidos na excitação de outrem. Somos agressivos, e gostamos de presenciar a agressão. (Se não sabemos que somos agressivos, ainda mais prazer nos dá presenciar a agressão). Nunca nos vimos em tão grandes apuros, e gostamos que os outros estejam passando ainda pior.
Esta é, portanto, a resposta a Muir: a violência interessa-nos porque somos violentos. E o exteriormente mais gentil e tranqüilo pode ser, interiormente, o mais turbulento. Essa possibilidade tem sido, de fato, acentuada a tal ponto que, hoje em dia, já suspeitamos de que todo Milquetoast é um Torquemada reprimido, de que todo Jekyll é uma simples máscara para Hyde. Mas a violência não está limitada às pessoas de comportamento não-violento. Está presente em todos nós, excetuando-se, de um lado, as pessoas exepcionalmente debilitadas e, de outro, certas espécies de santos.
E, embora a debilidade possa ser congênita, a santidade não-violenta não o é. A violência foi expurgada no santo por meio de um incessante, um infatigável labor moral. Ora, aos santos não faz falta o dramatismo; e os pobres de corpo e espírito não podem alcançá-lo. E tenho por vezes cogitado se não faria melhor sentido ensinar aos dramaturgos incipientes, em vez da habitual Técnica Dramática, duas regras fundamentais da natureza humana: se quereis atrair as atenções da audiência, sêde violentos; se quereis mantê-la, sêde novamente violentos. É verdade que as más peças se baseiam em tais princípios, mas não é verdade que as boas peças sejam escritas desafiando-os.
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Extraído - e um pouco reduzido - de A experiência viva do teatro
(Zahar Editores/1967. Tradução de Álvaro Cabral)
Eric Bentley
A experiência viva de uma peça de teatro, como de uma novela, ou de uma peça musical, é um caudal de sentimentos que flui dentro de nós, ora célere, ora lento, aqui placidamente espraiando-se entre as margens largas, além precipitando-se em torrentes entre as ribas estreitas, agora deslizando por uma vertente, logo atirando-se em vertiginosos rápidos, depois precipitando-se de uma catarata, adiante sustado por uma represa, até desaguar num oceano.
Com tudo isso, a imediata experiência, a erudição e a crítica e a pedagogia, surpreendentemente, pouco têm a ver. Os especialistas dispõem de teorias a respeito do Hamlet e têm certeza de que são corretas. Mas pergunte-se-lhes por que vão a um show ou ao cinema num sábado à noite e vê-los-emos muito menos seguros de si.
Ora, deverá parecer um tanto suspeito que se pretenda resolver os problemas mais avançados sem que se tenham solucionado os mais elementares. Mas alguma vez foram solucionados os elementares? As perguntas mais fáceis são as mais difíceis. E só é possível começar a discuti-las tal como se discutem as mais complexas: fragmentando-as em suas parcelas componentes, detendo as mais cruas e tratando de abrir caminho através das menos cruas.
O que é enredo? O produto acabado que ocorre à mente é, sobretudo, intrincado e sutil. De que matérias-primas se fez o produto? Da vida, poderíamos confiantemente aventar, a vida em sua diversidade e sem exclusão do seu aspecto mais desagradável. Mas não pode haver respostas, mesmo provisórias, enquanto as perguntas forem tão genéricas.
A análise do material do enredo só poderá começar quando for isolada alguma unidade menor que a "vida", de preferência - uma vez que o nosso tema é o enredo no teatro - uma unidade característica do teatro, em particular. Na busca dessa unidade, aproveito uma sugestão de George Santayana para efeito de que, enquanto o novelista verá os acontecimentos por intermédio da mente de outros homens, o dramaturgo, por seu lado, "consente que vejamos a mente de outros homens, por intermédio de eventos". Se o enredo é um edifício, os tijolos de que está construído são acontecimentos, ocorrências, sucessos, incidentes.
Os eventos não são dramáticos em si. O drama requer os olhos do espectador. Ver drama nalguma coisa é perceber os elementos de conflito e reagir emocionalmente a esses elementos. Essa reação emocional consiste em ficar impressionado, ser atingido de espanto, na presença do conflito. O próprio conflito também não é intrinsicamente dramático. Se todos perecermos numa guerra nuclear, continuará havendo conflito - nos domínios da Física e da Química. Não se trata de um drama e apenas de um processo. Se o drama é uma coisa que se vê, tem de haver alguém para ver. A arte dramática é humana.
Até que ponto a nossa vida é dramática? Existe, por certo, a opinião de que os elementos dramáticos são raros, e de que a experiência cotidiana é cacete, sem conflitos. Que as coisas passam e repassam num vaivém infindável poder-se-ia dizer, e tem-se dito, da vida em geral. Tem-se dito também de certas épocas e lugares.
Mas se o drama é uma questão não só de acontecimentos, propriamente ditos, mas também das nossas reações emocionais, então a pergunta "até que ponto a nossa vida é draqmática?" é, em parte, uma questão subjetiva. O que uma pessoa sente como coisa aborrecida, outra acha emocionante. Mesmo um homem que considere a vida, em geral, não-dramática, notará exceções.
Freud escreveu um livro revelador, Psicopatologia da Vida Cotidiana, em que mostrou que as atividades verbais sem conteúdo aparente encerram, na realidade, um tesouro de significações. Não poderíamos falar, numa acepção semelhante, do drama da vida cotidiana, mesmo onde o drama pareça faltar completamente?
A idéia convencional é que a vida só é dramática depois de um jornalista ou um dramaturgo "dramatizarem" os assuntos. Sem mencionar aquilo com que os jornalistas e dramaturgos principalmente contam: o nosso insaciável apetite de drama. Consideremos a atividade conhecida como ócio. Pensemos que o cansaço é tanto que nem dá para devaneios. Cochilamos em nossa cadeira. Talvez nos sintamos relativamente serenos em nosso cochilo. Mas tão logo adormecemos, como se diz, "o diabo fica à solta". Lutas gigantescas, perseguições terríveis, frustrações angustiosas, desencadeiam-se no íntimo dos nossos sonhos.
Se, ao menos, cessassem quando despertamos! Mas a disposição gerada durante o sonho persiste, como é natural, se considerarmos que consubstancia as nossas principais inquietações. Descarregamnos em nossa esposa. Uma peça de Strindberg! A nossa irritação tem as mesmas dimensões do nosso pesadelo. O telefone soa. Um pequeno problema surgiu no escritório. Mas, nesse momento, o pequeno já é enorme. O problema do escritório adquire proporções de um bombardeio aéreo. Suspendemos o fone coléricos. Um drama social!
Por um lado, os grandes dramas dos Linberghs e dos Hitlers; por outro lado, os pequenos dramas de cada um de nós, de cada dia. Mas esses pequenos dramas, para a imaginação, são grandes e estão moldados à semelhança, precisamente, dos grandes dramas descritos nos jornais. Assim é que as peças, em geral, são a respeito de grandes pessoas, embora o que elas dizem se aplique às pequenas.
E há o inverso dessa proposição: quando um grande dramaturgo, como Tchecov, apresenta a mesquinhez da vida cotidiana, consegue sugerir - como realmente deve - a grandeza da vida de todos os dias, as dimensões daquelas fantasias que vão desde a vida secreta de Walter Mitty até os devaneios heróicos de Don Quixote.
Virginia Woolf referiu-se certa vez à novelística como um prolongamento do âmbito de nossa bisbilhotice. O drama, sendo em geral um fenômeno mais violento, poderia ser considerado uma ampliação do âmbito do escândalo. Ambos os gêneros testemunham o amor humano à informação que diga respeito a outros seres humanos, particularmente àquele tipo de informação que, normalmente, é retido ou negado; e o dramaturgo é, nisso como em muitas outras coisas, um extremista, um homem que, noutras circunstâncias, poderia ter sido um bisbilhoteiro ou um espião da polícia.
Se isso não for aceito como coisa certa logo de início, apenas servirá para sentirmo-nos frustrados mais tarde, como acredito que alguns em tudo o mais excelentes críticos se sentiram - Edwin Muir, por exemplo, que escreveu em seu livro sobre novelística:
"Um deleite irresponsável nos acontecimentos vigorosos é o que nos encanta na novela de ação. Por que uma simples descrição de ações violentas nos agrada é uma questão para os psicólogos".
O segundo período transcrito fornece, incidentalmente, uma pequena prova de que o homem literário talvez deseje evitar os fatos mais elementares da experiência literária, porquanto Muir não poderia querer dizer que é difícil encontrar o motivo para a atração exercida pelas ações violentas. Por que nos agrada mesmo uma péssima descrição de ações violentas? E como poderia deixar de agradar?
Inclinamo-nos a sentir que a nossa vida carece de violência e gostamos de ver aquilo que nos falta. Tendemos para uma existência enfadonha, e gostamos de ser colhidos na excitação de outrem. Somos agressivos, e gostamos de presenciar a agressão. (Se não sabemos que somos agressivos, ainda mais prazer nos dá presenciar a agressão). Nunca nos vimos em tão grandes apuros, e gostamos que os outros estejam passando ainda pior.
Esta é, portanto, a resposta a Muir: a violência interessa-nos porque somos violentos. E o exteriormente mais gentil e tranqüilo pode ser, interiormente, o mais turbulento. Essa possibilidade tem sido, de fato, acentuada a tal ponto que, hoje em dia, já suspeitamos de que todo Milquetoast é um Torquemada reprimido, de que todo Jekyll é uma simples máscara para Hyde. Mas a violência não está limitada às pessoas de comportamento não-violento. Está presente em todos nós, excetuando-se, de um lado, as pessoas exepcionalmente debilitadas e, de outro, certas espécies de santos.
E, embora a debilidade possa ser congênita, a santidade não-violenta não o é. A violência foi expurgada no santo por meio de um incessante, um infatigável labor moral. Ora, aos santos não faz falta o dramatismo; e os pobres de corpo e espírito não podem alcançá-lo. E tenho por vezes cogitado se não faria melhor sentido ensinar aos dramaturgos incipientes, em vez da habitual Técnica Dramática, duas regras fundamentais da natureza humana: se quereis atrair as atenções da audiência, sêde violentos; se quereis mantê-la, sêde novamente violentos. É verdade que as más peças se baseiam em tais princípios, mas não é verdade que as boas peças sejam escritas desafiando-os.
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Extraído - e um pouco reduzido - de A experiência viva do teatro
(Zahar Editores/1967. Tradução de Álvaro Cabral)
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