quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

MULHERES

Entediado, o Senhor vaga pelo universo na esperança de que algo o surpreenda, mesmo sabendo que nada pode surpreendê-lo, já que tudo que existe é obra da sua vontade e segue o inexorável destino que ele próprio traçara. Mas, ainda assim, ele vaga...amaldiçoando sua onipotência e desejando ardentemente o impossível, ou seja, se deparar com algo que, por qualquer razão, pudesse ter escapado ao seu rígido controle.

Sim, Deus vaga desesperado à procura de algo que o negue, de uma centelha de revolta, mesmo que partindo da mais ínfima criatura, do menor dos átomos, da mais insignificante das moléculas! Mas é tudo inútil...

Então, sentindo-se uma espécie de náufrago de si mesmo, Deus se senta – não sei bem aonde, mas isso é um detalhe – e chora de raiva de seu monumental engano: o de imaginar que poderia ser feliz em um universo isento de espantos!

E foi exatamente enquanto carpia como uma lavadeira grega que Deus, subitamente, teve o insite!  Sim, seria preciso inventar uma criatura inteiramente diferente de todas as outras. Uma criatura ao mesmo tempo divertida e trágica, insolente e delicada, frágil e transgressora. Uma criatura que jamais poderia ser plenamente apreendida, já que estaria sempre em permanente processo de mutação.

E foi nesse momento que Deus concebeu e deu forma à sua mais esplêndida criação: a mulher!!!   (LF)
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