quarta-feira, 11 de outubro de 2017

OFICINA SECRETA DE DRAMATURGIA SOMENTE PARA MULHERES DE TODOS OS SEXOS

Com Marcia Zanelatto

Programa:

Conversar sobre a dominação da estrutura narrativa clássica, como essa forma se aninhou em nossos corações e mentes e quais suas consequencias visíveis e invisibilizadoras.

Desvendar o conteúdo patriarcal da estrutura clássica, esmiuçando quais as tarefas dessa narrativa na produção de ficção e como ela altera a percepção das realidades íntimas e sociais e as impressões do simbólico.

Pesquisar o que existe para além das características dessa estrutura, algumas hipóteses:
- torções temporais diagonais e não cronológicas
- ação hiper-subjetiva, com plataformas realistas, filosóficas e poéticas concomitantes para expandir o trabalho da atua
ção em cena (subsituindo a ideia de objetivo e confronto - protagonismo e antagonismo)
- personagens sem objetivo, plenos de vazio, aos quais tudo falta e nada falta
- criação de camadas simultâneas de espaço físico para o correr da ação no palco

Partir em busca de estruturas narrativas não-patriarcais, em que os valores atribuídos ao feminino ganhem formas dramatúrgicas insuspeitas

Avaliar qual o impacto desse tipo de produção na desconstrução do imaginário contemporâneo, e, principalmente, o quanto ela pode libertar iminentes formas de criação, autopercepção e autoidentificação nos processos íntimos e nos coletivos.

Público alvo:
Mulheres de todos os sexos e de todas as áreas do saber interessadas e/ou comprometidas com a escrita para teatro e não só para ele.

LOCAL: Instituto CAL de Arte e Cultura - Rua Santo Amaro, 44 - Glória - (Rio de Janeiro/ RJ)

PERÍODO: de 16 a 19 de outubro de 2017

HORÁRIO: De segunda à quinta-feira, das 19:30 às 22:00

VALOR: R$ 300,00

Inscrições: http://www.cal.com.br/livres/marcia_zanelatto_segundo2017.html
Marcia Zanelatto é escritora e dramaturga.
Neste momento, está indicada aos prêmios Shell, Categoria Melhor Autor; CESGRANRIO, categria Melhor Texto Nacional Inédito, e Botequim Cultural, Melhor Autor, todos pela peça "ELA", direção de Paulo Verlings.
Recebeu o Prêmio APTR 2015, Melhor Autora, pela peça "Desalinho". Foi indicada ao Prêmio Shell, Melhor Autor, 2016, ao lado de Jô Bilac e Pedro Kosovki, pela peça "Fatal", direção de Guilherme Leme Garcia.
É autora da peça "Genderless - um corpo fora da lei", direção de Guilherme Leme Garcia; "Por amor ao mundo - um encontro com Hannah Arendt", "Desalinho" e "Deixa Clarear", direções de Isaac Bernat. 
Com a peça The Body's Night (ELA) participa do Female Voices from Brazil, CUNY/ Segal Center/ Evoé Collective, NYC. 
É autora comissionada pelo Royal Exchange Theatre (UK) para o Birth Project, para a qual escreveu a peça The Birth Machine. 
Para o projeto Conexões, do British Council e National Theatre (São Paulo/ Londres), escreveu a peça "Meninos, meninas, meninas" ("He, She, Ze"). 
Participou como autora da peça "Genderless - an outlaw body" e curadora da Ocupação Rio Diversidade do Pen World Voices Festival, da City University of New York e Martin Segal Center Theatre (Nova Iorque); com a peça "Lest we forget" participou da mostra Red Like Embers, do Theatre 503 (Londres) e da mostra Dreams Before Daws, Theatre Menilmontant (Paris). 
É uma das autoras da antologia Teatro Contemporâneo Brasileiro, com a peça "Tempo de Solidão". Suas peças já foram traduzidas para o Inglês, Espanhol, Francês e Sueco.
É criadora e roteirista da sitcom "República do Peru"/ TV Brasil e autora do livro "Thammy - nadando contra a corrente"/ Editora Best Seller.
Como empresária cultural, suas mais recentes realizações são a Ocupação Rio Diversidade (indicada aos prêmios Shell, Categoria Inovação 2016 e APTR, Categoria Especial, 2016) e a Ocupação Grandes Minorias - Teatro para pensar o Brasil (Teatro Glauce Rocha/ 2015)

-- 
Por amor ao mundo - um encontro com Hanna Arendt 

Ocupação Rio Diversidade 
OFICINA SECRETA DE DRAMATURGIA SOMENTE PARA MULHERES DE TODOS OS SEXOS

Com Marcia Zanelatto

Programa:

Conversar sobre a dominação da estrutura narrativa clássica, como essa forma se aninhou em nossos corações e mentes e quais suas consequencias visíveis e invisibilizadoras.

Desvendar o conteúdo patriarcal da estrutura clássica, esmiuçando quais as tarefas dessa narrativa na produção de ficção e como ela altera a percepção das realidades íntimas e sociais e as impressões do simbólico.

Pesquisar o que existe para além das características dessa estrutura, algumas hipóteses:
- torções temporais diagonais e não cronológicas
- ação hiper-subjetiva, com plataformas realistas, filosóficas e poéticas concomitantes para expandir o trabalho da atua
ção em cena (subsituindo a ideia de objetivo e confronto - protagonismo e antagonismo)
- personagens sem objetivo, plenos de vazio, aos quais tudo falta e nada falta
- criação de camadas simultâneas de espaço físico para o correr da ação no palco

Partir em busca de estruturas narrativas não-patriarcais, em que os valores atribuídos ao feminino ganhem formas dramatúrgicas insuspeitas

Avaliar qual o impacto desse tipo de produção na desconstrução do imaginário contemporâneo, e, principalmente, o quanto ela pode libertar iminentes formas de criação, autopercepção e autoidentificação nos processos íntimos e nos coletivos.

Público alvo:
Mulheres de todos os sexos e de todas as áreas do saber interessadas e/ou comprometidas com a escrita para teatro e não só para ele.

LOCAL: Instituto CAL de Arte e Cultura - Rua Santo Amaro, 44 - Glória - (Rio de Janeiro/ RJ)

PERÍODO: de 16 a 19 de outubro de 2017

HORÁRIO: De segunda à quinta-feira, das 19:30 às 22:00

VALOR: R$ 300,00

Inscrições: http://www.cal.com.br/livres/marcia_zanelatto_segundo2017.html
Marcia Zanelatto é escritora e dramaturga.
Neste momento, está indicada aos prêmios Shell, Categoria Melhor Autor; CESGRANRIO, categria Melhor Texto Nacional Inédito, e Botequim Cultural, Melhor Autor, todos pela peça "ELA", direção de Paulo Verlings.
Recebeu o Prêmio APTR 2015, Melhor Autora, pela peça "Desalinho". Foi indicada ao Prêmio Shell, Melhor Autor, 2016, ao lado de Jô Bilac e Pedro Kosovki, pela peça "Fatal", direção de Guilherme Leme Garcia.
É autora da peça "Genderless - um corpo fora da lei", direção de Guilherme Leme Garcia; "Por amor ao mundo - um encontro com Hannah Arendt", "Desalinho" e "Deixa Clarear", direções de Isaac Bernat. 
Com a peça The Body's Night (ELA) participa do Female Voices from Brazil, CUNY/ Segal Center/ Evoé Collective, NYC. 
É autora comissionada pelo Royal Exchange Theatre (UK) para o Birth Project, para a qual escreveu a peça The Birth Machine. 
Para o projeto Conexões, do British Council e National Theatre (São Paulo/ Londres), escreveu a peça "Meninos, meninas, meninas" ("He, She, Ze"). 
Participou como autora da peça "Genderless - an outlaw body" e curadora da Ocupação Rio Diversidade do Pen World Voices Festival, da City University of New York e Martin Segal Center Theatre (Nova Iorque); com a peça "Lest we forget" participou da mostra Red Like Embers, do Theatre 503 (Londres) e da mostra Dreams Before Daws, Theatre Menilmontant (Paris). 
É uma das autoras da antologia Teatro Contemporâneo Brasileiro, com a peça "Tempo de Solidão". Suas peças já foram traduzidas para o Inglês, Espanhol, Francês e Sueco.
É criadora e roteirista da sitcom "República do Peru"/ TV Brasil e autora do livro "Thammy - nadando contra a corrente"/ Editora Best Seller.
Como empresária cultural, suas mais recentes realizações são a Ocupação Rio Diversidade (indicada aos prêmios Shell, Categoria Inovação 2016 e APTR, Categoria Especial, 2016) e a Ocupação Grandes Minorias - Teatro para pensar o Brasil (Teatro Glauce Rocha/ 2015)

--
Por amor ao mundo - um encontro com Hanna Arendt 

Ocupação Rio Diversidade 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Teatro/CRÍTICA

"Tripas"

.........................................................................................
Inesquecível resgate de imprescindíveis afetos



Lionel Fischer




Em seu sentido mais óbvio, fronteira é o limite que demarca um país e o separa de outro(s). No entanto, o termo pode ser aplicado a variados contextos. No presente caso, a fronteira é entre a vida e a morte. Um homem sofre imprevista crise de diverticulite aguda. Passa por diversas cirurgias. Fica um ano internado. Em alguns momentos, seu estado melhora; em outros, piora a ponto de sugerir que não escapará. O filho desse homem está sempre ao seu lado, ora alimentando esperanças, ora tentando controlar a angústia que o devasta. Mas não estamos diante de personagens. O homem que luta por sua vida é o ator, diretor e professor Ricardo Kosovski. O homem que o acompanha é seu filho, o autor, diretor e professor Pedro Kososki. 

Quando privado de um mínimo de lucidez, Ricardo sequer reconhece o filho, chamando-o inclusive por vários nomes. Mas em um momento em que a doença dá uma trégua, e na hipótese de que a recuperação seja total, os dois combinam viajar juntos pelo mundo. Ou por outra: decidem visitar Tel Aviv, em Israel. E o almejado sonho se materializa: lá conhecem o Golfo de Ácaba, que fica na fronteira entre Israel, Egito, Jordânia e Arábia Saudita. E foi neste momento que Pedro começou a criar a dramaturgia.

Em cartaz na Sala Multiuso do Sesc Copacabana, "Tripas" chega à cena com direção de Pedro (que no final do espetáculo faz breve participação) e atuação de Ricardo, com o projeto contando com as colaborações de Lídia Kosovski (cenografia), Renato Machado (iluminação), Felipe Storino (direção musical), Toni Rodrigues (direção de movimento) e Pedro Nêgo (músico). Cabe registrar que o processo de criação de "Tripas" teve interlocução com Renato Ferracini (LUME Teatro/UNICAMP) e a peça está associada ao pós-doutoramento de Ricardo Kosovski, professor da UNIRIO, com o título "Das tripas...autoficção". 

Como todos sabemos, um espetáculo teatral pode ser abominável ou inesquecível - para ficarmos apenas com considerações extremas. Mas quais seriam as razões que nos levam a considerar inesquecível um espetáculo teatral? Somente devido a razões de natureza estética? Sem dúvida, estas possuem enorme importância. Mas acredito que também existam outras, que transcendem conjecturas teóricas e se inserem em territórios nem sempre muito definidos ou acessíveis, como o dos afetos.

Quem perde o pai ou a mãe conhece a dimensão de uma dor que palavra alguma é capaz de definir. No entanto, a dor é ainda maior quando, por infinitas razões, muito do que poderia ter sido dito não o foi, muito do que poderia ter sido vivido e compartilhado acabou não se materializando. E essa sensação de incompletude é devastadora, posto que jamais poderá ser remediada. 

E é exatamente isto que o texto nos mostra: graças à viagem que fizeram, Ricardo e Pedro puderam se conhecer muito mais e chegar à mesma conclusão: a grande celebração teria que se dar através do teatro, teria que acontecer em um teatro, pois assim o belíssimo encontro que tiveram poderia ser compartilhado com os espectadores, que, a exemplo do que aconteceu comigo, certamente acompanharão o espetáculo alternando lágrimas e sorrisos, e irão para suas casas conscientes de que tudo pode e deve ser dito àqueles que amamos, que tudo pode e deve ser vivido com aqueles que amamos. Enquanto há tempo. E o tempo passa muito rápido...

Texto pungente, emocionante, divertido e dilacerado, "Tripas" recebeu excelente versão de Pedro Kosovski, que impõe à cena uma dinâmica que valoriza ao extremo a estrutura fragmentada do texto, que alterna passagens ficcionais e outras em que Ricardo Kosovski fala na primeira pessoa a respeito do que lhe ocorreu. 

E é justamente quando isso acontece que o público se sente abraçado e cúmplice do que está assistindo e vivenciando. E por isso não reluta em aceitar o convite do ator para que, em dado momento, com ele compartilhe o palco. E é então que, pouco depois, Ricardo lê a carta que Pedro lhe escreveu quando tudo indicava não haver mais a menor possibilidade de cura - sem entrar em maiores detalhes, faço questão de confessar que este foi um dos mais lindos e impactantes momentos já vividos por mim em um teatro. 

Quanto a Ricardo Kosovski, tive o privilégio de conviver mais estreitamente com ele em "Boa noite, professor", peça escrita e dirigida por mim e minha filha Julia Stockler, e que esteve em cartaz no ano passado no Tablado. E então, duas certezas que já possuía não sofreram o mais ínfimo abalo. A primeira: Ricardo não é apenas um dos maiores atores do país, mas um artista, na acepção máxima do termo. A segunda: é um homem cuja integridade não admite que com ele estabeleçamos uma relação pautada por qualquer dubiedade. Com Ricardo Kosovski, é sempre olho no olho. E por isso nossos corações bateram juntos, e nossas almas se tornaram gêmeas.

Com relação à equipe técnica, Lídia Kosovski responde por expressiva cenografia, que sugere a aridez de um deserto e cujos desníveis estão em perfeita sintonia com as oscilações de um homem que luta desesperadamente por sua vida, a mesma expressividade presente no figurino que assina. Igualmente irrepreensíveis são as contribuições de Renato Machado, Felipe Storino, Toni Rodrigues e Pedro Nêgo, cabendo também destacar o belíssimo design gráfico de Marina Kosovski. 

TRIPAS - Texto e direção de Pedro Kosovski. Com Ricardo Kosovski. Sala Multiuso do Sesc Copacabana. Sexta e sábado, 19h. Domingo, 18h.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Teatro/CRÍTICA

"Euforia"

.............................................................................................
Sensível brado contra o preconceito e a hipocrisia



Lionel Fischer



"Dividido em dois solos, o espetáculo trata do desejo. Um desabafo de dois personagens, um velho e uma cadeirante, que socialmente são olhados como seres assexuados, invisíveis aos olhos do prazer comum". Este trecho, extraído do ótimo release que me foi enviado, sintetiza o essencial de "Euforia", de autoria de Julia Spadaccini. Em cartaz no Espaço Cultural Sérgio Porto, a montagem leva a assinatura de Victor Garcia Peralta, estando a interpretação a cargo de Michel Blois.

Na primeira parte do espetáculo, entramos em contato com um senhor de 87 anos, que vive em um asilo e é cuidado por um enfermeiro (voz em off) que, provavelmente com o intuito de agradá-lo, inventa para ele um passado que jamais foi o seu - "um  garanhão que pegava todas". No entanto, o homem sempre foi homossexual e a narrativa nos revela a primeira vez em que teve absoluta certeza de que seu afeto seria sempre dirigido a um homem.

Já na segunda parte da montagem, a protagonista é uma jovem que, em face de um acidente de carro, perde completamente a sensibilidade da parte inferior de seu corpo. Pouco a pouco, uma vez superadas a dor e a revolta, ela começa a vislumbrar a possibilidade de transcender a fatalidade que a acometera e finalmente deseja e é desejada por um homem, com ele conseguindo consumar uma plena relação sexual.

No primeiro caso, a ênfase recai sobre a progressiva e inexorável ação do tempo sobre o corpo, assim como é enfatizado o desconforto do homem que já não consegue dar conta de si mesmo, e se vê obrigado a aceitar ser manipulado por alguém cuja suposta gentileza o constrange e entristece. No segundo caso, a personagem tem que reaprender a lidar com os limites físicos de seu corpo e parece que tal objetivo, se atingido, já seria suficiente. Mas, como já dito, sua libido é novamente despertada e então ela constata que o trágico acidente não a impediria de ser sexualmente ativa.

Em uma época, como a nossa, em que a hipocrisia e o preconceito parecem fadados a se perpetuar, é extremamente gratificante entrar em contato com um texto belíssimo, cujas pertinentes e sensíveis reflexões enfatizam, por um lado, que homossexualidade não é uma doença, como atualmente sustentam algumas correntes de pensamento abomináveis; e por outro que os deficientes físicos não devem e não podem ser encarados como seres inferiores, dignos no máximo de uma aparente compaixão que mal consegue disfarçar uma descarada repulsa.  

Exibindo uma estrutura narrativa que permite ao intérprete viver os personagens e ao mesmo tempo falar sobre as questões que os afligem, "Euforia" recebeu irretocável versão cênica de Victor Garcia Peralta. Explorando com extrema sensibilidade a ótima cenografia de Elsa Romero, que vai se transformando ao longo da montagem, o encenador constrói, como de hábito, uma encenação que prioriza o essencial, abdicando de inócuas firulas formais.  Afora isto, e também como sempre, Peralta revela-se um excelente parceiro dos intérpretes que dirige, no caso Michel Blois.

Possuidor de ótima voz, impecável trabalho corporal, grande carisma e uma inteligência cênica que o leva a buscar soluções que sempre escapam ao previsível, aqui Michel Blois exibe um dos melhores trabalhos de sua carreira, valorizando ao máximo tanto os conteúdos emocionais em jogo como as reflexões propostas pela autora. Sem dúvida, uma das melhores performances da atual temporada.

No complemento da ficha técnica, parabenizo com o mesmo entusiasmo as preciosas colaborações de todos os profissionais envolvidos nesta mais do que oportuna empreitada teatral - Wagner Azevedo (iluminação), Ticiana Passos (figurino), Holograma (trilha sonora original) e Raquel Alvarenga, que responde pelo belíssimo projeto gráfico.

EUFORIA - Texto de Julia Spadaccini. Direção de Victor Garcia Peralta. Com Michel Blois. Espaço Cultural Sérgio Porto. Sábado, domingo e segunda às 19h.   




sábado, 23 de setembro de 2017


Esta mensagem foi enviada com prioridade alta.
Caríssimos,
Prosseguimos com o Fórum de Psicanálise e Cinema com o filme:  A FAMÍLIA BÉLIER (2014, 104 min.), dirigido por Eric Lartigau, com roteiro de Victoria Bebos,  que, além do enorme sucesso de público na França e no Brasil, foi premiado em diversos festivais internacionaissobretudo com a consagração no César – Oscar francês -  de 2015.
No dia 29 de setembro, última sexta-feira do mês, às 18 h, na Sala Vera Janacópulos da UNIRIO, analisaremos e discutiremos essa obra significativa, tanto pela  temática bem construída e interpretada, como pelo destaque ao trazer à tona temas delicados, como o da inclusão e o da reordenação de vida que a família enfrenta ao longo do tempo.
Como sempre, aguardamos todos vocês para mais um debate e contamos com a divulgação aos amigos e aos interessados no viés cultural e psicanalítico,
Um abraço de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva.
SERVIÇO:
DATA: 29 DE SETEMBRO DE 2017.
HORÁRIO: FILME: 18h; ANÁLISE E DEBATE: 20 h às 22 h.
LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO
ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296.
ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISE PSICANALÍTICA: DR. NEILTON SILVA
ENTRADA FRANCA - INFORMAÇÕES: forumpsicinema@gmail.com
NOTA: Quem se interessar em adquirir o livro: Fórum de Psicanálise e Cinema: 20 filmes analisados, de autoria de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva, ele se encontra à venda nos dias do FÓRUM. 
HISTÓRICO: O FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA FOI CRIADO EM 1997, COMO UM PROJETO CIENTÍFICO DA ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA RIO 3, PELO ENTÃO PRESIDENTE, DR. WALDEMAR ZUSMAN, E PELO DIRETOR DO INSTITUTO, DR. NEILTON DIAS DA SILVA. DESDE 2004 PASSOU A CONTAR COM A PARTICIPAÇÃO DA MUSEÓLOGA E PROFESSORA DA UNIRIO, DRA ANA LÚCIA DE CASTRO, RESPONSÁVEL PELAS ANÁLISES CULTURAIS DOS FILMES. EM 2016, A SPRJ, CELEBROU OS 10 ANOS DO FÓRUM E A PARCERIA COM A UNIRIO PARA SEDIAR O PROJETO MENSALMENTE, SEMPRE MUITO CONCORRIDO.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Teatro/CRÍTICA

"Balé Ralé"

.........................................................................
Inesquecível encontro no Sergio Porto



Lionel Fischer



"Balé Ralé nos coloca diante de alguns dilemas morais, seja em nosso íntimo ou coletivo, justamente quando se torna necessário e urgente trazer à luz temas que têm estado nas capas dos jornais e que dizem respeito a todos, como desigualdade, o preconceito, a opressão, os muros políticos, sociais e simbólicos que se erguem cotidianamente. Os textos de Marcelino Freire dão continuidade à pesquisa da companhia na reflexão das questões da diversidade e seus reflexos sobre o homem contemporâneo, numa cena contundente sobre os limites do corpo, da sociedade e sua potência transformadora".

Extraído (e levemente editado) do release que me foi enviado, o trecho acima sintetiza as premissas essenciais da obra, resultante de textos de Marcelino Freire. Mais recente produção da Companhia Teatro de Extremos, "Balé Ralé" está em cartaz no Espaço Cultural Sergio Porto. Fabiano de Freitas assina a concepção e a direção, estando o elenco formado por Blackyva, Leonardo Corajo, Maurício Lima, Samuel Paes de Luna e Tatiana Henrique - também fazem parte do projeto Vilma Mello e Juracy de Oliveira, que não estavam em cena quando assisti o espetáculo. 

"Balé Ralé" exibe uma estrutura narrativa singular: não há uma história a ser contada e os personagens não dialogam entre si - ao menos no sentido convencional. O que existe são fragmentos, monólogos que abordam alguns temas como os mencionados no parágrafo inicial. E todos eles cumprem uma finalidade semelhante: a de nos mostrar, por um lado, os horrores da sociedade em que vivemos, e por outro, ainda que não explicitamente, nos imputar alguma responsabilidade pelo que está acontecendo. Vamos a alguns exemplos.

É possível que nenhum dos espectadores presentes na sessão que assisti tenha violentado uma mulher. No entanto, que atitude tomamos em face dos estupros que acontecem diariamente em nossa cidade? Um menino é abusado pelo pai no banheiro de sua casa: sabemos que abusos deste tipo ocorrem todos os dias. E o que fazemos quanto a isto? A miséria leva uma mulher a vender os filhos. Todos nós temos consciência da constância desta tragédia: mas será que basta ter consciência?

Em minha opinião, o que confere especial contundência a "Balé Ralé" não se limita à exposição de muitas e gravíssimas mazelas que assolam nossa cidade, mas sobretudo ao claro e virulento apelo que nos faz para que abandonemos nossa inércia, renunciemos à nossa indiferença e passemos a acreditar que tudo que acontece ao outro também nos diz respeito. E isso implica em agir, verbo que em nossa sociedade parece condenado à mais absoluta imobilidade.

Texto belíssimo, impregnado de um furor poético em tudo semelhante ao das grandes tempestades, "Balé Ralé" recebeu esplêndida versão cênica de Fabiano de Freitas, cabendo destacar a expressividade de suas marcações, seu domínio dos tempos rítmicos e sua atuação junto ao elenco. Como lhe disse após o espetáculo, pretendia avaliar detalhadamente o trabalho de cada intérprete. Mas acabei chegando à conclusão de que me tornaria repetitivo, pois contatei as mesmas virtudes em todos - excelente domínio vocal e corporal, fortíssima presença cênica e a consciência de que estão inseridos em um projeto de enorme relevância. Assim, a todos parabenizo com o mesmo entusiasmo, e a todos agradeço o inesquecível encontro que tivemos.

Com relação à equipe técnica, considero irretocáveis as contribuições de todos os profissionais envolvidos nesta mais do que oportuna empreitada teatral - Marcia Rubin (direção de movimento), Renato Machado (iluminação), Gustavo Benjão (direção musical), Pedro Paulo de Souza e Evee Avila (cenografia), Luiza Fardin (figurinos) e Josef Chasilew (visagismo).

BALÉ RALÉ - Texto de Marcelino Freire. Concepção e direção de Fabiano de Freitas. Com a Companhia Teatro de Extremos. Espaço Cultural Sergio Porto. Sexta a segunda, 20h30.  

   


terça-feira, 29 de agosto de 2017


 
Hoje, 12:20
 
Queridos Todos.
​Fomos convidados para reinaugurar o Teatro lá do Planetário da Gávea, agora em Setembro.
Então, é nossa Missa que segue. Uma alegria.
Nos ajudem a espalhar a noticia aos nossos amigos claricianos,
e aos que ainda não são, compartilhando entre os seus?
Vamos lotar aquele Teatro. A partir do dia 01. Venham Todos. De novo.
Avise por aqui ou para espetaculomissaparaclarice@gmail.com e nós reservamos para você.

Grande beijo.