sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Teatro/CRÍTICA

"Máscaras de penas penadas"

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Difícil relação entre palco e platéia


Lionel Fischer


"O monólogo fala do caminho interno percorrido pelo ator ao intepretar uma personagem, a solidão, a busca da inspiração, a evocação das Musas, o renascimento, a timidez, a relação do consciente com o inconsciente, o contato com as Musas, com Mercúrio, com os deuses do teatro Diana, Apolo e Dionísio, e a integração desses mitos com sua psique. Em cena, Leona Cavalli, acompanhada de percussão. A ação começa com a atriz se preparando para entrar em cena, quando percebe que ainda não está pronta para começar. Presenciamos então sua busca e iniciação no caminho percorrido para interpretar sua personagem e se comunicar com a platéia.O texto faz parte do livro Caminho das pedras, reflexões de uma atriz", de Leona Cavalli, que vem com o monólogo de Ana Vitória Vieira Monteiro e Áudio-Livro com trilha sonora de Chico César".

O trecho acima, extraído do release que me foi enviado, retrata com precisão o que se pretendeu materializar na cena. No entanto, tal materialização se dá de forma um tanto confusa, em especial para espectadores pouco familiarizados com a mitologia grega, como tentarei mostrar em seguida. Em cartaz no Centro Cultural Solar de Botafogo, Máscaras de penas penadas (que tem como sub-título Cantos dos cantos iniciáticos do ator) tem direção assinada por Georgette Fadel e Ana Vitória Vieira Monteiro.

Como dito no parágrafo inicial, a atriz se prepara para entrar em cena, mas por motivos ignorados afirma não estar pronta para fazê-lo. Então, dá início - ao que suponho - a mais um ensaio daquilo que deveria exibir, mesclando a interpretação de vários personagens mitológicos com apelos pessoais aos referidos Deuses e Musas, objetivando (também é uma suposição) deles obter algum tipo de resposta que contribua para sua iluminação e fortalecimento.

Mas mesmo que minha suposição esteja correta, dificilmente um espectador não familiarizado com a mitologia grega (como já foi dito) conseguirá estabelecer uma relação mais visceral com o espetáculo, tantas são as referências e mais ainda em função do ritmo por demais acelerado, de uma maneira geral. Afora isso, não compreendi muito bem a parte final do espetáculo, quando Leona Cavalli vira ela mesma (ou a atriz que está em cena) e faz confissões diretas à platéia, expondo sua timidez, insegurança e muitas outras questões. A montagem estaria, com essa quebra, tentando justificar seu começo, quando a atriz confessa não estar preparada?

Enfim...seja como for, o texto não deixa de exibir belas passagens, assim como o espetáculo tira partido dos vastos recursos expressivos de Leona Cavalli, tanto vocais como corporais. Aliás, cumpre registrar que considero Leona Cavalli uma atriz brilhante, com forte presença cênica, carisma e notável capacidade de entrega. Só lamento que todo esse enorme talento esteja aqui a serviço de algo que provavelmente poderia ser melhor usufruído como literatura, e não na forma de um espetáculo teatral.

Na equipe técnica, Chico César responde por ótima trilha sonora, a mesma excelência presente nos figurinos de Antônio Filho e na iluminação de Ricardo Fujii, cabendo ainda destacar a preparação corporal de Tica Lemos e a preparação vocal de Patrícia Cáceres.

MÁSCARAS DE PENAS PENADAS - Texto de Ana Vitória Vieira Monteiro. Direção da autora em parceria com Georgette Fadel. Com Leona Cavalli. Centro Cultural Solar de Botafogo. Quartas e quintas, 21h.

Um comentário:

  1. bacana
    de curiosidade , amo os audiolivros da Universidade Falada , no site www.universidadefalada.com.br , onde tem centenas de audiolivros ...
    abcs

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